Edna Roland

Edna Roland
Nome completoEdna Maria Santos Roland
Nascimento
NacionalidadeBrasileira
Alma mater UFMG
Ocupação
PrêmiosOrdem de Rio Branco – Cavaleiro (2002)
Medalha Theodosina Ribeiro (2017)

Edna Maria Santos Roland (Codó, 12 de janeiro de 1951) é psicóloga pela UFMG, mestra em psicologia social pela PUC-SP, gestora pública, ativista dos direitos humanos e uma das mais proeminentes pesquisadoras e intelectuais negras do Brasil. Cofundadora do Geledés — Instituto da Mulher Negra e da ONG Fala Pretaǃ, tornou-se internacionalmente conhecida ao exercer a relatoria-geral da 3ª Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e Formas Correlatas de Intolerância, realizada em Durban, África do Sul, em setembro de 2001. Ela ocupou o cargo de Especialista Independente Eminente sobre a Implementação da Declaração e Programa de Ação de Durban do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU por mais de 20 anos, tendo iniciado seu mandato em 2003. Foi coordenadora de combate ao racismo e discriminação para a América Latina pela UNESCO. É considerada uma das principais referências do movimento negro e do feminismo negro no Brasil e das políticas públicas de igualdade racial. Sua atuação na área de Ciências Sociais incide sobre temas relacionados aos direitos humanos, sexuais, reprodutivos, violência e políticas de promoção da igualdade de gênero e raça, com ênfase na saúde da população negra e das mulheres negras.

Origens e formação

Nascida em 12 de janeiro de 1951, em Codó, cidade do interior do Maranhão conhecida pelas suas tradições religiosas de matrizes indígenas e africanas, Edna Roland cresceu em um ambiente de influência católica. Seu pai, Raimundo Ribeiro Roland, era branco, formado em contabilidade e proprietário de uma pequena loja chamada "A Baratinha", que vendia desde peças de bicicleta até mantimentos; sua mãe, Maria de Lurdes dos Santos Roland, natural de Colinas, tinha ascendência negra e auxiliava na loja e na contabilidade da família.

Com a morte prematura da mãe em um acidente de carro, quando Edna tinha 6 anos, o pai logo se recasou com uma irmã da falecida, conforme a tradição maranhense de recomposição familiar, e a família mudou-se primeiramente para Fortaleza, onde Edna residiu dos sete aos dez anos, frequentando inicialmente uma escola de freiras e depois o Instituto de Educação do Estado do Ceará. Em seguida, transferiram-se para Goiânia, motivados pela busca de melhores condições de ensino e pela existência de um terreno da família na capital goiana, onde ela concluiu o ensino fundamental no Instituto de Educação de Goiás e o ensino médio no Liceu local (escola pública) paralelamente a cursos de inglês no Centro Cultural Brasil-Estados Unidos e de datilografia, providências tomadas pelo pai desde os onze anos para garantir às filhas habilidades profissionais.

O sobrenome Roland tem origem singular na história familiar: o trisavô paterno era um francês cujo filho — o bisavô de Edna — nasceu de uma relação com uma mulher negra, possivelmente escravizada, dado que o avô Luís Gonzaga Roland teria nascido por volta de 1875, ainda durante o período da escravidão. O bisavô reconheceu Luís Gonzaga como filho, deu-lhe o sobrenome Roland e garantiu-lhe acesso à educação. Luís Gonzaga tornou-se rábula autodidata, exercendo advocacia em Pedreiras, foi também maçom e estabeleceu na família o valor fundamental da educação, legado que marcou profundamente a trajetória de Edna. Uma historiadora especialista em Inquisição foi consultada por ela e sugeriu que Roland é um sobrenome de famílias judaicas convertidas que migraram da França para as Américas durante o período inquisitorial, hipótese reforçada por outros indícios familiares, como o nome Efraim dado a um dos filhos de Luís Gonzaga.

Em 1967, aos dezesseis anos, recebeu uma bolsa de estudos pelo programa American Field Service (AFS) e passou um ano letivo em Dixon, Califórnia, à época era uma pequena cidade de cerca de 4.000 habitantes, em região semirrural, vivendo com uma família anfitriã WASP (sigla para "branca, protestante e de classe média") cujo pai criava gado e ovelhas. O período coincidiu com o auge dos movimentos estudantis, das manifestações contra a Guerra do Vietnã e da contracultura nos Estados Unidos. Foi nesse período, segundo relatou em entrevista, que travou os primeiros contatos mais aprofundados com a questão racial, ao observar as diferenças de tratamento entre brancos e negros nos Estados Unidos. No episódio que ela descreveu como fundamental para a tomada de consciência racial, aconteceu em uma viagem de ônibus a Sacramento para uma simulação da ONU com estudantes da escola, outro ônibus carregado de estudantes negros se aproximou ao mesmo tempo em que se ouviam barulhos semelhantes a explosões. O pânico se instaurou no veículo. Edna, que até então não se identificava como negra, percebeu que ela mesma compartilhava o medo e questionou imediatamente a si própria: "Mas como é possível ter medo de outra pessoa porque ela é negra?" Descreveu esse momento como uma revelação e o ponto de inflexão de sua identidade racial.

