Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos

Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos
O Eccles Building, em Washington, D.C., sede do Sistema de Reserva Federal
Banco central dos Estados Unidos
SedeEccles Building, Washington, D.C., Estados Unidos
Estabelecido23 de dezembro de 1913 (112 anos)
PresidenteKevin Warsh
MoedaDólar dos Estados Unidos (USD)
Taxa básica bancária4,00% (crédito primário, outubro de 2026)
Websitewww.federalreserve.gov
Bandeira do Sistema de Reserva Federal.

O Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (em inglês, Federal Reserve System), conhecido como Reserva Federal (Federal Reserve) ou simplesmente Fed, é o banco central dos Estados Unidos, criado em 23 de dezembro de 1913 para enfrentar crises bancárias e organizar a oferta de moeda no país. Suas atribuições foram ampliadas após a Grande Depressão dos anos 1930 e a crise financeira de 2008.

A Reserva Federal conduz a política monetária norte-americana para promover o máximo emprego, manter os preços estáveis e favorecer juros moderados no longo prazo. Suas decisões afetam o custo dos empréstimos, os investimentos e o consumo de famílias e empresas. O Fed também supervisiona instituições financeiras, participa do sistema nacional de pagamentos e presta serviços bancários ao governo federal.

O sistema reúne um Conselho de Governadores, sediado em Washington, doze bancos regionais e o Comitê Federal de Mercado Aberto, responsável pelas decisões de política monetária. O Congresso dos Estados Unidos estabelece suas atribuições e fiscaliza suas atividades, mas o Fed toma as decisões monetárias com autonomia em relação ao governo. A atuação da instituição durante crises e a transparência de suas decisões são temas recorrentes de debate.

Finalidades

Após sucessivas crises bancárias nos Estados Unidos, especialmente o Pânico de 1907, o Congresso aprovou o Federal Reserve Act em 1913. A principal justificativa declarada para a criação do sistema era enfrentar os pânicos bancários. Outros objetivos enunciados na lei eram fornecer uma moeda de oferta elástica, criar meios para o redesconto de papel comercial e estabelecer uma supervisão bancária mais eficaz nos Estados Unidos.

As responsabilidades atribuídas ao Fed abrangem:

Bancos de reservas fracionárias

Ver também: Corrida aos bancos e Sistema de reserva fracionária.

Os bancos empregam grande parte dos depósitos de seus clientes em empréstimos e investimentos, mantendo apenas uma parcela disponível para saques. Nos Estados Unidos, as instituições bancárias historicamente tiveram de manter reservas, constituídas por dinheiro e depósitos em outros bancos, equivalentes a uma fração de suas obrigações perante os depositantes. Essa prática é conhecida como sistema de reserva fracionária. Em ocasiões excepcionais, quando um número muito grande de clientes retira os depósitos ao mesmo tempo, um banco pode deixar de conseguir operar por conta própria. Esse fenômeno é chamado de corrida bancária e pode produzir graves problemas sociais e econômicos. O Sistema de Reserva Federal foi concebido para prevenir ou reduzir a ocorrência dessas corridas e, quando necessário, atuar como emprestador de última instância.

O economista Milton Friedman, laureado com o Prêmio Nobel de Economia, e outros autores criticaram a recusa da Reserva Federal em emprestar recursos a pequenos bancos durante as corridas bancárias de 1929. Friedman considerava que essa decisão agravou a Grande Depressão.

Sistema de compensação de cheques

Antes da criação do Fed, em períodos de incerteza econômica, alguns bancos se recusavam a compensar cheques emitidos por determinadas outras instituições, e a interrupção desses pagamentos levou a falências bancárias em larga escala no início do século XX. Por esse motivo, o Sistema de Reserva Federal instituiu um mecanismo nacional de compensação de cheques. A Reserva Federal também pode receber e transportar cheques fisicamente.

Emprestador de última instância

O Fed atua como emprestador de última instância para instituições que não conseguem obter crédito em outras fontes e cuja falência teria consequências graves para a economia. Assumiu essa função das câmaras privadas de compensação, que a exerciam durante a chamada Era dos Bancos Livres, chamada Free Banking Era em inglês. A disponibilidade de liquidez destina-se a impedir corridas bancárias.

Flutuações

Os bancos regionais da Reserva Federal fornecem liquidez para que as instituições bancárias atendam a necessidades de curto prazo causadas por flutuações sazonais dos depósitos ou saques inesperados, por intermédio da janela de redesconto e de outras operações de crédito. Em circunstâncias excepcionais, também podem disponibilizar liquidez por prazos maiores. Os juros cobrados pelo Fed nesses empréstimos são chamados de taxa de redesconto, oficialmente taxa de crédito primário. Os empréstimos amortecem flutuações imprevistas na oferta e na demanda de reservas, favorecem o funcionamento do sistema bancário, aliviam pressões sobre o mercado de reservas e reduzem movimentos inesperados das taxas de juros. Em 16 de setembro de 2008, por exemplo, o Conselho da Reserva Federal autorizou um empréstimo de até 85 bilhões de dólares para evitar a falência da seguradora American International Group, ou AIG.

Banco central

Artigo relacionado: Banco central.

Anverso de uma cédula de um dólar emitida pela Reserva Federal em 2021.

Ao manter contas para instituições financeiras e executar pagamentos do governo federal, o Fed exerce as funções de "banco dos bancos" e de "banco do governo". Essas atividades dão suporte ao sistema de pagamentos e movimentam trilhões de dólares em operações do governo. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos mantém uma conta corrente no Fed, pela qual passam receitas tributárias federais e pagamentos do governo.

Nessa relação, a Reserva Federal vende e resgata títulos públicos, como títulos de poupança, letras do Tesouro e obrigações públicas. Também emite as cédulas da Reserva Federal e organiza a distribuição de papel-moeda e moedas metálicas. A autoridade emissora das moedas metálicas é a Casa da Moeda dos Estados Unidos, vinculada ao Departamento do Tesouro, que também as fabrica. O Bureau of Engraving and Printing, igualmente vinculado ao Tesouro, imprime as cédulas. Os bancos da Reserva Federal obtêm as cédulas pelo custo de produção e as moedas metálicas pelo valor de face. Os bancos regionais distribuem as cédulas e moedas às demais instituições financeiras. No exercício fiscal de 2020, o Bureau of Engraving and Printing entregou 5,8 bilhões de cédulas, a um custo médio de aproximadamente 5,62 centavos de dólar por unidade.

Fundos federais

Os fundos federais, chamados de federal funds em inglês e formalmente denominados depósitos na Reserva Federal, são os saldos de reservas mantidos pelos bancos privados em seus bancos regionais da Reserva Federal. Esses saldos dão nome às reservas do sistema. Manter fundos num banco da Reserva Federal permite aos bancos privados emprestar recursos entre si. O Fed orienta parte da política monetária ao influenciar os juros cobrados nesses empréstimos entre instituições. As contas na Reserva Federal contêm crédito da própria instituição, que pode ser convertido em cédulas do Federal Reserve.

Regulador bancário

A regulamentação dos bancos privados pelo Fed surgiu de um acordo político entre defensores do controle público e da participação de instituições privadas. Em 2006, Donald L. Kohn, então vice-presidente do Conselho de Governadores, examinou as negociações que levaram a esse arranjo: grupos agrários e progressistas, liderados por William Jennings Bryan, defendiam um banco central sob controle público, enquanto a maioria dos banqueiros, receosa de interferência governamental, rejeitava uma estrutura administrada por nomeados políticos. O Congresso aprovou em 1913 uma estrutura com direção federal e bancos regionais administrados por conselhos próprios, com participação de instituições bancárias privadas.

Na estrutura adotada, os bancos privados elegem integrantes dos conselhos de administração de seus respectivos bancos regionais da Reserva Federal, enquanto os membros do Conselho de Governadores são indicados pelo presidente dos Estados Unidos e confirmados pelo Senado dos Estados Unidos.

Regulamentação e supervisão governamental

Ben Bernanke (à direita, embaixo), ex-presidente do Conselho de Governadores, durante audiência na Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, em 10 de fevereiro de 2009.

O Conselho de Governadores possui numerosas atribuições de supervisão e regulamentação do sistema bancário norte-americano, embora não tenha responsabilidade exclusiva sobre ele. Sua competência abrange bancos constituídos segundo a legislação estadual que integram o Sistema de Reserva Federal, holdings bancárias, atividades externas de bancos membros, operações de bancos estrangeiros nos Estados Unidos e instituições criadas sob a Edge Act ou acordos específicos para realizar atividades bancárias internacionais.

Em levantamentos anteriores, o Conselho e os bancos regionais, por delegação, supervisionavam aproximadamente 900 bancos estaduais membros e 5.000 holdings bancárias. Outros órgãos federais também exercem funções de fiscalização primária: o Office of the Comptroller of the Currency supervisiona os bancos nacionais e a Federal Deposit Insurance Corporation, ou FDIC, os bancos estaduais que não pertencem ao Sistema de Reserva Federal. Algumas normas emitidas pelo Conselho aplicam-se a todo o setor bancário e outras apenas aos bancos membros, inclusive os nacionais, cuja participação é obrigatória. O Conselho também exerceu historicamente funções de regulamentação de leis federais de proteção ao crédito do consumidor, entre elas a Truth in Lending Act, a Equal Credit Opportunity Act e a Home Mortgage Disclosure Act. A partir de julho de 2011, parte substancial da competência de editar normas sobre esses assuntos foi transferida ao Consumer Financial Protection Bureau, ou CFPB, criado pela legislação Dodd–Frank, enquanto a supervisão e a aplicação das leis continuaram repartidas entre diferentes autoridades conforme a instituição envolvida. Muitas dessas regras também alcançam credores que não são bancos.

Os membros do Conselho mantêm contato frequente com outros responsáveis pela política econômica e costumam depor perante comissões do Congresso sobre economia, política monetária, supervisão e regulamentação bancária, proteção ao crédito do consumidor e mercados financeiros. O Conselho também se relaciona regularmente com o Conselho de Assessores Econômicos da Presidência e outros altos funcionários. Seu presidente se reúne periodicamente com o presidente dos Estados Unidos e regularmente com o secretário do Tesouro, além de exercer atribuições internacionais.

