Constantino XI Paleólogo

 Nota: Para outras pessoas de mesmo nome, veja Constantino Paleólogo.
Constantino XI Paleólogo
Imperador Bizantino
Reinado6 de janeiro de 1449
a 29 de maio de 1453
PredecessorJoão VIII Paleólogo
Déspota da Moreia
Reinado1 de maio de 1428
a março de 1449
PredecessorTeodoro II Paleólogo (sozinho)
SucessoresDemétrio Paleólogo
Tomás Paleólogo
Co-monarcasTeodoro II Paleólogo (1428–43)
Tomás Paleólogo (1428–49)
Dados pessoais
Nascimento8 de fevereiro de 1405
Constantinopla, Império Bizantino
Morte29 de maio de 1453 (48 anos)
Constantinopla, Império Bizantino
EsposasTeodora Tocco
Catarina Gattilusio
DinastiaPaleóloga
PaiManuel II Paleólogo
MãeHelena Dragasa
ReligiãoCristianismo

Constantino XI Dragases Paleólogo, ou Dragaš Paleólogo (em grego: Κωνσταντῖνος Δραγάσης Παλαιολόγος, romanizado: Kōnstantīnos Dragásēs Palaiológos; 8 de fevereiro de 1404 – 29 de maio de 1453), foi o último imperador bizantino (romano) reinante, governando de 23 de janeiro de 1449 até sua morte em combate durante a Queda de Constantinopla, em 29 de maio de 1453. A morte de Constantino marcou o fim definitivo do Império Romano do Oriente, cuja origem remontava à fundação de Constantinopla por Constantino, o Grande, como a nova capital do Império Romano em 330.

Constantino era o quarto filho do imperador Manuel II Paleólogo e da nobre sérvia Helena Dragaš. Pouco se sabe sobre sua juventude, mas, a partir da década de 1420, demonstrou repetidamente grande habilidade como comandante militar. Com base em sua carreira e nas fontes contemporâneas preservadas, Constantino parece ter sido, acima de tudo, um homem de armas. Isso, contudo, não significa que não fosse também um administrador competente: seu irmão mais velho, o imperador João VIII Paleólogo, confiava nele a tal ponto que o nomeou regente em duas ocasiões, durante suas viagens para fora de Constantinopla, entre 1423–1424 e 1437–1440. Em 1427–1428, Constantino e João repeliram um ataque contra a Moreia (o Peloponeso) conduzido por Carlos I Tocco, governante do Épiro, e, em 1428, Constantino foi proclamado déspota da Moreia, passando a governar a província juntamente com seu irmão mais velho Teodoro e seu irmão mais novo Tomás. Juntos, expandiram o domínio romano sobre quase todo o Peloponeso pela primeira vez desde a Quarta Cruzada, mais de dois séculos antes, e reconstruíram a antiga muralha do Hexamílio, que defendia a península contra invasões externas. Embora a campanha tenha sido, em última análise, malsucedida, Constantino liderou pessoalmente uma expedição militar à Grécia Central e à Tessália entre 1444 e 1446, tentando restabelecer o domínio bizantino sobre a Grécia.

Em outubro de 1448, João VIII morreu sem deixar filhos, e, como seu sucessor preferido, Constantino foi proclamado imperador em 6 de janeiro de 1449. Durante seu breve reinado, teve de enfrentar três problemas principais. O primeiro era a questão da sucessão, pois Constantino também não tinha filhos. Apesar das tentativas de seu amigo e confidente Jorge Esfrantzes de encontrar-lhe uma esposa, Constantino acabou morrendo solteiro. O segundo problema era o conflito religioso dentro do que restava do império. O imperador Constantino e seu predecessor João VIII apoiavam a reunificação entre as Igrejas Ortodoxa e Católica, proclamada no Concílio de Florença. Por essa razão, procuraram obter auxílio militar da Europa Católica, mas grande parte da população bizantina, liderada por Marcos de Éfeso, opunha-se à união das Igrejas. Por fim, a questão mais importante era o crescente poder do Império Otomano, que, em 1449, já cercava completamente Constantinopla. Em abril de 1453, o sultão otomano Mehmed II sitiou Constantinopla com um exército que talvez chegasse a 80 mil homens. Embora os defensores da cidade provavelmente somassem menos de um décimo das forças do sultão, Constantino considerava impensável abandonar Constantinopla. O imperador permaneceu para defender a cidade, que caiu em 29 de maio de 1453. Constantino morreu em combate no mesmo dia. Embora não tenham sobrevivido relatos confiáveis de testemunhas oculares sobre sua morte, a maioria dos relatos históricos concorda que o imperador caiu lutando em uma resistência final contra os otomanos.

