Eduardo Ferro Rodrigues

Eduardo Ferro Rodrigues
GCC • GCL
Ferro Rodrigues
14.º Presidente da Assembleia da República
Período23 de outubro de 2015 até
29 de março de 2022
LegislaturasXIV da República Portuguesa;
XIII da República Portuguesa
Antecessor(a)Assunção Esteves
Sucessor(a)Augusto Santos Silva
Conselheiro de Estado
Período12 de Janeiro de 2016 a
29 de Março de 2022
Antecessor(a)Assunção Esteves
Sucessor(a)Augusto Santos Silva
Ministro de Portugal
PeríodoXIV Governo Constitucional
  • Ministro do Equipamento Social
  • Ministro do Trabalho e da Solidariedade

XIII Governo Constitucional

  • Ministro do Trabalho e da Solidariedade
  • Ministro da Solidariedade e Segurança Social
Secretário-Geral do Partido Socialista
Período21 de janeiro de 2002 a
27 de setembro de 2004
Antecessor(a)António Guterres
Sucessor(a)José Sócrates
Deputado à Assembleia da República pelo Distrito de Lisboa
Período1985 a 1987
1991 a 1999
2002 a 2022
Deputado à Assembleia da República pelo Distrito de Aveiro
Período1987 a 1991
Deputado à Assembleia da República pelo Distrito de Leiria
Período1999 a 2002
Dados pessoais
Nascimento3 de novembro de 1949 (77 anos)
Lisboa
PartidoPartido Socialista
ProfissãoEconomista

Eduardo Luiz Barreto Ferro Rodrigues GCC • GCL (Lisboa, 3 de novembro de 1949) é um economista e político português. Foi secretário-geral do Partido Socialista (2002-2004) e o 14º Presidente da Assembleia da República, na XIII e XIV Legislatura.

Vida política

Concluiu os estudos secundários no Liceu Francês (Lyceé Français Charles Lepierre) e ingressou em seguida no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, actual ISEG.

Ativista na contestação à ditadura, foi perseguido pela PIDE e, logo após a Revolução de 25 de Abril de 1974, foi um dos fundadores do Movimento de Esquerda Socialista (MES). Neste grupo, fez parte do Comité Central e simultaneamente director do jornal do partido chamado Poder Popular. Desempenhou um relevante papel no período subsequente à Revolução dos Cravos, militaram também Jorge Sampaio ou Alberto Martins, que, tal como Ferro Rodrigues, viriam a aderir ao Partido Socialista.

Foi um dos fundadores dos Grupos Dinamizadores de Unidade Popular e segundo Otelo Saraiva de Carvalho, estes terão sido criados na sua casa na Lapa.

Licenciado em Economia, fez carreira na função pública, sendo técnico superior do Gabinete de Estudos Básicos de Economia Industrial (GEBEI) e, ainda hoje, professor auxiliar convidado no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.

Afastado do MES, foi convidado por Mário Soares a candidatar-se como independente nas listas do PS, nas eleições legislativas de 1985. Em 1986, inscrevia-se formalmente no PS, sendo reeleito deputado nas legislaturas subsequentes. Com a vitória de António Guterres nas legislativas de 1995, foi nomeado Ministro da Solidariedade e Segurança Social até 1997 e, posteriormente, Ministro do Trabalho e da Solidariedade, pasta em que foi reconduzido na sequência das legislativas de 1999. Em 2001, passou a Ministro do Equipamento Social, cargo que abandonou em 2002, na sequência da demissão de António Guterres.

Nesse mesmo ano, foi eleito secretário-geral do PS. Nas eleições legislativas subsequentes, o seu partido obteve 37,8%, perdendo para os 40,1% do Partido Social Democrata, então liderado por José Manuel Durão Barroso. Em junho de 2003, ainda sob a sua direção, o PS obteve o seu melhor resultado de sempre em eleições para o Parlamento Europeu (44,5%, face a 33,3% do PSD). A 9 de julho de 2004, na sequência da crise política provocada pela decisão do Presidente Jorge Sampaio em nomear um novo governo sob a liderança do PSD, subsequentemente à ida de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia demitiu-se da liderança do PS. Sucedeu-lhe José Sócrates, que defrontou com sucesso as eleições legislativas de 2005, ganhando com maioria absoluta sobre o PSD de Pedro Santana Lopes.