A Federal Banking Agency Audit Act, promulgada em 1978 como Lei Pública 95-320, e o artigo 714 do título 31 do Código dos Estados Unidos estabelecem que o Conselho de Governadores e os bancos regionais podem ser auditados pelo Government Accountability Office, ou GAO. O órgão pode examinar atividades de compensação de cheques, armazenamento e transporte de moeda, determinadas operações regulatórias e procedimentos de inspeção bancária, mas sua competência de auditoria está sujeita a restrições.

Responsabilidades de regulamentação e fiscalização

Os conselhos de administração de cada distrito da Reserva Federal também têm responsabilidades de supervisão e regulamentação. Quando identificam conduta ou desempenho inadequado de um banco membro, comunicam o fato ao Conselho de Governadores. A lei determina que cada banco regional acompanhe as características e o volume dos empréstimos e investimentos de seus bancos membros para identificar o uso excessivo do crédito bancário em operações especulativas com títulos, imóveis ou mercadorias, ou em outras finalidades contrárias à preservação de condições sólidas de crédito. As informações devem ser consideradas na decisão de conceder ou negar adiantamentos, redescontos ou outras operações de crédito.

A presidência do banco regional deve informar ao Conselho de Governadores qualquer uso excessivo de crédito por parte de um banco membro e apresentar suas recomendações. Se o Conselho concluir que houve uso inadequado, poderá, após notificação razoável e oportunidade de defesa, suspender o acesso desse banco às linhas de crédito da Reserva Federal, encerrar a suspensão ou renová-la periodicamente.

Sistema nacional de pagamentos

A Depository Institutions Deregulation and Monetary Control Act de 1980 reafirmou a responsabilidade da Reserva Federal de promover um sistema de pagamentos nacional eficiente. A lei passou a sujeitar todas as instituições depositárias, e não apenas os bancos comerciais membros, às exigências de reserva e a garantir-lhes acesso igualitário aos serviços de pagamento dos bancos da Reserva Federal. Os doze bancos regionais prestam serviços bancários às instituições depositárias e ao governo federal. Para as primeiras, mantêm contas e oferecem compensação de cheques, transferência eletrônica de recursos e distribuição e recebimento de cédulas e moedas. Para o governo, atuam como agentes financeiros, pagando cheques do Tesouro, processando pagamentos eletrônicos e emitindo, transferindo e resgatando títulos públicos.

O Fed participa tanto dos pagamentos de varejo quanto dos pagamentos de grande valor por meio dos serviços que oferece às instituições depositárias. Os pagamentos de varejo costumam envolver quantias menores e clientes comuns dessas instituições. Incluem distribuição de dinheiro, compensação de cheques, transferências pela rede FedACH, uma câmara de compensação automatizada, e, desde 2023, pagamentos instantâneos pelo FedNow. Já os serviços de grande valor incluem transferências pelo Fedwire Funds Service e movimentação de títulos emitidos pelo governo norte-americano, suas agências e determinadas outras entidades por meio do Fedwire Securities Service. Essas operações costumam envolver valores elevados e grandes clientes empresariais ou contrapartes das instituições financeiras.

Estrutura

Organização do Sistema de Reserva Federal.

O Sistema de Reserva Federal reúne órgãos federais e bancos regionais com organização própria e é "independente dentro do governo", sem estar fora da autoridade do Congresso. O sistema não depende de dotações do orçamento federal para financiar suas atividades. Sua autoridade e suas finalidades decorrem do Federal Reserve Act, aprovado pelo Congresso em 1913, que pode ser modificado ou revogado pelo próprio Congresso. Seus quatro componentes principais são o Conselho de Governadores, o Comitê Federal de Mercado Aberto, os doze bancos regionais da Reserva Federal e os bancos membros distribuídos pelo país.

Bancos da Reserva Federal por número e letra do distrito
NúmeroLetraBanco regionalFiliaisSite oficialPresidente
1ABostonbostonfed.orgSusan M. Collins
2BNova Iorquenewyorkfed.orgJohn C. Williams
3CFiladélfiaphiladelphiafed.orgAnna Paulson
4DClevelandCincinnati e Pittsburghclevelandfed.orgBeth M. Hammack
5ERichmondBaltimore e Charlotterichmondfed.orgThomas Barkin
6FAtlantaBirmingham, Jacksonville, Miami, Nashville e Nova Orleãesatlantafed.orgCheryl Venable (interina)
7GChicagoDetroitchicagofed.orgAustan Goolsbee
8HSt. LouisLittle Rock, Louisville e Memphisstlouisfed.orgAlberto G. Musalem
9IMinneapolisHelenaminneapolisfed.orgNeel Kashkari
10JKansas CityDenver, Oklahoma City e Omahakansascityfed.orgJeffrey Schmid
11KDallasEl Paso, Houston e San Antoniodallasfed.orgLorie K. Logan
12LSão FranciscoLos Angeles, Portland, Salt Lake City e Seattlefrbsf.orgMary C. Daly

Conselho de Governadores

Artigo principal: Conselho de Governadores da Reserva Federal.

O Conselho de Governadores possui sete integrantes e atua como órgão federal responsável pela supervisão dos doze bancos regionais, pela definição da política monetária nacional e pela regulamentação e fiscalização do sistema bancário norte-americano. Os governadores são indicados pelo presidente dos Estados Unidos e confirmados pelo Senado para mandatos de catorze anos, com início escalonado a cada dois anos, sempre em 1.º de fevereiro de um ano par. Quem cumpre um mandato integral não pode ser reconduzido a outro mandato completo. A lei determina que, após o término do mandato, os membros continuem a exercer o cargo até a nomeação e posse dos sucessores, e prevê sua destituição pelo presidente dos Estados Unidos por justa causa. O Conselho deve apresentar um relatório anual de atividades ao presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

O presidente e o vice-presidente do Conselho são escolhidos pelo presidente dos Estados Unidos entre os governadores em exercício. Ambos têm mandato de quatro anos e podem ser reconduzidos sucessivamente, desde que seus mandatos como governadores continuem em vigor. Em 13 de maio de 2026, o Senado confirmou Kevin Warsh como o 17.º presidente do Fed, por 54 votos a 45, para suceder Jerome Powell, cujo mandato na presidência terminaria em 15 de maio de 2026.

Reunião do Conselho de Governadores em abril de 2019, quando dois dos sete cargos estavam vagos.

Os membros do Conselho de Governadores na revisão de referência de outubro de 2026 eram:

Integrantes do Conselho de Governadores
RetratoNomeFunção oficialInício do mandatoTérmino previsto
Kevin Warsh (presidente)Presidente22 de maio de 2026, como presidente e governador21 de maio de 2030, como presidente; 31 de janeiro de 2040, como governador
Philip Jefferson (vice-presidente)Vice-presidente13 de setembro de 2023, como vice-presidente; 23 de maio de 2022, como governador7 de setembro de 2027, como vice-presidente; 31 de janeiro de 2036, como governador
Michelle Bowman (vice-presidente de supervisão)Vice-presidente de Supervisão9 de junho de 2025, como vice-presidente; 26 de novembro de 2018, como governadora (reconduzida em 2020)9 de junho de 2029, como vice-presidente; 31 de janeiro de 2034, como governadora
Jerome PowellGovernador25 de maio de 2012 (reconduzido em 16 de junho de 2014)31 de janeiro de 2028
Christopher WallerGovernador18 de dezembro de 202031 de janeiro de 2030
Lisa D. CookGovernadora23 de maio de 2022 (reconduzida em 1.º de fevereiro de 2024)31 de janeiro de 2038
Michael BarrGovernador19 de julho de 202231 de janeiro de 2032

Comitê Federal de Mercado Aberto

O Comitê Federal de Mercado Aberto, conhecido pela sigla FOMC, possui doze membros votantes: os sete integrantes do Conselho de Governadores e cinco presidentes dos bancos regionais da Reserva Federal. O comitê supervisiona e define a política das operações de mercado aberto, um dos principais instrumentos da política monetária norte-americana, e dirige as operações cambiais executadas pela Reserva Federal.

Todos os presidentes dos bancos regionais participam da análise da economia e das alternativas de política monetária, mas apenas os cinco que integram o FOMC em determinado momento têm direito a voto. O próprio comitê define sua organização interna e tradicionalmente elege o presidente do Conselho de Governadores para presidi-lo e o presidente do Banco da Reserva Federal de Nova Iorque para a vice-presidência. Suas reuniões ordinárias costumam ocorrer oito vezes por ano em Washington, D.C. Entre economistas, há amplo consenso contrário à politização do FOMC.

Conselho Consultivo Federal

O Federal Advisory Council (FAC), ou Conselho Consultivo Federal, foi criado pelo Federal Reserve Act de 1913 para oferecer ao Conselho de Governadores recomendações e perspectivas sobre o setor bancário e as economias regionais. É formado por um representante de cada um dos doze distritos da Reserva Federal e se reúne pelo menos quatro vezes ao ano em Washington, D.C., para discutir questões econômicas e bancárias. O representante de cada distrito é escolhido pelo conselho de administração de seu banco regional, geralmente entre altos executivos de bancos membros, de modo a incorporar perspectivas geográficas e institucionais distintas.

Bancos da Reserva Federal

Mapa dos doze distritos da Reserva Federal. Os bancos regionais são identificados por quadrados pretos e as filiais por círculos vermelhos. A sede em Washington, D.C., é indicada por uma estrela.
Sedes dos doze bancos regionais em 1936.

Os doze bancos regionais da Reserva Federal cuidam dos bancos membros de seus distritos e têm sede em Boston, Nova Iorque, Filadélfia, Cleveland, Richmond, Atlanta, Chicago, St. Louis, Minneapolis, Kansas City, Dallas e São Francisco. As dimensões dos distritos foram estabelecidas com base na distribuição da população dos Estados Unidos quando o Federal Reserve Act foi aprovado.

