| Festival Internacional de Quadrinhos | |
|---|---|
| Gênero | Histórias em quadrinhos |
| Frequência | Bienal |
| Local | Belo Horizonte, Minas Gerais |
| Primeira edição | 1999 |
| Realização | Prefeitura de Belo Horizonte Fundação Municipal de Cultura |
| Página oficial | portalbelohorizonte.com.br/fiq |
O Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, conhecido como FIQ BH, é um festival bienal de histórias em quadrinhos realizado desde 1999 em Belo Horizonte, em Minas Gerais, com feira de publicações, exposições, debates, oficinas, lançamentos, sessões de autógrafos e atividades voltadas à criação e ao mercado de quadrinhos.
O FIQ sucedeu a Bienal Internacional de Quadrinhos, realizada no Rio de Janeiro em 1991 e 1993. A terceira edição da Bienal ocorreu em Belo Horizonte em 1997, como parte das comemorações do centenário da capital mineira. Dois anos depois, foi realizada a primeira edição do FIQ.

A Bienal Internacional de Quadrinhos teve suas duas primeiras edições no Rio de Janeiro, em 1991 e 1993. Depois de quatro anos sem ser realizada, a Bienal mudou-se para Belo Horizonte em 1997. A terceira edição abriu em 16 de outubro, com a Serraria Souza Pinto como um dos espaços principais, e integrou as comemorações dos cem anos da cidade.
Depois da experiência de 1997, a Prefeitura de Belo Horizonte criou o Festival Internacional de Quadrinhos. Roberto Ribeiro, da Casa 21, assumiu a curadoria da primeira edição, e a Casa 21 participou da criação do novo festival.
A primeira edição foi realizada de 1 a 5 de dezembro de 1999. A maior parte das atividades ocorreu no Centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais, com exposições também em outros espaços de Belo Horizonte. Angeli foi o artista homenageado e recebeu uma retrospectiva com trabalhos originais. A França foi o país em foco, com exposições e a presença de artistas franceses, entre eles François Boucq e Philippe Vuillemin.
Miguelanxo Prado, Mauricio de Sousa, Lourenço Mutarelli e Laerte estiveram entre os participantes. A programação teve debates, exposições, oficinas e lançamentos, e recebeu cerca de cinco mil pessoas.
O segundo FIQ foi realizado de 10 a 14 de outubro de 2001 na Matriz, no Terminal Turístico JK, na avenida Olegário Maciel. A programação reuniu oficinas, feira de quadrinhos, exposições, debates, lançamentos, filmes e apresentações musicais. O ingresso custava cinco reais e dava direito a uma revista.
Jô Oliveira foi o artista homenageado e a Argentina foi o país homenageado. Entre os convidados estrangeiros estavam José Muñoz, Carlos Nine, Jano e Miguelanxo Prado. Participaram também André Diniz, Marcello Gaú, Eloar Guazzelli e outros autores brasileiros.
Entre os lançamentos estavam Mendelévio, de João Marcos, a nona edição da revista Graffitti, Saino a Percurá, de Lélis, e uma nova edição de A Guerra do Reino Divino, de Jô Oliveira. A programação audiovisual exibiu os curtas A Flor do Caos e Selenita Acusa!, de Luiz Nazário.
A terceira edição foi realizada de 24 a 28 de setembro de 2003 na Casa do Conde de Santa Marinha. O mineiro Mozart Couto foi o homenageado, assinou o cartaz e recebeu uma exposição retrospectiva de trabalhos iniciados em 1979.
Entre os convidados estrangeiros estavam Sergio Toppi, Lorenzo Mattotti, David Lloyd, Kyle Baker e Jacques de Loustal. Do Brasil participaram Chantal, Angeli, Allan Sieber, Adão Iturrusgarai, Fábio Zimbres e Ota. A edição também realizou a primeira Maratona de Quadrinhos, voltada a estudantes e educadores da rede municipal.
A quarta edição ocorreu de 5 a 9 de outubro de 2005, novamente na Casa do Conde. Lourenço Mutarelli foi o principal homenageado e recebeu uma exposição com 110 trabalhos originais.
O colecionador Antônio Roque Gobbo, fundador da Gibiteca Municipal, e o quadrinista Lacarmélio Alfeo de Araújo, criador de Celton, receberam outras homenagens. A programação teve encontro de animadores, sessões de RPG e avaliações de portfólio. Gary Panter, Gianfranco Manfredi e Frédéric Boilet estiveram entre os convidados estrangeiros. Fábio Moon, Gabriel Bá, LOR e João Marcos estiveram entre os brasileiros.