Ao final daquele ano, o AFS promoveu uma viagem de ônibus de São Francisco a Nova Iorque, atravessando os Estados Unidos com estudantes de diversos países. Durante o percurso, Edna começou a deixar o cabelo estilo black power, por influência da imagem de Angela Davis, e retornou ao Brasil com a identidade negra consolidada, maior autonomia pessoal e espírito de rebeldia em relação à escola e à dependência familiar. Logo buscou trabalho remunerado, dando aulas de inglês e atuando em uma clínica psicotécnica.

Decidida a estudar longe de casa, ingressou em 1969 no curso de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), período que coincidiu com o endurecimento da ditadura civil-militar após o Ato Institucional n.º 5.

Militância política e clandestinidade

Durante os anos universitários em Belo Horizonte, Edna Roland foi recrutada, no terceiro ano de Psicologia, pela Organização Revolucionária Marxista Política Operária (POLOP, também chamada PO). O recrutamento ocorreu através de Antônio Maurício Fonseca de Oliveira, que viria a ser seu primeiro marido, então colega de curso que a aproximou dos círculos de estudo marxista-leninista. O grupo se reunia clandestinamente para estudar O Capital, textos de Lênin e de Emir Sader.

Em 1973, a casa em que o casal morava, que também servia de arquivo da organização, abrigando uma mala com documentos clandestinos, apresentou sinais de violação. A direção da POLOP avaliou que havia risco de prisão e determinou que os militantes atingidos deveriam entrar na clandestinidade, rompendo todos os laços com a família, trabalho e amigos. Edna, então com 22 anos, por essas razões políticas, deixou para trás inclusive o cargo de professora na UFMG, para o qual havia sido aprovada em concurso e estava prestes a assumir no setor de Psicologia Social, transferindo-se para São Paulo no final daquele ano. Ao chegar à capital paulista, Edna sobreviveu inicialmente como vendedora bilíngue em uma livraria no centro, na esquina da Consolação com a avenida São Luís, mas precisou pedir demissão após dois incidentes que ameaçavam expor sua identidade. Passou então a inventar um currículo com experiência fictícia de secretária para conseguir emprego em multinacionais, obtendo uma vaga em um banco internacional graças ao domínio do inglês.

Ao longo de toda a clandestinidade, trabalhou como secretária bilíngue em empresas multinacionais, entregando à organização a maior parte do salário. Viveu por cerca de um ano em cortiços, mudando frequentemente de endereço. Somente após insistir com a direção da POLOP é que conseguiu alugar uma casa na Vila Mariana. A noite de maior tensão que relata foi quando acreditou estar sendo cercada pela polícia — os sons na rua, porém, eram o chamado de vizinhos à polícia por conta de uma situação de violência doméstica, episódio que descreveu como revelador da invisibilidade da violência contra a mulher.

Identidade racial e tomada de consciência

O processo de construção de sua identidade como mulher negra se deu de forma gradual. As primeiras experiências de discriminação ocorreram na infância, durante a passagem por Fortaleza, entre os sete e os dez anos: gozações sobre o cabelo e o nariz, e percepção de que adultos preferiam crianças de características físicas brancas.

A tomada de consciência racial se aprofundou no intercâmbio nos Estados Unidos, culminando no episódio do ônibus em Sacramento. De volta ao Brasil, a identidade negra já consolidada não se traduziu de imediato em militância específica: ao longo dos anos 1970, a atuação de Edna se deu primeiramente no movimento estudantil e depois na resistência clandestina à ditadura. Somente em meados da década de 1980, ao retornar à universidade para um mestrado na PUC-SP sobre emprego doméstico, em sua pesquisa que pretendia investigar as relações entre patroas e empregadas domésticas sob a ótica racial, ela começou a buscar contatos com o movimento negro, processo que a conduziria do papel de pesquisadora ao de militante política e social.

Movimento negro e feminismo negro

Veja tambémː Movimento negro no Brasil e Feminismo negro no Brasil

A inserção de Edna Roland no movimento negro se deu por tentativas sucessivas, todas marcadas por conflitos internos e rupturas. Chegando ao movimento no início dos anos 1980, ela participou de duas iniciativas que não chegaram a se consolidar. A primeira foi um projeto de centro de documentação (CEDOC) e a segunda, que foi o embrião do que seria o Instituto Negro de Estudos Brasileiros (INEB).

Em junho de 1984, contribuiu para a fundação do Bloco Afro Alafiá, que foi a primeira organização negra da qual participou como cofundadora. O bloco de carnaval, cujo nome é uma palavra iorubá que designa a posição mais favorável no jogo de búzios, realizou apenas um desfile, em 1985, superando um racha interno de última hora graças à mobilização da comunidade do bairro. Edna chegou a ser eleita presidente do bloco antes de sua extinção.

Em 1984, participou da criação do Coletivo de Mulheres Negras de São Paulo, formado para garantir representação progressista no recém-criado Conselho Estadual da Condição Feminina do governo Franco Montoro, composto inicialmente apenas por mulheres brancas. O coletivo organizou, naquele mesmo ano, o Encontro Estadual de Mulheres Negras, que reuniu cerca de 400 pessoas e foi o espaço em que Edna apresentou, com base em dados do Censo demográfico de 1980, uma análise inédita das interseções de raça e gênero na distribuição de renda. Esse trabalho antecipou conceitualmente o que seria depois denominado interseccionalidade, embora o termo ainda não circulasse no movimento.

