Editora Aleph

Editora Aleph
Logo antigo
Editora
Fundação1984
Fundador(es)Pierluigi Piazzi
SedeSão Paulo
Pessoas-chaveAdriano Piazzi
ProdutosLivros
Divisões
  • Glida
  • Goya
Websitewww.editoraaleph.com.br

A Editora Aleph é uma editora brasileira fundada em 1984, com sede em São Paulo.

Possui mais de 130 títulos publicados nas áreas de ficção. Destaca-se por publicar clássicos da literatura de ficção científica como Frank Herbert, Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, William Gibson e Philip K. Dick, sendo uma das pioneiras no gênero ao publicar pela primeira vez o clássico Neuromancer de William Gibson, em 1990. Na área de não ficção possuía uma linha de livros chamada "Novo Pensamento", com publicações na área de ativismo quântico e nova era, e também possui publicações sobre Turismo e Hotelaria. Hoje, os livros de ativismo quântico e não ficção em geral estão no selo Goya.

História

A Aleph foi fundada em 1984, em São Paulo, por Betty Fromer Piazzi e Pierluigi Piazzi e começou suas atividades com uma atuação editorial mais ampla e, posteriormente, passou a concentrar parte importante de seu catálogo na literatura de ficção científica. A trajetória da editora está associada também à atuação de Pierluigi Piazzi na área educacional; formado em Física pela Universidade de São Paulo, ele trabalhou durante anos como professor e palestrante antes de se dedicar à atividade editorial. Durante os primeiros anos, a Aleph publicou obras de diferentes áreas. A aproximação mais sistemática com a ficção científica ocorreu ainda na década de 1990, quando a editora publicou, entre outros títulos, Neuromancer, de William Gibson, e livros relacionados à franquia Star Trek. Segundo Adriano Fromer, dirigente da editora, essas primeiras experiências não obtiveram inicialmente grande repercussão comercial. A partir dos anos 2000, a editora passou a investir de maneira mais deliberada na ficção científica e em obras relacionadas à cultura popular. O relançamento de Neuromancer e a publicação de títulos como Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, e obras de Isaac Asimov contribuíram para a consolidação dessa orientação editorial. Em entrevista à revista Carta na Escola, Adriano Fromer afirmou que a retomada da ficção científica foi estimulada também pelo interesse renovado provocado pelo filme Matrix, lançado em 1999, que ajudou a ampliar a procura por Neuromancer no mercado brasileiro.

Na década de 2010, a Aleph ampliou seu catálogo e consolidou sua presença no segmento de literatura fantástica. Em 2015, a Folha de S.Paulo informou que a editora possuía mais de 90 títulos em catálogo e que os livros da série Star Wars, publicados pela empresa desde o final de 2014, representavam naquele momento cerca de 30% de seu faturamento.

A editora também se destacou pelo investimento em novas edições de clássicos da ficção científica, frequentemente acompanhadas de projetos gráficos especiais e materiais complementares. Entre os autores publicados em diferentes momentos estão Frank Herbert, Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, William Gibson, Philip K. Dick, Ursula K. Le Guin e Kurt Vonnegut, além de autores contemporâneos como John Scalzi, Brandon Sanderson e Ann Leckie. Um dos projetos de maior destaque da editora é a Biblioteca Aleph, coleção dedicada a clássicos da ficção científica. As edições da coleção apresentam elementos gráficos próprios, incluindo capas duras, numeração relacionada ao ano original de publicação, ícones temáticos e materiais gráficos exclusivos. A coleção reúne obras de diferentes vertentes da literatura especulativa, como space opera, ficção científica militar, distopia, afrofuturismo e cyberpunk.

A ficção científica constitui o principal eixo do catálogo contemporâneo da Aleph. Entre os clássicos publicados pela editora encontram-se Duna, de Frank Herbert, 1984, de George Orwell, A mão esquerda da escuridão, de Ursula K. Le Guin, 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Arthur C. Clarke, Neuromancer, de William Gibson, e obras de Philip K. Dick, entre outros. A editora também publicou obras de ficção científica e fantasia contemporâneas. Entre elas estão ‘’Leviatã Desperta’’, de James S. A. Corey, Redshirts, de John Scalzi, e Justiça Ancilar, de Ann Leckie. Além da ficção científica, o catálogo inclui obras de fantasia, distopia, histórias em quadrinhos, biografias e outros gêneros de ficção e não-ficção. A empresa também desenvolveu linhas editoriais voltadas a áreas diferentes da literatura especulativa, posteriormente organizadas em selos específicos.

Prêmios e reconhecimento

A presença de obras premiadas internacionalmente no catálogo tornou-se uma das características da atuação da Aleph no mercado brasileiro. Entre os exemplos está ‘’Duna, de Frank Herbert, romance que recebeu os prêmios Hugo e Nebula e que foi publicado pela Aleph em nova edição brasileira em 2017.