A constituição e a organização de cada banco regional são determinadas por lei e não podem ser modificadas por seus bancos membros. Cada banco tem um presidente, responsável por sua administração executiva, indicado pelo conselho de administração do próprio banco, sujeito à aprovação do Conselho de Governadores. Os presidentes cumprem mandatos de cinco anos e podem ser reconduzidos.

Bancos membros

Placa que identifica uma instituição como banco membro da Reserva Federal.

Os bancos membros são instituições privadas que detêm ações de seu banco regional da Reserva Federal, participação obrigatória para os bancos constituídos sob autorização federal. Os bancos constituídos segundo a legislação estadual podem optar pela participação no sistema, desde que satisfaçam determinados requisitos. A subscrição de ações exigida dos bancos membros equivale a 6% da soma do capital e das reservas patrimoniais, dos quais 3% devem ser integralizados e os 3% restantes ficam sujeitos a cobrança pelo banco regional. Cerca de 38% dos bancos norte-americanos são membros de seus bancos regionais da Reserva Federal.

A participação acionária num banco da Reserva Federal não equivale à propriedade de ações de uma companhia aberta: essas ações não podem ser vendidas nem negociadas e sua posse não confere aos bancos membros o controle sobre a instituição regional. A legislação fixou inicialmente em 10 bilhões de dólares o limite de ativos que distingue as faixas de dividendos, mas esse valor é reajustado anualmente. Em 2026, o limite regulamentar era de 13,182 bilhões de dólares: bancos até esse patamar recebiam dividendos anuais de 6% sobre o capital integralizado, enquanto os bancos acima dele recebiam a menor taxa entre 6% e o rendimento do leilão mais recente de títulos do Tesouro com vencimento em dez anos. O resultado excedente dos bancos regionais, depois das despesas e obrigações aplicáveis, é destinado ao Tesouro norte-americano quando há valores a transferir. Nos anos de prejuízo, esses repasses podem ser suspensos. Em 2015, esses bancos registraram lucro de 100,2 bilhões de dólares, distribuíram 2,5 bilhões em dividendos e devolveram 97,7 bilhões ao Tesouro.

Prestação de contas

Auditores externos escolhidos pelo comitê de auditoria do Sistema de Reserva Federal examinam regularmente o Conselho de Governadores e os bancos regionais. O Government Accountability Office, ou GAO também audita determinadas atividades do Conselho, mas sua competência não abrange a maior parte das ações e decisões de política monetária do Fed, inclusive empréstimos pela janela de redesconto, operações de mercado aberto e outras transações conduzidas sob a direção do FOMC, nem certas relações com governos estrangeiros e outros bancos centrais.

As demonstrações financeiras anuais e trimestrais do sistema seguem critérios contábeis definidos pelo Conselho da Reserva Federal, que não correspondem integralmente aos Princípios Contábeis Geralmente Aceitos, conhecidos pela sigla GAAP, nem aos padrões governamentais de contabilidade de custos. Os critérios de elaboração dos demonstrativos são estabelecidos no Financial Accounting Manual for the Federal Reserve Banks e os de contabilidade de custos, no Planning and Control System Manual. Desde 27 de agosto de 2012, o Conselho publica trimestralmente relatórios financeiros não auditados dos bancos regionais.

Em 7 de novembro de 2008, a Bloomberg L.P. ajuizou uma ação contra o Conselho de Governadores para obrigá-lo a revelar a identidade das empresas que receberam garantias durante a crise financeira de 2008. A Bloomberg venceu na primeira instância, e os recursos do Fed foram rejeitados pelo Tribunal Federal de Apelações do Segundo Circuito dos Estados Unidos e pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Os dados foram divulgados em 31 de março de 2011.

Política monetária

Artigos relacionados: Política monetária dos Estados Unidos e Sistema de reserva fracionária.

Política monetária é o conjunto de ações adotadas por um banco central, como a Reserva Federal, para influenciar a atividade econômica, especialmente a demanda agregada por bens e serviços, e alcançar os objetivos econômicos nacionais. O Federal Reserve Act de 1913 atribuiu ao Fed a autoridade para conduzir a política monetária dos Estados Unidos. Seu mandato costuma ser denominado mandato duplo: promover o máximo emprego e a estabilidade dos preços, entendida como uma meta de inflação de 2% ao ano no longo prazo, medida pelo índice PCE. A política monetária influencia a atividade econômica ao afetar o nível geral das taxas de juros, que, por meio do mecanismo de transmissão monetária, altera as decisões de consumo e investimento de famílias e empresas, bem como o emprego e a inflação.

Evolução comparada do desemprego, da inflação e da diferença entre os rendimentos dos títulos do Tesouro de dez e dois anos.

Empréstimos interbancários

A Reserva Federal conduz a política monetária influenciando a taxa de fundos federais, chamada federal funds rate em inglês e abreviada FFR, a taxa de juros dos empréstimos de saldos de reservas entre instituições bancárias. Esses juros são determinados no mercado interbancário, mas o Fed os influencia por meio dos instrumentos descritos na seção seguinte. A FFR é uma taxa de curto prazo que orienta as decisões do FOMC e afeta também as taxas de juros de prazo mais longo.

O FOMC influencia a taxa de fundos federais e o custo do crédito interbancário de curto prazo ao modificar os juros pagos sobre os saldos que os bancos mantêm na própria Reserva Federal. É pouco provável que um banco empreste a outro banco, ou mesmo a seus clientes, a juros inferiores aos que pode receber sobre suas reservas no Fed. Como os saldos de reservas são abundantes, um banco que queira tomar reservas emprestadas normalmente consegue fazê-lo sem pagar juros muito superiores à remuneração oferecida pelo banco central.

Alterações na meta da FFR afetam as condições financeiras por diferentes canais, inclusive mudanças nas taxas de juros aplicadas a empréstimos de curto e longo prazo, nos preços dos ativos financeiros e nas taxas de câmbio. Essas mudanças repercutem no consumo privado, nos investimentos e nas exportações líquidas. Ao reduzir ou elevar a meta dos fundos federais, a Reserva Federal pode estimular ou conter o crescimento da demanda por bens e serviços nos Estados Unidos.

Instrumentos

A Reserva Federal utiliza quatro instrumentos principais para implementar a política monetária:

  • Juros sobre os saldos de reservas (interest on reserve balances, IORB): remuneração dos recursos que os bancos mantêm em suas contas de reservas nos bancos regionais. É o principal instrumento para manter a FFR dentro da faixa definida como meta.
  • Operações compromissadas reversas de um dia (overnight reverse repurchase agreements, ON RRP): possibilidade permanente de grandes instituições financeiras não bancárias depositarem recursos no Fed e receberem juros, funcionando como instrumento complementar para orientar a FFR.
  • Operações de mercado aberto: compra e venda de títulos do Tesouro e de agências federais, utilizadas para assegurar uma oferta abundante de reservas.
  • Janela de redesconto: empréstimos do Fed aos bancos à taxa de redesconto, que ajudam a estabelecer um limite superior para a FFR.

Taxa de fundos federais

A Reserva Federal implementa boa parte da política monetária tomando como referência a taxa de fundos federais, que corresponde aos juros cobrados pelos bancos em empréstimos de reservas de um dia para o outro. A taxa efetiva é formada no mercado e não é estabelecida diretamente por imposição do Fed. Na reunião encerrada em 28 de outubro de 2026, o FOMC manteve a faixa-alvo em 3,75% a 4,00% ao ano, por dez votos a dois. Para manter a taxa efetiva nessa faixa, a instituição ajusta principalmente a remuneração das reservas. Em condições normais, o sistema costuma alterar a meta em intervalos de 0,25 ou 0,50 ponto percentual.

Juros sobre os saldos de reservas

A taxa IORB remunera os recursos mantidos por bancos comerciais em contas de reservas nos bancos regionais do Fed. Trata-se de uma taxa administrada, fixada diretamente pelo banco central, ao contrário dos juros de mercado, determinados pela oferta e pela demanda. Como os bancos dificilmente emprestariam reservas no mercado de fundos federais por menos do que receberiam da Reserva Federal, a IORB orienta a taxa efetiva desse mercado e serve como principal instrumento da política monetária.

Operações de mercado aberto

Artigo relacionado: Operações de mercado aberto.

As operações de mercado aberto consistem na compra e venda de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries. O Fed pode adquirir esses títulos diretamente ou por intermédio de negociantes primários, que mantêm contas em instituições depositárias.

Na década de 1980, as operações de mercado aberto passaram gradualmente a ser usadas para atingir um nível específico da taxa de fundos federais, mudança praticamente concluída no fim daquela década. Até a crise financeira de 2008, as operações de mercado aberto eram o principal instrumento utilizado pelo Fed para ajustar a oferta de reservas e manter a taxa de fundos federais próxima da meta. Esse arranjo ficou conhecido como regime de reservas limitadas. Depois da crise, a Reserva Federal adotou um regime de reservas abundantes, no qual pequenas mudanças na oferta de reservas por meio dessas operações deixaram de ser eficazes para influenciar a FFR. A instituição passou a depender das taxas por ela administradas, especialmente a IORB, e manteve as operações de mercado aberto para assegurar que as reservas permaneçam abundantes.

Operações compromissadas

Artigo relacionado: Acordo de recompra.

Para atenuar variações temporárias ou cíclicas na oferta monetária, a mesa de operações do Fed realiza operações compromissadas, chamadas repurchase agreements ou repos em inglês, com negociantes primários. Na prática, são empréstimos de curto prazo garantidos por títulos. Na data da operação, o Fed deposita recursos na conta de reservas do negociante e recebe os títulos prometidos como garantia. No vencimento, devolve a garantia e debita da conta o principal e os juros acumulados. O prazo entre a liquidação e o vencimento pode variar de um dia, nas operações overnight, a 65 dias.

Janela de redesconto e taxa de redesconto

O Fed também estabelece diretamente a taxa de redesconto, os juros cobrados nos empréstimos realizados pela janela de redesconto, pelos quais bancos membros obtêm recursos diretamente do sistema. A diferença entre a taxa de crédito primário e a faixa-alvo da taxa de fundos federais varia conforme as decisões de política monetária. Em 28 de outubro de 2026, a taxa de crédito primário era de 4,00%, igual ao limite superior da faixa-alvo de 3,75% a 4,00%. No Banco Central Europeu, uma operação equivalente recebe o nome de facilidade permanente de cedência de liquidez, ou marginal lending facility em inglês. Tanto a taxa de redesconto quanto a taxa de fundos federais influenciam a prime rate, geralmente cerca de três pontos percentuais acima da taxa de fundos federais.