Em 2005, Ferro Rodrigues passou a assumir o cargo de representante permanente de Portugal junto da OCDE, em Paris. Deixou a OCDE em abril de 2011 para ser candidato às eleições legislativas desse ano. Uma vez eleito deputado, seria em seguida eleito pelos seus pares vice-presidente da Assembleia da República e, após a eleição de António Costa para secretário-geral, em novembro de 2014, passou a presidir ao Grupo Parlamentar do PS, substituindo Carlos Zorrinho.

Eduardo Ferro Rodrigues e Nancy Pelosi na Assembleia da República.

Na sequência das legislativas de 2015, seria eleito, em 23 de outubro do mesmo ano, Presidente da Assembleia da República Portuguesa, sob proposta do PS, que contou com o apoio de toda a esquerda parlamentar, da XIII Legislatura, com 120 votos a favor, 108 votos contra (do candidato Fernando Negrão, apoiado por PSD e CDS-PP) e 2 votos em branco. Foi enquanto Presidente da AR, por inerência, membro do Conselho de Estado. Em 25 de outubro de 2019, na sequências das eleições legislativas desse ano, foi novamente eleito Presidente da Assembleia da República para a XIV Legislatura, com 178 votos a favor, 44 contra e oito nulos, tendo cessado funções com o termo da legislatura, em 29 de março de 2022, e optando por não se recandidatar a novo mandato como deputado.

Condecorações

Funções governamentais

Família

Filho de Eduardo Alberto Ferro dos Santos Rodrigues e de sua mulher Marieta Paula Cidade Barreto, é casado com Maria Filomena Lopes Peixoto de Aguilar (Lisboa, 8 de setembro de 1947), economista, de quem teve dois filhos: João Luís de Aguilar Ferro Rodrigues, economista, e Rita Ferro Rodrigues, apresentadora de televisão.

Processo Casa Pia

Em 21 maio de 2003, no âmbito da detenção do deputado do Partido Socialista (PS) Paulo Pedroso, suspeito de crimes de abuso sexual de menores no Processo Casa Pia, Eduardo Ferro Rodrigues, então secretário-geral do PS e líder da oposição, compareceu numa conferência de imprensa na Assembleia da República, acompanhado por António Costa, presidente do Grupo Parlamentar do PS, e pelo próprio Paulo Pedroso.

Na ocasião, Ferro Rodrigues criticou severamente a atuação judicial e sustentou que a detenção de Paulo Pedroso integrava uma «cabala» da coligação PSD/CDS-PP contra o PS. Segundo o conteúdo de interceções telefónicas realizadas no âmbito do processo, Ferro Rodrigues transmitiu essa interpretação a António Costa e a outras personalidades, associando o caso a uma pretensa vingança do então líder do CDS-PP, Paulo Portas, visado no processo da Universidade Moderna.

Nas mesmas interceções, Ferro Rodrigues referiu ter conhecimento de que o seu nome poderia ser mencionado no processo Casa Pia. O então procurador-geral da República, José Souto de Moura, desmentiu que fosse suspeito, mas o semanário Expresso noticiou posteriormente referências a Ferro Rodrigues no processo. Este qualificou as insinuações como uma «calúnia infame».

As escutas revelaram ainda que Ferro Rodrigues e António Costa terão procurado que o procurador-geral da República interviesse junto do procurador João Guerra, titular do inquérito, com vista a evitar a detenção de Paulo Pedroso. No dia da detenção, ambos terão concluído, nas conversas registadas, que a medida competia ao juiz de instrução criminal, Rui Teixeira, razão pela qual consideraram inútil um eventual encontro entre o presidente da República, Jorge Sampaio, e o procurador-geral.

António Costa foi igualmente ouvido, em escuta, a afirmar que «uma testemunha da Judiciária não é fiável», o que foi interpretado como revelador de conhecimento sobre elementos do processo. Ferro Rodrigues declarou, numa conversa com Costa: «estou-me cagando [sic] para o segredo de justiça». Posteriormente, justificou os contactos como uma atitude de autodefesa, negando ter procurado pressionar a magistratura.

Paulo Pedroso foi constituído arguido, detido e sujeito a prisão preventiva no processo Casa Pia, mas nunca foi pronunciado para julgamento, nem julgado quanto à matéria de facto, nem condenado. A decisão de não pronúncia tornou-se definitiva após a fase instrutória. Em 2018, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou que a sua privação de liberdade violou o artigo 5.º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos e condenou o Estado português a pagar-lhe 68 mil euros..