De 1984 a 1988, Edna atuou principalmente na esfera governamental, como conselheira e coordenadora da Comissão de Mulheres Negras no Conselho Estadual da Condição Feminina. Nesse período, elaborou o discurso técnico sobre esterilização cirúrgica apresentado em nome das mulheres negras diante da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e coordenou o Programa de Saúde da Mulher.

Tribunal Winnie Mandela - Grande Júri (1988)

Entre maio e novembro de 1988, ano do centenário da abolição, propôs e coordenou o Tribunal Winnie Mandela, um júri simulado destinado a avaliar as consequências da Lei Áurea cem anos depois, especialmente para as mulheres negras. O projeto foi articulado pelo Programa da Mulher Negra do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) (coordenado por Sueli Carneiro), a Comissão de Mulheres Negras do Conselho Estadual da Condição Feminina (CECF) de São Paulo (dirigida por Edna Roland) e a Comissão da Mulher Advogada da OAB de São Paulo. Após resistência inicial do Ministério da Justiça, o projeto foi adaptado para um formato de seminários temáticos, culminando em novembro numa encenação que reuniu cerca de 1.200 pessoas no Salão Nobre da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

1º ENMN (1988). À mesa: da esquerda para a direita: Vanda Ferreira, Sueli Carneiro, ?, Nilza Iraci, Alzira Rufino, Edna Roland. Este encontro foi um espaço de debates e articulações sobre discriminação racial e de gênero.

Em paralelo à organização do Tribunal Winnie Mandela, Edna Roland e Maria Lúcia da Silva atuaram na comissão responsável pela segunda reunião preparatória do 1º Encontro Nacional de Mulheres Negras, realizado em dezembro de 1988. A comissão do Conselho Estadual da Condição Feminina mobilizou mulheres negras do Oiapoque ao Chuí, utilizando toda a estrutura material do Conselho, como telefones e recursos administrativos, para articular o movimento em escala nacional, o que gerou atritos com a presidenta do Conselho, que considerava inadequada essa interface entre o órgão governamental e a sociedade civil.

Antecipando o fechamento do espaço governamental com a mudança de gestão no Conselho Estadual, Edna Roland e Sueli Carneiro, com outras oito mulheres negras, fundaram formalmente o Geledés — Instituto da Mulher Negra em 30 de abril de 1988. O Geledés foi criado com base, inclusive, nos estatutos que tinham sido elaborados anteriormente para o INEB, aquele que não chegou a ser fundado. A ata de fundação do Geledés registra, além das duas, os nomes de Ana Maria Silva, Deise Benedito, Elza Maria da Silva, Eufrosina Tereza de Oliveira, Lucia Bernardes de Souza, Maria Lúcia da Silva, Solimar Carneiro e Sônia Pereira do Nascimento. A organização foi deixada inicialmente em espera, mas com estatutos prontos e registro lavrado, aguardando o momento em que o espaço político governamental se fechasse definitivamente para ser ativada. O primeiro escritório funcionou em um cômodo da casa de Edna, que também cedeu o telefone, um arquivo e sua mesa de trabalho. O primeiro financiamento externo veio da International Women's Health Coalition.

Em 1989, passou a trabalhar na área de saúde do Geledés, sendo responsável pela concepção dos Cadernos Geledés, especialmente das edições dedicadas à saúde da mulher negra. Durante os nove anos em que permaneceu na organização, coordenou o Programa de Saúde, sendo o primeiro programa dessa natureza em uma organização negra no Brasil, com financiamento da Fundação Ford (para a área de direitos humanos e o SOS Racismo) e da Fundação MacArthur (para saúde).

Entre as produções do período, destacam-se: a cartilha Odoya, dirigida às comunidades de terreiro, produzida pelo Iser; a revista Fala Preta!, voltada a adolescentes; as oficinas do Projeto Salva-Vidas, realizadas inicialmente pelo Programa de Saúde do Geledés e posteriormente pela ONG Fala Preta!; o projeto Arayê, da Abia; materiais e seminários do grupo Atobá; a cartilha sobre sexualidade e saúde reprodutiva de Vera Fermiano; e pôsteres e oficinas produzidos pelo grupo Criola. Nesse contexto, foi produzido o vídeo Todos os dias são seus (1991), primeiro vídeo brasileiro sobre mulheres e AIDS, filmado com mulheres soropositivas que apareciam de frente para a câmera, uma inovação para a época. A relevância da produção foi fundamentada por estudo realizado pela própria Edna em 1992, que denunciou o enegrecimento da epidemia de AIDS.

Nos anos 1990, criou a ONG Fala Preta!, formada pela equipe do Programa de Saúde do Geledés, voltada ao enfrentamento do racismo e à promoção dos direitos das mulheres negras, que foi expandindo sua atuação para outras temáticas, como direitos humanos, educação ambiental e capacitação de jovens. Nessa época, durante a gestão de Luiza Erundina como prefeita da capital paulista, Edna participou também da comissão que reivindicou a inclusão do quesito cor/raça nos prontuários e no sistema de saúde do município de São Paulo. A estratégia foi articular dentro da Secretaria, conversando com o secretário de Saúde Eduardo Jorge e também, por fora da Secretaria, mobilizando o movimento negro para demandar a medida. No último dia de Eduardo Jorge na secretaria, Edna redigiu a portaria em dois parágrafos que determinou a introdução do quesito cor no Sistema Municipal de Informações em Saúde, levando a medida ao Diário Oficial. O processo foi seguido por seminários de sensibilização de funcionários e pela realização de dramatizações de situações de discriminação racial no cotidiano dos postos de saúde. Os primeiros dados coletados foram publicados, os quais evidenciaram a hipertensão arterial como principal causa de busca de atendimento por mulheres negras.