Outro destaque é Justiça Ancilar (Ancillary Justice), romance de estreia de Ann Leckie. Publicado pela Aleph no Brasil em 2018, o livro havia recebido anteriormente importantes prêmios internacionais de ficção científica, entre eles o Hugo, o Nebula, o Locus, o Arthur C. Clarke e o BSFA. O catálogo brasileiro da Aleph também inclui '’Redshirts, de John Scalzi, vencedor do Prêmio Hugo de Melhor Romance de 2013, e O homem do castelo alto, de Philip K. Dick, vencedor do mesmo prêmio em 1963. A editora publicou ainda Leviatã Desperta, de James S. A. Corey, e outros romances que receberam indicações ou distinções nos principais prêmios internacionais dedicados à ficção científica. Em 2010, Os Bastidores de Watchmen, de Dave Gibbons, publicado pela Aleph, foi indicado ao Troféu HQ Mix na categoria Projeto Editorial. A indicação refletia também a expansão do catálogo da editora para obras relacionadas às histórias em quadrinhos e à cultura pop.

Grupo Editorial Aleph

Ao longo de sua trajetória, a empresa ampliou sua atuação para além da ficção científica. Em 2016, criou o selo Goya, dedicado principalmente à não-ficção e a temas relacionados ao autoconhecimento e ao desenvolvimento pessoal. Em 2024, lançou o selo Glida, voltado ao público infantil. Com a criação desses selos, a empresa passou a se apresentar como Grupo Editorial Aleph, reunindo as marcas Aleph, Goya e Glida. Em seus mais de quarenta anos de atividade, a Aleph passou de uma editora de atuação diversificada a uma casa editorial fortemente associada à ficção científica, à fantasia e à cultura pop no mercado brasileiro. Seu catálogo combina a publicação de clássicos do gênero com autores contemporâneos e projetos editoriais destinados tanto à formação de novos leitores quanto ao público já familiarizado com a literatura especulativa.

Nova fase

A partir de 2026, a Aleph iniciou uma nova etapa de sua trajetória editorial, ampliando o espaço dedicado à ficção científica brasileira e investindo na publicação de autores nacionais. Em janeiro daquele ano, a editora anunciou a contratação de cinco romances de escritores brasileiros para publicação no segundo semestre: Alexey Dodsworth, Felipe Castilho, Jana Bianchi, Kinaya Black e Lady Sybylla. Segundo a publisher Luara França, a decisão respondia tanto a uma demanda antiga dos leitores da editora quanto à percepção de que o mercado brasileiro estava mais receptivo à produção nacional de ficção científica.

Entre os primeiros lançamentos dessa nova fase estão Repetição, de Alexey Dodsworth, A besta, de Felipe Castilho, Uma longa órbita, de Jana Bianchi, e Sol de limão, de Lady Sybylla. A iniciativa representa uma mudança na composição do catálogo da Aleph, historicamente marcado pela publicação, em português, de autores estrangeiros de ficção científica. Em setembro de 2026, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, quatro dos cinco livros mais vendidos no estande da editora eram de autores brasileiros.

Paralelamente à ampliação do catálogo impresso, a Aleph passou a investir de forma crescente no mercado de audiolivros. A editora já havia disponibilizado obras nesse formato, como Duna, de Frank Herbert, lançado como audiolivro em 2021, e posteriormente outros volumes da série. A expansão ganhou novo impulso em 2026 com uma parceria com a Audible, que anunciou a inclusão de mais de 30 títulos da Aleph em seu catálogo, incluindo 13 títulos exclusivos. Entre as obras estão Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, Contos de Ficção Científica, de Edgar Allan Poe, Um Cântico para Leibowitz, de Walter M. Miller Jr., Metrópolis, de Thea von Harbou, e As Vidas de Billy Milligan, de Daniel Keyes.

O investimento em áudio também alcançou os lançamentos nacionais, que estavam disponíveis em formato de audiolivro, ampliando a presença da nova produção brasileira da Aleph para além do livro impresso. A expansão dos audiolivros ocorre em um momento de crescimento do formato no mercado brasileiro. Dados da pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro, divulgados em 2026 pela Câmara Brasileira do Livro e pela NielsenIQ BookData, indicaram que a participação dos audiolivros no faturamento do mercado digital brasileiro passou de 1% em 2019 para 3,4% em 2025.

A nova orientação combina, assim, três frentes da atuação contemporânea da Aleph: a manutenção de um catálogo de clássicos e autores estrangeiros de ficção científica, a abertura de espaço para escritores brasileiros do gênero e a ampliação da oferta de suas obras em formatos digitais, especialmente os audiolivros. A mudança ocorre em paralelo à atuação do Grupo Editorial Aleph por meio dos selos Goya, dedicado à não ficção, e Glida, voltado ao público infantil.

Referências

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Ligações externas