| Pariato | Reino de Portugal |
| Criação | D. João, príncipe-regente 26 de novembro de 1806 |
| 1.º titular | D. Caetano José de Noronha e Albuquerque |

Conde de Peniche foi um título nobiliárquico português, criado pelo príncipe-regente D. João, por decreto de 26 de novembro e carta de 6 de dezembro de 1806, em duas vidas, a favor de D. Caetano José de Noronha e Albuquerque. Uma terceira vida foi concedida por decreto de 9 de março de 1824.
O título esteve ligado aos de Conde de Vila Verde e Marquês de Angeja: o 1.º Conde era filho do 3.º Marquês de Angeja e irmão do 8.º Conde de Vila Verde, e o 3.º Conde foi também 8.º Marquês de Angeja.
O título foi concedido em memória e remuneração dos serviços do irmão do agraciado, D. Diogo José de Noronha, 8.º Conde de Vila Verde, conselheiro de Estado, gentil-homem da câmara e ministro assistente ao despacho do príncipe-regente, encarregado da Secretaria de Estado dos Negócios do Reino, que morreu em Mafra a 18 de novembro de 1806 sem deixar geração. A seu pedido, feito pouco antes de morrer, o príncipe-regente fez mercê a D. Caetano de Noronha do título de conde da vila de Peniche e das comendas de Santa Eulália, desmembrada da de São Bartolomeu do Arabal, que o irmão deixara vaga, e de São Salvador de Anciães, ambas da Ordem de Cristo, tudo em duas vidas. O decreto foi assinado no Palácio de Mafra.
O 1.º Conde, nascido em Lisboa a 29 de agosto de 1753 e morto em Benfica a 16 de setembro de 1829, era filho do segundo casamento do 3.º Marquês de Angeja com D. Francisca de Assis Rita de Noronha, filha dos Marqueses de Marialva. Foi conselheiro de Estado e do Conselho da Fazenda (1782), ministro assistente ao despacho, vedor da rainha D. Carlota Joaquina, chanceler das casas das rainhas, de Bragança e do Infantado, governador do Algarve, sócio honorário da Academia Real das Ciências e, em 1818, um dos governadores do reino. Recebeu a grã-cruz da Ordem de Cristo e da Ordem de Nossa Senhora da Conceição, e foi nomeado par do reino por carta régia de 30 de abril de 1826, mas não tomou posse. Casou a 23 de junho de 1787 com D. Maria José Juliana Lourenço de Almeida Portugal, dama da Ordem de Santa Isabel, filha única e herdeira de D. Manuel Caetano de Almeida, comendador de Borba e de Gondim na Ordem de Cristo, comendas que passaram ao Conde pelo casamento; a Condessa, nascida a 20 de setembro de 1762, morreu a 14 de julho de 1819. Por este casamento, a casa deste ramo dos Almeidas, saído de um filho segundo dos Condes de Avintes, passou aos Noronhas, que a partir de então antepuseram o apelido Almeida aos restantes.
Das filhas do 1.º Conde, D. Maria José de Noronha, nascida a 3 de junho de 1795, casou a 19 de julho de 1813 com D. José Bernardino de Portugal e Castro, 5.º Marquês de Valença e 12.º Conde de Vimioso; D. Francisca de Noronha casou a 22 de janeiro de 1819 com o primo D. João da Silva Pessanha; e D. Luísa Maria José de Noronha, nascida a 28 de outubro de 1802, casou a 1 de março de 1824 com Henrique Teixeira de Sampaio, 1.º Conde da Póvoa, e foi mãe de D. Maria Luísa, 2.ª Duquesa de Palmela.
