| Fílon de Alexandria | |
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Filon fra Alexandria, et antatt forestilling fra en tysk gravering. | |
| Nascimento | 15 a.C. Alexandria |
| Morte | 50 Alexandria |
| Cidadania | Roma Antiga |
| Etnia | Hebreus |
| Irmão(ã)(s) | Alexander the Alabarch |
| Ocupação | filósofo, historiador, escritor, teólogo |
| Obras destacadas | Against Flaccus, About the contemplative life, On the Embassy to Gaius |
| Movimento estético | Médio platonismo, estoicismo |
Filão de Alexandria ([ˈfaɪloʊ]; em grego clássico: Φίλων; em hebraico: יְדִידְיָה; c. 20 AC), também chamado de Philō Judæus, foi um filósofo judaico-helenístico que viveu em Alexandria, na província romana do Egito.
O único evento na vida de Filão que pode ser datado com certeza é sua representação dos judeus alexandrinos em uma delegação ao imperador romano Calígula em 40 d.C., após conflitos civis entre as comunidades judaica e grega de Alexandria.
Filão foi um importante escritor da comunidade judaica helenística em Alexandria, Egito. Ele escreveu extensivamente em grego koiné sobre filosofia, política e religião em sua época; especificamente, ele explorou as conexões entre a filosofia platônica grega e o Judaísmo do Segundo Templo tardio. Por exemplo, ele defendia que a Septuaginta em língua grega e a lei judaica ainda em desenvolvimento pelos rabinos da época serviam juntas como um modelo para a busca do esclarecimento individual.
Filão usou a alegoria filosófica para harmonizar a Bíblia hebraica, principalmente a Torá, com a filosofia grega. Seu método seguia as práticas tanto da exegese judaica quanto do estoicismo. Sua exegese alegórica foi importante para muitos Padres da Igreja cristãos, mas ele teve muito pouca recepção dentro do Judaísmo rabínico. Muitos críticos de Filão assumiram que sua perspectiva alegórica, em contraste com o Literalismo bíblico, daria credibilidade à noção de lenda em detrimento da historicidade. No entanto, Filão frequentemente defendia uma compreensão literal da Torá e a historicidade de tais eventos descritos, enquanto em outras ocasiões favorecia leituras alegóricas.
Alguns estudiosos sustentam que seu conceito do Logos como princípio criativo de Deus influenciou a Cristologia primitiva. Outros estudiosos negam a influência direta, mas dizem que Filão e o Cristianismo primitivo tomam emprestado de uma fonte comum.
As datas de nascimento e morte de Filão são desconhecidas, mas podem ser julgadas pela descrição que Filão faz de si mesmo como "velho" quando fez parte da delegação a Gaio Calígula em 38 d.C. O professor de história judaica Daniel R. Schwartz estima seu ano de nascimento entre 15 e 10 a.C. A referência de Filão a um evento durante o reinado do imperador Cláudio indica que ele morreu entre 45 e 50 d.C. Filão também relata que visitou o Segundo Templo em Jerusalém pelo menos uma vez em sua vida.
Embora os nomes de seus pais sejam desconhecidos, sabe-se que Filão veio de uma família nobre, honrada e rica. Seu pai ou avô paterno recebeu a cidadania romana do ditador romano Caio Júlio César. Jerônimo escreveu que Filão veio de genere sacerdotum (de uma família sacerdotal). Seus ancestrais e família tinham laços sociais e conexões com o sacerdócio na Judeia, a dinastia hasmoneia, a dinastia herodiana e a dinastia júlio-claudiana em Roma.
