Festribal de Juruti | |
|---|---|
Apresentação da Tribo Muirapinima em 2019 | |
| Período de atividade | 1995-presente |
| Número de edições | 31 |
| Local(is) | Tribódromo, Juruti |
| Data(s) | fim de julho/início de agosto |
| Gênero | Folclore |
| Página oficial | https://juruti.pa.gov.br/ |
O Festival das Tribos Indígenas de Juruti ou Festribal é uma festa cultural brasileira criada na cidade de Juruti, no oeste do Pará, é realizada sempre no último fim de semana do mês de julho ou início de agosto. Criada em 1995, a disputa resgata em forma de espetáculo a cultura indígena nativa da cidade, sendo uma das maiores manifestações culturais da Amazônia. Desde 2008, o Festival é considerado Patrimônio Cultural do Pará e desde 2011, Patrimônio Cultural do Município de Juruti.
O palco das apresentações é o Tribódromo, arena onde as tribos se apresentam, com capacidade para 15 mil expectadores. No tribódromo as tribos Muirapinima (vermelho e azul) e Munduruku (vermelho e amarelo) se enfrentam pela conquista do título. O Festival das Tribos Indígenas de Juruti é transmitido ao vivo pela TV Cultura do Pará, afiliada-mista entre a TV Brasil e a TV Cultura. Além da cobertura especial realizada pela TV Tapajós, afiliada da TV Globo.
O Festribal nasceu como uma ramificação do Festival Folclórico de Juruti, que desde 1986 apresentava cordões de pássaros, quadrilhas, bumba-meu-boi e carimbó, até que em 1993, surge uma grupo de dança com coreografia indígena de nome "Tribo Munduruku". Como não havia essa categoria no festival, no ano seguinte foi criado um outro grupo intitulado "Tribo Muirapinima" para concorrer com os Mundurukus. Com a definição da disputa, o festival ganhou proporções maiores e tornou-se um espetáculo grandioso, cheio de cor, dança, música, artes cênicas e alegorias.
A primeira disputa entre as tribos ocorre em 1995 e projeta o município para o turismo, potencializando o desenvolvimento social e econômico da cidade de Juruti. A festividade hoje é destaque na área cultural pela grandiosidade, e é comparada à outros grandes festivais folclóricos brasileiros, como o Festival de Parintins. A festa retrata a cultura indígena em forma de música, artes cênicas, alegorias e danças. O modo de vida do caboclo, os rituais indígenas, o pescador e o farinheiro são algumas das inspirações do festival. Todos os anos é escolhido um tema para o Festribal com o objetivo de manter viva na memória da população a história cultura do povo, onde cada grupo se apresenta com cerca de mil pessoas/integrantes, que são julgados por uma comissão externa (profissionais de outras regiões do País) que atribuem notas para: Apresentador, Porta Estandarte, Guardiã Tribal, Tuxaua, Índia Guerreira, Pajé, Canto Indígena, Regional, Evolução, Ritual Indígena, Alegoria, Tribo Originalidade, Tribo Coreografada, Originalidade em Conjunto, Harmonia e Galera.
As tribos se apresentam no “Tribódromo”, um espaço construído especialmente para a disputa, em forma de canoa, a arena que passou por ampliação em 2024, conta com estrutura moderna e acessível para os milhares de expectadores que todos os anos prestigiam as apresentações. Com o grande público que todos os anos participa da festa, a prefeitura disponibiliza estruturas de segurança, saúde e serviços, e dispõe de uma programação para receber os turistas, como a Festa dos Visitantes, que conta com shows de grandes artistas da música brasileira, potencializando o evento.

Os Munduruku habitavam na região dos Rios Madeiras e Tapajós. Após várias lutas travadas com outros povos mudaram-se chegando às nossas terras por volta de 1818. Assim aconteceu a fundação do município de Juruti. Eles praticavam a pesca, a caça, a agricultura e adoravam Rairú, o deus protetor. Desta forma, Juruti é considerada o berço Munduruku.
O Grupo Folclórico "Tribo Munduruku" foi fundado no dia 4 de julho de 1993, liderado por Carmen Barroso, Adercias Batista e Jim Jones Batista, com o objetivo de resgatar os valores do folclore local, em forma de dança indígena, artes cênicas e rituais. O nome deu-se pelos primeiros habitantes da localidade, que eram os indígenas Mundurukus. Em sua trajetória o Grupo Folclórico Mundurukus, proporciona uma viagem de mistérios e originalidade, e todos os espetáculos são intitulados como forma de reverência, através de sua dança, rituais, tradições e sabedoria.