Ainda na gestão Erundina, participou da criação do primeiro serviço de aborto legal do Brasil, no Hospital do Jabaquara, contribuindo para a elaboração da portaria, para a avaliação dos hospitais e para a sensibilização dos profissionais de saúde. O modelo do Jabaquara tornou-se referência nacional e regional para serviços semelhantes.

Edna Roland também atribuiu grande importância à data de 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, como momento anual de avaliação política e renovação de estratégias. Destacou que, em 1995, a Marcha Zumbi dos Palmares contra o Racismo e pela Vida levou cerca de 30 mil pessoas a Brasília e entregou ao presidente Fernando Henrique Cardoso o primeiro programa nacional de superação do racismo elaborado pelo movimento — um marco na transição da denúncia à proposição política.

Atuação em saúde e direitos reprodutivos

A área de saúde reprodutiva da mulher negra constitui o campo de maior produção acadêmica de Edna Roland. Publicou artigos sobre esterilização, política populacional, direitos reprodutivos e AIDS, temas que articulam as dimensões de raça, gênero e classe. Foi integrante da diretoria da Rede Nacional Feminista para a Saúde e Direitos Reprodutivos — da qual foi coordenadora regional por dois mandatos — e da Comissão Nacional sobre Cidadania e Reprodução.

O Programa de Saúde do Geledés, sob sua coordenação, construiu uma posição política diferenciada tanto em relação ao movimento negro, que tendia a tratar a esterilização unicamente como instrumento de genocídio, quanto a setores do feminismo, que enfatizavam a autonomia da mulher sobre o próprio corpo sem considerar as condições estruturais de vida das mulheres negras e pobres. Para o Programa, a esterilização expressava, nesse contexto, ausência de liberdade e não autodeterminação, razão pela qual defendia a regulamentação da prática para coibir abusos e estimular outras alternativas, em vez de sua liberalização.

O seminário de Itapecerica da Serra (1993), também conhecido por Seminário Nacional de Políticas e Direitos Reprodutivo das Mulheres Negras, organizado pelo Geledés como evento preparatório à Conferência Internacional de População e Desenvolvimento do Cairo (1994), é considerado por Edna um marco histórico por ter reunido organizações de mulheres negras de todo o Brasil, pertencentes às mais diversas organizações dos movimentos negro e feminista, centros de pesquisa e rede de saúde e produziram uma declaração coletiva que, pela primeira vez, afirmou o conceito de direitos reprodutivos na perspectiva das mulheres negras, incluindo o direito à regulação da própria fecundidade articulado às condições estruturais de vida, e a prioridade da prevenção à AIDS. O processo de redação da declaração, concluído na madrugada do sábado com o auxílio de um laptop pioneiro doado por uma estagiária jamaico-canadense, foi amplamente celebrado pelas participantes. No documento, as feministas negras evidenciaram suas posições acerca das políticas de saúde reprodutiva que vigoravam no Brasil desde a década de 1960:

“ ''Partimos da constatação básica de que as políticas populacionais - quer sejam explícitas ou não - vêm colocando como meta o controle dos nascimentos das populações não-brancas e pobres.

A posição racista e patriarcal dos neomalthusianos que encaram o crescimento populacional como responsável pela miséria, fome e desequilíbrio ambiental foi desmascarada pela evidência da manutenção de condições subumanas de vida em nosso país, apesar da queda da fecundidade ocorrida na última década [1980].

Os reflexos da esterilização em massa de mulheres negras no país já se fazem sentir na redução do percentual da população negra nesta década [1990], em comparação com a década anterior.

O rápido aumento do número de casos de AIDS em mulheres negras é extremamente preocupante e demonstra a ausência de controle das mulheres negras sobre a sua própria capacidade reprodutiva e sua sexualidade. (...)

Liberdade reprodutiva é essencial para as etnias discriminadas. Portanto, precisamos lutar para que a reprodução possa ser decidida no mundo do privado, cabendo ao Estado garantir os direitos reprodutivos e assegurar condições para a manutenção da vida. Nós mulheres negras, consideramos que cabe ao Estado a tarefa de garantir as condições necessárias para os brasileiros, as mulheres, e em particular as mulheres negras brasileiras, possam exercer sua sexualidade e os seus direitos reprodutivos, controlando a sua própria fecundidade, para ter ou não ter filhos que desejam, garantindo o acesso a serviços, de boa qualidade, de atenção à gravidez, ao parto e ao aborto. (...)''

”
 
— Declaração de Itapecerica da Serra das Mulheres Negras Brasileiras (1993).

Em sua visão, o enfoque na saúde reprodutiva não era dissociável da luta antirracista, pois a esterilização em massa de mulheres negras era uma forma de violência de Estado que precisava ser nomeada e combatida politicamente. Ao longo de sua trajetória, também chamou atenção para a anemia falciforme — doença genética com maior incidência na população negra, historicamente subdiagnosticada e subinvestida no sistema público de saúde brasileiro —, defendendo que os exames de detecção fossem realizados universalmente em recém-nascidos.

