Conde de Azarujinha

Conde de Azarujinha
Pariato Reino de Portugal
Criação D. Carlos I
23 de setembro de 1890
1.º titular D. António Augusto Dias de Freitas
Linhagem Dias de Freitas (de Freitas)
Títulos associados Visconde de Azarujinha

Conde de Azarujinha foi um título nobiliárquico português, criado em vida por D. Carlos I, por decreto de 23 de setembro de 1890, a favor de D. António Augusto Dias de Freitas, até então Visconde de Azarujinha.

O condado resultou da elevação do título de Visconde de Azarujinha, concedido ao mesmo titular por D. Luís I em 1870, que teve um único titular. O título de conde foi renovado em vida no filho do 1.º Conde, em 1904.

História

O título de Conde de Azarujinha teve origem no de Visconde de Azarujinha, que D. Luís I concedeu em vida a António Augusto Dias de Freitas por decreto de 11 de agosto de 1870. Por decreto de D. Carlos I de 23 de setembro de 1890, o mesmo titular foi elevado à Grandeza com o título de Conde de Azarujinha, igualmente em vida. O decreto de 1870 não foi registado no Arquivo da Torre do Tombo.

António Augusto Dias de Freitas nasceu a 15 de fevereiro de 1830 e morreu a 13 de fevereiro de 1904. Era filho do capitão António Dias de Freitas, cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, e de D. Libânia Carlota Gonçalves. O pai, capitão honorário do Exército, foi proprietário e negociante de grosso trato da praça de Lisboa.

Estudou no Colégio Militar e prosseguiu os estudos na Escola Politécnica, que teve de abandonar no fim do segundo ano, por motivo de doença grave. Após a morte do pai, tomou a seu cargo, juntamente com Jorge Croft, futuro 1.º Visconde da Graça, a direção da fábrica de vidros da Marinha Grande, cuja reputação conseguiu restaurar. Uma recaída obrigou-o a tratar-se no estrangeiro durante alguns anos; de regresso a Portugal, iniciou a carreira política, foi eleito deputado pelo Partido Regenerador em várias legislaturas e foi nomeado Par do Reino por carta régia de 29 de dezembro de 1881.

Recebeu o foro de fidalgo-cavaleiro da Casa Real por alvará de 30 de setembro de 1862, foi comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e vereador da Câmara Municipal de Lisboa. Foi também diretor da Companhia do Mercado da Praça da Figueira e membro do conselho fiscal de outras sociedades. Na indústria vidreira, foi concessionário da Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande.

Casou em 1855 com D. Joana Amália Correia de Sequeira Pinto, nascida a 26 de outubro de 1825. Era filha de Diogo António Correia de Sequeira Pinto, fidalgo-cavaleiro da Casa Real, do Conselho de Sua Majestade, juiz do Supremo Tribunal de Justiça, enfermeiro-mor do Hospital de São José, em Lisboa, e Par do Reino por carta régia de 5 de março de 1853, que morreu a 4 de agosto de 1872, e de D. Maria José da Rocha Ferreira de Sequeira Pinto.

O filho, Libânio Augusto Severo Dias de Freitas, nasceu a 16 de setembro de 1871 e morreu a 27 de fevereiro de 1930. Fidalgo-cavaleiro da Casa Real, comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e grande proprietário, recebeu o título de Conde de Azarujinha, em vida, por decreto de D. Carlos I de 27 de maio de 1904.

Propriedades

O 1.º Conde reuniu um património fundiário, sobretudo no Alentejo, com propriedades na Azaruja, em São Miguel de Machede (Herdade da Azarujinha), em Campo Maior, no Alandroal, em Montemor, Benavente, Vila Franca, Cartaxo e Sintra. Possuiu igualmente o Palácio do Conde de Azarujinha e a herdade de Coelheiros, perto de Igrejinha, com as herdades anexas.

Em Alcochete, foi proprietário das diversas marinhas de sal. Em Lisboa residiu no Campo de Santana, numa casa que mais tarde arrendou ao Instituto Oftalmológico. Comprou à Duquesa de Saldanha o Palácio Pombeiro, atual Embaixada de Itália. Possuiu ainda um chalé no Estoril, que deu nome à Praia da Azarujinha, outro em Paço de Arcos, um palácio na Azaruja, a Quinta do Porto, em Massamá, e uma quinta em São João da Coidiceira, Loures. O chalé de São João do Estoril, conhecido como Chalé Azarujinha, era ainda residência da família em meados da década de 1980.

Viscondes de Azarujinha (1870)

#TitularDatasTítulosNotasRef.
1D. António Augusto Dias de Freitas1830–19041.º Visconde de Azarujinha
(1.º Conde de Azarujinha)
Título concedido em vida por decreto de 11 de agosto de 1870, de D. Luís I; elevado a Conde em 1890. Casou em 1855 com D. Joana Amália Correia de Sequeira Pinto, filha de Diogo António Correia de Sequeira Pinto, Par do Reino e juiz do Supremo Tribunal de Justiça.

Condes de Azarujinha (1890)

#TitularDatasTítulosNotasRef.
1D. António Augusto Dias de Freitas1830–19041.º Conde de Azarujinha
(1.º Visconde de Azarujinha)
Título concedido em vida por decreto de 23 de setembro de 1890, de D. Carlos I. Par do Reino, deputado e vereador da Câmara Municipal de Lisboa.
2D. Libânio Augusto Severo Dias de Freitas1871–19302.º Conde de AzarujinhaFilho do anterior. Título renovado em vida por decreto de 27 de maio de 1904, de D. Carlos I. Fidalgo-cavaleiro da Casa Real e comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Casou em 1893 com D. Antónia Paiva de Albuquerque de Lemos, filha do coronel de Cavalaria Jaime Malaquias de Lemos, comandante-geral das Guardas Municipais; o casamento foi dissolvido por divórcio.