Facilidade de depósitos a prazo

A Term Deposit Facility permite que os bancos regionais da Reserva Federal ofereçam depósitos a prazo remunerados a instituições elegíveis. Com esses depósitos, o Fed pode ajustar a quantidade total de reservas mantidas pelas instituições depositárias para executar a política monetária. Os recursos aplicados ficam retirados das contas de reservas das instituições durante o prazo contratado, reduzindo os saldos de reservas do sistema bancário.

O programa foi anunciado em 9 de dezembro de 2009, aprovado em 30 de abril de 2010 e entrou em vigor em 4 de junho de 2010. Em depoimento à Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, Ben Bernanke explicou que a facilidade poderia ser utilizada para reverter a expansão do crédito ocorrida durante a Grande Recessão, transferindo recursos dos mercados monetários para os bancos da Reserva Federal. Isso tenderia a elevar as taxas de juros de mercado e a conter a atividade econômica e a inflação. O Fed autorizou até cinco ofertas-piloto de pequeno valor em 2010. Após a conclusão bem-sucedida de três leilões, anunciou que as ofertas de pequeno valor continuariam regularmente.

Política de flexibilização quantitativa

A flexibilização quantitativa, chamada quantitative easing ou QE em inglês, é outro instrumento de política monetária do Fed. Nesse procedimento, a Reserva Federal compra grandes volumes de títulos financeiros, sobretudo títulos do Tesouro e títulos lastreados em hipotecas garantidos por agências federais, detidos por bancos ou outras instituições financeiras. Compras de obrigações empresariais também ocorreram por meio de programas emergenciais específicos, que não se confundem com as compras tradicionais de flexibilização quantitativa. A aquisição injeta recursos nessas instituições, permitindo a concessão de empréstimos e a continuidade de suas atividades. O rompimento da bolha imobiliária dos Estados Unidos levou o Fed a anunciar, em novembro de 2008, um programa que previa adquirir até 500 bilhões de dólares em títulos lastreados em hipotecas garantidos por agências e até 100 bilhões em obrigações diretas de instituições de financiamento habitacional. Em março de 2009, a autorização de compras de títulos hipotecários foi elevada para até 1,25 trilhão de dólares naquele ano, num esforço para estabilizar o crédito imobiliário. Esse montante equivalia a uma parcela considerável das hipotecas norte-americanas garantidas pelo governo.

Instrumentos de política monetária descontinuados

Exigências de reservas

As exigências de depósito compulsório, também chamadas de coeficiente de reservas obrigatórias, foram historicamente utilizadas pelo Sistema de Reserva Federal como instrumento de política monetária. O coeficiente estabelecia o saldo mínimo que as instituições depositárias deveriam manter nos bancos da Reserva Federal e era fixado pelo Conselho de Governadores. O coeficiente variou de acordo com as exigências adotadas em diferentes épocas.

Após a crise de 2008, a Reserva Federal começou a remunerar os saldos de reservas obrigatórias e excedentes das instituições depositárias, o que lhe deu maior capacidade para atuar nas condições dos mercados de crédito sem afastar a taxa de fundos federais da meta do FOMC. Com a introdução da remuneração das reservas excedentes, o depósito compulsório perdeu importância na implementação da política monetária. Em março de 2020, o coeficiente foi reduzido a zero para todos os bancos, eliminando a obrigação efetiva de manter reservas mínimas. A base legal, contudo, permanece e permite restabelecer a exigência no futuro.

Instrumentos temporários durante a crise financeira de 2008

Em resposta à crise das hipotecas subprime e à bolha imobiliária norte-americana, o Fed criou instrumentos adicionais. O primeiro, a Term Auction Facility, ou TAF, foi apresentado em 12 de dezembro de 2007 como medida temporária, embora tenha permanecido em funcionamento por um período prolongado. O segundo, a Term Securities Lending Facility, ou TSLF, foi anunciado em 11 de março de 2008. Enquanto a TAF injetava dinheiro no sistema bancário, a TSLF fornecia títulos do Tesouro.

O terceiro instrumento, a Primary Dealer Credit Facility, ou PDCF, foi anunciado em 16 de março de 2008. Com a PDCF, o Fed passou a emprestar diretamente a negociantes primários, o que sua política anterior não autorizava. A TAF oferecia recursos a prazo às instituições depositárias por leilões quinzenais, com volumes fixos. A TSLF leiloava empréstimos de títulos do Tesouro em troca de garantias elegíveis, inclusive determinados títulos privados lastreados em hipotecas residenciais com classificação elevada. A PDCF permitia que negociantes primários elegíveis tomassem crédito garantido por ativos, com vencimento no dia seguinte, à taxa de redesconto então em vigor. Algumas dessas medidas não eram utilizadas desde a Grande Depressão.

Term Auction Facility

O Fed anunciou a TAF em 12 de dezembro de 2007 como um programa de leilões de financiamento a prazo para instituições depositárias, em coordenação com o Banco do Canadá, o Banco da Inglaterra, o Banco Central Europeu e o Banco Nacional Suíço, para enfrentar pressões extraordinárias nos mercados de financiamento de curto prazo. Os bancos receavam emprestar uns aos outros por medo de inadimplência, enquanto instituições que precisavam de recursos evitavam a janela de redesconto devido ao estigma de uma possível falência. A TAF preservava a identidade dos tomadores para reduzir esse estigma.

O Fed também estabeleceu linhas de swap cambial com o Banco Central Europeu e o Banco Nacional Suíço, permitindo que bancos europeus obtivessem dólares norte-americanos. O último leilão da TAF ocorreu em 8 de março de 2010.

Term Securities Lending Facility

A TSLF oferecia a negociantes primários do Banco da Reserva Federal de Nova Iorque empréstimos de títulos do Tesouro por 28 dias em troca de outras garantias elegíveis. Procurava melhorar a liquidez dos mercados de financiamento de títulos do Tesouro e de outros ativos aceitos como garantia, favorecendo o funcionamento do sistema financeiro. A TSLF operava dentro do mercado norte-americano, enquanto a coordenação com os bancos centrais do Canadá, do Reino Unido, da zona do euro e da Suíça ocorreu por outras medidas paralelas de liquidez, como os acordos de swap cambial. Os negociantes podiam trocar dívidas menos líquidas por títulos públicos norte-americanos mais fáceis de negociar. As linhas de swap cambial com o Banco Central Europeu e o Banco Nacional Suíço também foram ampliadas. A TSLF foi encerrada em 1.º de fevereiro de 2010.

Primary Dealer Credit Facility

A PDCF era uma linha de empréstimos de um dia para o outro que fornecia recursos a negociantes primários mediante garantias aceitas pelo programa. Buscava favorecer o funcionamento dos mercados financeiros. A facilidade de 2008 foi encerrada em 1.º de fevereiro de 2010, juntamente com outras medidas adotadas durante a crise. Uma nova PDCF foi introduzida em março de 2020 para enfrentar perturbações de mercado relacionadas à pandemia de COVID-19, mas deixou de conceder empréstimos em 2021.

Asset-Backed Commercial Paper Money Market Mutual Fund Liquidity Facility

A Asset-Backed Commercial Paper Money Market Mutual Fund Liquidity Facility, abreviada ABCPMMMFLF e também chamada de AMLF, começou a operar em 22 de setembro de 2008 e foi encerrada em 1.º de fevereiro de 2010. Podiam tomar empréstimos por meio da facilidade instituições depositárias norte-americanas, holdings bancárias e determinadas filiais e agências de bancos estrangeiros situadas nos Estados Unidos, conforme os critérios de elegibilidade aplicados pelo banco regional responsável.

Os ativos oferecidos como garantia precisavam satisfazer as seguintes condições:

  • Ter sido adquiridos pelo tomador em 19 de setembro de 2008 ou depois dessa data, de uma empresa de investimento registrada que se apresentasse como fundo mútuo do mercado monetário.
  • Ter sido adquiridos pelo custo de aquisição do fundo, ajustado pela amortização de ágio ou apropriação de deságio até a data de compra pelo tomador.
  • Ter classificação de risco, na data da apresentação como garantia, não inferior a A1, F1 ou P1 em pelo menos duas grandes agências classificadoras ou, se avaliados por apenas uma, pertencer à categoria de classificação mais elevada dessa agência.
  • Ter sido emitidos por entidade constituída de acordo com as leis dos Estados Unidos ou de alguma de suas subdivisões políticas, no âmbito de programa existente em 18 de setembro de 2008.
  • Ter prazo de vencimento não superior a 120 dias, quando o tomador fosse um banco, ou a 270 dias, quando fosse uma instituição não bancária.

Commercial Paper Funding Facility

Em 7 de outubro de 2008, a Reserva Federal ampliou os ativos aceitos como garantia em operações de crédito, passando a incluir papel comercial por meio da Commercial Paper Funding Facility, ou CPFF. Com a CPFF, o Fed passou a fornecer crédito também a empresas não financeiras, além de bancos comerciais e empresas de investimento. Os dirigentes afirmaram que comprariam tantos títulos de dívida quantos fossem necessários para que o mercado voltasse a funcionar, sem especificar um valor. Estimavam que aproximadamente 1,3 trilhão de dólares em papel comercial seria elegível. Em 1.º de outubro de 2008, o saldo de papel comercial em circulação, ajustado sazonalmente, era de 1,61 trilhão de dólares, abaixo dos 1,70 trilhão da semana anterior. Desde o verão de 2007, o mercado havia encolhido de mais de 2,2 trilhões de dólares.

O programa concedeu um total de 738 bilhões de dólares em empréstimos antes de ser encerrado. Das 81 empresas participantes, 45 eram estrangeiras. As empresas beneficiadas pelo Troubled Asset Relief Program, ou TARP, tinham o dobro da probabilidade de participar da CPFF em comparação com outros emissores de papel comercial que não haviam recebido assistência do programa. O Fed não registrou perdas com a CPFF.

