Dores do Paraibuna é um distrito rural e urbano jurisdicionado ao município de Santos Dumont, estado de Minas Gerais. O território é caracterizado pela sua divisão demográfica que compreende áreas de relevo campestre e aglomerados populacionais originados após modificações geográficas no século XX. Situa-se a cerca de 8 km do centro de Santos Dumont, ligado por estrada não pavimentada. Possui cerca de 2.000 habitantes. Fica nas proximidades da nascente do Rio Paraibuna.
Não há documentos públicos oficiais que atestem o decreto, a lei ou o processo semântico exato da formulação original do nome do distrito. Contudo, relata-se nas fontes de forma objetiva que "Dores" associa-se à padroeira histórica da localidade, Nossa Senhora das Dores, enquanto o sufixo "Paraibuna" é uma demarcação geográfica que se refere diretamente ao rio homônimo que banha a região.
Historicamente ligado ao distrito de Curral Novo, do município vizinho de Antônio Carlos (MG), o distrito de Dores do Paraibuna foi criado em setembro de 1878, vinculada à então freguesia de João Gomes (hoje Santos Dumont) no então município de Barbacena. Seu território consistia em terras de fazendeiros da região tais como José Dias Pires, Antônio Ferreira da Costa, Júlio Dias Pires, José Carlos do Nascimento, Ivo Xavier Ribeiro dentre outros. Em 1884 foi construída a Igreja de Nossa Senhora das Dores.
A trajetória histórica de Dores do Paraibuna desenrolou-se em torno da fundação de sua antiga matriz católica. O povoado original, hoje conhecido como "Velha Dores do Paraibuna", formou-se ao redor da Igreja de Nossa Senhora das Dores, uma construção cuja fundação data da segunda metade do século XIX. A comunidade existiu neste formato inalterado até o final do século XX, baseando-se majoritariamente na estrutura social da pequena paróquia interiorana.
Na década de 1950, foi projetada a Barragem de Chapéu D'Uvas, visando a suprimir Juiz de Fora de água potável. Contudo esta obra somente foi concluída em 1994, o que acarretou o represamento das águas do Rio Paraibuna e consequente submersão da antiga vila de Dores. Os moradores foram removidos para uma nova vila que foi construída, denominada "Nova Dores", a 2 km da antiga.
Da antiga vila, atualmente somente restou as ruínas da antiga Igreja e antigo cemitério. O local é visitado para turismo rural.
Os cadastros governamentais provêm marcadores e índices técnicos que estruturam Dores do Paraibuna dentro do plano diretor municipal e dos levantamentos estatísticos de território nacionais.
| Parâmetro Operacional | Dado Técnico Verificado |
| Município Administrativo | Santos Dumont - MG |
| Código IBGE do Município | 3160702 |
| Código IBGE do Distrito | 15 |
| Setor Censitário Específico | 0003 (Agrupamento Quilombola Cachoeirinha) |
| Coordenadas de Referência (Setor 0003) | 21º3134"S e 43º4020"O |
| CEP Principal | 36240-000 (Velha Dores) e 36249-000 (Z. Rural) |
| Estabelecimento de Saúde Integrado | UBS Dores do Paraibuna (CNES 2184052) |
O sistema hídrico da região tem como seu vetor principal o Rio Paraibuna, que alimenta diretamente a Represa de Chapéu D'Uvas, a maior e mais impactante alteração hidrográfica da localidade. A cartografia oficial de mapeamento municipal do IBGE também identifica microbacias adjacentes que cruzam o setor, incluindo o Ribeirão Espírito Santo, Córrego Abeta, Córrego Três Pontes e Córrego Sarandi. A água represa nesta bacia desempenha a dupla função técnica de controle de vazão e provimento hídrico bruto para o município vizinho de Juiz de Fora.
Do ponto de vista governamental, o distrito de Dores do Paraibuna recebe infraestrutura gradual, a exemplo da intervenção finalizada em 2024, pela Prefeitura de Santos Dumont, para a conclusão da Capela Mortuária local — visando sanar a dificuldade logística dos moradores com funerais devido à distância do polo central do município —, além de ações periódicas de manutenção e conservação das estradas rurais.
Institucionalmente, a barragem instalada no distrito é alvo de questionamentos e impasses jurídicos recentes. Desde 2021, ofícios do Ministério Público apontaram que a titularidade formal da barragem e de seu respectivo espelho d'água pertence à União, e não à Companhia de Saneamento Municipal (Cesama) de Juiz de Fora, que vinha encarregada de sua operação primária. Há estudos acadêmicos apontando variações na evolução da cobertura do solo da bacia desde 1991.
O principal patrimônio de cunho religioso remanescente da demolição e inundação do distrito são as ruínas da matriz original da segunda metade do século XIX, estruturalmente afetadas e enclausuradas pelas águas da represa. A realização de ritos tornou-se esporádica e rara; um dado registrado ocorreu no ano de 2017, quando o templo em ruínas abrigou sua primeira missa em cerca de 20 anos, atingindo um registro de aglomeração estimado em mil participantes em uma única cerimônia.
Durante essa missa de 2017, os ritos católicos incluíram um traslado náutico. Documenta-se que uma devota utilizou uma embarcação de pequeno porte para conduzir uma efígie de Nossa Senhora das Dores até a construção alagada, acomodando-a na estrutura do oratório preservado dentro do perímetro da igreja abandonada.
As ruínas arquitetônicas de "Velha Dores" operam como o principal atrativo turístico documentado. A acessibilidade do local é diretamente regulada pela pluviosidade; em fortes quadros de estiagem e rebaixamento do lençol freático, as janelas vazadas, torres e áreas corais da antiga igreja tornam-se exploráveis a pé ou por navegação de baixo calado, favorecendo atividades turísticas auto-guiadas gratuitas e registros fotográficos do patrimônio em decadência.
No âmbito da economia agropecuária e cultural, a administração de Santos Dumont registra e promove torneios sazonais no distrito assentado, com destaque burocrático e organizativo para o "Torneio Leiteiro de Dores do Paraibuna", cujas edições documentadas tradicionalmente inauguram seus calendários por volta do final do mês de agosto, gerando rotatividade de público rural na região remanejada.