A quinta edição foi realizada de 16 a 21 de outubro de 2007 na Serraria Souza Pinto, que já havia recebido atividades da Bienal de 1997. O Japão foi o país homenageado. A programação dedicada aos quadrinhos japoneses teve as exposições Nouvelle Mangá e Dreamland.
Júlio Shimamoto foi o artista homenageado e desenhou o cartaz da edição. Entre os convidados estrangeiros estavam Eduardo Risso, Domingos Mandrafina, Carlos Sampayo, Juan Sáenz Valiente, Pascal Rabaté, Benoît Sokal, Giancarlo Berardi, Eddie Berganza e Kan Takahama. Roberto Ribeiro dividiu a curadoria com Afonso Andrade.
A sexta edição ocorreu de 6 a 12 de outubro de 2009, com atividades no Palácio das Artes e no Parque Municipal Américo Renné Giannetti. O festival integrou o Ano da França no Brasil, e a França foi o país homenageado.
Renato Canini recebeu uma exposição dedicada à sua obra. Ciça Fittipaldi recebeu outra mostra, e William Salvador, morto em 2008, foi lembrado pela organização. Entre os convidados estavam Teresa Valero, Reinhard Kleist, Cizo, Liniers, Ben Templesmith, Becky Cloonan, Craig Thompson, Zhang Bin e Guy Delisle. O público foi estimado em 75 mil pessoas.
A edição recebeu no ano seguinte o Troféu HQ Mix na categoria "Evento".
A sétima edição foi realizada de 9 a 13 de novembro de 2011 na Serraria Souza Pinto e recebeu 148 mil visitantes. Mauricio de Sousa foi o homenageado. A Coreia do Sul teve uma programação própria, com a participação de Park Sang-sun e Cheon Kye-young.
Entre os outros convidados estrangeiros estavam Olivier Martin, Cyril Pedrosa, Kelly Sue DeConnick, Matt Fraction, Jill Thompson, Bill Sienkiewicz e Horacio Altuna. Ana Luiza Koehler, Adriana Melo, Marilda Castanha, Ricardo Tokumoto, Jean Galvão, Vitor Cafaggi, Mateus Santolouco, Piero Bagnariol, Eloar Guazzelli e Gualberto Costa estiveram entre os brasileiros.
A edição criou um espaço de mesas individuais para artistas independentes, em formato semelhante aos artist alleys de convenções de quadrinhos. Uma edição especial da revista Graffiti foi criada, impressa, encadernada e distribuída dentro da Serraria durante o festival.
Na edição de 2011, C. B. Cebulski, vice-presidente e recrutador da Marvel Comics, participou do festival durante uma viagem ao Brasil para avaliar trabalhos e contratar desenhistas para a editora.
A oitava edição ocorreu de 13 a 17 de novembro de 2013 na Serraria Souza Pinto. Laerte Coutinho foi a homenageada e recebeu uma exposição multimídia com curadoria de Rafael Coutinho.
A edição estreou a Rodada de Negócios, organizada com o Sebrae. Cerca de 200 quadrinistas apresentaram projetos e portfólios a editoras e agentes. Eduardo Risso, Salvador Sanz, George Pérez, Ivo Milazzo e Jérémie Nsingi estiveram entre os convidados estrangeiros.
A nona edição foi realizada de 11 a 15 de novembro de 2015 na Serraria Souza Pinto. Antônio Cedraz foi o homenageado. O festival recebeu o projeto "Leitura para todos", de Marguerite Abouet, e a feira gráfica Faísca.
O espaço de artistas independentes passou das 34 mesas da edição de 2011 para 123. Gail Simone, Jen Wang, Howard Chaykin, Amy Chu, Jeff Smith, Babs Tarr, Cameron Stewart, Birgit Weyhe e Marguerite Abouet estiveram entre os convidados estrangeiros. A curadoria foi de Daniel Werneck e Ana Luiza Koehler.
A décima edição estava prevista inicialmente para 2017, mas foi transferida para o primeiro semestre de 2018. Foi realizada de 30 de maio a 3 de junho na Serraria Souza Pinto e no Centro de Referência da Juventude.

Érica Awano, desenhista de Holy Avenger, foi a homenageada. Dave McKean, Anne-Charlotte Gauthier, Claudia Ahlering, Flore Balthazar, Mario Alberti, Zerocalcare, Troche e PowerPaola estiveram entre os convidados estrangeiros. Daniel Werneck, Ana Luiza Koehler, Fabiano Azevedo e Carol Rossetti formaram a curadoria.
