Conde de Belmonte | |
|---|---|
| Pariato | Reino de Portugal |
| Criação | D. João, príncipe regente, em nome de D. Maria I 13 de maio de 1805 |
| Ordem | Grandeza |
| Tipo | Vitalício - 1 vida 3 renovações |
| 1.º titular | D. Vasco Manuel de Figueiredo Cabral da Câmara |
| Solar | Quinta da Ota |
Conde de Belmonte foi um título nobiliárquico português, criado por decreto de 13 de maio de 1805, com portaria de 18 do mesmo mês, do príncipe regente D. João, em nome da rainha D. Maria I, em vida, a favor de D. Vasco Manuel de Figueiredo Cabral da Câmara. O título foi renovado no filho, em 1806, e no neto, em 1847.
Os titulares estiveram ligados por casamento às casas dos duques de Loulé, dos marqueses de Belas, dos condes de Vimioso e dos condes da Lapa. Em 1844, o imperador D. Pedro II criou no Brasil um título homónimo, de Condessa de Belmonte, em vida, a favor de Mariana Carlota de Verna, sem qualquer relação com a família portuguesa que usava o título.
A família descendia de Álvaro Gonçalves Cabral, alcaide do castelo da Guarda, a quem D. João I doou, de juro e herdade, por cartas de 1422, Azurara, Valhelhas, Manteigas, Moimenta e o julgado de Figueiredo; e, por linha direta, de João Fernandes Cabral, irmão mais velho de Pedro Álvares Cabral, representando assim a casa de Fernão Cabral, pai do navegador. O 1.º Conde foi alcaide-mor do Castelo de Belmonte e senhor de juro e herdade de Azurara, Manteigas, Moimenta da Serra e Tavares, além do morgado dos Cabral em Belmonte. Sucedeu ao pai, D. Pedro da Câmara Figueiredo Cabral, como 16.º senhor dos morgados de Belmonte e de Santo André de Azurara, 10.º senhor do morgado da Ota e 3.º senhor dos Maninhos da Covilhã. A varonia da casa, originalmente Cabral, foi substituída pela dos Figueiredos, morgados da Ota, e depois pela dos Câmaras, da casa dos condes da Ribeira Grande, que a conservou. Esta última passagem resultou do casamento, em 1726, de D. Madalena Luísa de Lancastre, herdeira da casa de Figueiredo e do morgado da Ota, com D. Vasco da Câmara, filho do 2.º Conde da Ribeira Grande; foram avós do 1.º Conde de Belmonte. Os Figueiredos descendiam de escrivães da Fazenda e, no século XVIII, a família contava-se entre a primeira nobreza de corte. Por morte de Caetano Francisco Cabral, último senhor da casa de Belmonte, que em testamento de 1762 instituíra herdeira uma filha natural, a casa recaiu em D. Madalena Luísa de Lancastre, como neta de D. Margarida de Meneses, filha de um Senhor de Belmonte; seguiu-se um litígio entre as duas herdeiras, e a partilha final deixou a D. Madalena Luísa os morgados da casa.
A Quinta da Ota, no concelho de Alenquer, foi comprada no final do século XV por Rui de Figueiredo, filho de Jorge de Figueiredo; era um prazo foreiro ao Convento de Odivelas e chegou a ser considerada solar da casa. Pertenceu em 1707 a Pedro de Figueiredo Alarcão, senhor da casa de Figueiredo e morgado da Ota, pai de D. Madalena Luísa de Lancastre, e passou depois para a casa dos Condes de Belmonte. Aí morreram o 3.º e o 4.º Condes.
Em Lisboa, a cabeça do morgado do Castelo era um conjunto de casas junto à Porta de Santa Maria da Alcáçova, comprado em 1449 por Brás Afonso Correia, avô de Jorge de Figueiredo; Rui de Figueiredo transformou-as em residência apalaçada na segunda metade do século XVII, e em 1684 o seu filho Pedro de Figueiredo de Alarcão comprou o vizinho Pátio de D. Fradique ao Conde de Atalaia. A propriedade chegou ao 1.º Conde de Belmonte e pertenceu à família até meados do século XX; é hoje conhecida como Palácio Belmonte e foi classificada como imóvel de interesse público em 2002.
D. Vasco Manuel de Figueiredo Cabral da Câmara, gentil-homem da câmara do príncipe regente e porteiro-mor da Casa Real, recebeu o título de Conde de Belmonte, em vida, por decreto de 13 de maio de 1805 e portaria de 18 do mesmo mês. Em outubro de 1807, perante a ameaça de invasão francesa, recebeu cartas patentes de aio do príncipe D. Pedro de Alcântara, então destinado a seguir para o Brasil. No mesmo ano mandou fazer o tombo de todos os bens da casa, que reunia então vários morgados, a alcaidaria-mor da Sertã e de Pedrógão, os maninhos da Covilhã e comendas da Ordem de Cristo, acompanhado de um índice dos documentos do arquivo; o inventário destinava-se a proteger o património durante a sua ausência no Brasil. Acompanhou a família real para o Brasil, com a condessa e os filhos, e regressou com ela a Portugal. Durante a permanência da corte no Rio de Janeiro, o Conde de Belmonte figura nos almanaques da corte de 1811, 1816 e 1817 como gentil-homem da câmara e como porteiro-mor da Casa Real; residia no Campo de Santana. Foi nomeado par do Reino por carta régia de 30 de abril de 1826, tendo prestado juramento a 31 de outubro desse ano.