Representantes do título na República

Após a implantação da República, em 1910, cessou a concessão de títulos nobiliárquicos pelo Estado. Desde então, reivindicaram a representação do título os seguintes membros da família:

#NomeDatasTítulos pretendidosNotasRef.
3Jaime Augusto de Albuquerque de Lemos Dias de Freitas1894–19743.º Conde de AzarujinhaFilho primogénito do 2.º Conde; nasceu e morreu em Lisboa. Casou a 7 de abril de 1920, em Lisboa, com D. Maria Aurora Lasso de la Vega y Jiménez (n. 1896), filha de Javier Lasso de la Vega y Cortezo, doutor em Direito, e de D. Maria de Jesus Jiménez y Placer Álvarez Cabral, filha dos Marqueses de Bejarano.
4Jaime Augusto Lasso de la Vega Dias de Freitas1922–19784.º Conde de AzarujinhaFilho único do anterior; nasceu em São João do Estoril e morreu em Lisboa. Casou em 1946, em Lisboa, com Maria Luísa da Conceição de Almeida Manoel de Vilhena (n. 1926), escritora, filha primogénita do 9.º Conde de Vila Flor e 2.º Conde de Alpedrinha, do seu primeiro casamento.
5Francisco Xavier Manoel de Vilhena Dias de Freitas1947–20075.º Conde de Azarujinha
(11.º Conde de Vila Flor)
Filho primogénito do anterior; nasceu em São João do Estoril. Cavaleiro tauromáquico e proprietário. Casou com Cristina Freire da Bandeira Barata (n. 1951).
6Lourenço da Bandeira Manoel de Vilhena de Freitasn. 19736.º Conde de Azarujinha
(3.º Duque da Terceira; 12.º Conde de Vila Flor, 4.º Conde de Alpedrinha)
Neto da anterior, filho de D. Francisco Xavier Manoel de Vilhena Dias de Freitas. Advogado e Professor Associado da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Galeria

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Afonso Eduardo Martins Zúquete, ed. (2000). Nobreza de Portugal e do Brasil. 2. [S.l.]: Editorial Enciclopédia. 359 páginas
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Instituto Português de Heráldica (1985). Anuário da Nobreza de Portugal – 1985. III, tomo I. Lisboa: Instituto Português de Heráldica. 258 páginas
  3. 1 2 3 4 5 Pinto, Albano Antero da Silveira (1883). Resenha das familias titulares e grandes de Portugal. 1. continuada pelo Visconde de Sanches de Baena. Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva. 180 páginas. Consultado em 10 de outubro de 2026
  4. 1 2 3 4 Pinto, Albano Antero da Silveira (1883). Resenha das familias titulares e grandes de Portugal. 1. continuada pelo Visconde de Sanches de Baena. Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva. 181 páginas. Consultado em 10 de outubro de 2026
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  6. ↑ «Tapada de Coelheiros, a excelência na arte de fazer vinhos nobres». Travellers Review. Consultado em 23 de novembro de 2025
  7. ↑ «Conde da Azarujinha». Junta de Freguesia de São Bento do Mato – Azaruja. Consultado em 23 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 13 de abril de 2026
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  9. ↑ «Vinhos ao ritmo da natureza num Alentejo verdadeiro». Revista Must. Consultado em 23 de novembro de 2025
  10. ↑ Ana Isabel Pereira; Mário Cruz (16 de março de 2024). «O que podem as margens vivas de uma ribeira fazer pelo montado e pela vinha?». Público. Consultado em 23 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 21 de dezembro de 2024
  11. ↑ Ferreira, Leonídio Paulo (24 de fevereiro de 2025). «"Palácio do Conde de Pombeiro diz-nos muito a nós italianos, que, como os portugueses, gostamos de História"». Diário de Notícias. Consultado em 23 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 24 de fevereiro de 2025
  12. ↑ «Património». União das Freguesias de Massamá e Monte Abraão. Consultado em 23 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 13 de outubro de 2024
  13. ↑ «Pesquisa geral». Património Cultural. Consultado em 23 de novembro de 2025
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  15. ↑ «Constituição Portuguesa de 1911» (PDF). Consultado em 26 de setembro de 2026. Cópia arquivada (PDF) em 27 de setembro de 2026 (art. 3.º, n.º 3)
  16. ↑ Canedo, Fernando de Castro da Silva (1946). A descendência portuguesa de El-Rei D. João II. 3. Lisboa: Edições Gama. 179 páginas
  17. ↑ «Tratamento de Dom». Instituto da Nobreza Portuguesa. Consultado em 8 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 14 de maio de 2026
  18. ↑ «O que guardam os palácios onde ainda vivem nobres em Portugal». CNN Portugal. 17 de setembro de 2022. Consultado em 8 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 8 de setembro de 2026
  19. ↑ «Lourenço Vilhena de Freitas / Lawyers» (em inglês). Consultado em 10 de outubro de 2026
  20. ↑ «Lourenço Vilhena de Freitas». icjp. Consultado em 10 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 11 de maio de 2026