O Eccles Building, em Washington, D.C., sede do Sistema de Reserva Federal | |
| Banco central dos | Estados Unidos |
|---|---|
| Sede | Eccles Building, Washington, D.C., Estados Unidos |
| Estabelecido | 23 de dezembro de 1913 (112 anos) |
| Presidente | Kevin Warsh |
| Moeda | Dólar dos Estados Unidos (USD) |
| Taxa básica bancária | 4,00% (crédito primário, outubro de 2026) |
| Website | www |

O Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (em inglês, Federal Reserve System), conhecido como Reserva Federal (Federal Reserve) ou simplesmente Fed, é o banco central dos Estados Unidos, criado em 23 de dezembro de 1913 para enfrentar crises bancárias e organizar a oferta de moeda no país. Suas atribuições foram ampliadas após a Grande Depressão dos anos 1930 e a crise financeira de 2008.
A Reserva Federal conduz a política monetária norte-americana para promover o máximo emprego, manter os preços estáveis e favorecer juros moderados no longo prazo. Suas decisões afetam o custo dos empréstimos, os investimentos e o consumo de famílias e empresas. O Fed também supervisiona instituições financeiras, participa do sistema nacional de pagamentos e presta serviços bancários ao governo federal.
O sistema reúne um Conselho de Governadores, sediado em Washington, doze bancos regionais e o Comitê Federal de Mercado Aberto, responsável pelas decisões de política monetária. O Congresso dos Estados Unidos estabelece suas atribuições e fiscaliza suas atividades, mas o Fed toma as decisões monetárias com autonomia em relação ao governo. A atuação da instituição durante crises e a transparência de suas decisões são temas recorrentes de debate.
Após sucessivas crises bancárias nos Estados Unidos, especialmente o Pânico de 1907, o Congresso aprovou o Federal Reserve Act em 1913. A principal justificativa declarada para a criação do sistema era enfrentar os pânicos bancários. Outros objetivos enunciados na lei eram fornecer uma moeda de oferta elástica, criar meios para o redesconto de papel comercial e estabelecer uma supervisão bancária mais eficaz nos Estados Unidos.
As responsabilidades atribuídas ao Fed abrangem:
Ver também: Corrida aos bancos e Sistema de reserva fracionária.
Os bancos empregam grande parte dos depósitos de seus clientes em empréstimos e investimentos, mantendo apenas uma parcela disponível para saques. Nos Estados Unidos, as instituições bancárias historicamente tiveram de manter reservas, constituídas por dinheiro e depósitos em outros bancos, equivalentes a uma fração de suas obrigações perante os depositantes. Essa prática é conhecida como sistema de reserva fracionária. Em ocasiões excepcionais, quando um número muito grande de clientes retira os depósitos ao mesmo tempo, um banco pode deixar de conseguir operar por conta própria. Esse fenômeno é chamado de corrida bancária e pode produzir graves problemas sociais e econômicos. O Sistema de Reserva Federal foi concebido para prevenir ou reduzir a ocorrência dessas corridas e, quando necessário, atuar como emprestador de última instância.
O economista Milton Friedman, laureado com o Prêmio Nobel de Economia, e outros autores criticaram a recusa da Reserva Federal em emprestar recursos a pequenos bancos durante as corridas bancárias de 1929. Friedman considerava que essa decisão agravou a Grande Depressão.
Antes da criação do Fed, em períodos de incerteza econômica, alguns bancos se recusavam a compensar cheques emitidos por determinadas outras instituições, e a interrupção desses pagamentos levou a falências bancárias em larga escala no início do século XX. Por esse motivo, o Sistema de Reserva Federal instituiu um mecanismo nacional de compensação de cheques. A Reserva Federal também pode receber e transportar cheques fisicamente.
O Fed atua como emprestador de última instância para instituições que não conseguem obter crédito em outras fontes e cuja falência teria consequências graves para a economia. Assumiu essa função das câmaras privadas de compensação, que a exerciam durante a chamada Era dos Bancos Livres, chamada Free Banking Era em inglês. A disponibilidade de liquidez destina-se a impedir corridas bancárias.
Os bancos regionais da Reserva Federal fornecem liquidez para que as instituições bancárias atendam a necessidades de curto prazo causadas por flutuações sazonais dos depósitos ou saques inesperados, por intermédio da janela de redesconto e de outras operações de crédito. Em circunstâncias excepcionais, também podem disponibilizar liquidez por prazos maiores. Os juros cobrados pelo Fed nesses empréstimos são chamados de taxa de redesconto, oficialmente taxa de crédito primário. Os empréstimos amortecem flutuações imprevistas na oferta e na demanda de reservas, favorecem o funcionamento do sistema bancário, aliviam pressões sobre o mercado de reservas e reduzem movimentos inesperados das taxas de juros. Em 16 de setembro de 2008, por exemplo, o Conselho da Reserva Federal autorizou um empréstimo de até 85 bilhões de dólares para evitar a falência da seguradora American International Group, ou AIG.
Artigo relacionado: Banco central.

Ao manter contas para instituições financeiras e executar pagamentos do governo federal, o Fed exerce as funções de "banco dos bancos" e de "banco do governo". Essas atividades dão suporte ao sistema de pagamentos e movimentam trilhões de dólares em operações do governo. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos mantém uma conta corrente no Fed, pela qual passam receitas tributárias federais e pagamentos do governo.
Nessa relação, a Reserva Federal vende e resgata títulos públicos, como títulos de poupança, letras do Tesouro e obrigações públicas. Também emite as cédulas da Reserva Federal e organiza a distribuição de papel-moeda e moedas metálicas. A autoridade emissora das moedas metálicas é a Casa da Moeda dos Estados Unidos, vinculada ao Departamento do Tesouro, que também as fabrica. O Bureau of Engraving and Printing, igualmente vinculado ao Tesouro, imprime as cédulas. Os bancos da Reserva Federal obtêm as cédulas pelo custo de produção e as moedas metálicas pelo valor de face. Os bancos regionais distribuem as cédulas e moedas às demais instituições financeiras. No exercício fiscal de 2020, o Bureau of Engraving and Printing entregou 5,8 bilhões de cédulas, a um custo médio de aproximadamente 5,62 centavos de dólar por unidade.
Os fundos federais, chamados de federal funds em inglês e formalmente denominados depósitos na Reserva Federal, são os saldos de reservas mantidos pelos bancos privados em seus bancos regionais da Reserva Federal. Esses saldos dão nome às reservas do sistema. Manter fundos num banco da Reserva Federal permite aos bancos privados emprestar recursos entre si. O Fed orienta parte da política monetária ao influenciar os juros cobrados nesses empréstimos entre instituições. As contas na Reserva Federal contêm crédito da própria instituição, que pode ser convertido em cédulas do Federal Reserve.
A regulamentação dos bancos privados pelo Fed surgiu de um acordo político entre defensores do controle público e da participação de instituições privadas. Em 2006, Donald L. Kohn, então vice-presidente do Conselho de Governadores, examinou as negociações que levaram a esse arranjo: grupos agrários e progressistas, liderados por William Jennings Bryan, defendiam um banco central sob controle público, enquanto a maioria dos banqueiros, receosa de interferência governamental, rejeitava uma estrutura administrada por nomeados políticos. O Congresso aprovou em 1913 uma estrutura com direção federal e bancos regionais administrados por conselhos próprios, com participação de instituições bancárias privadas.
Na estrutura adotada, os bancos privados elegem integrantes dos conselhos de administração de seus respectivos bancos regionais da Reserva Federal, enquanto os membros do Conselho de Governadores são indicados pelo presidente dos Estados Unidos e confirmados pelo Senado dos Estados Unidos.