O 2.º Conde, D. Manuel Lourenço de Almeida e Noronha, nascido a 27 de dezembro de 1788, foi feito conde ainda em vida do pai, em verificação da segunda vida, por decreto de 13 de outubro de 1813, passado no Rio de Janeiro, e carta de 13 de outubro de 1815. Assentou praça em 1808 e serviu na Guerra Peninsular, como ajudante de campo do Conde de São Paio, inspetor-geral da cavalaria, e depois como ajudante de ordens do marechal Beresford; chegou a major em 1819. Foi comendador de Santo Eusébio de Aguiar da Beira e de Santa Maria de Izeda, esta da casa de sua mãe, a quem sucedeu. Morreu a 10 de março de 1824, deixando do segundo casamento D. Joana (n. 1817), D. Maria (n. 1818) e D. Caetano, que lhe sucedeu.
A terceira vida, concedida por decreto de 9 de março de 1824, remunerou os serviços do 2.º Conde e os da irmã deste, D. Teresa de Almeida Noronha, dama camarista da rainha D. Carlota Joaquina, cedidos pelo 1.º Conde por termo de 28 de fevereiro de 1824. O 3.º Conde, D. Caetano Gaspar de Almeida Noronha Portugal Camões Albuquerque Moniz e Sousa, nascido em Lisboa a 12 de março de 1820, sucedeu ao pai na casa de Peniche a 10 de março de 1824; a sucessão no título é datada desse dia ou de 5 de outubro de 1841, por efeito do respetivo alvará de lembrança. Em 1838 a residência da casa era um palácio em São Lázaro, em Lisboa, onde o 3.º Conde viria a reunir comícios políticos na década de 1860. Herdou em 1845 a casa de Angeja e recebeu em 1870 o título de Marquês de Angeja, em duas vidas, depois de ter participado na revolta de 19 de maio desse ano com os seus partidários, conhecidos por Penicheiros.
Os Condes de Peniche usaram as armas do Marquês de Angeja: esquartelado, o primeiro e o quarto quartéis com as armas do reino, o segundo e o terceiro com as de Castela. São também descritas como as armas plenas dos Noronhas, com coroa de marquês.
| # | Titular | Datas | Títulos | Notas | Ref. |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | D. Caetano José de Noronha e Albuquerque | 1753–1829 | 1.º Conde de Peniche | Filho do 3.º Marquês de Angeja e da sua segunda mulher; irmão do 8.º Conde de Vila Verde. Casou a 23 de junho de 1787 com D. Maria José Juliana Lourenço de Almeida Portugal, filha de D. Manuel Caetano de Almeida. | |
| 2 | D. Manuel Lourenço de Almeida e Noronha | 1788–1824 | 2.º Conde de Peniche | Filho do anterior. Casou a 11 de abril de 1813 (ou 1812) com D. Teresa Delfina de Sampaio, filha dos 1.os Marqueses de Sampaio, de quem não teve geração, e a 22 de fevereiro de 1816 com D. Isabel Teles da Silva, filha dos 3.os Marqueses de Penalva. | |
| 3 | D. Caetano Gaspar de Almeida Noronha Portugal Camões Albuquerque Moniz e Sousa | 1820–1881 | 3.º Conde de Peniche (8.º Marquês de Angeja) | Filho do anterior, do segundo casamento. Casou a 30 de novembro de 1844 com D. Maria Antónia Raposo de Andrade e Sousa Alte Espargosa. |
Após a implantação da República, em 1910, cessou a concessão de títulos nobiliárquicos pelo Estado. Desde então, reivindicaram a representação do título os seguintes membros da família:
| # | Nome | Datas | Títulos pretendidos | Notas | Ref. |
|---|---|---|---|---|---|
| 4 | Maria Antónia de Almeida e Noronha | 1902–? | 4.ª Condessa de Peniche | Neta do 3.º Conde, filha do 11.º Conde de Vila Verde; representante de todos os títulos da casa de Angeja por incapacidade do irmão, António de Almeida e Noronha (1901–1976). Casou a 16 de abril de 1923 com Francisco Eduardo Fragoso de Sequeira de Azevedo Coutinho, filho do conselheiro João António de Azevedo Coutinho Fragoso de Sequeira. | |
| 5 | Manuel de Almeida e Noronha de Azevedo Coutinho | 1952–2004 | 5.º Conde de Peniche | Neto da anterior, filho de João de Almeida e Noronha de Azevedo Coutinho (1924–1963). |