Em resposta às perturbações econômicas causadas pela pandemia de COVID-19, a Reserva Federal restabeleceu a CPFF em 17 de março de 2020 para manter o fluxo de crédito a famílias e empresas por meio da aquisição de papel comercial elegível. Inspirada na facilidade criada durante a crise de 2008, a nova operação buscou estabilizar esse mercado. Ela deixou de operar em 31 de março de 2021 e permanecia desativada em abril de 2025.

Term Asset-Backed Securities Loan Facility

A Term Asset-Backed Securities Loan Facility, ou TALF, foi anunciada em 25 de novembro de 2008 e lançada em março de 2009, em colaboração com o Departamento do Tesouro, para estimular o crédito a consumidores e empresas. O programa concedia empréstimos sem direito de regresso aos investidores para adquirir títulos lastreados em ativos, conhecidos pela sigla ABS, como financiamentos de automóveis, empréstimos estudantis e recebíveis de cartões de crédito, com o objetivo de aumentar a liquidez desses mercados. A facilidade deixou de oferecer novos empréstimos em junho de 2010 e foi totalmente encerrada até 2015. Diferentemente de outros programas criados durante a crise de 2008, concentrou-se nos mercados de títulos lastreados em ativos, e não na provisão direta de liquidez ao sistema bancário.

História

Cronologia dos sistemas bancários centrais dos Estados Unidos
PeríodoSistema
1782–1791Bank of North America (de fato, sob o Congresso da Confederação)
1791–1811Primeiro Banco dos Estados Unidos
1811–1816Sem banco central
1816–1836Segundo Banco dos Estados Unidos
1837–1862Era dos Bancos Livres
1846–1921Sistema do Tesouro Independente
1863–1913Sistema de bancos nacionais
Desde 1913Sistema de Reserva Federal

Bancos centrais nos Estados Unidos, 1791–1913

A primeira tentativa de criação de uma moeda nacional ocorreu durante a Guerra de Independência dos Estados Unidos. Em 1775, o Congresso Continental e os governos estaduais começaram a emitir cédulas chamadas Continentals, garantidas apenas por futuras receitas tributárias e utilizadas para financiar a guerra. A emissão excessiva e a falsificação de cédulas pelos britânicos fizeram seu valor cair rapidamente.

Após os problemas enfrentados com o papel-moeda, em 16 de agosto de 1787 os representantes retiraram de uma versão preliminar da Constituição dos Estados Unidos o poder federal de emitir títulos de crédito usados como moeda. Em 28 de agosto, também proibiram os estados de emitir esse tipo de papel-moeda e restringiram seu poder de reconhecer como moeda de curso legal outros instrumentos que não moedas de ouro ou prata.

Em 1791, o governo autorizou o Primeiro Banco dos Estados Unidos a atuar como banco central até 1811. A instituição deixou de funcionar como tal durante a presidência de James Madison, quando o Congresso se recusou a renovar sua autorização. O Segundo Banco dos Estados Unidos foi criado em 1816, mas perdeu a prerrogativa de banco central duas décadas depois, durante o governo de Andrew Jackson, quando sua autorização expirou. Ambos foram inspirados no Banco da Inglaterra. Em 1913, um terceiro sistema nacional de banco central, a Reserva Federal, foi finalmente instituído.

Primeiro Banco Central, de 1791, e Segundo Banco Central, de 1816

O Primeiro Banco dos Estados Unidos, primeira instituição norte-americana com funções de banco central, recebeu autorização aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente George Washington em 25 de fevereiro de 1791, por iniciativa de Alexander Hamilton, apesar da forte oposição de Thomas Jefferson, James Madison e outros políticos. A autorização tinha validade de vinte anos e expirou em 1811, quando o Congresso rejeitou sua renovação.

Em 1816, durante a presidência de Madison, foi criado o Segundo Banco dos Estados Unidos para retomar a experiência de um banco nacional. Anos depois, a tentativa de antecipar a renovação da autorização do banco tornou-se uma questão central na campanha de reeleição de Andrew Jackson. Depois de reeleito, Jackson, contrário à existência de um banco central, retirou os depósitos do governo federal da instituição. Foi o único presidente norte-americano a quitar integralmente a dívida pública, mas suas medidas para extinguir o banco ajudaram a provocar o Pânico de 1837. A autorização não foi renovada em 1836, e a instituição se dissolveu após alguns anos de atividade como empresa privada.

Entre 1837 e 1862, durante a chamada Era dos Bancos Livres, não existiu um banco central formal. De 1846 a 1921, funcionou o sistema do Tesouro Independente. Em 1863, a legislação bancária nacional estabeleceu um sistema de bancos autorizados pelo governo federal, vigente até 1913, durante o qual ocorreram crises bancárias em 1873, 1893 e 1907.

Criação do terceiro banco central, 1907–1913

O principal impulso para a criação do terceiro sistema de banco central veio do Pânico de 1907, que reacendeu entre legisladores, economistas e banqueiros o interesse por uma reforma abrangente do sistema monetário. No último quarto do século XIX e no início do XX, a economia dos Estados Unidos atravessou sucessivas crises financeiras. Para muitos economistas, o antigo sistema de bancos nacionais tinha dois grandes problemas: uma oferta de moeda pouco elástica e a falta de liquidez. Em 1908, o Congresso aprovou a Aldrich–Vreeland Act, que permitia emitir moeda de emergência e instituiu a National Monetary Commission, encarregada de estudar reformas bancárias e monetárias. Suas recomendações foram rejeitadas repetidas vezes pelo Congresso.

Uma versão revisada do projeto, elaborada numa reunião reservada na ilha Jekyll entre o senador Nelson W. Aldrich e representantes de grandes grupos financeiros e industriais, foi aproveitada na elaboração do Federal Reserve Act.

Federal Reserve Act de 1913
Recorte de jornal datado de 24 de dezembro de 1913, após a aprovação da lei de criação da Reserva Federal.

A National Monetary Commission era presidida por Nelson Aldrich, especialista em finanças e líder republicano no Senado. Aldrich organizou duas comissões: uma para examinar em profundidade o sistema monetário norte-americano e outra, sob sua própria presidência, para estudar os bancos centrais europeus e apresentar um relatório sobre seu funcionamento.

No início de novembro de 1910, Aldrich se reuniu com cinco integrantes conhecidos da comunidade bancária nova-iorquina para elaborar um projeto de lei sobre o banco central. Paul Warburg, participante do encontro e defensor antigo de um banco central nos Estados Unidos, escreveu posteriormente que Aldrich estava impressionado com tudo o que havia aprendido no exterior e enfrentava a tarefa difícil de redigir um projeto tecnicamente complexo enquanto cumpria seus deveres parlamentares. Após dez dias de discussões, os participantes chegaram a um acordo sobre um texto que seria conhecido como Plano Aldrich.

A proposta previa um banco central sediado em Washington, com quinze filiais distribuídas por pontos geograficamente estratégicos do país, além de uma moeda nacional elástica, baseada no ouro e em papel comercial. Aldrich considerava preferível um banco central livre de participação política, mas Warburg o convenceu de que uma instituição sem qualquer controle público seria inviável politicamente. O compromisso resultante incluía representantes do setor público no conselho de administração.

O plano de Aldrich enfrentou oposição de críticos que o acusavam de favorecer banqueiros ricos, como J. P. Morgan e John D. Rockefeller Jr., seu genro. A maioria dos republicanos apoiava o plano, mas ele não obteve votos suficientes para ser aprovado porque representantes dos estados rurais e do oeste o consideravam excessivamente favorável às elites financeiras do leste. Democratas progressistas defendiam um sistema de reservas pertencente ao governo e administrado por ele, por acreditarem que a propriedade pública do banco central encerraria o controle de Wall Street sobre a oferta de moeda norte-americana. Os democratas conservadores preferiam um sistema descentralizado e privado, mas igualmente livre do domínio de Wall Street.

A versão original do Plano Aldrich perdeu viabilidade em 1912, quando os democratas conquistaram a Presidência e o Congresso. Ainda assim, o presidente Woodrow Wilson considerava que a proposta poderia funcionar com algumas alterações. O plano serviu de base ao Federal Reserve Act, apresentado pelo senador Robert Latham Owen em maio de 1913. A principal diferença entre os projetos era a transferência para o governo do controle do conselho dirigente do sistema proposto.

A lei foi aprovada pelo Congresso em 23 de dezembro de 1913, numa votação marcada pela divisão partidária: a maioria dos democratas votou a favor e a maioria dos republicanos, contra. A Câmara dos Representantes aprovou o projeto em 22 de dezembro, por 298 votos a 60, e o Senado o aprovou no dia seguinte, por 43 votos a 25. Wilson sancionou o texto ainda em 23 de dezembro.

Era da Reserva Federal, de 1913 ao presente

Entre as principais leis que afetaram a Reserva Federal estão:

A lei bancária de 1935 estabeleceu a estrutura moderna do Fed e colocou as decisões de política monetária fora do controle direto do presidente dos Estados Unidos, consolidando a independência da instituição.

Dados econômicos

A Reserva Federal coleta e publica dados econômicos nas páginas de pesquisas do Conselho de Governadores, em relatórios estatísticos, em séries históricas e no portal Federal Reserve Economic Data, ou FRED, mantido pelo Banco da Reserva Federal de St. Louis. O FOMC examina indicadores de emprego, preços e atividade econômica antes de definir a política monetária. Parte dos dados compilados pelo Fed recebeu críticas de economistas. A instituição também financia pesquisas em economia monetária nos Estados Unidos, e o economista Lawrence H. White argumenta que isso poderia reduzir a disposição dos pesquisadores para publicar resultados contrários às políticas predominantes.

Patrimônio líquido de famílias e organizações sem fins lucrativos

Patrimônio líquido de famílias e organizações sem fins lucrativos nos Estados Unidos, 1949–2012.