O Conselho de Governadores possui numerosas atribuições de supervisão e regulamentação do sistema bancário norte-americano, embora não tenha responsabilidade exclusiva sobre ele. Sua competência abrange bancos constituídos segundo a legislação estadual que integram o Sistema de Reserva Federal, holdings bancárias, atividades externas de bancos membros, operações de bancos estrangeiros nos Estados Unidos e instituições criadas sob a Edge Act ou acordos específicos para realizar atividades bancárias internacionais.
Em levantamentos anteriores, o Conselho e os bancos regionais, por delegação, supervisionavam aproximadamente 900 bancos estaduais membros e 5.000 holdings bancárias. Outros órgãos federais também exercem funções de fiscalização primária: o Office of the Comptroller of the Currency supervisiona os bancos nacionais e a Federal Deposit Insurance Corporation, ou FDIC, os bancos estaduais que não pertencem ao Sistema de Reserva Federal. Algumas normas emitidas pelo Conselho aplicam-se a todo o setor bancário e outras apenas aos bancos membros, inclusive os nacionais, cuja participação é obrigatória. O Conselho também exerceu historicamente funções de regulamentação de leis federais de proteção ao crédito do consumidor, entre elas a Truth in Lending Act, a Equal Credit Opportunity Act e a Home Mortgage Disclosure Act. A partir de julho de 2011, parte substancial da competência de editar normas sobre esses assuntos foi transferida ao Consumer Financial Protection Bureau, ou CFPB, criado pela legislação Dodd–Frank, enquanto a supervisão e a aplicação das leis continuaram repartidas entre diferentes autoridades conforme a instituição envolvida. Muitas dessas regras também alcançam credores que não são bancos.
Os membros do Conselho mantêm contato frequente com outros responsáveis pela política econômica e costumam depor perante comissões do Congresso sobre economia, política monetária, supervisão e regulamentação bancária, proteção ao crédito do consumidor e mercados financeiros. O Conselho também se relaciona regularmente com o Conselho de Assessores Econômicos da Presidência e outros altos funcionários. Seu presidente se reúne periodicamente com o presidente dos Estados Unidos e regularmente com o secretário do Tesouro, além de exercer atribuições internacionais.
A Federal Banking Agency Audit Act, promulgada em 1978 como Lei Pública 95-320, e o artigo 714 do título 31 do Código dos Estados Unidos estabelecem que o Conselho de Governadores e os bancos regionais podem ser auditados pelo Government Accountability Office, ou GAO. O órgão pode examinar atividades de compensação de cheques, armazenamento e transporte de moeda, determinadas operações regulatórias e procedimentos de inspeção bancária, mas sua competência de auditoria está sujeita a restrições.
Os conselhos de administração de cada distrito da Reserva Federal também têm responsabilidades de supervisão e regulamentação. Quando identificam conduta ou desempenho inadequado de um banco membro, comunicam o fato ao Conselho de Governadores. A lei determina que cada banco regional acompanhe as características e o volume dos empréstimos e investimentos de seus bancos membros para identificar o uso excessivo do crédito bancário em operações especulativas com títulos, imóveis ou mercadorias, ou em outras finalidades contrárias à preservação de condições sólidas de crédito. As informações devem ser consideradas na decisão de conceder ou negar adiantamentos, redescontos ou outras operações de crédito.
A presidência do banco regional deve informar ao Conselho de Governadores qualquer uso excessivo de crédito por parte de um banco membro e apresentar suas recomendações. Se o Conselho concluir que houve uso inadequado, poderá, após notificação razoável e oportunidade de defesa, suspender o acesso desse banco às linhas de crédito da Reserva Federal, encerrar a suspensão ou renová-la periodicamente.
A Depository Institutions Deregulation and Monetary Control Act de 1980 reafirmou a responsabilidade da Reserva Federal de promover um sistema de pagamentos nacional eficiente. A lei passou a sujeitar todas as instituições depositárias, e não apenas os bancos comerciais membros, às exigências de reserva e a garantir-lhes acesso igualitário aos serviços de pagamento dos bancos da Reserva Federal. Os doze bancos regionais prestam serviços bancários às instituições depositárias e ao governo federal. Para as primeiras, mantêm contas e oferecem compensação de cheques, transferência eletrônica de recursos e distribuição e recebimento de cédulas e moedas. Para o governo, atuam como agentes financeiros, pagando cheques do Tesouro, processando pagamentos eletrônicos e emitindo, transferindo e resgatando títulos públicos.
O Fed participa tanto dos pagamentos de varejo quanto dos pagamentos de grande valor por meio dos serviços que oferece às instituições depositárias. Os pagamentos de varejo costumam envolver quantias menores e clientes comuns dessas instituições. Incluem distribuição de dinheiro, compensação de cheques, transferências pela rede FedACH, uma câmara de compensação automatizada, e, desde 2023, pagamentos instantâneos pelo FedNow. Já os serviços de grande valor incluem transferências pelo Fedwire Funds Service e movimentação de títulos emitidos pelo governo norte-americano, suas agências e determinadas outras entidades por meio do Fedwire Securities Service. Essas operações costumam envolver valores elevados e grandes clientes empresariais ou contrapartes das instituições financeiras.

O Sistema de Reserva Federal reúne órgãos federais e bancos regionais com organização própria e é "independente dentro do governo", sem estar fora da autoridade do Congresso. O sistema não depende de dotações do orçamento federal para financiar suas atividades. Sua autoridade e suas finalidades decorrem do Federal Reserve Act, aprovado pelo Congresso em 1913, que pode ser modificado ou revogado pelo próprio Congresso. Seus quatro componentes principais são o Conselho de Governadores, o Comitê Federal de Mercado Aberto, os doze bancos regionais da Reserva Federal e os bancos membros distribuídos pelo país.
| Número | Letra | Banco regional | Filiais | Site oficial | Presidente |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | A | Boston | bostonfed.org | Susan M. Collins | |
| 2 | B | Nova Iorque | newyorkfed.org | John C. Williams | |
| 3 | C | Filadélfia | philadelphiafed.org | Anna Paulson | |
| 4 | D | Cleveland | Cincinnati e Pittsburgh | clevelandfed.org | Beth M. Hammack |
| 5 | E | Richmond | Baltimore e Charlotte | richmondfed.org | Thomas Barkin |
| 6 | F | Atlanta | Birmingham, Jacksonville, Miami, Nashville e Nova Orleães | atlantafed.org | Cheryl Venable (interina) |
| 7 | G | Chicago | Detroit | chicagofed.org | Austan Goolsbee |
| 8 | H | St. Louis | Little Rock, Louisville e Memphis | stlouisfed.org | Alberto G. Musalem |
| 9 | I | Minneapolis | Helena | minneapolisfed.org | Neel Kashkari |
| 10 | J | Kansas City | Denver, Oklahoma City e Omaha | kansascityfed.org | Jeffrey Schmid |
| 11 | K | Dallas | El Paso, Houston e San Antonio | dallasfed.org | Lorie K. Logan |
| 12 | L | São Francisco | Los Angeles, Portland, Salt Lake City e Seattle | frbsf.org | Mary C. Daly |
Artigo principal: Conselho de Governadores da Reserva Federal.
O Conselho de Governadores possui sete integrantes e atua como órgão federal responsável pela supervisão dos doze bancos regionais, pela definição da política monetária nacional e pela regulamentação e fiscalização do sistema bancário norte-americano. Os governadores são indicados pelo presidente dos Estados Unidos e confirmados pelo Senado para mandatos de catorze anos, com início escalonado a cada dois anos, sempre em 1.º de fevereiro de um ano par. Quem cumpre um mandato integral não pode ser reconduzido a outro mandato completo. A lei determina que, após o término do mandato, os membros continuem a exercer o cargo até a nomeação e posse dos sucessores, e prevê sua destituição pelo presidente dos Estados Unidos por justa causa. O Conselho deve apresentar um relatório anual de atividades ao presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.
O presidente e o vice-presidente do Conselho são escolhidos pelo presidente dos Estados Unidos entre os governadores em exercício. Ambos têm mandato de quatro anos e podem ser reconduzidos sucessivamente, desde que seus mandatos como governadores continuem em vigor. Em 13 de maio de 2026, o Senado confirmou Kevin Warsh como o 17.º presidente do Fed, por 54 votos a 45, para suceder Jerome Powell, cujo mandato na presidência terminaria em 15 de maio de 2026.

