| Síndrome dup15q | |
|---|---|
| Sinónimos | Síndrome de duplicação 15q11.2-q13.1 de origem materna |
| Especialidade | Genética médica |
| Sintomas | Alterações motoras, problemas gastrointestinais, epilepsia, autismo e deficiência intelectual |
| Início habitual | Desde a concepção |
| Duração | Ao longo da vida |
| Tipos | Isodicêntrica e intersticial |
| Causas | Duplicação parcial da região proximal do braço longo do cromossomo 15 |
| Frequência | Estimativa de 1–3% dos casos de autismo. As estimativas variam conforme a seleção das amostras. |
| Classificação e recursos externos | |
| OMIM | 608636 |
A síndrome Dup15q, também designada síndrome de duplicação 15q11.2-q13.1, é uma condição genética do neurodesenvolvimento associada à presença de cópias adicionais de origem materna da região 15q11.2-q13.1 do cromossoma 15. As manifestações incluem hipotonia, atraso do desenvolvimento motor e da linguagem, deficiência intelectual, perturbação do espetro do autismo e epilepsia, com um quadro clínico variável.
A região envolvida situa-se no braço longo do cromossoma 15 e inclui a região crítica para as síndromes de Prader-Willi e de Angelman, abreviada como PWACR. A impressão genómica faz com que a expressão de alguns genes dependa da sua origem materna ou paterna. A expressão «origem materna» não implica que a mãe seja necessariamente portadora da mesma duplicação: a alteração pode surgir de novo.
As duas formas principais são:
Também podem ocorrer configurações menos comuns, incluindo triplicações intersticiais e formas em mosaico. As duplicações de segmentos próximos que não abrangem a região crítica não correspondem automaticamente à mesma síndrome.
Entre os genes desta região estudados em relação à síndrome encontram-se UBE3A, envolvido na função sináptica, e GABRB3, GABRA5 e GABRG3, que codificam subunidades dos recetores GABAA. O contributo de cada um destes genes para as manifestações clínicas é objeto de investigação.
A hipotonia pode ser evidente desde os primeiros meses de vida e contribuir para dificuldades de alimentação e atraso na aquisição de capacidades motoras. O desenvolvimento da linguagem e as capacidades cognitivas podem estar comprometidos em graus diferentes. A perturbação do espetro do autismo é frequente, mas o perfil de desenvolvimento e as necessidades de apoio variam entre as pessoas com a síndrome.
A epilepsia pode manifestar-se por vários tipos de crises, incluindo espasmos infantis. Em alguns casos, o quadro epilético evolui para a síndrome de Lennox-Gastaut e as crises podem ser difíceis de controlar. As formas isodicêntricas tendem a associar-se a manifestações mais graves e a uma maior frequência de epilepsia do que as duplicações intersticiais, embora o tipo de duplicação não determine, por si só, a evolução individual.
O diagnóstico baseia-se na identificação de cópias adicionais da região 15q11.2-q13.1 por análise cromossómica com microarrays, como a hibridação genómica comparativa em microarray (array-CGH). A análise citogenética e a hibridação fluorescente in situ (FISH) podem esclarecer a localização do material adicional e distinguir uma duplicação intersticial de um cromossoma supranumerário. A origem parental pode ser estudada por análise de metilação ou genotipagem.
Uma característica descrita na eletroencefalografia (EEG) é o aumento da atividade na banda beta, aproximadamente entre 12 e 30 Hz. Este padrão foi quantificado em estudos que compararam crianças com síndrome Dup15q com grupos de controlo. As oscilações beta são estudadas como possível biomarcador para investigação clínica; o padrão eletroencefalográfico não substitui a confirmação genética do diagnóstico.