É a tribo que habitava as margens do Lago Juruti Velho – parte antiga da atual cidade de Juruti - e que deu origem a vila de mesmo nome. Muirapinima é também o nome de uma árvore comum da região. Por sua beleza e tipo de caule é considerada de grande valor (madeira de lei). Como forma de homenagem e amor pela natureza, os índios se autodenominaram com o nome dessa árvore. A tribo Muirapinima é representada pelas cores azul e vermelho, e trouxe o canto “Legado Indígena” ressaltando a importância dos povos indígenas impresso nos costumes, tradições e lendas.
Rivalidade histórica
O nascimento de um curumim com traços diferentes (mais claro e cabelo avermelhado) na aldeia Munduruku não foi bem aceito. A família do curumim se rebelou contra o cacique Munduruku e, junto com mais alguns índios, refugiou-se às margens do Lago do Juruti-Velho, onde havia um bosque de Muirapinimas, árvore cuja madeira de lei era utilizada para a fabricação de móveis no período colonial. Em homenagem à árvore, a tribo dissidente se autodenominou Muirapinima e passou a ser inimiga da sua antiga tribo. Agora, as apresentações representam as antigas competições.
| Ano | Campeão | Vice-campeão |
|---|---|---|
| 2026 | Não houve disputa devido a reforma do Tribódromo | |
| 2025 | ||
| 2024 | Munduruku
Amazônia Indígena |
Muirapinima
Wiyae: O Canto de Resistência Pindorama |
| 2023 | Munduruku
Povos Indígenas, Guardiões do Território Ancestral |
Muirapinima
Terra Indígena: Nossos Pés, Nossas Raízes |
| 2022 | Munduruku
Povos Originários, Herdeiros da Terra-Floresta |
Muirapinima
Liberdade |
| 2021 | Não ocorreu devido a Pandemia de COVID-19 | |
| 2020 | ||
| 2019 | Muirapinima
Legado Indígena |
Munduruku
Brasil, Não Silenciarás Nosso Canto Ancestral |
| 2018 | Munduruku
Amazônia dos Cacicados à Profecia das Savanas |
Muirapinima
Amazônia Sateré Mawé: A Essência da Vida |
| 2017 | Muirapinima
Mística da Vida |
Munduruku
Mistério dos Pajés |
| 2016 | Munduruku
Mitos |
Muirapinima
Espíritos |
| 2015 | Munduruku
Rituais |
Muirapinima
Ensinança Ancestral |
| 2014 | Munduruku
Celebração |
Muirapinima
Cosmogonia |
| 2013 | Muirapinima
Crença |
Munduruku
O Mundo das Encantarias |
| 2012 | Munduruku
Xamanismo |
Anulado |
| Muraipinima
Misticismo | ||
| 2011 | Muirapinima
Ancestralidade |
Munduruku
Sabedoria Indígena |
| 2010 | Munduruku
Pajelança |
Muirapinima
Nosso Amor |
| 2009 | Muirapinima
Natureza Sagrada: Ihé Uru Aîhu |
Munduruku
Amazônia Terra-Mãe |
| Tribos | Títulos | Vices | Empates | |
|---|---|---|---|---|
| Munduruku | 17 | 13 | 4 | |
| Muirapinima | 13 | 17 | 4 | |
Durante os anos 2000, a transmissão era realizada pelo Grupo Amazon Sat, com cobertura ao vivo, reportagens para telejornais, matérias para programas próprios e flashes na programação, sendo transmitido para toda a Região Norte, via TV por assinatura e internet. Desde 2014, a cobertura do evento ao vivo é feita pela TV Cultura do Pará, para todo o estado do Pará, com uma transmissão 6h30 de duração.
Em 2022, a TV Brasil exibiu a 28ª edição do Festribal, com o tema “O Reencontro dos Povos”. Após dois anos sem a realização presencial por conta da pandemia da Covid-19, o evento voltou a sua forma tradicional com o reencontro das tribos Munduruku (vermelha e amarela) e Muirapinima (vermelha e azul) para mais um duelo da arte e da cultura indígenas. Também naquele ano, o Festribal 2022 foi coberto pela primeira vez pela TV Globo, ganhando um programa especial produzido pela TV Tapajós. Além da transmissão local, o especial foi disponibilizado na plataforma Globoplay.