| Estrela-Guia | |
|---|---|
| Informações gerais | |
| Formato | telenovela |
| Gênero | romance |
| Criação | Ana Maria Moretzsohn |
| Roteiristas | Daisy Chaves Izabel de Oliveira Patrícia Moretzsohn Fernando Rebello |
| Direção | Denise Saraceni Carlos Araújo |
| Elenco | |
| Tema de abertura | "Imagine", RPM (original) "Feel My Heart", Adi Goldstein (Globo Internacional, Canal Viva, a versão exibida pelo Canal Viva e o Globoplay) |
| País de origem | Brasil |
| Idioma original | português |
| Episódios | 83 |
| Produção | |
| Localização | Estúdios Globo, Rio de Janeiro |
| Duração | 45 minutos |
| Empresa produtora | TV Globo |
| Formato | |
| Formato de imagem | 480i (SDTV) |
| Exibição original | |
| Emissora | TV Globo |
| Transmissão | 12 de março – 15 de junho de 2001 |
Estrela-Guia é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 12 de março a 15 de junho de 2001, em 83 capítulos. Substituiu O Cravo e a Rosa e foi substituída por A Padroeira, sendo a 58ª "novela das seis" exibida pela emissora.
Escrita por Ana Maria Moretzsohn, com colaboração de Daisy Chaves, Izabel de Oliveira, Fernando Rebello e Patrícia Moretzsohn, tendo direção de Denise Saraceni, Carlos Araújo e Ulysses Cruz, direção geral de Denise Saraceni e Carlos Araújo, com direção de núcleo de Denise Saraceni.
Contou com as participações de Sandy, Guilherme Fontes, Carolina Ferraz, Rodrigo Santoro, Thaís Fersoza, Rosamaria Murtinho, Lucinha Lins e Lilia Cabral.

Bob (Marcos Winter) é um corretor da Bolsa de Valores que abandona tudo e vai para os Estados Unidos em busca de uma comunidade hippie sobre a qual leu, se casando com Catherine (Maitê Proença) e dando a luz a Cristal. De volta ao Brasil, ele procura seu melhor amigo, Tony (Guilherme Fontes), um rapaz de apenas 18 anos que tem uma carreira promissora na Bolsa, e pede que ele seja padrinho da pequena. Bob compra uma grande fazenda no interior de Goiás, onde funda a comunidade hippie Jagatah – "Universo" em sânscrito –, onde predomina o altruísmo e a harmonia com a natureza, além da ausência de dinheiro e supérfluos, acolhendo diversas pessoas que compartilham dos mesmos ideais. Após 17 anos, Cristal (Sandy) se tornou uma moça bela e de bom coração, que desperta o interesse do motoqueiro mau-caráter Charles (Rodrigo Santoro), sendo a única capaz de despertar seu lado bom, embora ela não corresponda a paixão. Ele é filho do fazendeiro Alaor (Sérgio Mamberti), o homem mais poderoso das redondezas e que não permite maldades com os hippies, embora sua mulher, Daphne (Lilia Cabral), não seja tão condescendente.
A perua descobre que nas terras de Jagatah há uma mina de pedras preciosas que multiplicaria seu dinheiro e conta com a ajuda de seu capataz e amante Ignário (Floriano Peixoto) para tentar expulsa-los de lá e fazer com que lhe vendam o local. Após um misterioso incêndio que tira a vida de seus pais, Cristal fica órfã e se vê obrigada a ir morar no Rio de Janeiro com seu padrinho – apesar da posição contra de Su-Sukham (Mônica Torres), que teme que a garota seja ludibriada pela cidade grande e manipulada a vender as terras, acabando com a comunidade. Apesar da aparente preocupação com Cristal, Su-Sukham não é bem o que parece. Seu radicalismo em relação à vida na comunidade esconde uma figura maléfica. Tony, agora com 35 anos, descobre com Cristal um inesperado e puro amor, que terá que passar por diversas provações para florescer. O rapaz era noivo da inescrupulosa Vanessa (Carolina Ferraz), que será capaz de tudo para separar os dois, até mesmo formar uma aliança com Carlota (Rosamaria Murtinho), a falida mãe de Tony, que também não vê com bons olhos o romance e conta com a ajuda da amiga Lucrécia (Lucinha Lins) em suas armações. Além disso, Cristal também se torna alvo de Guilherme (Gabriel Braga Nunes), dono de uma produtora que acha o jeito da jovem único e seus mantras originais, acreditando que ela poderá lucrar milhões explorando sua imagem.
