Os recetores de fator de crescimento fibroblástico (FGFR) são uma família de recetores com atividade de quinase de tirosina (RTK), constituída em humanos por quatro isoformas principais (FGFR1–4) que desempenham um papel vital na homeostase celular. Estruturalmente, cada FGFR é composto por três domínios extracelulares semelhantes a imunoglobulinas (IgI–IgIII) responsáveis pela ligação específica aos fatores de crescimento fibroblástico (FGF) através da mediação de proteoglicanos de sulfato de heparano, um segmento transmembranar de passagem única e um domínio catalítico intracelular de quinase. A ligação do ligando promove a dimerização do recetor e a autofosforilação dos seus resíduos de tirosina, ativando cascatas de sinalização intracelular críticas, como as vias MAPK/ERK, PI3K/Akt e PLCγ. Esta rede de sinalização governa processos biológicos fundamentais, incluindo a proliferação, diferenciação, sobrevivência e migração celular, sendo essencial para o desenvolvimento embrionário, osteogénese e angiogénese. Consequentemente, disfunções genéticas nesta família molecular possuem forte relevância clínica: mutações germinativas estão na génese de displasias esqueléticas e síndromes de craniossinostose (como a acondroplasia via FGFR3), enquanto a amplificação, fusão ou mutação somática aberrante destes genes atua como um motor oncogénico em múltiplos tumores sólidos, consolidando os FGFR como alvos terapêuticos prioritários para o desenvolvimento de inibidores de quinase de tirosina na medicina de precisão contemporânea.