| Congo capixaba | |
|---|---|
| Origens estilísticas | cultura popular capixaba |
| Contexto cultural | Espírito Santo |
| Instrumentos típicos | tambor de congo, bumbo ou caixa, casaca ou reco-reco, cuíca, chocalho, triângulo e apito |
| Popularidade | Espírito Santo |

O Congo capixaba, também chamado de Congo do Espírito Santo, é uma manifestação da cultura popular brasileira típica do estado do Espírito Santo. Reúne música, canto, dança, religiosidade, tradição oral, cortejos e festas comunitárias, sendo praticado por grupos conhecidos como bandas de congo.
As bandas de congo são geralmente conduzidas por um mestre ou capitão, responsável por orientar músicos, cantadores e dançarinas. Os grupos contam com participantes de diferentes idades e são formados por homens e mulheres.
Entre os instrumentos associados ao Congo capixaba estão o tambor de congo, o bumbo ou caixa, a casaca ou reco-reco, a cuíca, o chocalho, o triângulo e o apito, utilizado pelo mestre para conduzir o início e o encerramento das toadas.
As toadas, também chamadas em alguns contextos de jongos, costumam homenagear santos de devoção popular, como São Benedito e Nossa Senhora da Penha, além de abordar temas ligados ao mar, ao cotidiano, à memória, ao amor e à morte.
O Congo está presente em diferentes municípios capixabas, principalmente em áreas do litoral. Segundo levantamento divulgado pela Secretaria da Cultura do Espírito Santo em 2014, havia 67 grupos de congo concentrados de Anchieta, no sul do estado, até Linhares, no norte, com grande presença nos municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória.
Em 2014, o Conselho Estadual de Cultura reconheceu o Congo do Espírito Santo como patrimônio imaterial do estado. Em 2024, representantes de associações congueiras entregaram ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional um pedido de reconhecimento do Congo como Patrimônio Cultural do Brasil.
As bandas de congo são os grupos responsáveis pela execução musical, pelos cantos, pelos cortejos e por parte significativa da transmissão comunitária do Congo capixaba. Em geral, são conduzidas por um mestre ou capitão, que orienta os músicos, cantadores e dançarinas durante as apresentações, festas e rituais.
Esses grupos reúnem participantes de diferentes idades e podem ser formados por homens e mulheres, mantendo vínculos familiares, comunitários e religiosos. Além da execução dos instrumentos e das toadas, as bandas desempenham papel importante na preservação de memórias locais, devoções populares, modos de tocar, cantar e organizar as celebrações.
As bandas de congo estão presentes em diferentes regiões do Espírito Santo, com maior concentração em municípios litorâneos e na Região Metropolitana da Grande Vitória. Entre as comunidades de destaque está a Barra do Jucu, em Vila Velha, onde atuam grupos tradicionalmente associados às festas de São Benedito, como a Banda Mestre Honório, a Banda Mestre Alcides e a Banda Tambores de Jacarenema.
Os instrumentos utilizados pelas bandas de congo variam conforme a localidade e a tradição de cada grupo, mas incluem principalmente o tambor de congo, o bumbo ou caixa, a casaca ou reco-reco, a cuíca, o chocalho, o triângulo e o apito.
O tambor de congo é um dos instrumentos centrais da manifestação, marcando a base rítmica das apresentações, cortejos e festas. A casaca, também chamada de reco-reco em algumas fontes, é outro instrumento característico do Congo capixaba, associado à sonoridade e à identidade cultural da manifestação.
O apito é utilizado pelo mestre ou capitão para orientar o grupo, marcar comandos e conduzir momentos como o início e o encerramento das toadas. Durante os festejos, os instrumentos atuam em conjunto com o canto, a dança e o deslocamento dos participantes, compondo a expressão musical e ritual das bandas de congo.
O Congo do Espírito Santo é objeto de pesquisas institucionais, acadêmicas e comunitárias voltadas à identificação, documentação e salvaguarda da manifestação. Em 2014, no contexto do processo de reconhecimento estadual do Congo como patrimônio imaterial, a Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Espírito Santo iniciou um levantamento preliminar das bandas de Congo existentes no estado.
Em 2018, a pesquisa foi ampliada por meio de um Termo de Execução Descentralizada firmado entre o Iphan e a Universidade Federal do Espírito Santo, resultando em novas etapas de levantamento histórico, etnográfico e documental sobre as bandas de Congo, seus integrantes, repertórios, instrumentos, festas e formas de transmissão.
A documentação sobre o Congo capixaba reúne registros orais, fotografias, dados sobre grupos e localidades, informações sobre festas religiosas e estudos sobre o reconhecimento do bem como patrimônio cultural. Em 2025, o Instituto Jones dos Santos Neves publicou uma síntese sobre o Congo Capixaba, com informações sobre a distribuição das bandas no Espírito Santo e referências bibliográficas ligadas ao tema.