Daucitas

Daucitas ou Banu Dauce (em árabe: دوس; romaniz.: Daws) foram uma tribo árabe dos azeditas, descendente de Dauce ibne Udeçane, estabelecida na região de Tiama, no norte do Iêmen. Durante o período pré-islâmico praticavam o politeísmo e veneravam, entre outros, os ídolos Dul Calaça e Du Alcafaine. A tribo converteu-se coletivamente ao islão entre o sétimo e o oitavo ano da Hégira, graças principalmente à atuação de seu chefe Tufail ibne Anre Adauci, tornando-se uma das primeiras tribos iemenitas a aderir em massa à nova religião. Entre seus membros mais ilustres destacam-se Abu Huraira, considerado o mais prolífico transmissor de hádices da tradição sunita, e Ume Xarique Guzaia binte Jábir, lembrada por sua atuação na propagação do islão entre as mulheres de Meca.

História

Os daucitas habitavam a região de Tiama, no norte do Iêmen, e pertenciam ao grande conjunto tribal dos azeditas, descendendo de Dauce ibne Udeçane. Durante a época pré-islâmica, como muitas outras tribos árabes, praticavam o politeísmo. Seus principais centros de culto eram os santuários de Dul Calaça, localizado em Tebala, entre Meca e o Iêmen, e de Du Alcafaine, ídolo tradicionalmente associado ao daucita Anre ibne Humama Adauci. O primeiro daucita de destaque a abraçar o islão foi o poeta e chefe tribal Tufail ibne Anre Adauci. Durante uma visita a Meca, em um período em que os coraixitas procuravam impedir que peregrinos e visitantes mantivessem contato com Maomé, Tufail conseguiu encontrar-se com o profeta, ouviu a recitação do Alcorão e converteu-se à nova religião. Ao regressar à sua terra, iniciou uma intensa atividade missionária entre os membros da tribo. Inicialmente, apenas seu pai, sua esposa e, segundo algumas tradições, Abu Huraira aceitaram sua pregação, enquanto a maioria dos daucitas permaneceu resistente. Diante desse insucesso, Tufail voltou a procurar Maomé para relatar a situação e pedir que rogasse contra a tribo. O profeta, contudo, preferiu orar por sua orientação e recomendou que prosseguisse na pregação com brandura e paciência.

Os esforços de Tufail acabaram produzindo efeito e a conversão dos daucitas acelerou-se nos anos seguintes. Em 628, ele conduziu cerca de setenta ou oitenta famílias muçulmanas até Medina. Ao saberem que Maomé se encontrava em Caibar, seguiram até lá numa delegação que incluía Abu Huraira, Abedalá ibne Uzair, Muaiquibe ibne Abi Fátima e o próprio Tufail. Embora não tenham participado diretamente dos combates, foram recebidos calorosamente por Maomé, que elogiou sua lealdade e, com o consentimento dos demais companheiros, determinou que também recebessem parte dos despojos da campanha. Após o retorno a Medina, o profeta estabeleceu os daucitas em Harrate Adajaje, embora as fontes não esclareçam se toda a tribo ou apenas parte dela permaneceu na região.

Após a Conquista de Meca, Maomé ordenou que um contingente de cerca de quatrocentos guerreiros daucitas destruísse o ídolo Du Alcafaine. A tribo também participou da campanha de Taife, contribuindo para o cerco com manganelas trazidas de seu território. Toda a tribo havia abraçado o islão até o sétimo ou oitavo ano da Hégira. Em seguida, seu chefe, Sade ibne Abi Zubabe, dirigiu-se a Medina para comunicar oficialmente a conversão coletiva dos daucitas e prestar juramento de fidelidade a Maomé, que o confirmou como administrador da tribo. Após a morte de Maomé, não há registros de que os daucitas tenham participado dos movimentos de apostasia que deram origem às Guerras da Apostasia. Pelo contrário, as fontes afirmam que Suaide ibne Caribe impediu qualquer tentativa de abandono do islão e que a tribo combateu ao lado do Califado durante esses conflitos. Entre seus membros mais conhecidos destacam-se Abu Huraira, um dos mais importantes transmissores de hádices da tradição islâmica, Tufail, responsável pela conversão da tribo, e Ume Xarique Guzaia binte Jabir, uma das primeiras mulheres convertidas em Meca e reconhecida por sua atuação na difusão do islão entre as mulheres.

Referências

  1. 1 2 3 Fayda 1994, p. 253.

Bibliografia