Paralelamente há a história de Santiago (Sergio Marone), um rapaz misterioso que chega em Jagatah buscando reclusão, mas que na verdade esconde o fato de ter um estranho dom de conseguir curar as pessoas, vivendo um romance com Sukhi (Fernanda Rodrigues). Quem descobre a verdade é Lalá (Christine Fernandes), que passa a ameaçá-lo e o faz utilizar esse dom para ganhar dinheiro. Zeca (Junior Lima) é um malabarista que trabalha no sinal e passa a ser também explorado por Guilherme quando descobre seus dons para a música. A rebelde Gisela (Thaís Fersoza) também se apaixona por Charles e, assim como a mãe Vanessa, não mede esforços para conquistar o rapaz. Já Bernardo (Thiago Fragoso) cresceu com rancor por ter sido abandonado pela mãe aos cinco anos, que foi embora e deixou-o seu pai Mauro (Tarcísio Filho), sendo que ele também se envolve com Cristal.
| Intérprete | Personagem |
|---|---|
| Sandy | Cristal Hanuman |
| Guilherme Fontes | Antônio Salles (Tony) |
| Carolina Ferraz | Vanessa Rios |
| Rodrigo Santoro | Carlos Charles Pimenta |
| Thaís Fersoza | Gisela Rios |
| Lília Cabral | Daphne Pimenta |
| Floriano Peixoto | Inácio |
| Sérgio Mamberti | Coronel Alaor Pimenta |
| Rosamaria Murtinho | Carlota Salles |
| Lucinha Lins | Lucrécia Espíndola |
| Nelson Xavier | Mestre Purunam |
| Mônica Torres | Su-Sukham |
| Tarcísio Filho | Mauro Lima |
| Christine Fernandes | Lara Gouveia (Lalá) |
| Gabriel Braga Nunes | Guilherme Nunes |
| Graziella Moretto | Heloísa Castro Lima |
| Ana Carbatti | Dominique Cruz |
| Sergio Marone | Santiago / Fernando |
| Fernanda Rodrigues | Sukhi Sukham |
| Thiago Fragoso | Bernardo Lima |
| Junior Lima | José Carlos Solari (Zeca) |
| Isabela Garcia | Luciana Teixeira |
| Evandro Mesquita | André Teixeira |
| Maurício Gonçalves | Dr. Michael Brooks |
| Cida Moreyra | Castorina |
| Miguel Magno | Romeu |
| Maria Pompeu | Nenzinha |
| Nizo Neto | Elesbão |
| Flávia Bonato | Cida |
| Oberdan Júnior | Raphael Cury |
| Lucy Mafra | Tânia |
| Natália Barreto | Priscila Castro Lima |
| Alexandre Barbalho | Felício |
| Marcelo Freitas | Diogo |
| As crianças | |
| Netinho Alves | Daniel Cruz Salles |
| Thiago de Los Reyes | João Castro Lima |
| Renata Bravin | Maria Teixeira |
| Intérprete | Personagem |
|---|---|
| Marcos Winter | Roberto Macedo (Bob) / Hanumam |
| Maitê Proença | Catherine McAdams / Kalinda Hanuman |
| Milton Gonçalves | Juiz Queiroz |
| Marcos Pasquim | Edmilson |
| Cláudia Ohana | Glorinha |
| Daniele Suzuki | Bianca |
| Irving São Paulo | Humberto |
| Jorge Botelho | Rogério |
| Regina Duarte | Ela mesma |
| Chitãozinho & Xororó | Eles mesmos |
"Eu precisava de uma menina de cerca de 17 anos, bonita, com ar de inocência, que tivesse carisma e principalmente que cantasse muito bem, porque era essa a minha história."
— A autora Ana Maria Moretzsohn sobre escolher Sandy para interpretar Cristal.
Em 2000, a TV Globo decidiu testar um formato diferente para as "novelas das seis", – faixa até então ocupada por histórias de época ou dramas contemporâneos de cunho mais sério – buscando atrair o público jovem, que esvaia para outros programas e atividades após o final de cada capítulo de Malhação, aprovando a trama juvenil de Ana Maria Moretzsohn. Na época, Walcyr Carrasco já escrevia a sucessora para o horário, A Padroeira, que estrearia em junho de 2001, tendo Ana Maria a missão de escrever uma trama sucinta de apenas três meses, apelidada de "novela de verão" pela direção, não tendo a opção de estiramentos, tanto pela agenda atribulada na música de Sandy, quanto pela produção em andamento da próxima novela. A boa recepção da audiência – a maior desde História de Amor – fez com que a emissora aprovasse, após o fim de Estrela Guia, outras tramas voltadas ao público jovem, como Coração de Estudante e Agora É que São Elas.