Entre convidados e expositores, cerca de 500 quadrinistas participaram da edição de 2018. A feira reuniu aproximadamente 300 obras recém-publicadas ou lançadas durante o festival.
A 11ª edição presencial foi cancelada em 2020 por causa da pandemia de COVID-19. Em seu lugar, a organização criou o FIQ em Casa, uma programação especial pela internet.
Foram realizadas 12 transmissões com conversas entre quadrinistas, animadores e editores. Participaram Paulo Moreira, Aline Lemos, Carol Ito, Cristiano Seixas, Eduardo Damasceno, Germana Viana, André Dias e Janaina de Luna. Os áudios das entrevistas foram disponibilizados como podcasts. Sete vídeos com oito quadrinistas foram publicados no Instagram e no IGTV do festival. A curadoria foi de Aline Lemos, Rebeca Prado, Vitor Cafaggi e Erick Ricco, com coordenação de Afonso Andrade e Gabriel Nascimento.
O FIQ retornou ao formato presencial de 3 a 7 de agosto de 2022, no Minascentro, em parceria com o Instituto Lumiar. A edição teve entrada gratuita e o tema "Quadrinhos e o mundo do trabalho". Marcelo D'Salete foi o homenageado, e Amma e Lucas Ed. assinaram a curadoria.
Mais de 40 mil pessoas passaram pelo evento. A feira reuniu 321 artistas em 176 mesas. A edição recebeu o Troféu HQ Mix de 2023 na categoria "Evento".
Entre os convidados de 2022 estavam os franceses Chloé Cruchaudet e Fabien Toulmé. A programação de cinema reuniu seis filmes no Cine Santa Tereza, com obras de animação e adaptações de quadrinhos. A exposição "Malungo D'Salete: Entre faróis, favelas e quilombos" apresentou o trabalho do homenageado, enquanto a Casa Fiat de Cultura recebeu "Gemini, história em quadrinhos", de Rogi Silva e Clémence Bourdaud.
A 12ª edição foi realizada de 22 a 26 de maio de 2024 no Minascentro, em parceria com o Instituto Periférico. O tema foi "Onde cabem os quadrinhos?". Ana Luiza Koehler e Evandro Alves foram os artistas homenageados.

Mais de 400 artistas participaram dos cinco dias de programação, que recebeu cerca de 45 mil pessoas. Foram montadas 266 mesas de artistas, e a programação teve 93 convidados do Brasil e do exterior.
Em dezembro de 2025, a edição recebeu o Troféu HQMIX 2025 na categoria "Evento". Foi a oitava vitória do FIQ nessa categoria, depois das premiações de 2004, 2006, 2008, 2010, 2012, 2014 e 2023.
A identidade visual da edição de 2024 foi criada por Ing Lee. A programação anunciou uma oficina de criação de personagens e uma mesa dedicada à audiodescrição. A mesa "É possível produzir quadrinhos indígenas?" reuniu Célia Tupinambá, Marcelo Borari e Tai. Zoe Thorogood, Jenny Jordahl e Maco estiveram entre as convidadas internacionais.
O anúncio da programação de 2024 previu artistas de 22 estados brasileiros e do Distrito Federal, além de convidados de seis países, com atividades no Minascentro.
Em 24 de janeiro de 2026, a Fundação Municipal de Cultura publicou um chamamento para selecionar uma organização da sociedade civil para trabalhar na 13ª e na 14ª edições do FIQ. O processo foi homologado em julho de 2026, e o termo de colaboração foi assinado no mesmo mês.
A 13ª edição está marcada para 4 a 8 de novembro de 2026, no Minascentro, em parceria com o Instituto Periférico. A programação será gratuita e terá debates, palestras, oficinas, feira de quadrinhos, lançamentos, mostra de filmes, exposições e rodadas de negócios.
O mesmo chamamento abrange a 14ª edição. O edital prevê sua pré-produção em 2027 e realização em maio de 2028.
A Lei municipal nº 11.059, de 17 de julho de 2017, determinou sua realização bienal pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio do órgão municipal responsável pela cultura.
Nas mesas de artistas, os quadrinistas vendem publicações e artes originais e conversam com os leitores. A feira reúne livros de editoras e trabalhos publicados pelos próprios autores, como fanzines e pequenas tiragens. Em 2018, os cerca de 500 autores ocuparam 217 mesas, em sua maioria de artistas independentes de diferentes regiões do Brasil.