Constantino foi o último governante cristão de Constantinopla, e sua coragem durante a queda da cidade consolidou sua imagem como uma figura quase lendária nas obras históricas posteriores e no folclore grego. Alguns interpretaram a fundação de Constantinopla (a Nova Roma) por Constantino, o Grande, e sua perda sob outro Constantino como o cumprimento do destino da cidade, assim como a Antiga Roma teria sido fundada por Rômulo e perdida sob outro Rômulo, Rômulo Augusto. No folclore grego posterior, passou a ser conhecido como o Imperador de Mármore (em grego: Μαρμαρωμένος Βασιλιάς, Marmaroménos Vasiliás, literalmente "Imperador transformado em mármore"), em referência à lenda popular segundo a qual Constantino não teria realmente morrido, mas sido salvo por um anjo e transformado em mármore, permanecendo oculto sob a Porta Dourada de Constantinopla, à espera do chamado de Deus para ser restaurado à vida e reconquistar tanto a cidade quanto o antigo império.

Vida

Miniatura de um manuscrito do início do século XV que retrata o pai de Constantino, o imperador Manuel II Paleólogo, sua mãe, Helena Dragaš, e seus três irmãos mais velhos: João, Teodoro e Andrônico.

Família e origem

Constantino Dragases Paleólogo nasceu em 8 de fevereiro de 1404 como o quarto filho do imperador Manuel II Paleólogo (r. 1391–1425), oitavo imperador da dinastia Paleólogo. Sua mãe, de quem herdou o sobrenome Dragases, era Helena Dragaš, membro da poderosa Casa de Dragaš e filha do governante sérvio Constantino Dejanović. Por meio de sua avó paterna, Helena Cantacuzena (1333–1396), Constantino estava ligado à proeminente família Cantacuzeno, enquanto sua linhagem materna o vinculava à dinastia imperial sérvia Nemanjić. Constantino é frequentemente descrito como Porfirogênito ("nascido na púrpura"), distinção concedida aos filhos nascidos de um imperador reinante no palácio imperial.

Manuel governava um Império Bizantino em processo de desintegração e contínuo encolhimento territorial. O principal fator que desencadeou o declínio bizantino foi a chegada dos turcos seljúcidas à Anatólia no século XI. Embora alguns imperadores, como Aleixo I Comneno e Manuel I Comneno, tenham conseguido recuperar partes da Anatólia com o auxílio dos cruzados ocidentais, essas conquistas foram apenas temporárias. A Anatólia era a região mais fértil, populosa e rica do império, e sua perda marcou o início de um longo período de decadência. Embora grande parte do território tenha sido posteriormente reconquistada, o Império Bizantino foi gravemente enfraquecido pela Quarta Cruzada de 1204 e pela perda de Constantinopla para o Império Latino, estabelecido pelos cruzados. Sob Miguel VIII Paleólogo, fundador da dinastia Paleólogo, Constantinopla foi recuperada em 1261. Ao longo do século XIV, os turcos otomanos conquistaram vastas extensões de território e, em 1405, controlavam grande parte da Anatólia, da Bulgária, da Grécia central, da Macedônia, da Sérvia e da Tessália. O Império Bizantino, que outrora se estendia por todo o Mediterrâneo Oriental, havia sido reduzido à capital imperial, Constantinopla, ao Peloponeso e a algumas ilhas do mar Egeu, sendo também obrigado a pagar tributo aos otomanos.

À medida que o império diminuía, os imperadores concluíram que a única maneira de preservar os territórios restantes era conceder parte de suas possessões aos filhos, que recebiam o título de déspota como apanágio para defendê-las e administrá-las. O filho mais velho de Manuel, João, foi elevado à condição de coimperador e designado como sucessor do pai. O segundo filho, Teodoro, foi nomeado déspota da Moreia, a próspera província correspondente ao Peloponeso, enquanto o terceiro filho, Andrônico, foi proclamado déspota de Tessalônica em 1408. Os filhos mais novos — Constantino, Demétrio e Tomás — permaneceram em Constantinopla, pois já não havia território suficiente para lhes conceder.

Pouco se sabe sobre a juventude de Constantino. Desde cedo, foi admirado por Jorge Esfrantzes, que mais tarde se tornaria um célebre historiador bizantino e ingressaria em seu serviço. Autores encomiásticos posteriores frequentemente afirmaram que Constantino sempre fora corajoso, aventureiro e habilidoso nas artes militares, na equitação e na caça. Muitos relatos sobre sua vida, tanto anteriores quanto posteriores à sua ascensão ao trono, são fortemente idealizados e apresentam seu reinado de forma elogiosa, uma vez que a maioria dessas narrativas foi composta após sua morte e carece de fontes contemporâneas. Com base em suas ações e nos comentários preservados de alguns de seus conselheiros e contemporâneos, Constantino parece ter demonstrado maior aptidão para assuntos militares do que para questões de governo ou diplomacia, embora também fosse um administrador competente — como evidenciado por seus períodos como regente — e tendesse a seguir os conselhos de seus assessores nas decisões políticas mais importantes.

Além de representações estilizadas e desgastadas em selos e moedas, não sobreviveram retratos contemporâneos de Constantino. Entre as imagens mais conhecidas encontram-se um selo atualmente preservado em Viena (de procedência desconhecida, provavelmente proveniente de um crisóbulo imperial), algumas moedas e seu retrato entre os demais imperadores bizantinos na cópia da Biblioteca Estense da História de Zonaras. Nesta última, ele aparece com uma barba arredondada, em contraste com a barba bifurcada de vários de seus parentes, embora não se saiba se essa representação corresponde à sua aparência real.

