| Desy Costa | |
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| Nascimento | 4 de abril de 1934 Luanda |
| Cidadania | Angola |
| Ocupação | político, engenheiro de petróleo, mecenas, empresário |
| Cargo(s) | Ministro dos Recursos Minerais e Petróleos de Angola (2002–2008) |
Desidério "Desy" da Graça Veríssimo e Costa (Luanda, 4 de abril de 1934) é um engenheiro, empresário, mecenas e político angolano. É um dos principais entusiastas da ciência em Angola.
Foi ministro dos Petróleos de 2002 a 2008. Antes disso havia sido vice-ministro da mesma pasta, de 1984 a 2002.
Desy Costa nasceu em Luanda. Seu pai, Fernando Pascoal da Costa, era telegrafista e sindicalista na Companhia do Caminho de Ferro de Luanda. Pascoal da Costa tornou-se um dos primeiros membros do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), na altura de 1958, sendo, inclusive, um dos réus no "Processo dos 50", ficando encarcerado por muitos anos em Cabo Verde.
No início da década de 1950, Desy Costa foi enviado pela família para estudar o liceu em Portugal. Após a prisão do pai, em 1959, Desy Costa buscou exílio na Alemanha Ocidental. Neste país, encontrou seu primeiro abrigo na casa de um médico em Lüdenscheid, cidade onde passou a trabalhar em uma fábrica enquanto aprendia alemão como preparativo para tentar cursar medicina.
Associa-se ao Grupo dos Estudantes do Movimento Anticolonial (MAC) em 1959 por influência do moçambicano Horta Mucangana. Em 1960, juntamente com Luís de Almeida, torna-se representante de Angola na conversão do Grupo dos Estudantes do MAC na União dos Estudantes da África Negra (UDEAN) em Lípsia em fevereiro de 1960. Já em setembro de 1961, num congresso realizado em Rabate, Marrocos, participa da conversão da UDEAN em União Geral dos Estudantes da África Negra (UGEAN), sendo eleito seu primeiro presidente, cargo que ocupa até 1963. Passa a integrar também a Juventude do Movimento Popular de Libertação de Angola (JMPLA) a partir de 1962.
Constituiu um noivado com a líder feminista Ruth Neto (irmã de Agostinho Neto) em 1960, mudando-se para Francoforte do Meno, justamente onde o MPLA tinha uma das sedes no exílio desde 1957. Nesta cidade, passou a trabalhar também na sede do MPLA. No início de 1968, Agostinho Neto levou o casal para Dar es Salã, na Tanzânia, para trabalhar na estruturação do escritório do MPLA naquela cidade. Em 1970, o MPLA lhe forneceu uma bolsa para estudar engenharia de petróleo na Universidade de Metalurgia e Mineração de Leoben, na Áustria, dentro da política de formar quadros técnicos com conhecimento em áreas estratégias para o pós-independência. Desy Costa formou-se em 1975.
No pós-independência, foi nomeado membro da Comissão Nacional Angolana para a Reestruturação da Indústria Petrolífera de 1976 a 1977 e Diretor-Geral Adjunto da Sonangol de 1977 a 1979. Entre 1980 e 1981 a Sonangol lhe financiou estudos de pós-graduação lato sensu em gestão de petróleo no Cambridge College, Estados Unidos. Cabe ressaltar que, nessa fase, sua carreira profissional estava relacionada à sua relação familiar com Agostinho Neto. Desentendeu-se com Agostinho Neto após o fim do matrimônio com Ruth Neto em 1978, fato que o levou a decair de influência na Sonangol. Foi reabilitado na década de 1980 por José Eduardo dos Santos, que o tornou um conselheiro próximo.
Ao retornar dos estudos, foi nomeado Diretor Nacional do Petróleo de 1982 a 1984 e Vice-Ministro do Petróleo de 1984 a 2002. Foi promovido a Ministro do Petróleo numa série de reestruturações ministeriais em dezembro de 2002, substituindo Botelho de Vasconcelos, que foi transferido para o Ministério da Energia e Água. No novo governo formado em 3 de outubro de 2008, após as eleições parlamentares de setembro de 2008, foi novamente substituído pelo seu antecessor. Cabe destacar que, no ínterim, presidiu, entre 2005 e 2006, a Associação de Produtores de Petróleo Africano (APPA), e; durante a 145ª reunião da Conferência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), em 11 de setembro de 2007, Costa foi eleito Presidente-Suplente da OPEP, servindo a partir de 1 de janeiro de 2008, cargo ocupado até ser substituído por Botelho de Vasconcelos.
Em 2009, Desy Costa passou a trabalhar como consultor e depois administrador de uma empresa petrolífera privada em Angola. Constituiu também negócios em uma fazenda de criação de gado holandês, mantendo, no recinto, uma importante fábrica de iogurtes. Ingressou na gestão bancária como membro da Mesa da Assembleia do Banco Angolano de Investimentos. Na década de 2000 passou também a dedicar parte de sua riqueza ao financiamento de pesquisas científicas, servindo como mecenas de figuras como o engenheiro e inventor Hélder da Silva e de outros nomes ligados à Fundação de Inventores e Inovadores de Angola.
Em 2014 veio à tona uma investigação que apontava que, no leilão realizado em 2005 do Bloco Petrolífero de extração offshore nº 4/05, localizado a norte de Luanda, o então Ministro do Petróleo, Desy Costa, estava entre os acionistas da Somoil (que arrematou a área).
É casado com Fatima Xirimbimbi. Foi casado até 1978 com a líder feminista Ruth Neto, com quem teve a filha Ginga Neto e Costa de Almeida - nascida em Francoforte do Meno, professora e desportista equestre.