| Diogo Bernardes | |
|---|---|
| Nascimento | 1530 Ponte da Barca |
| Morte | ? c. 1594 |
| Cidadania | Reino de Portugal |
| Irmão(ã)(s) | Agostinho Pimenta |
| Ocupação | poeta, escritor |
| Movimento estético | renascimento |
Diogo Bernardes (Ponte da Barca, c. 1530 − ? c. 1594) foi um poeta português.
Era filho de Catarina Bernardes Pimenta e de João Rodrigues de Araújo. Segundo Diogo Barbosa Machado, Diogo Bernardes — ao qual o catálogo chamado da Academia acrescenta Pimenta, por serem esses os apelidos da sua mãe — nasceu em Ponte da Barca.
Contudo Inocêncio Francisco da Silva, que o dá como cavaleiro da Ordem de Cristo ("consta de documento existente no arquivo"), dá-lo nascido em Ponte de Lima, fundando-se sobre a "declaração exarada no rosto do seu livro das Rimas ao Bom Jesus".
Sobre a sua data de nascimento, Inocêncio situa-a "entre os anos 1530 e 1540, e com certeza antes deste último, por ser o do nascimento de seu irmão mais novo Fr. Agostinho da Cruz", nascido Agostinho Pimenta, poeta também.
Parece que, quando era muito novo, Diogo foi viver para Lisboa, tendo regressado a Ponte da Barca, onde foi tabelião. Além disso exerceu vários cargos nas cortes de D. Sebastião e de Filipe II, e foi incumbido pelo primeiro de cantar os seus projectados factos heróicos na expedição africana.
Por isso, acompanhou-o a Alcácer Quibir, onde ficou prisioneiro e onde veio então a compor, ao contrário do previsto, lamentações elegíacas em recordação do desastre marroquino. "Temperamento brando, nem mesmo as agruras da derrota e do cativeiro lhe provocaram mais do que um queixume ténue e formular."
Diz Inocêncio: "Os poetas contemporâneos de Bernardes, especialmente António Ferreira e Sá de Miranda, falam dele com os maiores elogios. O P. António Pereira de Figueiredo dá-lhe o oitavo lugar entre os clássicos da língua, colocando-o imediato a Camões."
Quanto a Manuel de Faria e Sousa acrescenta o mesmo que:
«não só deprime o seu carácter moral, acusando-o de ter roubado a Camões não menos de cinco eclogas, o poema a Santa Ursula e outros versos que imprimiu como próprios, mas abertamente o qualifica de poeta medíocre, e falto d'ingenho. Á parte porém o plagiato, de que não serei eu quem ouse absolvel-o, em vista dos fortes argumentos que n'este pleito se tem produzido contra ele, parece-me que há, no que é inegavelmente seu, mérito suficiente para assegurar-lhe um logar distinto entre os poetas da eschola italiana a que pertenceu, e com especialidade entre os bucólicos. Ninguém poderá desconhecer nas suas poesias pureza de linguagem, suavidade de metrificação, e certa natural simplicidade de ideias e conceitos, que lhe conquistam a affeição dos leitores.»
Estas conclusões de Inocêncio a propósito do "plagiato", de que não parece têr a menor dúvida, até lhe servem para "provar" falsas edições : falando da edição das Várias rimas ao bom Jesus diz: "António Ribeiro dos Santos (…) acusa uma edição destas Rimas anterior a todas as referidas, a qual diz ser feita em Lisboa, por Simão Lopes 1577(…) Nunca a vi, nem creio que exista. Como poderia conter poesias, cuja maior parte Bernardes só escreveu durante o seu cativeiro nos annos de 1578 e seguintes ? Como entrariam ahi as oitavas, ou poema a Sancta Ursula, que se diz roubado a Camões, achando-se aínda vivo, e por conseguinte nos termos de reclamar contra o furto que se lhe fazia?"
Hoje portanto, entre as atribuições falsas, notavelmente de Faria e Sousa, para quem todo bom poema era do "seu" poeta, Camões, vários eruditos, a começar por Carolina Michaëlis, e mais recentemente Álvaro J. Da Costa Pimpão, meteram em dúvida essa severidade de julgamento. Falam estes, de poemas "supostamente furtados" por Diogo Bernardes, e denigrem sobretudo o trabalho de Faria.
"Os seus temas típicos, diz a "História da Literatura portuguesa", são um enamoramento espiritualizado com todo o recheio de paradoxos petraquistas ; uma saudade, ou seja, o gosto de uma nostalgia indefinida, na intimidade a sós com a espessura viridente do seu alto Minho rural, com as penedias e, principalmente, com o derivar das águas nascentes ou fluviais, que tanto evocam as lágrimas como o curso irreversível do tempo [sendo notáveis as suas éclogas inspiradas na beleza serena das margens do Lima, sem dúvida o seu rio privilegiado ("águas que de mistura/convosco minhas lágrimas levais")]; e, nos últimos anos, o desengano de todas as esperanças terrenas e um fervor religioso de reconciliação sem notas originais."
Muitos investigadores atribuem-lhe hoje (é sempre por outros atribuído a Camões, e mesmo a outros poetas maneirista do século XVI), o muito célebre soneto sobre a mudança, que aparece nas Flores do Lima; é um pouco diferente do atribuído a Camões por Faria e Sousa, dizendo-o furtado por Bernardes:
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