Início da carreira

Após o fracasso do cerco otomano de Constantinopla em 1422, Manuel II sofreu um derrame que o deixou paralisado de um dos lados do corpo. Viveu ainda por mais três anos, mas o governo do império passou, na prática, para as mãos do irmão de Constantino, João. Tessalônica também estava sob cerco otomano e, para evitar que a cidade caísse em mãos inimigas, João a entregou à República de Veneza. Assim como Manuel II havia esperado anos antes, João procurou obter apoio da Europa Ocidental e, em novembro de 1423, deixou Constantinopla rumo a Veneza e à Hungria. Nessa altura, porém, Manuel já havia abandonado qualquer esperança de auxílio ocidental e chegou a tentar dissuadir João de prosseguir com essa política. Para Manuel, uma eventual união das Igrejas — que se tornaria o principal objetivo de João — apenas provocaria a hostilidade dos turcos e da própria população do império, podendo inclusive desencadear uma guerra civil.

João ficou impressionado com a atuação de seu irmão durante o cerco otomano de 1422 e passou a confiar nele mais do que nos demais irmãos. Constantino recebeu o título de déspota e foi encarregado do governo de Constantinopla como regente. Com o auxílio de seu pai enfermo, Manuel, negociou um novo tratado de paz com o sultão otomano Murade II, que temporariamente poupou Constantinopla de novos ataques turcos. João retornou de sua viagem em novembro de 1424, sem ter conseguido obter ajuda significativa. Em 21 de julho de 1425, Manuel morreu, e João tornou-se o imperador principal, sob o nome de João VIII Paleólogo.

Nesse mesmo ano, Constantino recebeu como apanágio uma faixa de território ao norte de Constantinopla, estendendo-se da cidade de Mesembria, ao norte, até Derkos, ao sul, incluindo também o porto de Selímbria. Embora essa região fosse pequena, sua proximidade com Constantinopla e sua importância estratégica demonstravam a confiança que tanto Manuel II quanto João VIII depositavam em Constantino.

Após o êxito de seu governo como regente, João passou a considerar o irmão leal e competente. Como Teodoro manifestara insatisfação com sua posição de déspota da Moreia durante a visita de João em 1423, o imperador logo chamou Constantino de volta de Mesembria e o designou como sucessor de Teodoro. Este, contudo, acabou mudando de ideia, mas João acabaria por nomear Constantino déspota da Moreia em 1427, após uma campanha militar na região. Embora Teodoro estivesse satisfeito em governar a Moreia, o historiador Donald Nicol considera que a presença de Constantino foi útil, pois a península esteve repetidamente ameaçada por forças externas ao longo da década de 1420. Em 1423, os otomanos romperam a antiga muralha do Hexamílio, que protegia o Peloponeso, e devastaram a Moreia. A província também era constantemente ameaçada por Carlos I Tocco, governante italiano do Épiro, que conduziu campanhas contra Teodoro pouco antes da invasão otomana e novamente em 1426, ocupando territórios no noroeste da Moreia.

Em 1427, João VIII dirigiu-se pessoalmente à Moreia para enfrentar Tocco, levando consigo Constantino e Jorge Esfrantzes. Em 26 de dezembro daquele ano, os dois irmãos chegaram a Mistras, capital da Moreia, e seguiram para Glarentza, cidade então ocupada pelos epirotas. Na Batalha das Equínades, um confronto naval travado ao largo da costa de Glarentza, Tocco foi derrotado e concordou em renunciar às suas conquistas na Moreia. Para selar a paz, ofereceu sua sobrinha Creusa Tocco — posteriormente rebatizada com o nome grego Teodora — em casamento a Constantino, tendo como dote Glarentza e os demais territórios moreotas sob seu controle. Glarentza foi entregue aos bizantinos em 1.º de maio de 1428 e, em 1.º de julho do mesmo ano, Constantino casou-se com Teodora.

Déspota da Moreia

Governo Inicial na Moreia

Mapa histórico da região da Moreia.

A incorporação dos territórios moreotas conquistados por Tocco complicou a estrutura administrativa da Moreia. Como seu irmão Teodoro recusou-se a abdicar do título de déspota, o despotado passou a ser governado por dois membros da família imperial pela primeira vez desde sua criação, em 1349. Pouco depois, o irmão mais novo, Tomás (então com 19 anos), também foi nomeado terceiro déspota da Moreia, o que significava que o despotado, embora nominalmente indiviso, havia se fragmentado, na prática, em três principados menores. Teodoro não compartilhou o controle de Mistras com Constantino nem com Tomás; em vez disso, concedeu a Constantino terras espalhadas por toda a Moreia, incluindo a cidade portuária de Égio, ao norte, fortalezas e cidades na Lacônia, ao sul, e Calamata e Messênia, a oeste. Constantino fez de Glarentza, à qual tinha direito por casamento, sua capital. Tomás, por sua vez, recebeu terras ao norte e estabeleceu sua sede no castelo de Kalávrita. Durante seu governo como déspota, Constantino mostrou-se corajoso e enérgico, embora, em geral, fosse prudente.