Conferência de Durban (2001)

Veja tambémː Conferência de Durban

O episódio de maior repercussão internacional na trajetória de Edna Roland foi sua atuação como relatora-geral da 3ª Conferência Mundial contra o Racismo, realizada em Durban, África do Sul, em agosto e setembro de 2001, evento convocado pela ONU. Indicada pela delegação brasileira, foi eleita sem concorrentes na sessão de abertura, recebendo ampla aprovação da plenária.

O caminho até a relatoria foi construído progressivamente. Em setembro de 2000, foi contratada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos para escrever, em poucas semanas, um artigo sobre afro-americanos (denominação então utilizada para os negros das Américas) para um seminário de especialistas. O documento, o único sobre a temática naquele seminário, chamou a atenção do governo brasileiro, que a convidou para integrar a delegação oficial como consultora na Conferência Regional de Santiago que aconteceu no mesmo ano. Em Santiago, atuou ao lado do embaixador Gilberto Saboia, sugerindo propostas e chegando a falar em nome do Brasil em algumas negociações. Foi lá que o conceito de "afrodescendentes" foi negociado como termo genérico aceito por todos os países latino-americanos, concessão que Edna reconheceu como necessária, embora mantivesse preferência pessoal pelo termo "negro".

No segundo Comitê Preparatório (PrepCom) de maio de 2001, em Genebra, Edna trabalhou ao lado do ministro Tadeu Valadares e foi responsável pela negociação, com Estados Unidos e União Europeia, do conceito de "ações afirmativas ou positivas", formulação esta que, em inglês (affirmative or positive actions), atendia simultaneamente às exigências brasileiras, norte-americanas e europeias, que se tornou, na declaração final, o principal instrumento de política pública apontado pelo documento.

Antes de aceitar a indicação para relatora, Edna consultou companheiras da Fala Preta!, o advogado Hédio Silva Júnior e outros militantes, e todos foram favoráveis, além também de ter realizado uma consulta aos búzios em uma casa de tambor-de-mina em São Paulo, tradição jêje ligada às suas raízes maranhenses. Os voduns responderam afirmativamente.

Em Durban, o momento mais crítico da Conferência ocorreu na sessão final, em que a embaixadora do Paquistão tentou reabrir negociações já fechadas sobre a questão Israel-Palestina, ameaçando inviabilizar a aprovação de qualquer documento. Um funcionário das Nações Unidas chamou Edna discretamente e pediu que trouxesse o embaixador Saboia. Este apresentou uma moção de não votação sobre o parágrafo em disputa. Após hesitação inicial dos aliados, a proposta foi retomada por outro país e aprovada em votação, salvando a declaração e o programa de ação. Edna descreveu o resultado como "ganhar por cabeça" e de tão complexas que foram essas negociações, fizeram com que Sueli Carneiro chamasse o episódio de “batalha de Durban”.

Retornando ao Brasil no dia 11 de setembro de 2001, Edna desembarcou para a notícia dos ataques às Torres Gêmeas em Nova Iorque, que monopolizaram a mídia internacional e reduziram a repercussão imediata da Conferência. Ainda assim, o papel de relatora lhe conferiu visibilidade extraordinária no cenário político brasileiro, com convites de várias organizações para relatar os resultados de Durban.

Na conferência, o Brasil atuou como protagonista para que conceitos fundamentais de combate ao racismo integrassem a declaração final, firmada por cerca de 170 países, mesmo diante da resistência dos Estados Unidos e de países da União Europeia. Nos documentos finais constam a condenação de tráfico de escravos como crime de lesa-humanidade, a urgência da aplicação de políticas que eliminem desvantagens sociais e a consagração do termo “afrodescendente”, bem como a consequente designação das vítimas de racismo e discriminação. A Declaração e Plano de Ação de Durban, que foi o documento político central do encontro, foi fundamental para a formulação de políticas públicas no Brasil e em diversos países. Após Durban, Edna Roland tornou-se integrante do Grupo de Especialistas da ONU encarregado de acompanhar o programa de ação resultante da conferência.

Políticas públicas e ação afirmativa

Ao longo de sua trajetória, Roland atuou em três esferas distintasː a sociedade civil, organismos multilaterais e poder público municipal, que ela considerava complementares e igualmente necessárias à transformação social.

Em 1995, Edna Roland participou do jantar no Palácio do Planalto em que militantes negros reivindicaram ao presidente Fernando Henrique Cardoso a criação de um mecanismo institucional de promoção da igualdade racial. A reunião resultou na criação do GTI (Grupo de Trabalho Interministerial para a Valorização da População Negra). Naquele mesmo ano, colaborou na elaboração da parte de saúde do documento entregue ao presidente na histórica Marcha Zumbi dos Palmares contra o Racismo e pela Vida.

Edna é defensora das cotas raciais nas universidades brasileiras, posicionamento que sustenta com base ética, política e moral. Em entrevista à Folha de S. Paulo em 2001, declarou:

“ Sou favorável à ação afirmativa, inclusive a política de cotas. O Brasil não vai se arrepender dessa decisão. O Brasil tem potencial no cenário internacional, mas precisa ter a capacidade de oferecer educação para todos os setores de sua população.

A universidade brasileira é um gueto elitista e branco, e é preciso que esse gueto seja rompido.