Os membros do Conselho de Governadores na revisão de referência de outubro de 2026 eram:
| Retrato | Nome | Função oficial | Início do mandato | Término previsto |
|---|---|---|---|---|
| Kevin Warsh (presidente) | Presidente | 22 de maio de 2026, como presidente e governador | 21 de maio de 2030, como presidente; 31 de janeiro de 2040, como governador | |
| Philip Jefferson (vice-presidente) | Vice-presidente | 13 de setembro de 2023, como vice-presidente; 23 de maio de 2022, como governador | 7 de setembro de 2027, como vice-presidente; 31 de janeiro de 2036, como governador | |
| Michelle Bowman (vice-presidente de supervisão) | Vice-presidente de Supervisão | 9 de junho de 2025, como vice-presidente; 26 de novembro de 2018, como governadora (reconduzida em 2020) | 9 de junho de 2029, como vice-presidente; 31 de janeiro de 2034, como governadora | |
| Jerome Powell | Governador | 25 de maio de 2012 (reconduzido em 16 de junho de 2014) | 31 de janeiro de 2028 | |
| Christopher Waller | Governador | 18 de dezembro de 2020 | 31 de janeiro de 2030 | |
| Lisa D. Cook | Governadora | 23 de maio de 2022 (reconduzida em 1.º de fevereiro de 2024) | 31 de janeiro de 2038 | |
| Michael Barr | Governador | 19 de julho de 2022 | 31 de janeiro de 2032 |
O Comitê Federal de Mercado Aberto, conhecido pela sigla FOMC, possui doze membros votantes: os sete integrantes do Conselho de Governadores e cinco presidentes dos bancos regionais da Reserva Federal. O comitê supervisiona e define a política das operações de mercado aberto, um dos principais instrumentos da política monetária norte-americana, e dirige as operações cambiais executadas pela Reserva Federal.
Todos os presidentes dos bancos regionais participam da análise da economia e das alternativas de política monetária, mas apenas os cinco que integram o FOMC em determinado momento têm direito a voto. O próprio comitê define sua organização interna e tradicionalmente elege o presidente do Conselho de Governadores para presidi-lo e o presidente do Banco da Reserva Federal de Nova Iorque para a vice-presidência. Suas reuniões ordinárias costumam ocorrer oito vezes por ano em Washington, D.C. Entre economistas, há amplo consenso contrário à politização do FOMC.
O Federal Advisory Council (FAC), ou Conselho Consultivo Federal, foi criado pelo Federal Reserve Act de 1913 para oferecer ao Conselho de Governadores recomendações e perspectivas sobre o setor bancário e as economias regionais. É formado por um representante de cada um dos doze distritos da Reserva Federal e se reúne pelo menos quatro vezes ao ano em Washington, D.C., para discutir questões econômicas e bancárias. O representante de cada distrito é escolhido pelo conselho de administração de seu banco regional, geralmente entre altos executivos de bancos membros, de modo a incorporar perspectivas geográficas e institucionais distintas.


Os doze bancos regionais da Reserva Federal cuidam dos bancos membros de seus distritos e têm sede em Boston, Nova Iorque, Filadélfia, Cleveland, Richmond, Atlanta, Chicago, St. Louis, Minneapolis, Kansas City, Dallas e São Francisco. As dimensões dos distritos foram estabelecidas com base na distribuição da população dos Estados Unidos quando o Federal Reserve Act foi aprovado.
A constituição e a organização de cada banco regional são determinadas por lei e não podem ser modificadas por seus bancos membros. Cada banco tem um presidente, responsável por sua administração executiva, indicado pelo conselho de administração do próprio banco, sujeito à aprovação do Conselho de Governadores. Os presidentes cumprem mandatos de cinco anos e podem ser reconduzidos.

Os bancos membros são instituições privadas que detêm ações de seu banco regional da Reserva Federal, participação obrigatória para os bancos constituídos sob autorização federal. Os bancos constituídos segundo a legislação estadual podem optar pela participação no sistema, desde que satisfaçam determinados requisitos. A subscrição de ações exigida dos bancos membros equivale a 6% da soma do capital e das reservas patrimoniais, dos quais 3% devem ser integralizados e os 3% restantes ficam sujeitos a cobrança pelo banco regional. Cerca de 38% dos bancos norte-americanos são membros de seus bancos regionais da Reserva Federal.
A participação acionária num banco da Reserva Federal não equivale à propriedade de ações de uma companhia aberta: essas ações não podem ser vendidas nem negociadas e sua posse não confere aos bancos membros o controle sobre a instituição regional. A legislação fixou inicialmente em 10 bilhões de dólares o limite de ativos que distingue as faixas de dividendos, mas esse valor é reajustado anualmente. Em 2026, o limite regulamentar era de 13,182 bilhões de dólares: bancos até esse patamar recebiam dividendos anuais de 6% sobre o capital integralizado, enquanto os bancos acima dele recebiam a menor taxa entre 6% e o rendimento do leilão mais recente de títulos do Tesouro com vencimento em dez anos. O resultado excedente dos bancos regionais, depois das despesas e obrigações aplicáveis, é destinado ao Tesouro norte-americano quando há valores a transferir. Nos anos de prejuízo, esses repasses podem ser suspensos. Em 2015, esses bancos registraram lucro de 100,2 bilhões de dólares, distribuíram 2,5 bilhões em dividendos e devolveram 97,7 bilhões ao Tesouro.
Auditores externos escolhidos pelo comitê de auditoria do Sistema de Reserva Federal examinam regularmente o Conselho de Governadores e os bancos regionais. O Government Accountability Office, ou GAO também audita determinadas atividades do Conselho, mas sua competência não abrange a maior parte das ações e decisões de política monetária do Fed, inclusive empréstimos pela janela de redesconto, operações de mercado aberto e outras transações conduzidas sob a direção do FOMC, nem certas relações com governos estrangeiros e outros bancos centrais.
As demonstrações financeiras anuais e trimestrais do sistema seguem critérios contábeis definidos pelo Conselho da Reserva Federal, que não correspondem integralmente aos Princípios Contábeis Geralmente Aceitos, conhecidos pela sigla GAAP, nem aos padrões governamentais de contabilidade de custos. Os critérios de elaboração dos demonstrativos são estabelecidos no Financial Accounting Manual for the Federal Reserve Banks e os de contabilidade de custos, no Planning and Control System Manual. Desde 27 de agosto de 2012, o Conselho publica trimestralmente relatórios financeiros não auditados dos bancos regionais.
Em 7 de novembro de 2008, a Bloomberg L.P. ajuizou uma ação contra o Conselho de Governadores para obrigá-lo a revelar a identidade das empresas que receberam garantias durante a crise financeira de 2008. A Bloomberg venceu na primeira instância, e os recursos do Fed foram rejeitados pelo Tribunal Federal de Apelações do Segundo Circuito dos Estados Unidos e pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Os dados foram divulgados em 31 de março de 2011.
Artigos relacionados: Política monetária dos Estados Unidos e Sistema de reserva fracionária.
Política monetária é o conjunto de ações adotadas por um banco central, como a Reserva Federal, para influenciar a atividade econômica, especialmente a demanda agregada por bens e serviços, e alcançar os objetivos econômicos nacionais. O Federal Reserve Act de 1913 atribuiu ao Fed a autoridade para conduzir a política monetária dos Estados Unidos. Seu mandato costuma ser denominado mandato duplo: promover o máximo emprego e a estabilidade dos preços, entendida como uma meta de inflação de 2% ao ano no longo prazo, medida pelo índice PCE. A política monetária influencia a atividade econômica ao afetar o nível geral das taxas de juros, que, por meio do mecanismo de transmissão monetária, altera as decisões de consumo e investimento de famílias e empresas, bem como o emprego e a inflação.

