Fernanda Feitosa (Rio de Janeiro, 1966) é uma advogada, colecionadora de arte e empresária cultural brasileira, conhecida por ser a fundadora e diretora da SP-Arte, uma feira internacional de arte contemporânea realizada anualmente há mais de duas décadas em São Paulo. Sob sua gestão, a SP-Arte teve sua primeira edição em 2005 e se consolidou como a principal feira de arte da América Latina, projetando o Brasil no circuito global das feiras de arte.
Fernanda Feitosa nasceu em 1966 na cidade do Rio de Janeiro. Ela é sobrinha dos pintores Roberto Feitosa, Osmar Dillon e Mário Camargo Pacheco, o que a expôs ao universo das artes desde cedo. Mudou-se ainda jovem para São Paulo, onde mais tarde cursaria o ensino superior. Feitosa é casada com Heitor Sant’Anna Martins – consultor empresarial e dirigente cultural que presidiu a Fundação Bienal de São Paulo (2009–2013) e o Museu de Arte de São Paulo (MASP) – com quem teve dois filhos.
Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e obteve um Master of Laws (LL.M.) em Direito Internacional Bancário pela Universidade de Boston, nos Estados Unidos. Foi durante a graduação em Direito na USP que conheceu seu futuro marido, Heitor Martins, então estudante de administração; após concluírem os estudos no Brasil, ambos seguiram para cursos de pós-graduação nos EUA (ele para um MBA na Universidade de Michigan, ela para o mestrado em Boston).
Após retornar ao Brasil em 1994, Feitosa construiu uma carreira bem-sucedida como advogada no mercado financeiro, atuando em escritórios de advocacia como Levy & Salomão e em bancos internacionais – incluindo o J.P. Morgan – ao longo da década de 1990. No ano 2000, ingressou na então startup de comércio eletrônico Submarino, onde assumiu o cargo de vice-presidente jurídica da companhia. Em meados de 2001, contudo, afastou-se da carreira corporativa ao acompanhar a transferência de seu marido para Buenos Aires, Argentina. Durante esse período no exterior, Feitosa amadureceu a ideia de organizar uma feira de arte no Brasil. Ao voltar ao país em 2004, já trazia consigo um plano de negócios para concretizar esse projeto.
De volta a São Paulo, Fernanda Feitosa decidiu abandonar definitivamente a advocacia para empreender no circuito das artes. Em 2005, fundou a SP-Arte, considerada a primeira feira de arte contemporânea internacional do Brasil. Nas palavras da própria Feitosa, a iniciativa surgiu da constatação de que o país possuía um mercado de arte promissor, com produção artística de alta qualidade e um público em potencial, mas carecia de um evento que conectasse esses agentes nos moldes das grandes feiras internacionais.
Além da feira principal, Feitosa diversificou as iniciativas no setor. Em 2007, passou a organizar a SP-Arte/Foto, feira anual dedicada à fotografia que perdurou até 2019. Em 2014, promoveu uma edição especial da SP-Arte em Brasília, levando o evento pela primeira vez fora do eixo paulista. A partir de 2016, incorporou à SP-Arte um setor exclusivo para design, tornando-se pioneira no Brasil ao unir galerias de arte e de design no mesmo evento. O setor de design da SP-Arte tem o número de participantes crescente a cada edição e tornou-se referência de encontro nacional de design moderno e contemporâneo.
Nos anos seguintes, Feitosa também adaptou a feira às mudanças do mercado. Durante a pandemia de Covid-19, em 2020–2021, a SP-Arte realizou edições virtuais e desenvolveu sua própria plataforma online de Viewing Room para exposição e venda de obras. Em 2022, criou uma nova feira, com periodicidade anual, intitulada “Rotas Brasileiras”, hoje SP-Arte Rotas, com foco na diversidade regional da produção artística nacional, cuja quinta edição será realizada em 2026, destacando artistas e galerias de várias partes do Brasil.
Ao longo de sua trajetória à frente da SP-Arte, Fernanda Feitosa tem sido reconhecida por profissionalizar, dinamizar e internacionalizar o mercado de arte no Brasil. Em entrevistas, ela destaca a importância de aumentar a presença internacional da arte brasileira e de formar novos colecionadores, fomentando um ecossistema cultural mais robusto. Feitosa também integrou, como membro convidada, o Comitê de Indicação do Prêmio PIPA (Prêmio Investidor Profissional de Arte) nas edições de 2010 e 2011.
Como resultado de sua contribuição ao mercado de arte, Fernanda Feitosa recebeu prêmios e honrarias. Em 2017, foi a vencedora do 22º Prêmio CLAUDIA na categoria Negócios, premiação concedida pela revista Claudia às mulheres de destaque em diferentes áreas. O prêmio reconheceu seu trabalho à frente da SP-Arte, que colocou o Brasil no roteiro do mercado mundial de arte e incentivou a valorização dos artistas brasileiros.
Em 2018, recebeu o Prêmio Cidade de São Paulo, outorgada pela Prefeitura a personalidades e empresas que contribuem para o desenvolvimento da capital paulista.
Em 2019, foi laureada no Prêmio Estado de São Paulo para as Artes na categoria Mostras, festivais, mercados e eventos culturais, pela realização da 15ª edição da SP–Arte e da 13ª edição do SP–Foto.
Em 2022, foi condecorada com a Medalha Tarsila do Amaral, honraria vinculada ao Prêmio Governo do Estado de São Paulo para as Artes, em cerimônia realizada no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.
Em âmbito internacional, é referenciada em publicações de arte e negócios como uma das principais líderes culturais da América Latina.
Entre 2009 e 2012, foi membro do Comitê Latino-Americano de Aquisições da Tate Modern (Tate Latin American Acquisitions Committee. Feitosa integra o Programa de Patronos da Pinacoteca de São Paulo, iniciativa da qual foi patrona fundadora em 2012, e é patrona do Museu de Arte de São Paulo (MASP) desde 2016.