”
 
— Edna Roland.

No relatório brasileiro apresentado antes da Conferência, Hédio Silva Júnior, após debate com Edna, inseriu a proposição de cotas na seção dedicada à comunidade negra. Em declaração à imprensa naquele contexto, Edna Roland afirmou que os negros perfaziam 45% da população e que, enquanto não estivessem representados em 45% de todos os espaços da sociedade, a dívida histórica permaneceria. Essa formulação contribuiu para estabelecer o referencial de proporção populacional como parâmetro para as políticas de ação afirmativa no Brasil.

Edna trouxe em sua análise que a resistência de parte da sociedade brasileira às cotas é sintoma de resistência mais ampla ao reconhecimento do racismo como variável estruturante das desigualdades. Para ela, não basta tratar a pobreza como categoria genéricaː é necessário nomear por que os negros são pobres, reconhecendo que a expropriação histórica de acesso à educação, saúde e capital é um resultado produzido pelo racismo, e não uma condição natural.

Sobre as ações afirmativas, Edna Roland esclarece que as cotas são apenas um tipo específico dentro de um conjunto mais amplo de medidas previstas pela Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, medidas estas que devem existir apenas durante o tempo necessário para reduzir a desigualdade, não constituindo privilégio, mas reparação temporária. Afirma também que o impacto de Durban no plano doméstico é direto, uma vez que os programas de cotas para negros nas universidades que se expandiram pelo Brasil nos anos seguintes foram resultado da pressão política construída naquele processo internacional. Com relação à outros desdobramentos mais significativos ao nível nacional, após a Conferência de Durban, destacam-se a criação da Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira nas escolas de ensino fundamental e médio; a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR); e a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, instrumento legal que estabelece direitos e diretrizes para a promoção da equidade racial no país.

Trajetória internacional

Paralelamente ao ativismo, Edna Roland construiu importante trajetória de gestão internacional.

Em 1997, ao fundar a ONG Fala Preta!, participou do projeto Iniciativa Comparativa de Relações Humanas, coordenado por Lynn Walker Huntley da Southern Education Foundation de Atlanta, que reuniu doze personalidades do Brasil, Estados Unidos e África do Sul para estudar comparativamente as relações raciais nos três países. O grupo incluía Franklin Thomas (ex-presidente da Fundação Ford), Gloria Steinem e Alexander Neville (ex-companheiro de cela de Mandela na Ilha Robben). Edna foi a única negra brasileira do grupo após Milton Santos declinar o convite. A experiência foi descrita por ela como um processo de empoderamento fundamental e de acesso a redes de altíssimo nível.

Em 1998, passou cinco meses como pesquisadora visitante no Harvard Center for Population and Development Studies, período em que aprendeu a usar e-mail e teve acesso às cem bibliotecas da universidade. Descreveu a experiência como ao mesmo tempo enriquecedora e desafiadora, pois expunha os próprios limites diante dos recursos disponíveis.

Em 2003, assumiu a coordenadoria de combate ao racismo e à discriminação racial da Unesco para a América Latina e o Caribe, cujo cargo foi o primeiro criado, antes de qualquer região do mundo, especificamente para trabalhar com essa temática, sendo convidada pelo representante da organização no Brasil à época, Jorge Werthein. Exerceu também a Coordenadoria da Mulher e da Igualdade Racial da prefeitura de Guarulhos.

No mesmo período, o secretário-geral da ONU Kofi Annan indicou Edna Roland como representante da América Latina e Caribe no Grupo de Pessoas Eminentes encarregado de acompanhar a implementação da Declaração e do Programa de Ação de Durban. Nessa função, apresentou proposta de criação de um Índice de Desigualdade Racial inspirado no trabalho do economista Marcelo Paixão, que havia calculado o IDH desagregado por raça no Brasil, cuja ideia foi aceita pelo grupo e encaminhada à Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Pensamento político antirracista e feminista

Edna Roland opera com uma leitura interseccional das desigualdades sociais, articulando raça, gênero e classe como dimensões indissociáveis, perspectiva que começou a formular já em 1984, ao analisar dados do Censo de 1980 para mostrar às companheiras do movimento que a desigualdade interna ao grupo negro (entre homens e mulheres negras) era tão significativa quanto a desigualdade racial entre brancos e negros.

Sobre a dinâmica das minorias políticas, Edna Roland argumenta que o peso numérico de grupos subalternizados não se converte automaticamente em poder político: a sustentação de qualquer sistema de dominação depende, em grande parte, de convencer os próprios dominados de que carecem de capacidade para governar. Citou a vitória de Lula nas eleições como exemplo de ruptura com essa lógica, da chegada de uma pessoa nordestina, sem diploma universitário, à presidência da República, representando uma fissura no imaginário sobre quem está habilitado ao poder.

Uma das contribuições teóricas mais relevantes ao pensamento de Edna Roland é sua apropriação e desenvolvimento de uma tipologia comparada das formas de racismo originalmente formulada pela feminista americana Gloria Steinem, no âmbito da Iniciativa Comparativa de Relações Humanas. Segundo essa formulação, o racismo nos Estados Unidos e o apartheid sul-africano assumiu historicamente uma forma explícita e institucionalizada, caracterizada como "masculina", ou seja, direta, visível, sustentada por aparatos externos de controle como leis segregacionistas, passes de circulação e força policial. O racismo brasileiro, ao contrário, operaria de forma "feminina", isto é, difusa, insidiosa, capaz de ocupar todos os espaços sem se deixar apreender, à semelhança da água que infiltra por todas as frestas.