Pouco depois de sua nomeação, Constantino e Tomás, juntamente com Teodoro, uniram forças em uma tentativa de conquistar o próspero e estrategicamente importante porto de Patras, no noroeste da Moreia, então governado pelo seu arcebispo católico, Pandolfo de Malatesta, cunhado de Teodoro. A campanha terminou em fracasso, possivelmente devido à participação relutante de Teodoro e à inexperiência de Tomás. Em uma reunião secreta em Mistras, Constantino confidenciou a Jorge Esfrantzes e a João VIII que tentaria novamente recuperar Patras por conta própria; caso fracassasse, retornaria ao seu antigo apanágio junto ao mar Negro. Convencidos de que a numerosa população grega da cidade apoiaria sua tomada, Constantino e Esfrantzes marcharam em direção a Patras em 1.º de março de 1429 e iniciaram o cerco da cidade em 20 de março.

O cerco transformou-se em uma campanha longa e desgastante, marcada por escaramuças ocasionais. Em determinado momento, o cavalo de Constantino foi morto sob ele por um disparo, e o déspota quase perdeu a vida, sendo salvo por Esfrantzes, que acabou capturado pelos defensores da cidade (embora tenha sido libertado em 23 de abril, em estado quase terminal). Após quase dois meses de resistência, os defensores passaram a considerar negociações, em maio. Malatesta partiu para a Itália em busca de reforços, e os defensores concordaram que, caso ele não retornasse até o fim do mês, Patras se renderia. Constantino aceitou os termos e retirou seu exército. Em 1.º de junho, retornou à cidade e, como o arcebispo não havia voltado, reuniu-se com os líderes locais na Catedral de Santo André, em 4 de junho, ocasião em que foi reconhecido como novo senhor da cidade. O castelo do arcebispo, situado em uma colina próxima, resistiu por mais doze meses antes de se render.

A conquista de Patras por Constantino foi considerada uma afronta pelo papa, pelos venezianos e pelos otomanos. Para neutralizar possíveis represálias, enviou embaixadores às três partes, cabendo a Esfrantzes negociar com Turahan Bei, governador otomano da Tessália. Embora Esfrantzes tenha conseguido afastar o risco de uma retaliação turca, a ameaça proveniente do Ocidente concretizou-se quando o arcebispo deposto retornou à frente de um exército mercenário de catalães. Para o azar de Malatesta, os catalães demonstraram pouco interesse em ajudá-lo a recuperar Patras; preferiram atacar e ocupar Glarentza, que Constantino foi obrigado a recomprar por 6.000 ducados venezianos. Em seguida, passaram a saquear o litoral da Moreia. Para evitar que Glarentza caísse nas mãos de piratas, Constantino ordenou, por fim, sua destruição. Nesse período particularmente difícil, Constantino sofreu outra perda: Teodora morreu em novembro de 1429. Profundamente abalado, ele inicialmente a sepultou em Glarentza, mas depois transferiu seus restos mortais para Mistras. Quando o castelo do arcebispo finalmente se rendeu, em julho de 1430, Patras foi plenamente reintegrada ao domínio bizantino após 225 anos de ocupação estrangeira. Em novembro, Esfrantzes foi recompensado com o cargo de governador da cidade.

No início da década de 1430, os esforços de Constantino e de seu irmão mais novo Tomás garantiram que quase todo o Peloponeso voltasse a estar sob domínio bizantino pela primeira vez desde a Quarta Cruzada. Tomás pôs fim ao Principado da Acaia ao casar-se com Catarina Zaccaria, filha e herdeira do último príncipe, Centurião II Zaccaria. Quando este morreu, em 1432, Tomás assumiu o controle de todos os seus territórios remanescentes por direito matrimonial. As únicas áreas do Peloponeso que permaneceram sob domínio estrangeiro foram alguns portos e cidades ainda controlados pela República de Veneza. O sultão Murade II observava com crescente preocupação essa sucessão de sucessos bizantinos na Moreia. Em 1431, Turahan enviou tropas para o sul por ordem do sultão a fim de demolir a muralha do Hexamílio, lembrando aos déspotas que eram vassalos do sultão.

Segundo período como regente

Em março de 1432, Constantino, possivelmente desejando aproximar-se de Mistras, firmou um novo acordo territorial com Tomás (presumivelmente aprovado por Teodoro e João VIII). Tomás concordou em ceder sua fortaleza de Kalávrita a Constantino, que a transformou em sua nova capital, recebendo em troca a cidade de Élida, que passou a ser a nova capital de Tomás.