Filão tinha um irmão, Alexandre Lisímaco, que era o administrador geral de impostos alfandegários em Alexandria. Ele acumulou uma quantidade imensa de riqueza, tornando-se não apenas o homem mais rico daquela cidade, mas também em todo o mundo helenístico. Alexandre era tão rico que emprestou dinheiro à esposa do rei Herodes Agripa, além de ouro e prata para revestir os nove portões do templo em Jerusalém. Devido à sua riqueza extrema, Alexandre também foi influente nos círculos imperiais romanos como amigo do imperador Cláudio. Através de Alexandre, Filão teve dois sobrinhos, Tibério Júlio Alexandre e Marco Júlio Alexandre. Este último foi o primeiro marido da princesa herodiana Berenice. Marco morreu em 43 ou 44. Alguns estudiosos identificam Alexandre Lisímaco como o Alexandre mencionado no Livro de Atos, que presidiu o julgamento de João e Pedro perante o Sinédrio.
Filão viveu em uma era de crescente tensão étnica em Alexandria, exacerbada pelos novos rigores do domínio imperial. Alguns helenos (gregos) expatriados em Alexandria condenavam os judeus por uma suposta aliança com Roma, mesmo quando Roma procurava suprimir a identidade nacional e cultural judaica na província romana da Judeia. Em Antiguidades Judaicas, Josefo conta sobre a seleção de Filão pela comunidade judaica alexandrina como seu principal representante perante o imperador romano Gaio Calígula. Ele diz que Filão concordou em representar os judeus alexandrinos sobre a desordem civil que se desenvolveu entre judeus e gregos. Josefo também nos diz que Filão era hábil em filosofia e que era irmão do alabarca Alexandre. De acordo com Josefo, Filão e a comunidade judaica mais ampla se recusaram a tratar o imperador como um deus, a erguer estátuas em homenagem ao imperador e a construir altares e templos para o imperador. Josefo diz que Filão acreditava que Deus apoiava ativamente essa recusa.
Os comentários completos de Josefo sobre Filão:
Houve agora um tumulto em Alexandria, entre os habitantes judeus e os gregos; e três embaixadores foram escolhidos de cada parte que estavam em desacordo, que vieram a Gaio. Ora, um desses embaixadores do povo de Alexandria era Ápion, (29) que proferiu muitas blasfêmias contra os judeus; e, entre outras coisas que disse, acusou-os de negligenciar as honras devidas a César; pois que enquanto todos os que estavam sujeitos ao império romano construíam altares e templos a Gaio, e em outros aspectos o recebiam universalmente como recebiam os deuses, esses judeus sozinhos achavam desonroso erguer estátuas em sua homenagem, bem como jurar por seu nome. Muitas dessas coisas severas foram ditas por Ápion, com as quais esperava provocar a ira de Gaio contra os judeus, como era provável que acontecesse. Mas Filão, o principal da embaixada judaica, homem eminente em todos os aspectos, irmão de Alexandre, o Alabarca, (30) e não inábil em filosofia, estava pronto para se defender contra essas acusações; mas Gaio o proibiu e mandou que se retirasse; ele também estava tão furioso que ficou evidente que estava prestes a fazer-lhes algum grande dano. Assim, Filão, sendo assim insultado, saiu e disse aos judeus que estavam ao seu redor que deveriam ter bom ânimo, pois as palavras de Gaio mostravam de fato raiva contra eles, mas na realidade já haviam posto Deus contra si mesmo.
Este evento também é descrito no Livro 2, Capítulo 5 da Historia Ecclesiae de Eusébio.
Filão, junto com seus irmãos, recebeu uma educação completa. Eles foram educados na cultura helenística de Alexandria e na cultura da Roma antiga, em certa medida na religião do Antigo Egito e particularmente nas tradições do Judaísmo, no estudo da literatura tradicional judaica e na filosofia grega.
Em suas obras, Filão mostra uma extensa influência não apenas de filósofos como Platão e os Estoicos, mas também de poetas e oradores, especialmente Homero, Eurípides e Demóstenes. A maior influência filosófica de Filão foi Platão, baseando-se fortemente no Timeu e no Fedro, e também no Fédon, Teeteto, Banquete, República e Leis.