A partir dessa distinção, Edna Roland desenvolve uma consequência histórica direta, onde o Brasil teria sido o último desses três países a iniciar um processo de reconhecimento público do racismo e de formulação de políticas de promoção da igualdade racial. Processo que se deu não por acaso, mas precisamente porque a forma insidiosa é a mais eficiente. Um racismo sustentado por mecanismos de internalização, em que tanto vítimas quanto opressores incorporam a hierarquia racial como algo natural, dispensando as instituições externas de controle, porque o próprio sujeito racializado ocupa o lugar que lhe foi socialmente atribuído sem necessidade de coerção visível. "O negro se coloca no lugar do negro", afirmou, e combater esse inimigo internalizado exige um esforço de externalização e reconhecimento que torna esse tipo de racismo, ao mesmo tempo, o mais eficaz e o mais difícil de erradicar.

Em entrevista à revista Página 22, rejeitou a noção de "instinto maternal" como fundamento para a participação feminina em debates sobre sustentabilidade e paz, preferindo ancorar essas questões na cultura e nos papéis sociais históricos, evitando o essencialismo biológico, enquanto reconhecia os efeitos concretos da divisão sexual do trabalho.

Legado e reconhecimento

Edna Roland figura entre as principais referências intelectuais e políticas na história do feminismo negro e nas lutas por igualdade racial no Brasil e no mundo. Sua trajetória articula de maneira singular a militância de base, a construção institucional de organizações da sociedade civil e a atuação pela justiça racial em organismos internacionais e no poder público.

A inserção do Brasil como protagonista na Conferência de Durban deve-se, em grande parte, à atuação política e institucional de Edna. Décadas de dedicação à causa das mulheres negras e dos grupos subalternizados sustentam, nas suas próprias palavras, a crença de que a mudança é possível e de que o Brasil tem a possibilidade de ousar outras formas de convivência.

Em 2002, foi agraciada com a Ordem de Rio Branco, no grau de Cavaleiro, uma das mais altas condecorações da diplomacia brasileira.

Sua trajetória foi objeto de registro em diferentes iniciativas acadêmicas e institucionais. O depoimento concedido em 2004 integra o acervo de história oral do CPDOC/FGV e foi publicado no livro Histórias do movimento negro no Brasil: depoimentos ao CPDOC, organizado por Verena Alberti e Amilcar Araújo Pereira. Em 2005, o Conselho Federal de Psicologia a reconheceu como referência no campo da psicologia antirracista ao dedicar-lhe uma entrevista na revista Psicologia Ciência e Profissão Diálogos.

Em 2017, foi homenageada com a Medalha Theodosina Ribeiro, concedida pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em reconhecimento a mulheres cujas ações impactam decisivamente a vida de grupos vulneráveis da sociedade.

Em 2024, a doutoranda Camila Rodrigues Francisco (PUC-SP) recebeu o Prêmio Profissional Virgínia Bicudo — Práticas para uma Psicologia Antirracista com um trabalho que reconstituiu três eixos centrais de sua atuação: o Tribunal Winnie Mandela, a produção sobre saúde reprodutiva e a relatoria de Durban.

Em dezembro de 2025, recebeu o Troféu Rede Equidade durante o 4º Seminário de Direitos Humanos na Gestão Pública, realizado no Senado Federal, em sessão dedicada ao tema "As Mulheres e a Redemocratização do Brasil: Um Legado de Coragem e Resistência". A premiação reconheceu sua trajetória ao lado de outras ativistas históricas, como Amelinha Teles e Creuza Oliveira.