A Reserva Federal conduz a política monetária influenciando a taxa de fundos federais, chamada federal funds rate em inglês e abreviada FFR, a taxa de juros dos empréstimos de saldos de reservas entre instituições bancárias. Esses juros são determinados no mercado interbancário, mas o Fed os influencia por meio dos instrumentos descritos na seção seguinte. A FFR é uma taxa de curto prazo que orienta as decisões do FOMC e afeta também as taxas de juros de prazo mais longo.
O FOMC influencia a taxa de fundos federais e o custo do crédito interbancário de curto prazo ao modificar os juros pagos sobre os saldos que os bancos mantêm na própria Reserva Federal. É pouco provável que um banco empreste a outro banco, ou mesmo a seus clientes, a juros inferiores aos que pode receber sobre suas reservas no Fed. Como os saldos de reservas são abundantes, um banco que queira tomar reservas emprestadas normalmente consegue fazê-lo sem pagar juros muito superiores à remuneração oferecida pelo banco central.
Alterações na meta da FFR afetam as condições financeiras por diferentes canais, inclusive mudanças nas taxas de juros aplicadas a empréstimos de curto e longo prazo, nos preços dos ativos financeiros e nas taxas de câmbio. Essas mudanças repercutem no consumo privado, nos investimentos e nas exportações líquidas. Ao reduzir ou elevar a meta dos fundos federais, a Reserva Federal pode estimular ou conter o crescimento da demanda por bens e serviços nos Estados Unidos.
A Reserva Federal utiliza quatro instrumentos principais para implementar a política monetária:
A Reserva Federal implementa boa parte da política monetária tomando como referência a taxa de fundos federais, que corresponde aos juros cobrados pelos bancos em empréstimos de reservas de um dia para o outro. A taxa efetiva é formada no mercado e não é estabelecida diretamente por imposição do Fed. Na reunião encerrada em 28 de outubro de 2026, o FOMC manteve a faixa-alvo em 3,75% a 4,00% ao ano, por dez votos a dois. Para manter a taxa efetiva nessa faixa, a instituição ajusta principalmente a remuneração das reservas. Em condições normais, o sistema costuma alterar a meta em intervalos de 0,25 ou 0,50 ponto percentual.
A taxa IORB remunera os recursos mantidos por bancos comerciais em contas de reservas nos bancos regionais do Fed. Trata-se de uma taxa administrada, fixada diretamente pelo banco central, ao contrário dos juros de mercado, determinados pela oferta e pela demanda. Como os bancos dificilmente emprestariam reservas no mercado de fundos federais por menos do que receberiam da Reserva Federal, a IORB orienta a taxa efetiva desse mercado e serve como principal instrumento da política monetária.
Artigo relacionado: Operações de mercado aberto.
As operações de mercado aberto consistem na compra e venda de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries. O Fed pode adquirir esses títulos diretamente ou por intermédio de negociantes primários, que mantêm contas em instituições depositárias.
Na década de 1980, as operações de mercado aberto passaram gradualmente a ser usadas para atingir um nível específico da taxa de fundos federais, mudança praticamente concluída no fim daquela década. Até a crise financeira de 2008, as operações de mercado aberto eram o principal instrumento utilizado pelo Fed para ajustar a oferta de reservas e manter a taxa de fundos federais próxima da meta. Esse arranjo ficou conhecido como regime de reservas limitadas. Depois da crise, a Reserva Federal adotou um regime de reservas abundantes, no qual pequenas mudanças na oferta de reservas por meio dessas operações deixaram de ser eficazes para influenciar a FFR. A instituição passou a depender das taxas por ela administradas, especialmente a IORB, e manteve as operações de mercado aberto para assegurar que as reservas permaneçam abundantes.
Artigo relacionado: Acordo de recompra.
Para atenuar variações temporárias ou cíclicas na oferta monetária, a mesa de operações do Fed realiza operações compromissadas, chamadas repurchase agreements ou repos em inglês, com negociantes primários. Na prática, são empréstimos de curto prazo garantidos por títulos. Na data da operação, o Fed deposita recursos na conta de reservas do negociante e recebe os títulos prometidos como garantia. No vencimento, devolve a garantia e debita da conta o principal e os juros acumulados. O prazo entre a liquidação e o vencimento pode variar de um dia, nas operações overnight, a 65 dias.
O Fed também estabelece diretamente a taxa de redesconto, os juros cobrados nos empréstimos realizados pela janela de redesconto, pelos quais bancos membros obtêm recursos diretamente do sistema. A diferença entre a taxa de crédito primário e a faixa-alvo da taxa de fundos federais varia conforme as decisões de política monetária. Em 28 de outubro de 2026, a taxa de crédito primário era de 4,00%, igual ao limite superior da faixa-alvo de 3,75% a 4,00%. No Banco Central Europeu, uma operação equivalente recebe o nome de facilidade permanente de cedência de liquidez, ou marginal lending facility em inglês. Tanto a taxa de redesconto quanto a taxa de fundos federais influenciam a prime rate, geralmente cerca de três pontos percentuais acima da taxa de fundos federais.
A Term Deposit Facility permite que os bancos regionais da Reserva Federal ofereçam depósitos a prazo remunerados a instituições elegíveis. Com esses depósitos, o Fed pode ajustar a quantidade total de reservas mantidas pelas instituições depositárias para executar a política monetária. Os recursos aplicados ficam retirados das contas de reservas das instituições durante o prazo contratado, reduzindo os saldos de reservas do sistema bancário.
O programa foi anunciado em 9 de dezembro de 2009, aprovado em 30 de abril de 2010 e entrou em vigor em 4 de junho de 2010. Em depoimento à Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, Ben Bernanke explicou que a facilidade poderia ser utilizada para reverter a expansão do crédito ocorrida durante a Grande Recessão, transferindo recursos dos mercados monetários para os bancos da Reserva Federal. Isso tenderia a elevar as taxas de juros de mercado e a conter a atividade econômica e a inflação. O Fed autorizou até cinco ofertas-piloto de pequeno valor em 2010. Após a conclusão bem-sucedida de três leilões, anunciou que as ofertas de pequeno valor continuariam regularmente.
A flexibilização quantitativa, chamada quantitative easing ou QE em inglês, é outro instrumento de política monetária do Fed. Nesse procedimento, a Reserva Federal compra grandes volumes de títulos financeiros, sobretudo títulos do Tesouro e títulos lastreados em hipotecas garantidos por agências federais, detidos por bancos ou outras instituições financeiras. Compras de obrigações empresariais também ocorreram por meio de programas emergenciais específicos, que não se confundem com as compras tradicionais de flexibilização quantitativa. A aquisição injeta recursos nessas instituições, permitindo a concessão de empréstimos e a continuidade de suas atividades. O rompimento da bolha imobiliária dos Estados Unidos levou o Fed a anunciar, em novembro de 2008, um programa que previa adquirir até 500 bilhões de dólares em títulos lastreados em hipotecas garantidos por agências e até 100 bilhões em obrigações diretas de instituições de financiamento habitacional. Em março de 2009, a autorização de compras de títulos hipotecários foi elevada para até 1,25 trilhão de dólares naquele ano, num esforço para estabilizar o crédito imobiliário. Esse montante equivalia a uma parcela considerável das hipotecas norte-americanas garantidas pelo governo.
As exigências de depósito compulsório, também chamadas de coeficiente de reservas obrigatórias, foram historicamente utilizadas pelo Sistema de Reserva Federal como instrumento de política monetária. O coeficiente estabelecia o saldo mínimo que as instituições depositárias deveriam manter nos bancos da Reserva Federal e era fixado pelo Conselho de Governadores. O coeficiente variou de acordo com as exigências adotadas em diferentes épocas.
Após a crise de 2008, a Reserva Federal começou a remunerar os saldos de reservas obrigatórias e excedentes das instituições depositárias, o que lhe deu maior capacidade para atuar nas condições dos mercados de crédito sem afastar a taxa de fundos federais da meta do FOMC. Com a introdução da remuneração das reservas excedentes, o depósito compulsório perdeu importância na implementação da política monetária. Em março de 2020, o coeficiente foi reduzido a zero para todos os bancos, eliminando a obrigação efetiva de manter reservas mínimas. A base legal, contudo, permanece e permite restabelecer a exigência no futuro.
Em resposta à crise das hipotecas subprime e à bolha imobiliária norte-americana, o Fed criou instrumentos adicionais. O primeiro, a Term Auction Facility, ou TAF, foi apresentado em 12 de dezembro de 2007 como medida temporária, embora tenha permanecido em funcionamento por um período prolongado. O segundo, a Term Securities Lending Facility, ou TSLF, foi anunciado em 11 de março de 2008. Enquanto a TAF injetava dinheiro no sistema bancário, a TSLF fornecia títulos do Tesouro.
O terceiro instrumento, a Primary Dealer Credit Facility, ou PDCF, foi anunciado em 16 de março de 2008. Com a PDCF, o Fed passou a emprestar diretamente a negociantes primários, o que sua política anterior não autorizava. A TAF oferecia recursos a prazo às instituições depositárias por leilões quinzenais, com volumes fixos. A TSLF leiloava empréstimos de títulos do Tesouro em troca de garantias elegíveis, inclusive determinados títulos privados lastreados em hipotecas residenciais com classificação elevada. A PDCF permitia que negociantes primários elegíveis tomassem crédito garantido por ativos, com vencimento no dia seguinte, à taxa de redesconto então em vigor. Algumas dessas medidas não eram utilizadas desde a Grande Depressão.
O Fed anunciou a TAF em 12 de dezembro de 2007 como um programa de leilões de financiamento a prazo para instituições depositárias, em coordenação com o Banco do Canadá, o Banco da Inglaterra, o Banco Central Europeu e o Banco Nacional Suíço, para enfrentar pressões extraordinárias nos mercados de financiamento de curto prazo. Os bancos receavam emprestar uns aos outros por medo de inadimplência, enquanto instituições que precisavam de recursos evitavam a janela de redesconto devido ao estigma de uma possível falência. A TAF preservava a identidade dos tomadores para reduzir esse estigma.
O Fed também estabeleceu linhas de swap cambial com o Banco Central Europeu e o Banco Nacional Suíço, permitindo que bancos europeus obtivessem dólares norte-americanos. O último leilão da TAF ocorreu em 8 de março de 2010.
A TSLF oferecia a negociantes primários do Banco da Reserva Federal de Nova Iorque empréstimos de títulos do Tesouro por 28 dias em troca de outras garantias elegíveis. Procurava melhorar a liquidez dos mercados de financiamento de títulos do Tesouro e de outros ativos aceitos como garantia, favorecendo o funcionamento do sistema financeiro. A TSLF operava dentro do mercado norte-americano, enquanto a coordenação com os bancos centrais do Canadá, do Reino Unido, da zona do euro e da Suíça ocorreu por outras medidas paralelas de liquidez, como os acordos de swap cambial. Os negociantes podiam trocar dívidas menos líquidas por títulos públicos norte-americanos mais fáceis de negociar. As linhas de swap cambial com o Banco Central Europeu e o Banco Nacional Suíço também foram ampliadas. A TSLF foi encerrada em 1.º de fevereiro de 2010.