O patrimônio líquido de famílias e organizações sem fins lucrativos nos Estados Unidos é publicado pela Reserva Federal no relatório Flow of Funds. No fim do terceiro trimestre de 2012, o patrimônio líquido atingia 64,8 trilhões de dólares. Ao término do primeiro trimestre de 2014, os ativos totais, antes da dedução das dívidas, chegavam a 95,5 trilhões de dólares, valor que não corresponde ao patrimônio líquido. No quarto trimestre de 2024, o patrimônio líquido dessas famílias e entidades foi calculado em 169,4 trilhões de dólares na divulgação de março de 2025, sujeito a revisões posteriores das séries. No segundo trimestre de 2026, o valor alcançou 195,9 trilhões de dólares, impulsionado pela valorização das ações de empresas.

Oferta monetária

Artigo relacionado: Oferta monetária.

Componentes da oferta monetária dos Estados Unidos.

As designações M0, M1, M2 e M3 foram usadas em diferentes classificações da oferta monetária, do conceito mais restrito ao mais amplo. Nas divulgações regulares, o Fed publica principalmente os agregados M1 e M2, além de dados sobre a base monetária. As definições históricas e atuais nos Estados Unidos podem ser comparadas da seguinte forma:

AgregadoDefinição
M0Designação empregada em algumas classificações históricas para a moeda física e, conforme a definição, outros componentes próximos da base monetária. O Fed não a apresenta atualmente como agregado oficial M0 no relatório H.6.
M1Dinheiro físico fora do Tesouro, dos bancos da Reserva Federal e dos caixas das instituições depositárias, acrescido dos depósitos à vista e de outros depósitos líquidos, inclusive depósitos de poupança segundo a definição adotada desde 2020.
M2M1, acrescido dos depósitos a prazo de pequeno valor, como certificados de depósito inferiores a 100 mil dólares, e dos saldos dos fundos do mercado monetário de varejo, com os ajustes aplicáveis a contas de aposentadoria. As contas de poupança já integram o M1 na definição atual.
M3M2, acrescido dos demais certificados de depósito, depósitos de eurodólares e operações compromissadas.

A Reserva Federal deixou de divulgar estatísticas de M3 em março de 2006, alegando que a coleta era dispendiosa e oferecia poucas informações adicionais de utilidade prática. O Fed continua a publicar M1 e M2, bem como a base monetária, mas não publica M0 como um dos agregados monetários principais.

Séries históricas de inflação, deflação e crescimento anual da oferta monetária M2.

Índice de preços das despesas de consumo pessoal

O índice de preços das despesas de consumo pessoal, chamado em inglês personal consumption expenditures price index ou PCE, é uma das medidas utilizadas para acompanhar o poder de compra da moeda. Abrange a variação média dos preços de bens e serviços destinados ao consumo pessoal nos Estados Unidos. É calculado a partir de diferentes fontes, incluindo o índice de preços ao consumidor e o índice de preços ao produtor, e deriva das despesas de consumo pessoal registradas nas contas nacionais do Bureau of Economic Analysis, a maior componente do produto interno bruto norte-americano.

A Reserva Federal busca manter os preços estáveis, e sua capacidade de conter a inflação é usada para avaliar os resultados da política monetária no longo prazo. Embora a instituição não seja obrigada por lei a manter a inflação dentro de uma faixa específica, descrições históricas dos objetivos do Fed mencionavam valores entre 1,5% e 2% para o crescimento do índice PCE, em meio a debates sobre a conveniência de uma política explícita de metas de inflação. Em 2012, o FOMC estabeleceu a meta explícita de 2% no longo prazo. A estratégia adotada em 2020 buscava uma inflação média de 2% ao longo do tempo, admitindo períodos acima da meta após inflação persistentemente baixa. A revisão de agosto de 2025 abandonou essa compensação por inflação passada e voltou à estratégia flexível de metas, mantendo a meta anual de 2% medida pelo índice PCE.

Inflação e economia

A maioria dos economistas convencionais defende uma inflação baixa e estável, e a economista Diane C. Swonk, que atuou como consultora do Fed, do Congressional Budget Office e do Conselho de Assessores Econômicos, comparou em 2022 o problema da inflação ao de uma doença que pode se tornar mais grave se não for enfrentada a tempo, ainda que o tratamento inicial seja doloroso.

Uma inflação baixa, em vez de nula ou negativa, pode reduzir a gravidade das recessões ao permitir ajustes mais rápidos do mercado de trabalho durante uma queda da atividade e diminuir o risco de uma armadilha de liquidez impedir a política monetária de estabilizar a economia. A responsabilidade de manter a inflação baixa e estável geralmente é atribuída às autoridades monetárias.

Taxas de desemprego nos Estados Unidos entre 1975 e 2010, mostrando diferenças entre os cinquenta estados.

Orçamento

A Reserva Federal custeia suas atividades com receitas próprias, historicamente obtidas em grande parte dos juros recebidos sobre carteiras de títulos do Tesouro e de títulos garantidos por hipotecas, adquiridos em operações de mercado aberto. O resultado financeiro considera ganhos e perdas na carteira e, sobretudo após a elevação dos juros em 2022, despesas com a remuneração das reservas bancárias, que podem superar os rendimentos dos ativos. O restante resulta da prestação de serviços financeiros, como processamento de cheques e pagamentos eletrônicos, e dos empréstimos concedidos por meio da janela de redesconto.

Nos relatórios anuais que envia ao Congresso, o Conselho de Governadores apresenta demonstrativos financeiros com receitas, despesas e resultado líquido, além dos dados de pessoal de todo o sistema, reunidos no Annual Report. O Annual Report: Budget Review apresenta os gastos dos órgãos e bancos regionais do sistema.

Transferências ao Tesouro

Transferências anuais de recursos da Reserva Federal ao Tesouro dos Estados Unidos.
Transferências semanais da Reserva Federal ao Tesouro dos Estados Unidos.

A Reserva Federal transfere ao Tesouro dos Estados Unidos parte das receitas de juros obtidas em suas operações. A maior parte dos ativos do Fed consiste em títulos do Tesouro norte-americano e títulos lastreados em hipotecas, adquiridos sobretudo nas políticas de flexibilização quantitativa posteriores à crise financeira de 2007–2008. Em junho de 2022, a instituição começou a reduzir a carteira de ativos por meio do aperto quantitativo, chamado quantitative tightening ou QT em inglês, principalmente ao deixar vencer títulos sem reinvestir integralmente o principal, e não por vendas rotineiras no mercado secundário. Essa redução foi encerrada em 1.º de dezembro de 2025, quando o Fed passou a reinvestir os vencimentos e a realizar compras de títulos de curto prazo para manter reservas abundantes.

Antes do ciclo de alta dos juros iniciado em 2022, o Fed chegou a transferir ao Tesouro valores próximos de 100 bilhões de dólares por ano. Com o aumento das despesas com juros e a alteração do resultado financeiro dos bancos regionais, os repasses regulares foram interrompidos, embora os valores efetivamente transferidos possam variar entre bancos e exercícios. Em 2023, registrou resultado líquido negativo de 114,3 bilhões de dólares e um ativo diferido de 133,3 bilhões de dólares associado à rubrica Interest on Federal Reserve notes due to U.S. Treasury. Esse saldo corresponde às receitas líquidas futuras que precisarão ser acumuladas antes que as transferências possam ser retomadas. A contabilização do ativo diferido não limita a capacidade do Fed de executar a política monetária ou de cumprir suas obrigações. Em uma projeção de 2023, estimou-se que o saldo persistiria até meados de 2027, previsão que não representa um resultado efetivamente apurado. No encerramento de 2025, o balanço auditado dos bancos regionais registrava prejuízo líquido de 18,761 bilhões de dólares antes das provisões para remessas ao Tesouro e ativo diferido de 243,481 bilhões de dólares relativo a essas remessas.

Balanço patrimonial

Composição dos ativos mantidos pela Reserva Federal, incluindo títulos do Tesouro dos Estados Unidos, títulos lastreados em hipotecas e outros ativos.
Ativos totais consolidados dos doze bancos da Reserva Federal, de 2007 a 2009.
Passivos totais consolidados dos doze bancos da Reserva Federal, de 2007 a 2009.

O balanço patrimonial da Reserva Federal reúne os ativos, como títulos e empréstimos, e os passivos, como depósitos e papel-moeda em circulação. A seção 11 do Federal Reserve Act determina que o Conselho de Governadores publique semanalmente a Consolidated Statement of Condition of All Federal Reserve Banks, com a situação de cada um dos bancos regionais e o balanço consolidado do sistema. O conselho determina que as receitas excedentes dos bancos regionais sejam transferidas ao Tesouro como juros sobre as notas emitidas pela Reserva Federal.

O balanço é divulgado às quintas-feiras. As tabelas seguintes apresentam a posição de 8 de abril de 2021, em bilhões de dólares.