Prêmios

Referências

  1. ↑ Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «Edna Roland». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 31 de maio de 2026. Cópia arquivada em 29 de abril de 2026
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 «Edna Roland — Biografias e Trajetórias.». ANCESTRALIDADES. Consultado em 31 de maio de 2026. Cópia arquivada em 27 de abril de 2026
  3. 1 2 3 4 5 Galeno, Renato (2001). «Edna Roland: relatora-geral da Conferência Mundial contra o Racismo.» (PDF). Acervo do Senado Federal / Biblioteca Digital. Brasília. Consultado em 31 de maio de 2026
  4. ↑ «Members». OHCHR (em inglês). Consultado em 5 de junho de 2026. Cópia arquivada em 5 de junho de 2026
  5. 1 2 Freire, Simone (29 de maio de 2019). «Os intelectuais negros da atualidade que você precisa conhecer». AlmaPreta. Consultado em 5 de junho de 2026
  6. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Safatle, Amália (1 de novembro de 2006). «Um Brasil que se faz na raça [Entrevista com Edna Roland].». Revista Página 22. p. 11. Consultado em 31 de maio de 2026. Cópia arquivada em 16 de janeiro de 2026
  7. 1 2 «Violência Racialː a história precisa ser recontada (Entrevista com Edna Roland)» (PDF). Conselho Federal de Psicologia. Psicologia Ciência e Profissão DIÁLOGOS. 2 (2): 40-45. Março de 2005. Cópia arquivada (PDF) em 13 de janeiro de 2026
  8. 1 2 3 4 Prêmio Profissional Virgínia Bicudo — Práticas para uma Psicologia Antirracista. (PDF) 1 ed. Brasília: Conselho Federal de Psicologia. 2025. ISBN 978-65-83610-17-1
  9. 1 2 Rios, Flavia Mateus (maio de 2014). Elite Política Negra no Brasilː Relação entre movimenro social, partidos políticos e Estado (PDF) (Tese de Doutorado em Sociologia). Universidade de São Paulo. 247 páginas. Consultado em 31 de maio de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 4 de outubro de 2022
  10. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 «Edna Roland (depoimento, 2004). Projeto "História do Movimento Negro no Brasil".» (PDF). CPDOC / Fundação Getulio Vargas (FGV). Rio de Janeiro. 2020. Consultado em 31 de maio de 2026
  11. ↑ «Eu, mulher, psicóloga e negra». Psicologia: Ciência e Profissão. 4: 10–15. 1984. ISSN 1414-9893. doi:10.1590/S1414-98931984000200004
  12. ↑ Geledés - Instituto da Mulher Negra. «Geledés: do trabalho coletivo à uma organização regida por mulheres negras». Google Arts & Culture. Consultado em 1 de junho de 2026
  13. ↑ Ata de Fundação Geledés (1988). Fotoː Coleção do Acervo do Centro de Documentação e Memória Institucional de Geledés. — Google Arts & Culture
  14. ↑ Geledés (24 de março de 2009). «Programa de Saúde - Memória Institucional de Geledés». Geledés. Consultado em 1 de junho de 2026. Cópia arquivada em 28 de abril de 2026
  15. 1 2 3 Edna, Roland (25 de março de 2009). «Saúde Reprodutiva da População Negra no Brasil: Entre Malthus e Gobineau». Geledés - Instituto da Mulher Negra. Consultado em 4 de junho de 2026. Cópia arquivada em 17 de fevereiro de 2025
  16. ↑ Negra, Geledés Instituto da Mulher (18 de setembro de 2016). «Marcha Zumbi dos Palmares - 1995». Geledés. Consultado em 1 de junho de 2026. Cópia arquivada em 20 de janeiro de 2026
  17. ↑ Damasco, Mariana Santos; Maio, Marcos Chor; Monteiro, Simone (2012). «Feminismo negro: raça, identidade e saúde reprodutiva no Brasil (1975-1993)». Revista Estudos Feministas. 20: 133–151. ISSN 0104-026X. doi:10.1590/S0104-026X2012000100008
  18. 1 2 Declaração de Itapecerica da Serra das Mulheres Negras Brasileiras (PDF). Itapecerica da Serra: Geledés - Instituto da Mulher Negra. 1993
  19. 1 2 Osato, Tiemi (29 de agosto de 2022). «Por que a Conferência de Durban foi importante na luta contra o racismo». Revista Galileu. Consultado em 4 de junho de 2026. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2022
  20. 1 2 Escóssia, Fernanda da (1 de setembro de 2001). «Relatora quer mais espaço para negras [Entrevista com Edna Roland]». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 4 de junho de 2026. Cópia arquivada em 13 de outubro de 2025
  21. ↑ Brasil. Ministério da Justiça., Secretaria de Estado dos Direitos Humanos (2001). Relatório do Comitê Nacional para a Preparação Brasileira na III Conferência Mundial das Nações Unidas Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata. (PDF). Brasília-DF: Ministério da Justiça. p. 24
  22. ↑ Carvalho, Igor (junho de 2014). «Dez anos de cotas na universidadeː o que mudou?». Revista Fórum. Consultado em 4 de junho de 2026 – via União Nacional dos Estudantes (UNE)
  23. ↑ «L10639». www.planalto.gov.br. Consultado em 5 de junho de 2026. Cópia arquivada em 2 de junho de 2026
  24. 1 2 3 «Tramas da Resistência - Edna Maria Santos Roland». Linha De Cor. Consultado em 5 de junho de 2026
  25. ↑ Braga, Isabel. «FHC reconhece que no País há discriminação.» (PDF) – via Senado Federal
  26. ↑ Roque, Atila. «Durban quebrou o silêncio global sobre o racismo». Nexo Jornal. Consultado em 5 de junho de 2026
  27. 1 2 «DECRETO DE 29 DE MAIO DE 2002». anttlegis. MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES. Consultado em 5 de junho de 2026. Cópia arquivada em 19 de junho de 2026
  28. ↑ Alberti, Verena; Pereira, Amilcar Araujo; Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Fundação Getúlio Vargas), eds. (2007). Histórias do movimento negro no Brasil: depoimentos ao CPDOC. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, CPDOC : Pallas. ISBN 978-85-347-0417-5
  29. 1 2 «Medalha Theodosina Ribeiro homenageia artistas, empresárias e ativistas sociais». www.al.sp.gov.br. 24 de março de 2017. Consultado em 5 de junho de 2026
  30. ↑ «Viva Maria recebe o Troféu Rede Equidade». Agência Brasil - EBC. 10 de dezembro de 2025. Consultado em 5 de junho de 2026. Cópia arquivada em 5 de junho de 2026
  31. ↑ FAPESP. «Entrega do Prêmio Claudia 2003». AGÊNCIA FAPESP. Consultado em 18 de junho de 2026
  32. ↑ «Laureados do ano 2003 – Diretoria de Cooperação Institucional». Consultado em 18 de junho de 2026