A extensão do conhecimento de hebraico de Filão, no entanto, é debatida. Filão era mais fluente em grego do que em hebraico e lia as Escrituras Judaicas principalmente a partir da Septuaginta, uma tradução em grego koiné de textos hebraicos posteriormente compilados como a Bíblia hebraica e os livros deuterocanônicos. Suas numerosas etimologias de nomes hebraicos, que seguem a linha do midrash etimológico do Gênesis e do rabinismo anterior, embora não sejam a filologia hebraica moderna, sugerem alguma familiaridade. Filão oferece para alguns nomes três ou quatro etimologias, incluindo às vezes a raiz hebraica correta (por exemplo, em hebraico: י־ר־ד; romaniz.: descer como a origem do nome Jordão). No entanto, suas obras não demonstram muito entendimento da gramática hebraica e tendem a seguir a tradução da Septuaginta mais de perto do que a versão hebraica.
Filão identificou o anjo do Senhor (no singular) com o Logos. No texto atribuído a Filão, ele "usa consistentemente Κύριος como uma designação para Deus". De acordo com David B. Capes, "o problema para este caso, no entanto, é que os estudiosos cristãos são responsáveis por copiar e transmitir as palavras de Filão para as gerações posteriores", e acrescenta,
George Howard analisa as evidências e conclui: "Embora seja improvável que Filão tenha variado do costume de escrever o Tetragrama ao citar as Escrituras, é provável que ele tenha usado a palavra Κύριος ao fazer uma referência secundária ao nome divino em sua exposição".
James Royse conclui:
(1) o exegeta [Filão] conhece e lê manuscritos bíblicos nos quais o tetragrama é escrito em paleo-hebraico ou aramaico e não traduzido por kyrios e que (2) ele cita as escrituras da mesma forma que as teria pronunciado, isto é, traduzindo-as como kurios."
Filão representa o auge do sincretismo judaico-helenístico. Seu trabalho tenta combinar Platão e Moisés em um único sistema filosófico.
Filão baseia suas doutrinas na Bíblia hebraica, que ele considera a fonte e o padrão não apenas da verdade religiosa, mas de toda verdade. Suas declarações são o ἱερὸς λόγος, θεῖος λόγος e ὀρθὸς λόγος (palavra sagrada, palavra divina, palavra justa), pronunciadas às vezes diretamente e às vezes pela boca de um profeta, e especialmente através de Moisés, a quem Filão considera o verdadeiro mediador da revelação. No entanto, ele distingue entre as palavras proferidas pelo próprio Deus, como os Dez Mandamentos, e os éditos de Moisés (como as leis especiais).
Filão considera a Bíblia como a fonte não apenas da revelação religiosa, mas também da verdade filosófica. Filão afirma que Moisés aprendeu matemática com os egípcios, astronomia e astrologia com os caldeus, e outras disciplinas com os gregos. Ele diz que Moisés superou seus professores, levando-os a aprender com ele em vez disso. Filão acreditava que os gregos, como Heráclito, tiraram ideias da lei mosaica. Ao aplicar o modo estoico de interpretação alegórica à Bíblia hebraica, ele interpretou as histórias dos primeiros cinco livros como metáforas e símbolos elaborados para demonstrar que as ideias dos filósofos gregos as precederam na Bíblia: o conceito de oposição binária de Heráclito, de acordo com Quem é o Herdeiro das Coisas Divinas? § 43 [i. 503]; e a concepção do homem sábio exposta por Zeno de Cítio, o fundador do estoicismo, em Todo Homem Bom é Livre, § 8 [ii. 454]. Filão não rejeitou a experiência subjetiva do judaísmo antigo; no entanto, ele explicou repetidamente que a Septuaginta não pode ser entendida como uma história concreta e objetiva.
A interpretação alegórica das escrituras por Filão permite-lhe lidar com eventos moralmente perturbadores e impor uma explicação coerente das histórias. Especificamente, Filão interpreta os personagens da Bíblia como aspectos do ser humano e as histórias da Bíblia como episódios da experiência humana universal. Por exemplo, Adão representa a mente e Eva, os sentidos. Noé representa a tranquilidade, um estágio de justiça "relativa" — incompleta, mas progressiva. De acordo com Josefo, Filão foi inspirado principalmente nisso por Aristóbulo de Alexandria e pela escola alexandrina.