A PDCF era uma linha de empréstimos de um dia para o outro que fornecia recursos a negociantes primários mediante garantias aceitas pelo programa. Buscava favorecer o funcionamento dos mercados financeiros. A facilidade de 2008 foi encerrada em 1.º de fevereiro de 2010, juntamente com outras medidas adotadas durante a crise. Uma nova PDCF foi introduzida em março de 2020 para enfrentar perturbações de mercado relacionadas à pandemia de COVID-19, mas deixou de conceder empréstimos em 2021.
A Asset-Backed Commercial Paper Money Market Mutual Fund Liquidity Facility, abreviada ABCPMMMFLF e também chamada de AMLF, começou a operar em 22 de setembro de 2008 e foi encerrada em 1.º de fevereiro de 2010. Podiam tomar empréstimos por meio da facilidade instituições depositárias norte-americanas, holdings bancárias e determinadas filiais e agências de bancos estrangeiros situadas nos Estados Unidos, conforme os critérios de elegibilidade aplicados pelo banco regional responsável.
Os ativos oferecidos como garantia precisavam satisfazer as seguintes condições:
Em 7 de outubro de 2008, a Reserva Federal ampliou os ativos aceitos como garantia em operações de crédito, passando a incluir papel comercial por meio da Commercial Paper Funding Facility, ou CPFF. Com a CPFF, o Fed passou a fornecer crédito também a empresas não financeiras, além de bancos comerciais e empresas de investimento. Os dirigentes afirmaram que comprariam tantos títulos de dívida quantos fossem necessários para que o mercado voltasse a funcionar, sem especificar um valor. Estimavam que aproximadamente 1,3 trilhão de dólares em papel comercial seria elegível. Em 1.º de outubro de 2008, o saldo de papel comercial em circulação, ajustado sazonalmente, era de 1,61 trilhão de dólares, abaixo dos 1,70 trilhão da semana anterior. Desde o verão de 2007, o mercado havia encolhido de mais de 2,2 trilhões de dólares.
O programa concedeu um total de 738 bilhões de dólares em empréstimos antes de ser encerrado. Das 81 empresas participantes, 45 eram estrangeiras. As empresas beneficiadas pelo Troubled Asset Relief Program, ou TARP, tinham o dobro da probabilidade de participar da CPFF em comparação com outros emissores de papel comercial que não haviam recebido assistência do programa. O Fed não registrou perdas com a CPFF.
Em resposta às perturbações econômicas causadas pela pandemia de COVID-19, a Reserva Federal restabeleceu a CPFF em 17 de março de 2020 para manter o fluxo de crédito a famílias e empresas por meio da aquisição de papel comercial elegível. Inspirada na facilidade criada durante a crise de 2008, a nova operação buscou estabilizar esse mercado. Ela deixou de operar em 31 de março de 2021 e permanecia desativada em abril de 2025.
A Term Asset-Backed Securities Loan Facility, ou TALF, foi anunciada em 25 de novembro de 2008 e lançada em março de 2009, em colaboração com o Departamento do Tesouro, para estimular o crédito a consumidores e empresas. O programa concedia empréstimos sem direito de regresso aos investidores para adquirir títulos lastreados em ativos, conhecidos pela sigla ABS, como financiamentos de automóveis, empréstimos estudantis e recebíveis de cartões de crédito, com o objetivo de aumentar a liquidez desses mercados. A facilidade deixou de oferecer novos empréstimos em junho de 2010 e foi totalmente encerrada até 2015. Diferentemente de outros programas criados durante a crise de 2008, concentrou-se nos mercados de títulos lastreados em ativos, e não na provisão direta de liquidez ao sistema bancário.
| Período | Sistema |
|---|---|
| 1782–1791 | Bank of North America (de fato, sob o Congresso da Confederação) |
| 1791–1811 | Primeiro Banco dos Estados Unidos |
| 1811–1816 | Sem banco central |
| 1816–1836 | Segundo Banco dos Estados Unidos |
| 1837–1862 | Era dos Bancos Livres |
| 1846–1921 | Sistema do Tesouro Independente |
| 1863–1913 | Sistema de bancos nacionais |
| Desde 1913 | Sistema de Reserva Federal |
A primeira tentativa de criação de uma moeda nacional ocorreu durante a Guerra de Independência dos Estados Unidos. Em 1775, o Congresso Continental e os governos estaduais começaram a emitir cédulas chamadas Continentals, garantidas apenas por futuras receitas tributárias e utilizadas para financiar a guerra. A emissão excessiva e a falsificação de cédulas pelos britânicos fizeram seu valor cair rapidamente.
Após os problemas enfrentados com o papel-moeda, em 16 de agosto de 1787 os representantes retiraram de uma versão preliminar da Constituição dos Estados Unidos o poder federal de emitir títulos de crédito usados como moeda. Em 28 de agosto, também proibiram os estados de emitir esse tipo de papel-moeda e restringiram seu poder de reconhecer como moeda de curso legal outros instrumentos que não moedas de ouro ou prata.
Em 1791, o governo autorizou o Primeiro Banco dos Estados Unidos a atuar como banco central até 1811. A instituição deixou de funcionar como tal durante a presidência de James Madison, quando o Congresso se recusou a renovar sua autorização. O Segundo Banco dos Estados Unidos foi criado em 1816, mas perdeu a prerrogativa de banco central duas décadas depois, durante o governo de Andrew Jackson, quando sua autorização expirou. Ambos foram inspirados no Banco da Inglaterra. Em 1913, um terceiro sistema nacional de banco central, a Reserva Federal, foi finalmente instituído.
O Primeiro Banco dos Estados Unidos, primeira instituição norte-americana com funções de banco central, recebeu autorização aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente George Washington em 25 de fevereiro de 1791, por iniciativa de Alexander Hamilton, apesar da forte oposição de Thomas Jefferson, James Madison e outros políticos. A autorização tinha validade de vinte anos e expirou em 1811, quando o Congresso rejeitou sua renovação.
Em 1816, durante a presidência de Madison, foi criado o Segundo Banco dos Estados Unidos para retomar a experiência de um banco nacional. Anos depois, a tentativa de antecipar a renovação da autorização do banco tornou-se uma questão central na campanha de reeleição de Andrew Jackson. Depois de reeleito, Jackson, contrário à existência de um banco central, retirou os depósitos do governo federal da instituição. Foi o único presidente norte-americano a quitar integralmente a dívida pública, mas suas medidas para extinguir o banco ajudaram a provocar o Pânico de 1837. A autorização não foi renovada em 1836, e a instituição se dissolveu após alguns anos de atividade como empresa privada.
Entre 1837 e 1862, durante a chamada Era dos Bancos Livres, não existiu um banco central formal. De 1846 a 1921, funcionou o sistema do Tesouro Independente. Em 1863, a legislação bancária nacional estabeleceu um sistema de bancos autorizados pelo governo federal, vigente até 1913, durante o qual ocorreram crises bancárias em 1873, 1893 e 1907.
O principal impulso para a criação do terceiro sistema de banco central veio do Pânico de 1907, que reacendeu entre legisladores, economistas e banqueiros o interesse por uma reforma abrangente do sistema monetário. No último quarto do século XIX e no início do XX, a economia dos Estados Unidos atravessou sucessivas crises financeiras. Para muitos economistas, o antigo sistema de bancos nacionais tinha dois grandes problemas: uma oferta de moeda pouco elástica e a falta de liquidez. Em 1908, o Congresso aprovou a Aldrich–Vreeland Act, que permitia emitir moeda de emergência e instituiu a National Monetary Commission, encarregada de estudar reformas bancárias e monetárias. Suas recomendações foram rejeitadas repetidas vezes pelo Congresso.
Uma versão revisada do projeto, elaborada numa reunião reservada na ilha Jekyll entre o senador Nelson W. Aldrich e representantes de grandes grupos financeiros e industriais, foi aproveitada na elaboração do Federal Reserve Act.
A National Monetary Commission era presidida por Nelson Aldrich, especialista em finanças e líder republicano no Senado. Aldrich organizou duas comissões: uma para examinar em profundidade o sistema monetário norte-americano e outra, sob sua própria presidência, para estudar os bancos centrais europeus e apresentar um relatório sobre seu funcionamento.
No início de novembro de 1910, Aldrich se reuniu com cinco integrantes conhecidos da comunidade bancária nova-iorquina para elaborar um projeto de lei sobre o banco central. Paul Warburg, participante do encontro e defensor antigo de um banco central nos Estados Unidos, escreveu posteriormente que Aldrich estava impressionado com tudo o que havia aprendido no exterior e enfrentava a tarefa difícil de redigir um projeto tecnicamente complexo enquanto cumpria seus deveres parlamentares. Após dez dias de discussões, os participantes chegaram a um acordo sobre um texto que seria conhecido como Plano Aldrich.
A proposta previa um banco central sediado em Washington, com quinze filiais distribuídas por pontos geograficamente estratégicos do país, além de uma moeda nacional elástica, baseada no ouro e em papel comercial. Aldrich considerava preferível um banco central livre de participação política, mas Warburg o convenceu de que uma instituição sem qualquer controle público seria inviável politicamente. O compromisso resultante incluía representantes do setor público no conselho de administração.
O plano de Aldrich enfrentou oposição de críticos que o acusavam de favorecer banqueiros ricos, como J. P. Morgan e John D. Rockefeller Jr., seu genro. A maioria dos republicanos apoiava o plano, mas ele não obteve votos suficientes para ser aprovado porque representantes dos estados rurais e do oeste o consideravam excessivamente favorável às elites financeiras do leste. Democratas progressistas defendiam um sistema de reservas pertencente ao governo e administrado por ele, por acreditarem que a propriedade pública do banco central encerraria o controle de Wall Street sobre a oferta de moeda norte-americana. Os democratas conservadores preferiam um sistema descentralizado e privado, mas igualmente livre do domínio de Wall Street.
A versão original do Plano Aldrich perdeu viabilidade em 1912, quando os democratas conquistaram a Presidência e o Congresso. Ainda assim, o presidente Woodrow Wilson considerava que a proposta poderia funcionar com algumas alterações. O plano serviu de base ao Federal Reserve Act, apresentado pelo senador Robert Latham Owen em maio de 1913. A principal diferença entre os projetos era a transferência para o governo do controle do conselho dirigente do sistema proposto.
A lei foi aprovada pelo Congresso em 23 de dezembro de 1913, numa votação marcada pela divisão partidária: a maioria dos democratas votou a favor e a maioria dos republicanos, contra. A Câmara dos Representantes aprovou o projeto em 22 de dezembro, por 298 votos a 60, e o Senado o aprovou no dia seguinte, por 43 votos a 25. Wilson sancionou o texto ainda em 23 de dezembro.
Entre as principais leis que afetaram a Reserva Federal estão:
A lei bancária de 1935 estabeleceu a estrutura moderna do Fed e colocou as decisões de política monetária fora do controle direto do presidente dos Estados Unidos, consolidando a independência da instituição.
A Reserva Federal coleta e publica dados econômicos nas páginas de pesquisas do Conselho de Governadores, em relatórios estatísticos, em séries históricas e no portal Federal Reserve Economic Data, ou FRED, mantido pelo Banco da Reserva Federal de St. Louis. O FOMC examina indicadores de emprego, preços e atividade econômica antes de definir a política monetária. Parte dos dados compilados pelo Fed recebeu críticas de economistas. A instituição também financia pesquisas em economia monetária nos Estados Unidos, e o economista Lawrence H. White argumenta que isso poderia reduzir a disposição dos pesquisadores para publicar resultados contrários às políticas predominantes.