Em 2007, na sequência de declarações de duas testemunhas que alegaram tê-lo visto em locais associados aos abusos, Ferro Rodrigues intentou contra elas uma ação por difamação.. O tribunal não deu provimento a essa pretensão, entendendo que as testemunhas não deviam ser condenadas por declarações prestadas no cumprimento de um dever legal..

Em conclusão, no processo Casa Pia, Ferro Rodrigues foi apenas referenciado e ouvido como testemunha, nunca tendo sido constituído arguido nem acusado.

Resultados eleitorais

Eleições legislativas

Data Partido Circulo eleitoral Posição Cl. Votos % +/- Resultado Notas Ref.
1975 Movimento de Esquerda Socialista
(MES)
Lisboa 2.º (em 55) 8.º 13 732
1,08 / 100,00
Não eleito
1976 Setúbal 2.º (em 17) 9.º 2 242
0,65 / 100,00
Não eleito
1985 Partido Socialista
(PS)
Lisboa 25.º (em 56) 4.º 255 030
19,80 / 100,00
Não eleito
1987 Aveiro 6.º (em 15) 2.º 81 675
23,31 / 100,00
Não eleito
1991 Lisboa 7.º (em 50) 2.º 365 112
30,26 / 100,00
Eleito
1995 8.º (em 50) 1.º 559 551
45,07 / 100,00
Aumento14,81 Eleito Ministro da Solidariedade e Segurança Social (1995–1997)
Ministro do Trabalho e da Solidariedade (1997–2001)
Ministro do Equipamento Social (2001–2002)
1999 Leiria 1.º (em 10) 2.º 89 593
37,57 / 100,00
Eleito
2002 Lisboa 1.º (em 48) 1.º 440 790
38,66 / 100,00
Eleito Secretário-Geral do PS (2002–2004)
2005 7.º (em 48) 1.º 523 537
45,58 / 100,00
Aumento6,92 Eleito
2011 1.º (em 47) 2.º 322 034
28,68 / 100,00
Eleito Vice-Presidente da Assembleia da República (2011–2014)
Presidente do Grupo Parlamentar do PS (2014–2015)
2015 2.º (em 47) 2.º 386 437
34,72 / 100,00
Aumento6,04 Eleito Presidente da Assembleia da República (2015–2022)
2019 3.º (em 48) 1.º 404 015
38,13 / 100,00
Aumento3,41 Eleito

Trabalhos publicados

Tem artigos e trabalhos publicados em vários órgãos de imprensa e colaboração dispersa em revistas e obras colectivas, de que se destaca:

Referências

  1. 1 2 3 «Eduardo Ferro Rodrigues, Assembleia da República»
  2. ↑ Cf. consta do Mapa Oficial n.º 9-A/2019, de 22 de outubro - Mapa oficial com o resultado da eleição e a relação dos deputados eleitos para a Assembleia da República em 6 de outubro de 2019
  3. 1 2 «Biografia». www.parlamento.pt. Consultado em 18 de novembro de 2021
  4. ↑ «Poder Popular : Orgão do Movimento de Esquerda Socialista» (PDF). Poder Popular. Fascismo quer regressar com eleições. 10 de março de 1976
  5. ↑ «Otelo, o estratega de Abril». Viriato Teles. Consultado em 5 de abril de 2022
  6. ↑ «Ephemera Diário: Ferro Rodrigues numa festa do GDUP de Linda-a-Velha (1976)». TVI Notícias. 6 de abril de 2020
  7. ↑ «Ferro Rodrigues eleito presidente da Assembleia da República». TVI24. Consultado em 18 de novembro de 2021
  8. ↑ Ferro Rodrigues eleito novamente presidente da Assembleia da República, Lusa/ECO 25.10.2019
  9. 1 2 3 «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Estrangeiras». Resultado da busca de "Eduardo Ferro Rodrigues". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 6 de fevereiro de 2015
  10. 1 2 «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 22 de maio de 2022
  11. ↑ «DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO - Seção 1 | Nº 222, sexta-feira, 26 de novembro de 2021». Imprensa Nacional. 26 de novembro de 2021. p. 24. Consultado em 10 de fevereiro de 2024
  12. ↑ «Casa Pia: Paulo Pedroso sob suspeita». TVI Notícias. Consultado em 1 de novembro de 2026
  13. ↑ Citação vazia (ajuda)
  14. ↑ «FERRO RODRIGUES SATISFEITO COM IDA AO DIAP». www.cmjornal.pt. 4 de junho de 2003. Consultado em 1 de novembro de 2026
  15. ↑ A Mediatização do Escândalo Político em Portugal no Período Democrático: padrões de cobertura jornalística nos seminários de referência - Tese de doutoramento de Bruno Ricardo Vaz Paixão em Ciências da Comunicação, no ramo de Estudos do Jornalismo, apresentada ao Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
  16. ↑ «Novas escutas telefónicas no processo Casa Pia». Público. 17 de outubro de 2003. Consultado em 27 de janeiro de 2024
  17. ↑ «Casa Pia: Ferro Rodrigues só acreditou que estava envolvido depois de falar com Saldanha Sanches». Sol. Consultado em 27 de abril de 2011
  18. ↑ Portugal, Rádio e Televisão de (9 de novembro de 2005). «Decisão do Tribunal da Relação sobre caso Casa Pia demorou 17 meses». Decisão do Tribunal da Relação sobre caso Casa Pia demorou 17 meses. Consultado em 1 de novembro de 2026
  19. ↑ «TVI24». tvi24.iol.pt. Consultado em 18 de novembro de 2021
  20. ↑ «TVI24». tvi24.iol.pt. Consultado em 18 de novembro de 2021
  21. ↑ «Casa Pia: Ferro Rodrigues reafirma que foi abusivamente envolvido no processo». Público. 20 de dezembro de 2007. Consultado em 27 de abril de 2011
  22. ↑ «Eleger deputados revolucionários do M.E.S. é colocar na Constituinte militantes que saberão lutar para que a Constituição não seja um instrumento de dominação e repressão dos trabalhadores». Poder Popular (4). 3 de abril de 1975. Consultado em 16 de abril de 2025
  23. ↑ «Unir o Povo contra o Fascismo!» (PDF). Poder Popular (33): 6-7. 17 de março de 1976. Consultado em 16 de abril de 2025
  24. ↑ «Mapa Oficial da CNE» (PDF). Comissão Nacional de Eleições. 10 de agosto de 1987. Consultado em 16 de abril de 2025
  25. ↑ «Mapa Oficial da CNE» (PDF). Comissão Nacional de Eleições. 29 de outubro de 1991. Consultado em 3 de março de 2025
  26. ↑ «Mapa Oficial da CNE» (PDF). Comissão Nacional de Eleições. 24 de outubro de 1995. Consultado em 3 de março de 2025
  27. ↑ «Mapa Oficial n.º 2-A/99» (PDF). Comissão Nacional de Eleições. 22 de outubro de 1999. Consultado em 16 de abril de 2025
  28. ↑ «Mapa Oficial n.º 1-A/2002» (PDF). Comissão Nacional de Eleições. 2 de abril de 2002. Consultado em 3 de março de 2025
  29. ↑ «Mapa Oficial n.º 1-A/2005» (PDF). Comissão Nacional de Eleições. 8 de março de 2005. Consultado em 3 de março de 2025
  30. ↑ «Mapa Oficial n.º 6-A/2011» (PDF). Comissão Nacional de Eleições. 17 de junho de 2011. Consultado em 3 de março de 2025
  31. ↑ «Mapa Oficial n.º 2-B/2015» (PDF). Comissão Nacional de Eleições. 25 de outubro de 2015. Consultado em 16 de abril de 2025
  32. ↑ «Mapa Oficial n.º 2-B/2015» (PDF). Comissão Nacional de Eleições. 20 de outubro de 2015. Consultado em 16 de abril de 2025

Precedido por
José Falcão e Cunha
(como ministro do Emprego e da Segurança Social)
Ministro da Solidariedade e Segurança Social
XIII Governo Constitucional
1995 – 1997
Sucedido por
o próprio
(como ministro do Trabalho e da Solidariedade)
Precedido por
o próprio
(como ministro da Solidariedade e Segurança Social)
Maria João Rodrigues
(como ministra para a Qualificação e o Emprego)
Ministro do Trabalho e da Solidariedade
XIII e XIV Governos Constitucionais
1997 – 2001
Sucedido por
Paulo Pedroso
Precedido por
Jorge Coelho
Ministro do Equipamento Social
XIV Governo Constitucional
2001 – 2002
Sucedido por
José Sócrates
(por delegação de funções)
Precedido por
António Guterres
Secretário-Geral do Partido Socialista
2002 – 2004
Sucedido por
José Sócrates
Precedido por
Assunção Esteves
Presidente da Assembleia da República
2015 – 2022
Sucedido por
Augusto Santos Silva