Etretinato

O etretinato é um retinoide de segunda geração, estruturalmente relacionado com a vitamina A, que foi amplamente utilizado no tratamento de doenças dermatológicas graves, particularmente na psoríase pustulosa e eritrodérmica. Introduzido na década de 1980, este composto lipofílico atua ao nível celular para normalizar a proliferação e diferenciação dos queratinócitos, reduzindo a inflamação e a formação de escamas caraterísticas da psoríase. No entanto, devido ao seu perfil farmacocinético complexo e ao elevado risco de toxicidade, a sua comercialização foi progressivamente descontinuada na maioria dos mercados regulamentados, sendo substituído pela acitretina, o seu principal metabolito ativo.

A principal caraterística distintiva do etretinato é a sua extrema lipofilicidade, que resulta num armazenamento prolongado no tecido adiposo do organismo. Ao contrário de outros retinoides, o etretinato possui uma meia-vida de eliminação invulgarmente longa, estimada em aproximadamente 120 dias, embora o fármaco possa ser detetado no plasma anos após a interrupção do tratamento. Este armazenamento sistémico prolongado levantou sérias preocupações de segurança, especialmente no que toca ao seu potencial teratogénico (capacidade de causar malformações fetais), exigindo que as mulheres em idade fértil evitassem a gravidez por períodos de até três anos após a última dose.

Do ponto de vista clínico, o etretinato revelou-se eficaz em casos resistentes a outras terapias, mas o seu uso era frequentemente limitado por efeitos secundários significativos. Os pacientes relatavam frequentemente sintomas mucocutâneos, como a queilite (inflamação dos lábios) e a secura das mucosas, além de riscos mais graves como a hepatotoxicidade e alterações musculoesqueléticas, incluindo a formação de exostoses ou calcificações extraesqueléticas em tratamentos prolongados. Atualmente, o etretinato é considerado um marco na evolução da farmacologia dermatológica, tendo aberto caminho para o desenvolvimento de retinoides sistémicos mais seguros e com janelas terapêuticas melhor geridas.

Referências

  1. ↑ Kaplan, Richard P.; Russell, Diane H.; Lowe, Nicholas J. (janeiro de 1983). «Etretinate therapy for psoriasis: Clinical responses, remission times, epidermal DNA and polyamine responses». Journal of the American Academy of Dermatology (em inglês) (1): 95–102. doi:10.1016/S0190-9622(83)70012-5. Consultado em 15 de março de 2026
  2. ↑ Ward, A.; Brogden, R.N.; Heel, R.C.; Speight, T.M.; Avery, G.S. (julho de 1983). «Etretinate A Review of its Pharmacological Properties and Therapeutic Efficacy in Psoriasis and Other Skin Disorders:». Drugs (em inglês) (1): 9–43. ISSN 0012-6667. doi:10.2165/00003495-198326010-00002. Consultado em 15 de março de 2026
  3. ↑ Roenigk, Henry H. (julho de 1988). «Liver toxicity of retinoid therapy». Journal of the American Academy of Dermatology (em inglês) (1): 199–208. doi:10.1016/S0190-9622(88)70165-6. Consultado em 15 de março de 2026