As relações entre os três déspotas deterioraram-se gradualmente. João VIII não tinha filhos para sucedê-lo, e era amplamente esperado que seu herdeiro fosse um de seus quatro irmãos sobreviventes (Andrônico já havia morrido). O sucessor preferido de João era Constantino. Embora essa escolha fosse aceita por Tomás, que mantinha boa relação com o irmão mais velho, era profundamente ressentida por Teodoro. Quando Constantino foi convocado para a capital em 1435, Teodoro acreditou, erroneamente, que a intenção era proclamá-lo coimperador e herdeiro oficial, e dirigiu-se a Constantinopla para apresentar suas objeções. A disputa entre os dois irmãos só foi resolvida no final de 1436, quando o futuro patriarca Gregório III foi enviado para reconciliá-los e evitar uma guerra civil. Ficou acordado que Constantino retornaria a Constantinopla, enquanto Teodoro e Tomás permaneceriam na Moreia. João precisava de Constantino na capital, pois partiria em breve para a Itália. Em 24 de setembro de 1437, Constantino chegou a Constantinopla. Embora não tenha sido proclamado coimperador, sua nomeação como regente pela segunda vez, por sugestão de sua mãe Helena, indicava que ele era considerado o herdeiro pretendido por João.

João partiu para a Itália em novembro para participar do Concílio de Ferrara, com o objetivo de unir as Igrejas do Oriente e do Ocidente. Embora muitos no Império Bizantino se opusessem à união, por considerá-la uma submissão religiosa ao papado, João a via como uma necessidade. O papado não via com bons olhos a situação dos cristãos orientais, mas também não estava disposto a conceder ajuda ao império em declínio sem que este reconhecesse a autoridade da Igreja Católica e renunciasse ao que os católicos consideravam erros doutrinários. João levou consigo uma numerosa delegação, incluindo José II, patriarca de Constantinopla, representantes dos patriarcas de Alexandria e Jerusalém, além de numerosos bispos, monges e sacerdotes. Também levou seu irmão mais novo, Demétrio, que se opunha à união das Igrejas. João, entretanto, preferiu não deixá-lo no Oriente, pois Demétrio já havia demonstrado tendências rebeldes e era suspeito de pretender o trono com apoio otomano. Constantino não ficou sem conselheiros em Constantinopla: seu primo Demétrio Paleólogo Cantacuzeno e o experiente estadista Lucas Notaras permaneceram na cidade para auxiliá-lo, assim como Helena e Esfrantzes. Em 1438, Constantino foi padrinho de casamento de Esfrantzes e, mais tarde, tornou-se padrinho de dois de seus filhos.

Durante a ausência de João, os otomanos respeitaram a paz previamente estabelecida. Apenas um episódio parece ter causado preocupação: no início de 1439, Constantino escreveu ao irmão na Itália para lembrar ao papa que os bizantinos haviam recebido a promessa de duas galés de guerra até o final da primavera. Esperava que os navios partissem da Itália dentro de quinze dias, pois acreditava que Murade II preparava uma grande ofensiva contra Constantinopla. Embora os navios jamais tenham sido enviados, a cidade não chegou a ser ameaçada, pois a campanha de Murade concentrou-se na conquista de Esmederevo, na Sérvia.

Em junho de 1439, o concílio reunido em Florença declarou oficialmente a reunificação das Igrejas. João retornou a Constantinopla em 1.º de fevereiro de 1440. Embora tenha sido recebido com grande cerimônia organizada por Constantino e Demétrio, a notícia da união provocou uma onda de ressentimento e amargura entre a população, que acreditava que João havia traído sua fé e sua visão de mundo. Muitos temiam que a união despertasse suspeitas entre os otomanos. Constantino compartilhava da posição do irmão: se o sacrifício da independência da Igreja resultasse na organização de uma cruzada ocidental capaz de salvar Constantinopla, então tal sacrifício não teria sido em vão.

Segundo casamento e ameaças otomanas

Apesar de ter sido dispensado do cargo de regente após o retorno de João, Constantino permaneceu em Constantinopla durante o restante de 1440, provavelmente para encontrar uma nova esposa, já que haviam se passado mais de dez anos desde a morte de Teodora. Escolheu Catarina Gattilusio, filha de Dorino I Gattilusio, senhor genovês da ilha de Lesbos. Esfrantzes foi enviado à ilha em dezembro de 1440 para propor e organizar o casamento. No final de 1441, Constantino navegou até Lesbos acompanhado por Esfrantzes e Lucas Notaras, e casou-se com Catarina em agosto. Em setembro, deixou a esposa com seu pai em Lesbos e seguiu para a Moreia.

Ao retornar à Moreia, Constantino observou que Teodoro e Tomás haviam governado de maneira eficaz durante sua ausência. Passou então a acreditar que poderia servir melhor aos interesses do império se estivesse mais próximo da capital. Seu irmão mais novo Demétrio governava o antigo apanágio de Constantino em torno de Mesembria, na Trácia, e Constantino cogitou a possibilidade de trocarem de posições, retomando seu antigo domínio junto ao mar Negro enquanto Demétrio assumiria suas possessões na Moreia. Enviou Esfrantzes para apresentar a proposta tanto a Demétrio quanto a Murade II, que, nessa altura, precisava ser consultado sobre qualquer nomeação.