Ativos em 8 de abril de 2021, em bilhões de dólares
ItemValor
Reservas de ouro11,04
Conta de certificados de direitos especiais de saque5,20
Moeda emitida pelo Tesouro em circulação (moedas metálicas)1,46
Títulos, prêmios e descontos não amortizados, operações compromissadas e empréstimos7.550,43
   Títulos mantidos diretamente7.146,06
     Títulos do Tesouro dos Estados Unidos4.959,03
       Letras do Tesouro326,04
       Notas e obrigações, valor nominal4.251,66
       Notas e obrigações indexadas à inflação334,76
       Compensação pela inflação46,57
     Títulos de dívida de agências federais2,35
     Títulos lastreados em hipotecas2.184,68
Prêmios não amortizados sobre títulos mantidos diretamente351,11
Descontos não amortizados sobre títulos mantidos diretamente−9,56
Operações compromissadas0
Empréstimos62,81
Ativos líquidos da carteira da Commercial Paper Funding Facility II LLC8,56
Ativos líquidos da carteira da Corporate Credit Facilities LLC25,94
Ativos líquidos da carteira da MS Facilities LLC (Main Street Lending Program)30,96
Ativos líquidos da carteira da Municipal Liquidity Facility LLC11,41
Ativos líquidos da carteira da TALF II LLC5,28
Valores em processo de compensação0,04
Instalações bancárias1,91
Operações de swap cambial de liquidez entre bancos centrais0,87
Ativos denominados em moedas estrangeiras21,37
Outros ativos34,42
Total dos ativos7.708,88
Passivos em 8 de abril de 2021, em bilhões de dólares
ItemValor
Notas da Reserva Federal, excluídas as mantidas pelos próprios bancos do sistema2.101,19
Operações compromissadas reversas272,07
Depósitos5.234,02
   Depósitos a prazo de instituições depositárias0
   Outros depósitos de instituições depositárias3.944,06
   Conta geral do Tesouro dos Estados Unidos954,97
   Depósitos oficiais estrangeiros32,25
   Outros depósitos302,74
Valores diferidos em processo de compensação0,15
Contribuições do Tesouro a programas de crédito51,78
Outros passivos e dividendos a pagar10,40
Total dos passivos7.669,62
Capital próprio em 8 de abril de 2021, em bilhões de dólares
ItemValor
Capital integralizado32,48
Superávit6,79
Outros componentes do capital0
Total do capital39,27
Itens de memorando fora do balanço em 8 de abril de 2021, em bilhões de dólares
ItemValor
Títulos negociáveis mantidos sob custódia para contas oficiais estrangeiras e internacionais3.548,94
Títulos negociáveis do Tesouro dos Estados Unidos3.114,90
Títulos de dívida de agências federais e títulos lastreados em hipotecas346,41
Outros títulos87,62
Títulos emprestados a operadores do mercado40,45
   Operações de um dia40,45
   Títulos do Tesouro dos Estados Unidos40,45
   Títulos de dívida de agências federais0

O demonstrativo também apresenta os ativos oferecidos como garantia das notas da Reserva Federal em circulação:

Notas da Reserva Federal e garantias em 8 de abril de 2021, em bilhões de dólares
ItemValor
Notas da Reserva Federal em circulação2.255,55
   Menos: notas mantidas pelos bancos da Reserva Federal154,35
Notas da Reserva Federal a serem garantidas2.101,19
Garantias vinculadas às notas da Reserva Federal2.101,19
   Conta de certificados de ouro11,04
   Conta de certificados de direitos especiais de saque5,20
   Títulos do Tesouro, dívidas de agências e títulos lastreados em hipotecas oferecidos como garantia2.084,96
   Outros ativos oferecidos como garantia0

Em agosto de 2024, os ativos totais registrados no balanço da Reserva Federal somavam 7,139 trilhões de dólares. Em 28 de outubro de 2026, o balanço consolidado semanal H.4.1 registrava ativos totais de 6,746 trilhões de dólares, arredondados de 6.745.635 milhões.

Críticas

Artigos relacionados: Críticas ao Sistema de Reserva Federal e Causas da Grande Depressão.

Comparação entre a taxa efetiva dos fundos federais, os rendimentos de títulos do Tesouro de diferentes prazos, as taxas hipotecárias de trinta anos, a inflação e os períodos de recessão nos Estados Unidos.
Ron Paul, político norte-americano que defendeu a extinção do sistema e o retorno ao padrão-ouro.
Evolução da oferta monetária durante a Grande Depressão.

As decisões monetárias da Reserva Federal, a transparência de suas atividades e sua atuação em crises financeiras provocam críticas desde a fundação do sistema, em 1913. Alguns críticos consideram que políticas expansionistas, como a redução das taxas de juros e a ampliação da oferta monetária, podem provocar inflação, bolhas de preços de ativos e distorções econômicas.

O economista Milton Friedman criticou a atuação do Fed no início da Grande Depressão, por considerar que a falta de liquidez fornecida aos bancos agravou a crise. Hans Sennholz considerava a criação da instituição um erro do Congresso e atribuía a ela parte da instabilidade monetária de décadas posteriores.

Políticos libertários, especialmente Ron Paul, têm exigido maior fiscalização e transparência, inclusive auditorias destinadas a verificar se a instituição atua no interesse público, e não apenas em benefício de grandes bancos. Rand Paul também questiona a proximidade entre dirigentes do Fed e o setor financeiro, por entender que ela pode gerar conflitos de interesses e decisões favoráveis a Wall Street.

Economistas associados à Escola Austríaca, entre eles Ludwig von Mises e Murray Rothbard, atribuem à ruptura com o padrão-ouro, em 1971, e ao uso de moeda fiduciária parte da instabilidade do sistema monetário moderno. Ron Paul defende abolir o Fed e restaurar o padrão-ouro. A resposta da instituição à crise financeira de 2008 também gerou críticas: para seus opositores, o socorro a grandes bancos e outras entidades financeiras criou risco moral e pode ter agravado os problemas do sistema financeiro.

Durante a pandemia de COVID-19, políticas como o aumento das reservas bancárias, as compras de ativos e a manutenção de juros próximos de zero até março de 2022 foram criticadas por economistas, especialmente monetaristas, porque poderiam ter alimentado a alta da inflação nos Estados Unidos. Uma parte das críticas atribuiu à resposta à pandemia a ampliação do risco moral e o enfraquecimento da independência do Fed. Scott Minerd, então diretor de investimentos da Guggenheim Investments, argumentou que as intervenções de 2020 transferiam riscos de crédito ao conjunto da sociedade, pois o preço dos empréstimos passaria a depender da disposição do banco central em comprá-los. Em 2021, a Reserva Federal reformulou suas regras de negociação de ativos após operações de dois dirigentes de alto escalão suscitarem questionamentos éticos.

Ver também

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O Wikinotícias tem notícias relacionadas com este artigo: Categoria:Federal Reserve