Por decreto de 4 de julho de 1806, o título foi renovado no seu único filho, D. José Maria, então com cinco anos de idade. O 2.º Conde serviu no Brasil com a Divisão de Voluntários Reais entre 1816 e 1822, foi nomeado ajudante de campo do infante D. Miguel, então comandante-chefe do Exército, em junho de 1828 e chegou a coronel, com exercício de ajudante de ordens do rei, em 1833. Na sessão de abertura das Cortes de 1828, a 23 de junho, o 2.º Conde, como camarista de semana, serviu de camareiro-mor junto do infante. Pai e filho assinaram ambos, no braço da nobreza, o assento de 11 de julho de 1828 em que os Três Estados reconheceram D. Miguel como rei: o 1.º Conde como «Conde Porteiro-Mor» e o 2.º como «Conde de Belmonte».
O 2.º Conde morreu em 1834, durante a guerra civil, e foi sepultado no Convento de São Domingos de Abrantes, onde se encontrava então parte da corte miguelista. A viúva, D. Maria Domingas de Castelo Branco, casou em segundas núpcias, em 1837, com D. Francisco de Paula de Portugal e Castro, 13.º Conde de Vimioso. O título foi renovado no filho de ambos, D. Vasco António, por decreto da rainha D. Maria II de 25 de junho de 1847. O 3.º Conde assentou praça em 1848 e foi promovido a alferes no ano seguinte, na 1.ª Companhia de Voluntários da Carta e Rainha; em 1850 passou a ajudante de ordens do comandante da 1.ª Divisão Militar. Em 1847, casou com D. Maria Carlota de Mendonça Rolim de Moura Barreto, filha do 1.º Duque de Loulé e da infanta D. Ana de Jesus Maria. A irmã do 3.º Conde, D. Constança Maria, casou em 1852 com o 2.º Duque de Loulé.
O filho primogénito do 3.º Conde, D. José Maria de Figueiredo Cabral da Câmara (1848–1930), engenheiro agrónomo, herdou a chefia da casa e foi considerado representante do título, mas nunca tirou carta dele. Viveu na Ota, onde lhe foi erguido um monumento com busto. Casou em 1882 com D. Maria das Necessidades de Siqueira, sua parente, filha dos 3.os Condes de São Martinho.
Os primeiros Condes de Belmonte usaram as armas dos Cabrais: em campo de prata, duas cabras de vermelho, passantes, armadas de negro; timbre: uma das cabras do escudo; coroa de conde.
Mais tarde, a família passou a usar um escudo esquartelado: o primeiro, de Portugal moderno, com a bordadura dos castelos; o segundo, de Figueiredo; o terceiro, de Câmara; e o quarto, de Cabral; com coroa de marquês.
| # | Titular | Datas | Títulos | Notas | Ref. |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | D. Vasco Manuel de Figueiredo Cabral da Câmara | 1767–1830 | 1.º Conde de Belmonte | Filho de D. Pedro da Câmara Figueiredo Cabral, veador da rainha D. Maria I, e de D. Mariana de Meneses. Casou a 17 de janeiro de 1795 com D. Jerónima Margarida de Noronha (1762 ou 1775–1839), dama da rainha D. Maria I, filha de D. José de Noronha, filho dos 5.os Condes dos Arcos de Valdevez, e de D. Mariana (ou Maria) Isabel das Montanhas Mascarenhas Ribeiro Soares. | |
| 2 | D. José Maria de Figueiredo Cabral da Câmara | 1800–1834 | 2.º Conde de Belmonte | Filho do anterior. Casou em 1820, no Rio de Janeiro, com D. Maria Domingas de Castelo Branco (1805–1885), filha dos 2.os Marqueses de Belas. | |
| 3 | D. Vasco António de Figueiredo Cabral da Câmara | 1829–1870 | 3.º Conde de Belmonte | Filho do anterior; também referido como Vasco Maria. Casou a 20 (ou 24) de outubro de 1847 com D. Maria Carlota de Mendonça Rolim de Moura Barreto (1829–1907), filha do 1.º Duque de Loulé e da infanta D. Ana de Jesus Maria. |
Após a implantação da República, em 1910, cessou a concessão de títulos nobiliárquicos pelo Estado. Desde então, reivindicaram a representação do título os seguintes membros da família:
| # | Nome | Datas | Títulos pretendidos | Notas | Ref. |
|---|---|---|---|---|---|
| 4 | Vasco Maria de Figueiredo Cabral da Câmara | 1885–1949 | 4.º Conde de Belmonte | Neto do 3.º Conde, filho de D. José Maria de Figueiredo Cabral da Câmara e de D. Maria das Necessidades de Siqueira. Casou a 9 de agosto de 1916 com a sua prima Ana de Jesus Maria de Siqueira (1895–1980). | |
| 5 | Vasco Maria de Figueiredo Cabral da Câmara | 1919–2012 | 5.º Conde de Belmonte | Filho do anterior. Casou em 1955 e teve descendência. | |
| 6 | Vasco Maria d'Orey de Figueiredo Cabral da Câmara | n. 1960 | 6.º Conde de Belmonte | Filho do anterior; nasceu em Lisboa. |