Em 1442, porém, Demétrio já não desejava um novo cargo; seu objetivo era o trono imperial. Tendo firmado um acordo diretamente com Murade, reuniu um exército, apresentando-se como defensor da causa apoiada pelos turcos contra a união das Igrejas Católica e Ortodoxa, e declarou guerra a João VIII. Quando Esfrantzes chegou para transmitir a proposta de Constantino, Demétrio já se preparava para marchar sobre Constantinopla. O perigo que representava era tão grande que João convocou Constantino de volta da Moreia para organizar a defesa da capital. Em abril de 1442, Demétrio e os otomanos iniciaram o ataque, e, em julho, Constantino deixou a Moreia para socorrer o irmão. Durante a viagem, encontrou Catarina em Lesbos e ambos navegaram até Lemnos, onde foram bloqueados por uma esquadra otomana e permaneceram retidos por vários meses. Embora Veneza tenha enviado navios em seu auxílio, Catarina adoeceu e morreu em agosto, sendo sepultada em Mirina, em Lemnos. Constantino só chegou a Constantinopla em novembro, quando a ofensiva otomana já havia sido repelida. A punição de Demétrio limitou-se a um breve período de prisão.

Em março de 1443, Esfrantzes foi nomeado governador de Selímbria em nome de Constantino. A partir dessa cidade, ambos puderam vigiar de perto as atividades de Demétrio. Em novembro, Constantino entregou Selímbria a Teodoro, que havia abandonado seu cargo de déspota da Moreia. Isso fez de Constantino e Tomás os únicos déspotas da Moreia e concedeu a Constantino o controle de Mistras, a próspera capital do despotado.

Déspota em Mistras

O palácio do despotado em Mistras, onde Constantino reinou como Déspota da Moreia entre 1443-1449.

Com a saída de Teodoro e Demétrio, Constantino e Tomás esperavam fortalecer a Moreia. Naquele período, a região era o principal centro cultural do mundo bizantino e oferecia perspectivas mais promissoras do que Constantinopla. Mecenas das artes e das ciências haviam se estabelecido ali por convite de Teodoro, e igrejas, mosteiros e mansões continuavam a ser construídos. Os dois irmãos Paleólogos pretendiam transformar a Moreia em um principado seguro e quase autossuficiente. O filósofo Gemisto Pletão, que servia a Constantino, afirmava que, se Constantinopla fora outrora a Nova Roma, Mistras e a Moreia poderiam tornar-se uma “Nova Esparta”, um reino helênico forte e centralizado.

Um dos principais projetos dos irmãos para fortalecer o despotado foi a reconstrução da muralha do Hexamílio, destruída pelos turcos em 1431. Juntos, restauraram completamente a fortificação até março de 1444. A obra impressionou muitos de seus súditos e contemporâneos, incluindo os senhores venezianos do Peloponeso, que haviam recusado educadamente contribuir com seu financiamento. A reconstrução exigiu enormes recursos financeiros e humanos; muitos proprietários de terras moreotas refugiaram-se temporariamente em territórios venezianos para evitar custear o empreendimento, enquanto outros se rebelaram antes de serem submetidos pela força. Constantino procurou conquistar a lealdade da aristocracia local concedendo novas terras e diversos privilégios. Também promoveu jogos atléticos locais, nos quais jovens moreotas competiam em corridas por prêmios.

A Cruzada de Varna, enviada como ajuda aos bizantinos contra os otomanos, foi derrotada pelo sultão Murade II na batalha de Varna em 1444.

No verão de 1444, talvez encorajado pelas notícias de que uma cruzada havia partido da Hungria em 1443, Constantino invadiu o Ducado Latino de Atenas, seu vizinho imediato ao norte e vassalo dos otomanos. Por intermédio de Esfrantzes, manteve contato com o cardeal Juliano Cesarini, um dos líderes da cruzada ao lado de Vladislau III da Polônia e da Hungria. Cesarini foi informado das intenções de Constantino e de sua disposição de auxiliar a cruzada atacando os otomanos pelo sul. Constantino conquistou rapidamente Atenas e Tebas, obrigando o duque Nério II Acciaioli a pagar tributo a ele em vez dos otomanos. A recuperação de Atenas foi vista como um feito particularmente glorioso, e um de seus conselheiros comparou o déspota ao lendário general ateniense Temístocles.

Embora o exército cruzado tenha sido destruído pelas forças otomanas de Murade II na Batalha de Varna, em 10 de novembro de 1444, Constantino não se deixou abater. Sua campanha inicial havia sido notavelmente bem-sucedida e ele ainda recebera apoio estrangeiro do duque Filipe, o Bom, da Borgonha, que lhe enviara trezentos soldados. Com essas tropas borgonhesas e suas próprias forças, Constantino avançou pela Grécia Central até as montanhas do Pindo, na Tessália, onde foi recebido com entusiasmo pela população local como seu novo senhor. À medida que a campanha prosseguia, um de seus governadores, Constantino Cantacuzeno, também avançou para o norte, atacou a Tessália e tomou dos otomanos a cidade de Lidoriki. Os habitantes ficaram tão entusiasmados com a libertação que renomearam a cidade como Cantacuzenópolis, em sua homenagem.