O patrimônio líquido de famílias e organizações sem fins lucrativos nos Estados Unidos é publicado pela Reserva Federal no relatório Flow of Funds. No fim do terceiro trimestre de 2012, o patrimônio líquido atingia 64,8 trilhões de dólares. Ao término do primeiro trimestre de 2014, os ativos totais, antes da dedução das dívidas, chegavam a 95,5 trilhões de dólares, valor que não corresponde ao patrimônio líquido. No quarto trimestre de 2024, o patrimônio líquido dessas famílias e entidades foi calculado em 169,4 trilhões de dólares na divulgação de março de 2025, sujeito a revisões posteriores das séries. No segundo trimestre de 2026, o valor alcançou 195,9 trilhões de dólares, impulsionado pela valorização das ações de empresas.
Artigo relacionado: Oferta monetária.

As designações M0, M1, M2 e M3 foram usadas em diferentes classificações da oferta monetária, do conceito mais restrito ao mais amplo. Nas divulgações regulares, o Fed publica principalmente os agregados M1 e M2, além de dados sobre a base monetária. As definições históricas e atuais nos Estados Unidos podem ser comparadas da seguinte forma:
| Agregado | Definição |
|---|---|
| M0 | Designação empregada em algumas classificações históricas para a moeda física e, conforme a definição, outros componentes próximos da base monetária. O Fed não a apresenta atualmente como agregado oficial M0 no relatório H.6. |
| M1 | Dinheiro físico fora do Tesouro, dos bancos da Reserva Federal e dos caixas das instituições depositárias, acrescido dos depósitos à vista e de outros depósitos líquidos, inclusive depósitos de poupança segundo a definição adotada desde 2020. |
| M2 | M1, acrescido dos depósitos a prazo de pequeno valor, como certificados de depósito inferiores a 100 mil dólares, e dos saldos dos fundos do mercado monetário de varejo, com os ajustes aplicáveis a contas de aposentadoria. As contas de poupança já integram o M1 na definição atual. |
| M3 | M2, acrescido dos demais certificados de depósito, depósitos de eurodólares e operações compromissadas. |
A Reserva Federal deixou de divulgar estatísticas de M3 em março de 2006, alegando que a coleta era dispendiosa e oferecia poucas informações adicionais de utilidade prática. O Fed continua a publicar M1 e M2, bem como a base monetária, mas não publica M0 como um dos agregados monetários principais.