A rodada de negócios tem encontros de apresentação de projetos e portfólios a editores e agentes, atividade incorporada ao festival em 2013. No balanço da edição de 2024, o Instituto Periférico informou a participação de 15 editoras e 150 artistas independentes nesses encontros. A venda direta ao leitor também foi discutida pelo jornalista Ramon Vitral, que, em coluna publicada pelo Itaú Cultural, destacou o tempo para conversas entre autores e público e a presença de obras nacionais como características do FIQ.
Em 2016, o FIQ Jovem ofereceu um curso gratuito de criação de quadrinhos, com seleção por portfólio e 25 vagas. A proposta acompanhava a produção de uma história completa, da criação à finalização, com aulas práticas e conversas com profissionais. O curso regular ocorreu de junho a dezembro, com coordenação pedagógica de Eduardo Damasceno e aulas de Luís Felipe Garrocho, Ricardo Tokumoto, Aline Lemos e Hilton Rocha. Dos 134 inscritos, 25 foram selecionados e 21 concluíram a formação. Os trabalhos resultaram em uma edição digital e em um livro com tiragem de mil exemplares.
No mesmo ano, o Encontro FIQ-Ladys Comics ocupou o Centro de Referência da Juventude de 29 a 31 de julho. Teve 37 quadrinistas e ilustradoras convidadas, além de feira de publicações, exposição, debates e oficinas. Os encontros abordaram roteiro, edição e circulação de quadrinhos, com atividades também para crianças.
O catálogo da edição de 2015 foi preparado ao longo de 2016 e lançado em janeiro de 2017. Em lugar de apenas reproduzir a programação, reuniu 11 histórias de 13 quadrinistas sobre o festival, em 104 páginas, com versões impressa e digital.
Em 2024, a mesa sobre audiodescrição reuniu Edward Ramos, Jéssica Goés e Su Nascimento, com mediação de Cleide Fernandes, para discutir a leitura de quadrinhos por pessoas com deficiência visual. O festival disponibilizou cadeiras de rodas e uma equipe de Libras, audiodescrição e visitas mediadas. O balanço do correalizador informou a presença de 3.500 alunos e 350 professores da rede municipal em visitas com vale-livro.
Entre os 427 participantes ouvidos durante a edição de 2024, de 22 a 26 de maio, metade ia ao FIQ pela primeira vez. Os moradores de Belo Horizonte eram 55% dos entrevistados, os de outros municípios da região metropolitana, 16%, e os de outras localidades, 30%, em percentuais arredondados. Entre as atividades que haviam frequentado ou pretendiam frequentar, 72% citaram os estandes e as mesas de artistas e 62% a feira de quadrinhos, numa pergunta que admitia mais de uma resposta.
O FIQ recebeu o Troféu HQ Mix na categoria "Evento" em 2004, 2006, 2008, 2010, 2012, 2014, 2023 e 2025.
| Nº | Data | Local | Homenagem | País em foco | Troféu HQ Mix "Evento" |
Ref. |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 1–5 de dezembro de 1999 | Centro Cultural da UFMG | Angeli | – | ||
| 2 | 10–14 de outubro de 2001 | Matriz, Terminal Turístico JK | Jô Oliveira | – | ||
| 3 | 24–28 de setembro de 2003 | Casa do Conde | Mozart Couto | 2004 | ||
| 4 | 5–9 de outubro de 2005 | Casa do Conde | Lourenço Mutarelli | 2006 | ||
| 5 | 16–21 de outubro de 2007 | Serraria Souza Pinto | Júlio Shimamoto | 2008 | ||
| 6 | 6–12 de outubro de 2009 | Palácio das Artes e Parque Municipal | Renato Canini | 2010 | ||
| 7 | 9–13 de novembro de 2011 | Serraria Souza Pinto | Mauricio de Sousa | 2012 | ||
| 8 | 13–17 de novembro de 2013 | Serraria Souza Pinto | Laerte Coutinho | – | 2014 | |
| 9 | 11–15 de novembro de 2015 | Serraria Souza Pinto | Antônio Cedraz | – | – | |
| 10 | 30 de maio–3 de junho de 2018 | Serraria Souza Pinto e Centro de Referência da Juventude | Érica Awano | – | – | |
| 11 | 3–7 de agosto de 2022 | Minascentro | Marcelo D'Salete | – | 2023 | |
| 12 | 22–26 de maio de 2024 | Minascentro | Ana Luiza Koehler e Evandro Alves | – | 2025 | |
| 13 | 4–8 de novembro de 2026 | Minascentro | – | – | – |
