Creche é um estabelecimento de educação e cuidado que atende crianças de até três anos de idade. Dependendo do país e seu sistema educativo, a creche pode integrar-se na educação pré-escolar, ou na educação infantil. As creches podem funcionar como estabelecimentos autônomos, podem ser integradas em outros estabelecimentos educativos mais abrangentes, ou funcionar junto de empresas ou serviços para usufruto de filhas e filhos de trabalhadoras e trabalhadores.
A creche no Brasil integra, juntamente com a pré-escola, a Educação Infantil, que é a primeira etapa da Educação Básica. A obrigatoriedade de matrícula de crianças nas escolas no país inicia-se aos 4 anos, ou seja, na pré-escola. Ainda que não seja obrigatório a matricula em creches, elas são direito das crianças e dever do Estado. As creches são ofertadas em período diurno (integral ou parcial) e são voltadas à educação e ao cuidado de bebês e crianças pequenas de até três anos de idade, com atividades para o desenvolvimento sócio-emocional, cognitivo e motor, por meio de atividades lúdicas, brincadeiras e jogos - com os devidos cuidados necessários de higiene e bem-estar para cada criança acompanhando a idade. A educação infantil contribui, ainda, com a corresponsabilização do Estado e da sociedade pelos cuidados, permitindo a liberação de tempo de quem cuida das crianças no âmbito familiar de forma não remunerada, que são principalmente mulheres.
As creches possuem, assim, uma dupla natureza. De um lado, atendem o direito das crianças à educação e ao cuidado. De outro, garante às mães, aos pais e resposáveis um serviço de qualidade para que possam dispor de tempo livre para trabalhar, estudar ou realizar outras atividades. É na creche que bebês e crianças pequenas terão suas refeições, rotina de sono, banho e brincadeiras, assistidas e cuidadas por profissionais qualificados(as) para a realização do serviço, em regra, com formação em pedagogia. Estar em espaços coletivos como os da creche ampliam as aprendizagens de bebês e crianças pequenas, favorecendo pedagogias que apoiem as suas particularidades e especialidades.
A compreensão da educação e do cuidado como direitos implica no rompimento com a perspectiva doméstica do trabalho pedagógico na creche, relacionando-se com a profissionalização e a formação do docente para essa atuação. Ou seja, apesar de, a partir de um processo socio-cultural e histórico, as creches terem ocupado um espaço assistencial de cuidados, essas instituições são na verdades espaços em que o cuidado e a educação são indissociáveis. Portanto é importante problematizar o lugar social dos bebês e crianças pequenas entre as esferas íntimas, privada e familiares e a esfera pública, especialmente no espaço creche, compreendendo a educação e a docência na creche numa perspectiva do cuidado com ética, em suas interseccionalidades de gênero, raça, etnia, curso de vida, deficiência e território.
A creche, no Brasil, pode ser pública ou privada e, nesse último caso, podem ou não ter fins lucrativos. As creches privadas sem fins lucrativos podem ser comunitárias ou confessionais. A oferta privada é regulamentada e fiscalizada pelo Estado e deve seguir a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). O horário de oferta é sempre diurno, podendo ser jornada parcial ou integral.
Com a instituição da Política Nacional de Cuidados, que garante o direito a ser cuidado, a cuidar e ao autocuidado, e foi promulgada por meio da Lei n. 15069/2024, as creches foram incorporadas ao Plano Nacional de Cuidados do Governo Federal, assumindo-se o compromisso de ampliar sua oferta e jornada, atendendo, assim, de forma sumiltânea e interdependente, quem cuida e de quem é cuidado. De forma complementar, o Plano Nacional de Cuidados previu as Cuidotecas, serviço público e gratuito que atende crianças com e sem deficiência, com idades entre três e doze anos, no período noturno e outros não cobertos por creches, pré-escolas e demais instituições escolares. Com isso, as creches passaram a se comprometer com a corresponsabilização do Estado e da sociedade pelos cuidados, permitindo a liberação de tempo de quem cuida das crianças no âmbito familiar de forma não remunerada, que são principalmente mulheres.
A expansão do serviço com qualidade ainda é um desafio. O Plano Nacional de Educação (PNE) prevê que 50% das crianças de zero a três anos estejam matriculadas em creches. No entanto, em 2024, o serviço atendia cerca de 40% dessas crianças, com fortes desigualdades sociais e territoriais no acesso. Havia, ainda, grande diferença em relação às faixas etárias. Enquanto para crianças de zero a um anos era de 17,4% em 2024, a cobertura para crianças de dois a três anos era de 58,5%. Em relação à jornada, cerca de 42% das matrículas em creches eram em jornada integral, enquanto 58% era em jornada parcial, o que constitui um desafio para que a iniciativa esteja comprometida com os cuidados.
Uma creche, em Portugal, consiste num espaço destinado ao apoio pedagógico e cuidado de crianças com idades compreendidas entre os três meses e os três anos. Dos três meses à aquisição da marcha, as crianças encontram-se em berçários, transitando para as salas seguintes até aos três anos em que passam para a valência de jardim de infância. Ambos estes espaços (creche e jardim de infância) encontram-se em infantários, colégios e externatos.
A Segurança Social é a entidade reguladora e fiscalizadora das actividades relacionadas com as crianças dos três meses aos três anos.
Na Alemanha Oriental comunista muitas creches também foram criadas para que as mães pudessem deixar seus filhos ainda bebês e trabalhar. Foi objeto de extrema divulgação no ocidente como uma facilidade que o governo. Após a abertura política, revelou-se que, o objetivo da criação de creches foi exclusivamente o de liberar as mulheres que ainda se dedicavam aos bebês, para o trabalho e assim aumentar a força de mão de obra trabalhadora, necessária a crise comunista. Na Alemanha Ocidental, as mulheres eram estimuladas a ficar em casa cuidando dos filhos em troca de um auxílio maternidade e estabilidade de emprego para o posterior retorno, preservando vínculo familiar. [carece de fontes]