Cansado dos sucessos de Constantino, Murade II, acompanhado do duque Nério II de Atenas, marchou sobre a Moreia em 1446 com um exército que talvez chegasse a 60 mil homens. Apesar da enorme superioridade numérica otomana, Constantino recusou-se a renunciar às suas conquistas na Grécia e preparou-se para o combate. Os otomanos restabeleceram rapidamente seu controle sobre a Tessália, enquanto Constantino e Tomás concentraram suas forças na muralha do Hexamílio, que os turcos alcançaram em 27 de novembro. Determinados a defender a fortificação, reuniram todas as forças disponíveis, cerca de 20 mil homens. Em circunstâncias normais, a muralha poderia ter resistido ao grande exército otomano; contudo, Murade trouxera canhões, e, em 10 de dezembro, a fortificação já havia sido reduzida a escombros, enquanto a maior parte dos defensores foi morta ou capturada. Constantino e Tomás escaparam por pouco da derrota catastrófica. Turahan foi enviado para o sul a fim de tomar Mistras e devastar as terras de Constantino, enquanto Murade II conduziu suas forças pelo norte do Peloponeso. Embora Turahan não tenha conseguido capturar Mistras, isso teve pouca importância, pois Murade pretendia apenas espalhar o terror, e não conquistar a Moreia naquele momento. Os turcos deixaram a península devastada e despovoada. Constantino e Tomás não estavam em posição de negociar uma trégua em condições favoráveis e foram obrigados a reconhecer Murade como seu senhor, pagar-lhe tributo e prometer que jamais voltariam a reconstruir a muralha do Hexamílio.

Busca por Aliados

Pouco depois da morte de Murade II, Constantino tratou de enviar emissários ao novo sultão, Mehmed II, na tentativa de negociar uma nova trégua. Segundo as fontes, Mehmed recebeu os enviados de Constantino com grande respeito e os tranquilizou jurando por Deus, pelo profeta Maomé, pelo Alcorão, pelos anjos e pelos arcanjos que viveria em paz com os bizantinos e com seu imperador pelo resto da vida. Constantino, contudo, permaneceu desconfiado e suspeitava que o humor de Mehmed pudesse mudar abruptamente no futuro. Para se preparar para uma eventual ofensiva otomana, Constantino precisava garantir alianças, e os reinos mais poderosos que poderiam estar dispostos a ajudá-lo encontravam-se no Ocidente.

O aliado em potencial mais próximo e diretamente interessado era Veneza, que mantinha uma grande colônia comercial em seu bairro de Constantinopla. Entretanto, os venezianos não eram considerados dignos de plena confiança. Nos primeiros meses de seu reinado como imperador, Constantino aumentou os impostos sobre as mercadorias que os venezianos importavam para Constantinopla, pois o tesouro imperial estava praticamente esgotado e era necessário arrecadar recursos por algum meio. Em agosto de 1450, os venezianos ameaçaram transferir seu comércio para outro porto, possivelmente sob controle otomano, e, apesar de Constantino ter escrito ao doge de Veneza, Francesco Foscari, em outubro daquele ano, eles permaneceram irredutíveis e firmaram um tratado formal com Mehmed II em 1451. Em resposta, Constantino tentou estabelecer um acordo com a República de Ragusa, oferecendo-lhe um posto comercial em Constantinopla com concessões fiscais limitadas, embora os ragusinos pouco pudessem oferecer em termos de auxílio militar ao império.

Naquele momento, a maior parte dos reinos da Europa Ocidental estava envolvida em seus próprios conflitos, e a derrota esmagadora na Batalha de Varna havia arrefecido grande parte do espírito cruzadista. A notícia da morte de Murade II e de sua sucessão por seu jovem filho também levou muitos europeus ocidentais a uma falsa sensação de segurança. Para o papado, a União das Igrejas era uma questão muito mais urgente do que a ameaça representada por um ataque otomano. Em agosto de 1451, o embaixador de Constantino, Andrônico Briennio Leontaris, chegou a Roma para entregar uma carta ao papa Nicolau V, que continha uma declaração da synaxis antiunionista de Constantinopla. Constantino esperava que o papa lesse a carta e compreendesse as dificuldades enfrentadas por ele para tornar efetiva a União das Igrejas no Oriente. A carta apresentava a proposta da synaxis de convocar um novo concílio em Constantinopla, com igual número de representantes de ambas as igrejas, uma vez que os ortodoxos haviam sido amplamente superados em número no concílio anterior.

Em 27 de setembro, Nicolau V respondeu a Constantino depois de saber que o patriarca unionista Gregório III havia renunciado em decorrência da oposição que enfrentava. O papa limitou-se a afirmar que Constantino precisava empenhar-se mais para convencer seu povo e seu clero, e que o preço de qualquer auxílio militar adicional proveniente do Ocidente seria a aceitação plena da união estabelecida em Florença; o nome do papa deveria ser comemorado nas igrejas da Grécia e Gregório III deveria ser restaurado ao patriarcado. O ultimato representou um revés para Constantino, que havia feito o possível para aplicar a união sem provocar tumultos em Constantinopla. O papa parecia ter ignorado completamente o sentimento expresso pela synaxis antiunionista. Nicolau V enviou então um legado papal, o cardeal Isidoro de Kiev, a Constantinopla para auxiliar Constantino na implementação da união, mas Isidoro só chegou em outubro de 1452, quando a cidade já enfrentava preocupações muito mais urgentes.

