| Eni Orlandi | |
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| Nascimento | 1942 (84 anos) São Paulo |
| Alma mater | |
| Ocupação | linguista, professora universitária |
| Empregador(a) | Universidade Estadual de Campinas, Universidade de São Paulo |
| Orientador(a)(es/s) | Cidmar Teodoro Pais |
Eni de Lourdes Puccinelli Orlandi (São Paulo, 1942) é uma linguista, pesquisadora e professora universitária brasileira. Atua, principalmente, no campo da análise de discurso materialista (AD) com base nos trabalhos de Michel Pêcheux. Foi a pioneira da área no Brasil, desenvolvendo pesquisas sobre o tema desde o final da década de 1970, e, atualmente, a principal referência da AD no país.
Possui graduação em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (1964), mestrado em linguística pela Universidade de São Paulo (1970), doutorado em linguística pela Universidade de São Paulo e pela Universidade de Paris/Vincennes (1976).
Foi docente na USP de 1967 a 1979, onde ensinou filologia românica, linguística, sociolinguística e análise do discurso pedagógico. Transferiu-se para a Universidade de Campinas (Unicamp) em 1979, onde foi fundadora do Laboratório de Estudos Urbanos, que ainda coordena atualmente. Foi a partir desta instituição, no âmbito do Instituto de Estudos da Linguagem, que introduziu a análise do discurso no Brasil. Foi professora titular na Unicamp desde então até se aposentar, em 2002, mas continuou atuando na Unicamp como professora colaboradora e pesquisadora do Laboratório de Estudos Urbanos. É também professora titular e coordenadora do curso de mestrado em Ciências da Linguagem na Universidade do Vale do Sapucaí.
Orlandi publicou e/ou organizou mais de 35 livros (entre edições e reedições), sempre trabalhando com a teoria do discurso, aplicada a diversas áreas, como ensino, mídia, história e religião, entre outras.[carece de fontes]
Em 2010 foi a representante do governo brasileiro como membro da COLIP em reunião em Portugal, na CCPLP como perita em língua portuguesa junto ao corpo diplomático, assessorando diretamente a delegação do Itamaraty e Presidência da República Federativa do Brasil.
Eni Orlandi desenvolveu uma abordagem que analisa o discurso como prática social e ideológica, enfatizando a interdependência entre linguagem, poder e sociedade. Seu trabalho introduziu o conceito de discurso fundador, que investiga como enunciados iniciais estabelecem paradigmas de sentido permanentes em diferentes contextos culturais. Por meio da noção de historicidade, Orlandi destaca que todo enunciado está situado em um tempo e espaço específicos, refletindo condições sociais e políticas do momento de sua produção. Ela também aprofundou o estudo do silêncio e da ausência nos textos, demonstrando como omissões e lacunas podem funcionar como estratégias ideológicas para invisibilizar vozes e discursos subalternos. Além disso, Orlandi problematizou a noção de autoria, mostrando que a produção e a legitimidade de um texto estão permeadas por relações de poder e processos de institucionalização. Sua proposta metodológica articula elementos da linguística, da filosofia (especialmente as contribuições de Bakhtin e Foucault) e da psicanálise, permitindo uma análise crítica das formas de legitimação e contestação presentes em discursos políticos, midiáticos e institucionais.
Em 1993 venceu o prêmio Jabuti em ciências humanas, com o livro As Formas do Silêncio. O silêncio é definido por Orlandi como a "respiração do discurso", um espaço simbólico necessário para que o dizer se constitua. Longe de significar vazio, ele representa a condição de possibilidade do sentido: é o que permite a incompletude e a abertura da linguagem à interpretação e ao deslocamento. Nesse sentido, o silêncio é constitutivo de todo dizer, marcando o lugar do indizível e do possível.
Orlandi distingue duas grandes formas de silêncio:
Na teoria de Orlandi, o silêncio é constitutivo do sujeito discursivo. O sujeito não é a origem do dizer, mas um efeito da linguagem e da história. Entre o dito e o não dito, ele se forma sob o funcionamento da ideologia e do inconsciente. O silêncio, portanto, evidencia a ilusão de autonomia e autoria do sujeito, mostrando como sua voz é atravessada por memórias discursivas e interdições sociais.
O conceito de silêncio é um operador fundamental para o trabalho analítico da Análise de Discurso. O analista deve "escutar o silêncio", isto é, observar o que é silenciado no texto; o que não pode ser dito em determinada formação discursiva; e quais efeitos ideológicos resultam desse não-dizer. Dessa forma, o silêncio funciona como um vestígio da historicidade do discurso, revelando os limites do dizível e os processos de poder e resistência que o atravessam.
Pesquisas recentes empregam a noção de silêncio para analisar práticas discursivas digitais, regimes de visibilidade e processos de exclusão simbólica.