O índice de preços das despesas de consumo pessoal, chamado em inglês personal consumption expenditures price index ou PCE, é uma das medidas utilizadas para acompanhar o poder de compra da moeda. Abrange a variação média dos preços de bens e serviços destinados ao consumo pessoal nos Estados Unidos. É calculado a partir de diferentes fontes, incluindo o índice de preços ao consumidor e o índice de preços ao produtor, e deriva das despesas de consumo pessoal registradas nas contas nacionais do Bureau of Economic Analysis, a maior componente do produto interno bruto norte-americano.
A Reserva Federal busca manter os preços estáveis, e sua capacidade de conter a inflação é usada para avaliar os resultados da política monetária no longo prazo. Embora a instituição não seja obrigada por lei a manter a inflação dentro de uma faixa específica, descrições históricas dos objetivos do Fed mencionavam valores entre 1,5% e 2% para o crescimento do índice PCE, em meio a debates sobre a conveniência de uma política explícita de metas de inflação. Em 2012, o FOMC estabeleceu a meta explícita de 2% no longo prazo. A estratégia adotada em 2020 buscava uma inflação média de 2% ao longo do tempo, admitindo períodos acima da meta após inflação persistentemente baixa. A revisão de agosto de 2025 abandonou essa compensação por inflação passada e voltou à estratégia flexível de metas, mantendo a meta anual de 2% medida pelo índice PCE.
A maioria dos economistas convencionais defende uma inflação baixa e estável, e a economista Diane C. Swonk, que atuou como consultora do Fed, do Congressional Budget Office e do Conselho de Assessores Econômicos, comparou em 2022 o problema da inflação ao de uma doença que pode se tornar mais grave se não for enfrentada a tempo, ainda que o tratamento inicial seja doloroso.
Uma inflação baixa, em vez de nula ou negativa, pode reduzir a gravidade das recessões ao permitir ajustes mais rápidos do mercado de trabalho durante uma queda da atividade e diminuir o risco de uma armadilha de liquidez impedir a política monetária de estabilizar a economia. A responsabilidade de manter a inflação baixa e estável geralmente é atribuída às autoridades monetárias.

A Reserva Federal custeia suas atividades com receitas próprias, historicamente obtidas em grande parte dos juros recebidos sobre carteiras de títulos do Tesouro e de títulos garantidos por hipotecas, adquiridos em operações de mercado aberto. O resultado financeiro considera ganhos e perdas na carteira e, sobretudo após a elevação dos juros em 2022, despesas com a remuneração das reservas bancárias, que podem superar os rendimentos dos ativos. O restante resulta da prestação de serviços financeiros, como processamento de cheques e pagamentos eletrônicos, e dos empréstimos concedidos por meio da janela de redesconto.
Nos relatórios anuais que envia ao Congresso, o Conselho de Governadores apresenta demonstrativos financeiros com receitas, despesas e resultado líquido, além dos dados de pessoal de todo o sistema, reunidos no Annual Report. O Annual Report: Budget Review apresenta os gastos dos órgãos e bancos regionais do sistema.


A Reserva Federal transfere ao Tesouro dos Estados Unidos parte das receitas de juros obtidas em suas operações. A maior parte dos ativos do Fed consiste em títulos do Tesouro norte-americano e títulos lastreados em hipotecas, adquiridos sobretudo nas políticas de flexibilização quantitativa posteriores à crise financeira de 2007–2008. Em junho de 2022, a instituição começou a reduzir a carteira de ativos por meio do aperto quantitativo, chamado quantitative tightening ou QT em inglês, principalmente ao deixar vencer títulos sem reinvestir integralmente o principal, e não por vendas rotineiras no mercado secundário. Essa redução foi encerrada em 1.º de dezembro de 2025, quando o Fed passou a reinvestir os vencimentos e a realizar compras de títulos de curto prazo para manter reservas abundantes.
Antes do ciclo de alta dos juros iniciado em 2022, o Fed chegou a transferir ao Tesouro valores próximos de 100 bilhões de dólares por ano. Com o aumento das despesas com juros e a alteração do resultado financeiro dos bancos regionais, os repasses regulares foram interrompidos, embora os valores efetivamente transferidos possam variar entre bancos e exercícios. Em 2023, registrou resultado líquido negativo de 114,3 bilhões de dólares e um ativo diferido de 133,3 bilhões de dólares associado à rubrica Interest on Federal Reserve notes due to U.S. Treasury. Esse saldo corresponde às receitas líquidas futuras que precisarão ser acumuladas antes que as transferências possam ser retomadas. A contabilização do ativo diferido não limita a capacidade do Fed de executar a política monetária ou de cumprir suas obrigações. Em uma projeção de 2023, estimou-se que o saldo persistiria até meados de 2027, previsão que não representa um resultado efetivamente apurado. No encerramento de 2025, o balanço auditado dos bancos regionais registrava prejuízo líquido de 18,761 bilhões de dólares antes das provisões para remessas ao Tesouro e ativo diferido de 243,481 bilhões de dólares relativo a essas remessas.