Reinado como Imperador

Ascensão ao trono

Teodoro, antigo déspota da Moreia, morreu em junho de 1448 e, em 31 de outubro do mesmo ano, João VIII Paleólogo morreu em Constantinopla. Em comparação com seus outros irmãos ainda vivos, Constantino era o mais popular dos Paleólogos, tanto na Moreia quanto na capital. Era de conhecimento geral que o sucessor preferido de João era Constantino e, por fim, prevaleceu a vontade de Helena Dragaš (que também preferia Constantino). Tanto Tomás, que aparentemente não tinha intenção de reivindicar o trono, quanto Demétrio, que certamente tinha essa intenção, apressaram-se em ir para Constantinopla e chegaram à capital antes que Constantino deixasse a Moreia. Embora muitos favorecessem Demétrio por sua posição contrária à união das Igrejas, Helena reservou para si o direito de atuar como regente até a chegada de seu filho mais velho, Constantino, e impediu a tentativa de Demétrio de tomar o trono. Tomás aceitou a nomeação de Constantino, e Demétrio foi preterido, embora mais tarde tenha proclamado Constantino como seu novo imperador. Pouco depois, Esfrantzes informou o sultão Murade II, que também aceitou a nomeação em 6 de dezembro de 1448. Com a questão da sucessão resolvida pacificamente, Helena enviou dois emissários, Manuel Paleólogo Iagros e Aleixo Láscaris Filantropeno, à Moreia para proclamar Constantino imperador e levá-lo à capital. Tomás também os acompanhou.

Maomé II Por Gentile Bellini, 1480National Gallery

Último discurso

Quando os otomanos foram fazer seu último e desesperado ataque (pelo cerco ter se estendido por mais tempo do que deveria), Constantino XI fez um belo discurso para todos os soldados, especialmente para os romanos, lembrando de seus antepassados, como César e Augusto falando que o sangue deles corriam nas suas veias. Depois disso o ataque começava e o destino do Império Romano estava em jogo

Morte

Na madrugada de 29 de maio, a lenta agonia cessou. Sob o ataque de três frentes, a cidade de Constantinopla caiu sob o domínio do Império Otomano. Não há nenhuma informação precisa a respeito, pois nenhum dos autores que escreveram sobre o episódio foi testemunha da morte do imperador e, portanto, não podem nos dar relatos confiáveis sobre a sua morte, porém, a maioria dos relatos cristãos e muçulmanos, bem como a historiografia moderna, concorda que Constantino XI permaneceu na cidade durante o ataque e morreu durante a batalha. Segundo alguns desses relatos, o imperador recusou qualquer conselho ou possibilidade de fuga e decidiu permanecer com seus defensores até o fim, morrendo bravamente durante o combate, sendo lembrado como um mártir, não um imperador que abandonou seu império. Por seu corpo supostamente nunca ter sido encontrado, surgiu a lenda de que "quando estava rodeado pelos inimigos, um anjo o teria transformado em estátua de mármore e o escondido em uma caverna", donde sairá um dia para expulsar os turcos de Constantinopla e restaurar o império, no entanto parece ser mais provável que seu corpo tivesse sido encontrado e logo depois fosse decapitado. Segundo o historiador bizantino do século XV Critóbulo de Imbros, as últimas palavras de Constantino antes de avançar contra os otomanos teriam sido ‘A cidade caiu e eu ainda estou vivo’, embora a autenticidade da afirmação seja incerta. A cidade permanece sob domínio turco até hoje, atualmente com o nome de Istambul.

A grande importância de Constantino XI, portanto, não está em algum grande feito que tenha realizado. Ele entrou para história por ter sido em seu reinado a queda da cidade de Constantinopla, fato que teve profunda repercussão em todo o Ocidente.

Porém a resistência valorosa até a morte do último imperador romano foi escolhida, nos anos seguintes, como símbolo da luta da cristandade contra os turcos, e contra esses foi usado sucessivamente como símbolo dos independentistas gregos no século XIX. Apesar disto, o Império Otomano só terminou muitos séculos depois, após a Primeira Guerra Mundial, e mesmo assim por deterioração própria e não por ação direta de nações europeias.

Uma estátua de Constantino XI está hoje defronte à catedral de Atenas, porém ele não é oficialmente considerado um santo na Igreja Ortodoxa.

Referências

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Bibliografia

Constantino XI Paleólogo
Dinastia Paleóloga
8 de fevereiro de 1405 – 29 de maio de 1453
Precedido por
João VIII Paleólogo

Imperador Bizantino

6 de janeiro de 1449 – 29 de maio de 1453
Sucedido por
Monarquia abolida
Queda de Constantinopla