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A Dharmachakra (Sânscrito: धर्मचक्र, em páli: dhammacakka) ou Roda do Dharma é um símbolo utilizado nas religiões dhármicas. É especialmente utilizada no Budismo. No Hinduísmo, o símbolo é particularmente empregado em locais que passaram por transformação religiosa. O símbolo também encontra aplicação na Índia moderna.
Historicamente, O darmachacra foi frequentemente utilizado como ornamento em estátuas do Leste Asiático e inscrições, desde o período mais remoto da cultura do Leste Asiático até os dias atuais. Permanece como um importante símbolo da religião budista até hoje.
O substantivo em Sânscrito dharma (धर्म) deriva da raiz dhṛ, que significa "segurar, manter, conservar", e quer dizer "aquilo que está estabelecido ou firme". A palavra origina-se do radical do sânscrito védico em forma de n, dharman-, com o sentido de "portador, sustentador". A religião védica histórica aparentemente concebía o dharma como um aspecto de Ṛta.

Símbolos semelhantes ao chakra (roda com raios) figuram entre os mais antigos de toda a história indiana. Madhavan e Parpola apontam que um símbolo de roda aparece frequentemente em artefatos da Civilização do Vale do Indo, especialmente em diversos selos. Notavelmente, está presente em uma sequência de dez sinais na placa de Dholavira.
Alguns historiadores associam os antigos símbolos de chakra ao símbolo solar. Nos Vedas, o deus Surya está associado ao disco solar, o qual se diz ser uma carruagem de uma única roda (cakra). Mitra, uma manifestação de Surya, é descrito como "o olho do mundo", e, assim, o sol é concebido como um olho (cakṣu) que ilumina e percebe o mundo. Tal roda é também o principal atributo de Vishnu. Assim, um símbolo de roda pode igualmente estar associado à luz e ao conhecimento.

No Budismo, O darmachacra é amplamente utilizado para representar o Dharma (o ensinamento do Buda e a ordem moral universal), o próprio Buda e a caminhada em direção à iluminação, desde os tempos do Budismo pré-sectário. O símbolo também é, por vezes, associado às Quatro Nobres Verdades, ao Nobre Caminho Óctuplo e à originação Dependente.
O darmachacra pré-budista (dhammacakka) é considerado um dos ashtamangala (sinais auspiciosos) tanto no Hinduísmo quanto no Budismo e é frequentemente utilizado como símbolo de ambas as fés. É um dos mais antigos símbolos indianos conhecidos, presente na arte indiana, surgindo na primeira iconografia indiana pós-Civilização do Vale do Indo durante o período do rei budista Açoca.
Diz-se que o Buda pôs em movimento a "roda do dharma" ao proferir seu primeiro sermão, descrito no Dhammacakkappavattana Sutta. Esse "giro da roda" simboliza uma mudança revolucionária e de consequências universais, promovida por um ser humano excepcional. O Budismo adotou a roda como símbolo a partir da ideia mítica indiana do rei ideal, denominado Chakravartin ("aquele que gira a roda" ou "monarca universal"), que, segundo a lenda, possuía diversos objetos míticos, dentre eles o ratana cakka (a roda ideal). O Mahā Sudassana Sutta do Digha Nikāya descreve essa roda como possuindo um centro (nābhi), mil raios (sahassārāni) e um aro (nemi), todos perfeitos em cada aspecto. Siddhartha Gautama foi considerado um "mahapurisa" (homem notável) que poderia ter optado por tornar-se um rei que gira a roda, mas escolheu, em vez disso, ser o contraponto espiritual a tal rei, um sábio que gira a roda, ou seja, um Buda.
Em sua explicação do termo "girar a roda do Dharma", o exegeta theravada Buddhaghosa esclarece que essa "roda" que o Buda girou deve ser entendida, primordialmente, como a sabedoria, o conhecimento e a percepção (ñāṇa). Essa sabedoria possui dois aspectos: o paṭivedha-ñāṇa, que é a sabedoria da autorrealização da Verdade, e o desanā-ñāṇa, a sabedoria da proclamação da Verdade.
“É o ciclo sem começo de renascimentos que é chamado de ‘Roda do ciclo de renascimentos’ (saṃsāracakka). A ignorância (avijjā) é o seu centro, pois é a sua raiz. O envelhecimento e a morte (jarā-maraṇa) constituem o seu aro, por encerrarem-no. Os dez elos restantes [da Originação Dependente] são os seus raios [isto é, de saṅkhāra até o processo de tornar-se, bhava].”
Os primeiros monumentos indianos com darmachacras são os Pilares de Açoca, como o pilar do leão em Sanchi, erigido por ordem do imperador máuria Açoca. Segundo Benjamin Rowland:
“A coluna de Saranate pode ser interpretada, portanto, não apenas como uma glorificação da pregação do Buda simbolizada pela roda que o coroa, mas também por meio das implicações cosmológicas de todo o pilar, enquanto símbolo da extensão universal do poder da Lei do Buda – tipificada pelo sol que domina todo o espaço e todo o tempo –, e, simultaneamente, como emblema da expansão universal do imperialismo máuria por meio do Dharma. Toda a estrutura é, pois, uma tradução da antiga cosmologia indiana e asiática em termos artísticos de origem essencialmente estrangeira, dedicada, como todos os monumentos de Açoca, à glória do Budismo e da casa real.”
De acordo com Harrison, o simbolismo da “roda da lei” e da ordem da Natureza também se evidencia nas roda de oração tibetana, cujos movimentos simbolizam a dinâmica da ordem cósmica (ṛta).



O darmachacra é um símbolo na religião sramana do Buddha Dhamma.
O simbolismo da roda também foi utilizado em templos indianos em locais que passaram por transformação religiosa a partir do Budismo, como o templo de Jagannath, cuja divindade é considerada por alguns estudiosos ter origem budista.. Igualmente, encontra-se em outros antigos templos de Odisha, dentre os quais se destaca o Templo do Sol de Konark.
O darmachacra de 24 raios, conhecido como Açoca Chakra, está presente na Bandeira da Índia, representando o conceito pan-indiano de Dharma. O moderno Escudo de Estado da Índia é uma representação do Capitel de Açoca (Sanchi), que inclui O darmachacra. Uma parte integrante do emblema é o lema inscrito em devanagari: Satyameva Jayate (em inglês: Truth Alone Triumphs). Esta é uma citação do Mundaka Upanishad, a parte final dos Vedas.
Sarvepalli Radhakrishnan, o primeiro Vice-presidente da Índia, afirmou que o Açoca Chakra representa a "roda da lei do dharma", bem como "Verdade ou satya", "Virtude" e "movimento", no sentido do "dinamismo de uma mudança pacífica".
|section-url= missing title (ajuda). History of Oriya Literature. [S.l.]: Creative Media Partners, LLC. ISBN 978-1015025486|section-url= missing title (ajuda). Buddhism in Orissa. Bhubaneshwar: Utkal University. p. x. OCLC 1391872675A importância da concepção de Dharma no pensamento bramânico antigo é tão considerável que parece ter substituído o Ṛta como a principal concepção filosófica e religiosa, ou que o conceito anterior foi, em algum momento, absorvido por ele. É provavelmente mais correto dizer que o Dharma foi concebido como um aspecto do Ṛta que se tornou tão útil para formular regulamentos religiosos, morais e sociais, que o interesse por ele e a discussão sobre suas aplicações à ordem social e moral eclipsaram todas as discussões sobre ideias metafísicas e teológicas.