O balanço patrimonial da Reserva Federal reúne os ativos, como títulos e empréstimos, e os passivos, como depósitos e papel-moeda em circulação. A seção 11 do Federal Reserve Act determina que o Conselho de Governadores publique semanalmente a Consolidated Statement of Condition of All Federal Reserve Banks, com a situação de cada um dos bancos regionais e o balanço consolidado do sistema. O conselho determina que as receitas excedentes dos bancos regionais sejam transferidas ao Tesouro como juros sobre as notas emitidas pela Reserva Federal.
O balanço é divulgado às quintas-feiras. As tabelas seguintes apresentam a posição de 8 de abril de 2021, em bilhões de dólares.
| Item | Valor |
|---|---|
| Reservas de ouro | 11,04 |
| Conta de certificados de direitos especiais de saque | 5,20 |
| Moeda emitida pelo Tesouro em circulação (moedas metálicas) | 1,46 |
| Títulos, prêmios e descontos não amortizados, operações compromissadas e empréstimos | 7.550,43 |
| Títulos mantidos diretamente | 7.146,06 |
| Títulos do Tesouro dos Estados Unidos | 4.959,03 |
| Letras do Tesouro | 326,04 |
| Notas e obrigações, valor nominal | 4.251,66 |
| Notas e obrigações indexadas à inflação | 334,76 |
| Compensação pela inflação | 46,57 |
| Títulos de dívida de agências federais | 2,35 |
| Títulos lastreados em hipotecas | 2.184,68 |
| Prêmios não amortizados sobre títulos mantidos diretamente | 351,11 |
| Descontos não amortizados sobre títulos mantidos diretamente | −9,56 |
| Operações compromissadas | 0 |
| Empréstimos | 62,81 |
| Ativos líquidos da carteira da Commercial Paper Funding Facility II LLC | 8,56 |
| Ativos líquidos da carteira da Corporate Credit Facilities LLC | 25,94 |
| Ativos líquidos da carteira da MS Facilities LLC (Main Street Lending Program) | 30,96 |
| Ativos líquidos da carteira da Municipal Liquidity Facility LLC | 11,41 |
| Ativos líquidos da carteira da TALF II LLC | 5,28 |
| Valores em processo de compensação | 0,04 |
| Instalações bancárias | 1,91 |
| Operações de swap cambial de liquidez entre bancos centrais | 0,87 |
| Ativos denominados em moedas estrangeiras | 21,37 |
| Outros ativos | 34,42 |
| Total dos ativos | 7.708,88 |
| Item | Valor |
|---|---|
| Notas da Reserva Federal, excluídas as mantidas pelos próprios bancos do sistema | 2.101,19 |
| Operações compromissadas reversas | 272,07 |
| Depósitos | 5.234,02 |
| Depósitos a prazo de instituições depositárias | 0 |
| Outros depósitos de instituições depositárias | 3.944,06 |
| Conta geral do Tesouro dos Estados Unidos | 954,97 |
| Depósitos oficiais estrangeiros | 32,25 |
| Outros depósitos | 302,74 |
| Valores diferidos em processo de compensação | 0,15 |
| Contribuições do Tesouro a programas de crédito | 51,78 |
| Outros passivos e dividendos a pagar | 10,40 |
| Total dos passivos | 7.669,62 |
| Item | Valor |
|---|---|
| Capital integralizado | 32,48 |
| Superávit | 6,79 |
| Outros componentes do capital | 0 |
| Total do capital | 39,27 |
| Item | Valor |
|---|---|
| Títulos negociáveis mantidos sob custódia para contas oficiais estrangeiras e internacionais | 3.548,94 |
| Títulos negociáveis do Tesouro dos Estados Unidos | 3.114,90 |
| Títulos de dívida de agências federais e títulos lastreados em hipotecas | 346,41 |
| Outros títulos | 87,62 |
| Títulos emprestados a operadores do mercado | 40,45 |
| Operações de um dia | 40,45 |
| Títulos do Tesouro dos Estados Unidos | 40,45 |
| Títulos de dívida de agências federais | 0 |
O demonstrativo também apresenta os ativos oferecidos como garantia das notas da Reserva Federal em circulação:
| Item | Valor |
|---|---|
| Notas da Reserva Federal em circulação | 2.255,55 |
| Menos: notas mantidas pelos bancos da Reserva Federal | 154,35 |
| Notas da Reserva Federal a serem garantidas | 2.101,19 |
| Garantias vinculadas às notas da Reserva Federal | 2.101,19 |
| Conta de certificados de ouro | 11,04 |
| Conta de certificados de direitos especiais de saque | 5,20 |
| Títulos do Tesouro, dívidas de agências e títulos lastreados em hipotecas oferecidos como garantia | 2.084,96 |
| Outros ativos oferecidos como garantia | 0 |
Em agosto de 2024, os ativos totais registrados no balanço da Reserva Federal somavam 7,139 trilhões de dólares. Em 28 de outubro de 2026, o balanço consolidado semanal H.4.1 registrava ativos totais de 6,746 trilhões de dólares, arredondados de 6.745.635 milhões.
Artigos relacionados: Críticas ao Sistema de Reserva Federal e Causas da Grande Depressão.



As decisões monetárias da Reserva Federal, a transparência de suas atividades e sua atuação em crises financeiras provocam críticas desde a fundação do sistema, em 1913. Alguns críticos consideram que políticas expansionistas, como a redução das taxas de juros e a ampliação da oferta monetária, podem provocar inflação, bolhas de preços de ativos e distorções econômicas.
O economista Milton Friedman criticou a atuação do Fed no início da Grande Depressão, por considerar que a falta de liquidez fornecida aos bancos agravou a crise. Hans Sennholz considerava a criação da instituição um erro do Congresso e atribuía a ela parte da instabilidade monetária de décadas posteriores.
Políticos libertários, especialmente Ron Paul, têm exigido maior fiscalização e transparência, inclusive auditorias destinadas a verificar se a instituição atua no interesse público, e não apenas em benefício de grandes bancos. Rand Paul também questiona a proximidade entre dirigentes do Fed e o setor financeiro, por entender que ela pode gerar conflitos de interesses e decisões favoráveis a Wall Street.
Economistas associados à Escola Austríaca, entre eles Ludwig von Mises e Murray Rothbard, atribuem à ruptura com o padrão-ouro, em 1971, e ao uso de moeda fiduciária parte da instabilidade do sistema monetário moderno. Ron Paul defende abolir o Fed e restaurar o padrão-ouro. A resposta da instituição à crise financeira de 2008 também gerou críticas: para seus opositores, o socorro a grandes bancos e outras entidades financeiras criou risco moral e pode ter agravado os problemas do sistema financeiro.
Durante a pandemia de COVID-19, políticas como o aumento das reservas bancárias, as compras de ativos e a manutenção de juros próximos de zero até março de 2022 foram criticadas por economistas, especialmente monetaristas, porque poderiam ter alimentado a alta da inflação nos Estados Unidos. Uma parte das críticas atribuiu à resposta à pandemia a ampliação do risco moral e o enfraquecimento da independência do Fed. Scott Minerd, então diretor de investimentos da Guggenheim Investments, argumentou que as intervenções de 2020 transferiam riscos de crédito ao conjunto da sociedade, pois o preço dos empréstimos passaria a depender da disposição do banco central em comprá-los. Em 2021, a Reserva Federal reformulou suas regras de negociação de ativos após operações de dois dirigentes de alto escalão suscitarem questionamentos éticos.
|isbn= (ajuda)Em português
Em inglês
Em português
Em inglês