A autora inspirou-se em diversos filmes do imaginário adolescente entre as décadas de 1950 e 1980 para escrever a telenovela, incluindo Hair (1979), de onde veio inspiração para o núcleo hippie e do personagem que sai do interior para a cidade grande; Papai Pernilongo (1955), no qual inspirou-se para escrever sobre o rapaz que apadrinha uma jovem órfã; e Presente de Grego (1987), referência para a história sobre se tornar guardião de uma jovem da qual não se lembrava da existência. A fictícia cidade de Arco da Aliança, onde parte da trama se passa, foi inspirada na comunidade alternativa Frater Unidade, em Pirenópolis, em Goiás. Segundo a autora, toda a história foi escrita especialmente para que Sandy protagonizasse, uma vez que ela gostaria que a cantora apresentasse ao público uma imagem diferente do seriado Sandy & Junior, longe do humor e mais próximo aos romances hollywoodianos. Para dar vida à personagem Cristal, Sandy aprendeu a cantar mantras e também teve que desacelerar o ritmo de sua fala e respiração. Estrela-Guia ficou conhecida como "a novela da Sandy" e os figurinos da personagem dela, ao estilo "new hippie", fizeram moda naquele ano.
A estreia da novela marcou 37 pontos com picos de 43, representando sete a mais que o primeiro capítulo da antecessora, O Cravo e a Rosa. Seu último capítulo atingiu 31 pontos. A novela teve 30,9 pontos de média de audiência.
O fato de Estrela-Guia abordar temas como esoterismo e misticismo causou incômodo em grupos religiosos católicos, metodistas e evangélicos. Alguns líderes da Igreja Católica, por exemplo, afirmaram que a personagem de Sandy "tem características não cristãs", enquanto os bispos da Igreja Metodista do Brasil orientaram seus fiéis a "não assistirem as novelas" da TV Globo, que na época também exibia Um Anjo Caiu do Céu e Porto dos Milagres, cujos enredos abordam temas como "proteção divina", "benção do além", "anjo da guarda" e o Candomblé. Os líderes metodistas também alegaram que as questões abordadas nessas novelas "não combinam com a formação cristã do povo brasileiro [...] e acabam influenciando milhares de pessoas [...] a aceitarem essa espiritualidade mágica." Autora de Estrela-Guia, Ana Maria Moretzsohn respondeu às críticas dizendo que "a comunidade de Cristal segue conceitos presentes em todas as religiões. [...] Não faço apologia de nada. Sou cética, não esotérica."
A novela também foi criticada por ter "banalizado" os ensinamentos e modo de vida das comunidades hippies. Escrevendo para a IstoÉ, Clarisse Meirelles e Valéria Propato afirmaram que "Com situações e personagens estereotipados, indumentária de butique, defesa moralista da ecologia e clima de fábula, a novela conseguiu banalizar o movimento mais importante do último século."
A TV Globo cogitou reexibir Estrela-Guia em 2004 no Vale a Pena Ver de Novo, mas desistiu após Sandy & Júnior cancelarem a renovação de seu contrato como atores da emissora. Em vez disso, a Globo exibiu uma reprise de Corpo Dourado.
Foi exibida pelo Viva no horário das 11h45 de 8 de abril a 31 de julho de 2019, tendo sido substituída por Caça Talentos. Por questões de direitos autorais, o tema de abertura original foi substituído por uma trilha instrumental anteriormente gravada para a exibição da Globo Internacional.
Em 6 de julho de 2020, foi disponibilizada pelo Globoplay, como parte do Projeto Resgate. Sendo disponibilizada a versão exibida pelo Viva em 2019, sem o tema de abertura original e com imagem em 16:9 (tela esticada). Em 16 de março de 2026 foi atualizada pela plataforma de streaming da Globo como parte do Projeto Originalidade, com a atualização para o formato de exibição original; com o formato de imagem restaurado em 4:3, mas sem o tema de abertura original.
A trilha sonora da novela foi lançada em 9 de março de 2001 e se tornou uma das trilhas sonoras mais vendidas de todos os tempos entre os CDs de trilhas sonoras de novelas da emissora. A música incidental da novela foi de autoria de Tomaz Lima, conhecido pelo nome artístico de Homem de Bem. O CD, "Mantras e Bhajans de Estrela-Guia", lançado pela Som Livre, encontra-se esgotado.[carece de fontes] Tomaz Lima ensinou Sandy a gravar mantras.[carece de fontes]
Várias músicas da trilha sonora estiveram em trilhas sonoras de outras obras: "Enrosca" anteriormente foi incluída em 1977, na trilha da novela Locomotivas, como tema da personagem Patrícia, na versão de Guilherme Lamounier; "Oye como Va", em 1994, foi tema romântico dos personagens Pessoa (Guga Coelho) e Adrenalina (Natália Lage), em Tropicaliente, também por Santana; e "Vieste", em 1993, foi tema de Lucas (Leonardo Vieira), em Sonho Meu, na versão de Ivan Lins.
Capa: logotipo da novela