Notas

  1. ↑ Uma moeda de oferta "elástica" é aquela cuja quantidade pode aumentar quando pessoas e empresas precisam de mais dinheiro para fazer pagamentos e diminuir quando a necessidade passa. No começo do século XX, essa adaptação era difícil no sistema norte-americano.
  2. ↑ O dinheiro depositado não fica todo guardado em espécie. Os bancos usam parte dele para conceder empréstimos e realizar outros investimentos, mantendo recursos para atender aos saques.
  3. ↑ Compensar um cheque significa conferir a ordem de pagamento e acertar os valores entre o banco de quem o emitiu e o banco de quem vai recebê-lo. Se um banco não aceita esse acerto, o pagamento pode não chegar ao destinatário.
  4. ↑ As câmaras privadas de compensação eram associações de bancos que conferiam pagamentos entre instituições. Em momentos de crise, algumas também juntavam recursos para ajudar membros com dificuldade temporária de dinheiro.
  5. ↑ Uma flutuação sazonal é uma mudança que costuma se repetir em determinada época do ano. Um exemplo é a maior movimentação de dinheiro durante as compras de fim de ano.
  6. ↑ No uso bancário, "redesconto" é uma forma de obtenção de recursos junto ao banco central. Apesar do nome histórico, a operação moderna pode ser um empréstimo garantido por ativos, e não simplesmente o desconto de um cheque ou duplicata.
  7. ↑ Os bancos comerciais mantêm contas no Fed, da mesma maneira que seus clientes mantêm contas neles. Já o governo federal usa o Fed para receber, guardar e movimentar recursos públicos.
  8. ↑ Agir como agente financeiro não significa decidir quanto o governo deve gastar. Significa executar serviços bancários, como receber impostos e fazer pagamentos autorizados pelos órgãos públicos.
  9. ↑ O Bureau of Engraving and Printing é o órgão federal que imprime as cédulas de dólar. O "valor de face" de uma moeda é a quantia escrita nela, independentemente do custo do metal ou da fabricação.
  10. ↑ O nome federal funds pode enganar: não se trata de dinheiro do orçamento do governo federal. São recursos que as instituições financeiras mantêm em contas no banco central e podem emprestar umas às outras.
  11. ↑ A taxa negociada nesse mercado é uma referência para muitos outros juros da economia. O Fed procura influenciá-la, mas não determina diretamente o preço de cada empréstimo feito entre bancos.
  12. ↑ Regular significa estabelecer regras que as instituições precisam cumprir; supervisionar significa verificar, por meio de informações e inspeções, se essas regras estão sendo seguidas.
  13. ↑ Nesse arranjo, algumas decisões pertencem a autoridades públicas nomeadas pelo governo, enquanto os bancos regionais têm estruturas próprias e participação de instituições bancárias privadas. Isso não torna o Fed uma empresa comum.
  14. ↑ A Edge Act é uma lei norte-americana que permite criar instituições especializadas em operações bancárias e financeiras internacionais. O nome vem do senador que apresentou a proposta.
  15. ↑ Nos Estados Unidos, um banco pode obter autorização para funcionar por lei federal ou estadual. O órgão responsável pela fiscalização depende dessa autorização e da participação da instituição no sistema da Reserva Federal.
  16. ↑ Uma auditoria pode verificar documentos, despesas e procedimentos sem decidir qual deveria ter sido a taxa de juros. A lei norte-americana distingue essas tarefas e limita a análise do órgão de fiscalização sobre certas escolhas de política monetária.
  17. ↑ Uma operação especulativa busca lucrar com a mudança esperada no preço de um bem ou ativo, como uma ação ou um imóvel. O risco aumenta quando a compra é financiada por empréstimos que talvez não possam ser pagos.
  18. ↑ Instituição depositária é aquela autorizada a receber depósitos de clientes. Nos Estados Unidos, a expressão abrange diferentes tipos de instituição, não apenas os grandes bancos comerciais.
  19. ↑ Aqui, "varejo" não significa apenas lojas. A expressão inclui pagamentos cotidianos de pessoas e pequenas empresas, como salários, contas e compras.
  20. ↑ Contraparte é a pessoa ou instituição que está do outro lado de uma operação financeira. Em uma transferência entre bancos, por exemplo, há uma instituição que envia o dinheiro e outra que o recebe.
  21. ↑ A independência se refere sobretudo à maneira de tomar certas decisões técnicas sem precisar de aprovação política a cada passo. O Congresso continua podendo mudar as leis que definem as funções e a organização do Fed.
  22. ↑ Uma dotação orçamentária é uma quantia autorizada no orçamento público para determinado gasto. O Fed cobre suas despesas principalmente com receitas de suas próprias operações financeiras.
  23. ↑ O início escalonado significa que os mandatos não terminam todos juntos. Isso dificulta que um único presidente substitua de uma vez todos os membros do Conselho.
  24. ↑ Destituição por justa causa exige um motivo juridicamente justificável. Não é o mesmo que poder trocar um dirigente apenas por discordar da decisão de juros que ele tomou.
  25. ↑ Os outros presidentes regionais participam das discussões, mesmo quando não podem votar. Assim, o comitê ouve avaliações de diferentes partes dos Estados Unidos antes de decidir.
  26. ↑ Um conselho consultivo apresenta opiniões e recomendações, mas não toma a decisão final. No Fed, cabe aos órgãos responsáveis pela política monetária, e não a esse conselho, decidir sobre os juros.
  27. ↑ Os distritos do Fed não correspondem exatamente às fronteiras dos estados norte-americanos. São áreas de atuação bancária definidas historicamente, que podem incluir partes de diferentes estados.
  28. ↑ Nos Estados Unidos, os estados têm suas próprias leis bancárias. Por isso, um banco autorizado pelo estado não é necessariamente igual a um banco autorizado pelo governo federal, mesmo que ambos recebam depósitos do público.
  29. ↑ Dividendos são valores pagos a quem possui participação em uma instituição. Nesse caso, decorrem de uma obrigação legal ligada à condição de banco membro, e não de ações negociadas livremente na bolsa.
  30. ↑ Demanda agregada é o total de bens e serviços que famílias, empresas, governo e compradores estrangeiros procuram adquirir na economia durante um período.
  31. ↑ O nome "mandato duplo" destaca dois objetivos que precisam ser considerados juntos. Em certas situações, estimular contratações pode aumentar a pressão sobre os preços, e conter a inflação pode reduzir o ritmo de crescimento.
  32. ↑ Esses empréstimos costumam durar apenas uma noite: o banco recebe os recursos hoje e os devolve no próximo dia útil. A taxa serve como referência de curto prazo para o restante do mercado.
  33. ↑ Reservas "abundantes" significam que há recursos suficientes no sistema bancário para que pequenas faltas de dinheiro não provoquem grandes saltos nos juros dos empréstimos entre bancos.
  34. ↑ Se um banco recebe juros por deixar suas reservas no Fed, tem menos incentivo para emprestar esse dinheiro a outro banco por uma taxa menor. Esse mecanismo ajuda a orientar os juros de curtíssimo prazo.
  35. ↑ Na operação reversa, o Fed recebe dinheiro por um prazo muito curto e entrega títulos como garantia, comprometendo-se a recomprá-los. Assim, ajuda a estabelecer um piso para determinadas taxas de juros do mercado.
  36. ↑ Um ponto percentual mede a diferença direta entre duas taxas expressas em porcentagem. Se os juros passam de 3% para 3,25%, por exemplo, a alta é de 0,25 ponto percentual.
  37. ↑ Uma taxa administrada é escolhida pela própria autoridade monetária. Já uma taxa de mercado resulta das negociações entre quem oferece dinheiro e quem precisa tomá-lo emprestado.
  38. ↑ Negociantes primários são instituições autorizadas a negociar diretamente com a mesa de operações do banco central norte-americano em mercados específicos. Entre suas funções está participar das operações com títulos públicos.
  39. ↑ Quando as reservas eram relativamente escassas, uma pequena compra ou venda de títulos pelo Fed podia mudar bastante a quantidade de recursos disponível entre os bancos e, assim, influenciar os juros.
  40. ↑ Com muitas reservas no sistema, mover pequenas quantias de dinheiro já não altera os juros da mesma maneira. Por isso, a remuneração das reservas passou a ter importância maior.
  41. ↑ Uma operação compromissada combina a entrega de títulos com o compromisso de desfazer a operação depois, por um preço combinado. Isso permite obter dinheiro por pouco tempo sem vender definitivamente os ativos.
  42. ↑ O nome inglês significa, em termos simples, "facilidade de depósitos a prazo". Diferentemente de uma poupança comum, o instrumento era destinado a instituições financeiras e servia para administrar reservas no sistema bancário.
  43. ↑ Uma oferta-piloto é um teste feito antes da adoção mais ampla de um instrumento. Ela permite verificar se as regras e os sistemas operacionais funcionam como previsto.
  44. ↑ Um título lastreado em hipotecas reúne direitos a pagamentos de muitos financiamentos imobiliários. Quem compra o título passa a receber valores relacionados às prestações desses empréstimos, sujeitos aos riscos da operação.
  45. ↑ Se a exigência fosse de 10%, por exemplo, um banco sujeito à regra precisaria manter reservas equivalentes a uma décima parte dos depósitos considerados no cálculo. Esse percentual não é a mesma coisa que os juros pagos pelo Fed.
  46. ↑ Reservas excedentes são valores que um banco mantém além do mínimo exigido pela regra vigente. Elas também podem existir quando não há exigência mínima de depósito compulsório.
  47. ↑ O estigma, nesse caso, era o receio de que pedir ajuda ao Fed fosse interpretado pelo mercado como sinal de problemas graves, levando outros bancos a interromper empréstimos.
  48. ↑ Um ativo é menos líquido quando demora mais para ser vendido, ou quando só encontra compradores mediante um desconto elevado. Títulos públicos amplamente negociados costumam ser mais fáceis de transformar em dinheiro.
  49. ↑ O nome extenso descreve um programa para ajudar fundos de investimento de curtíssimo prazo a vender papéis comerciais garantidos por ativos. A sigla AMLF tornou-se mais usada do que a abreviação completa.
  50. ↑ Ágio é um valor pago acima de uma referência contábil ou financeira; deságio é um desconto em relação a ela. Os ajustes distribuem essa diferença ao longo do tempo, conforme as regras de contabilização do ativo.
  51. ↑ As letras e os números são notas dadas por agências de classificação de risco. Cada agência usa sua própria escala para indicar a capacidade esperada de pagamento do emissor de um título.
  52. ↑ Um dado ajustado sazonalmente procura retirar oscilações que se repetem em certas épocas do ano, como feriados e períodos de férias. Isso facilita a comparação entre semanas ou meses diferentes.
  53. ↑ Em um empréstimo sem direito de regresso, o credor normalmente pode cobrar a dívida com base na garantia prevista, mas não exigir livremente outros bens do devedor para recuperar eventuais perdas. As condições exatas dependem do contrato.
  54. ↑ As Continentals receberam esse nome porque foram emitidas durante a guerra pelo Congresso Continental, antes de existir o atual governo federal dos Estados Unidos. Seu valor dependia da confiança em receitas públicas futuras.
  55. ↑ Uma moeda de curso legal é um meio de pagamento reconhecido por lei para quitar determinadas dívidas. Nos primeiros anos dos Estados Unidos, havia intenso debate sobre aceitar papel-moeda ou exigir moedas metálicas.
  56. ↑ A autorização funcionava como uma licença concedida por lei para o banco atuar com determinadas funções. Sem renovação, ele não podia continuar a exercê-las nas mesmas condições.
  57. ↑ No sistema do Tesouro Independente, o governo mantinha e movimentava dinheiro público sem depender de um banco central nacional. Essa solução não desempenhava todas as funções que seriam atribuídas ao Fed.
  58. ↑ A moeda de emergência podia ser emitida em circunstâncias excepcionais para enfrentar a falta de dinheiro no sistema financeiro. Era uma resposta temporária à dificuldade de ampliar a quantidade de moeda em circulação.
  59. ↑ O nome se refere ao senador Nelson Aldrich, que liderou a proposta. O plano não foi aprovado naquela forma, mas ajudou a organizar o debate que resultaria na criação da Reserva Federal.
  60. ↑ A ideia combinava uma referência ao ouro com títulos de dívida de curto prazo ligados às atividades comerciais. Desse modo, a oferta de moeda poderia crescer junto com as necessidades de crédito e pagamentos.
  61. ↑ Indicadores econômicos são medidas que ajudam a acompanhar o que acontece na economia, como emprego, produção, preços e consumo. Nenhum deles, isoladamente, mostra todo o quadro.
  62. ↑ Patrimônio líquido é o valor dos bens e aplicações de alguém menos suas dívidas. O nome Flow of Funds, literalmente "fluxo de fundos", é usado em publicações sobre como recursos circulam e se acumulam na economia.
  63. ↑ Essas siglas separam diferentes formas de dinheiro conforme a facilidade de usá-las em pagamentos. Em linhas gerais, os agregados mais amplos incluem valores que não circulam como cédulas, mas podem ser convertidos em meios de pagamento.
  64. ↑ PCE é a sigla em inglês para um índice de preços ligado ao consumo das famílias. Sua cesta de despesas e a forma de dar peso a cada item não são iguais às de outros índices de inflação, como o índice de preços ao consumidor.
  65. ↑ Inflação negativa também é chamada de deflação. Embora pareça uma boa notícia quando os preços caem, uma queda persistente pode levar consumidores e empresas a adiar gastos e tornar dívidas mais pesadas em termos reais.
  66. ↑ Ganho de capital ocorre quando um ativo é vendido por um valor superior ao seu custo; perda de capital ocorre no caso contrário. Esses resultados são diferentes dos juros recebidos enquanto o título é mantido.
  67. ↑ Mercado secundário é o espaço em que investidores negociam títulos que já foram emitidos. O governo não recebe novamente o dinheiro da emissão quando um título existente muda de dono nesse mercado.
  68. ↑ O ativo diferido é um registro contábil das perdas acumuladas que precisarão ser compensadas por resultados futuros antes da retomada dos repasses ao Tesouro. Não é dinheiro guardado numa conta.
  69. ↑ Ativos são os bens e direitos que a instituição possui, como títulos e empréstimos a receber. Passivos são suas obrigações, como depósitos de bancos e dinheiro emitido e colocado em circulação.
  70. ↑ A data identifica uma fotografia contábil de um momento específico. Os valores mudam com frequência e não devem ser confundidos com o saldo atual da Reserva Federal.
  71. ↑ Uma bolha de preços ocorre quando o valor de um ativo sobe muito, impulsionado pela expectativa de novas altas, e fica distante de fatores que normalmente sustentariam seu preço. Se a confiança desaparece, o valor pode cair rapidamente.

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