Filão envolveu-se frequentemente em numerologia de inspiração pitagórica, explicando extensivamente a importância dos primeiros 10 numerais:
Filão também determina os valores dos números 50, 70, 100, 12 e 120. Há também um extenso simbolismo de objetos. Filão elabora o extenso simbolismo dos nomes próprios, seguindo o exemplo da Bíblia e do Midrash, ao qual ele acrescenta muitas novas interpretações.
Filão declarou sua teologia tanto através da negação de ideias opostas quanto através de explicações positivas detalhadas da natureza de Deus; ele contrastou a natureza de Deus com a natureza do mundo físico. Filão não considerava Deus semelhante ao Céu, ao mundo ou ao homem; ele afirmava um Deus transcendente sem características físicas ou qualidades emocionais semelhantes às dos seres humanos. Seguindo Platão, Filão equipara a matéria ao nada e vê seu efeito na falácia, discórdia, dano e decadência das coisas. Apenas a existência de Deus é específica; nenhum predicado apropriado pode ser concebido. Para Filão, Deus existe além do tempo e do espaço e não faz intervenções especiais no mundo porque Deus já abrange todo o cosmos.
Filão também integrou teologia seletiva da tradição rabínica, incluindo a transcendência de Deus, e a incapacidade da humanidade de contemplar um Deus inefável. Ele argumentou que Deus não tem atributos (ἁπλοῡς) — consequentemente, nenhum nome (ἅρρητος) — e, portanto, que Deus não pode ser percebido pelo homem (ἀκατάληπτος). Além disso, ele postulou que Deus não pode mudar (ἅτρεπτος): Deus é sempre o mesmo (ἀΐδιος). Deus não precisa de nenhum outro ser (χρῄζει γὰρ οὐδενὸς τὸ παράπαν) para a autoexistência ou a criação de coisas materiais, e Deus é autossuficiente (ἑαυτῷ ἱκανός). Deus nunca pode perecer (ἅφθαρτος), é autoexistente (ὁ ὤν, τὸ ὄν) e não tem relações com nenhum outro ser (τὸ γὰρ ὄν, ᾗ ὄν ἐστιν, οὐχὶ τῶν πρός τι).
Filão considerava o antropomorfismo da Bíblia uma impiedade incompatível com a concepção platônica de "Deus em oposição à matéria", interpretando em vez disso a atribuição a Deus de mãos e pés, olhos e ouvidos, língua e traqueia, como alegorias. Na interpretação de Filão, a escritura hebraica se adapta às concepções humanas, e assim Deus é ocasionalmente representado como um homem por razões pedagógicas. O mesmo vale para os atributos antropopáticos de Deus. Deus, como tal, não é tocado por emoções irracionais, como aparece em Êxodo 32:12, onde Moisés, dilacerado por seus sentimentos, percebe que só Deus está calmo. Ele está livre de tristeza, dor e outras aflições. Mas Deus é frequentemente representado como dotado de emoções humanas, e isso serve para explicar expressões referentes ao arrependimento humano no contexto judaico antigo.
Da mesma forma, Deus não pode existir ou mudar no espaço. Ele não tem "onde" (πού, obtido pela mudança do acento em Gênesis 3:9: "Adão, onde [ποῡ] estás?"), não está em nenhum lugar. Ele é o próprio lugar; a morada de Deus significa o mesmo que Deus, como na Mishná = "Deus é" (comp. Freudenthal, "Hellenistische Studien", p. 73), correspondendo ao princípio da filosofia grega de que a existência de todas as coisas se resume em Deus. Deus como tal é imóvel, como a Bíblia indica pela frase "Deus está de pé".
Filão se esforçou para encontrar o Ser Divino ativo e agindo no mundo, de acordo com o estoicismo, mas sua concepção platônica da Matéria como mal exigia que ele colocasse Deus fora do mundo para evitar que Deus tivesse qualquer contato com o mal. Assim, ele foi obrigado a separar do Ser Divino a atividade exibida no mundo e transferi-la para os poderes divinos, que consequentemente eram às vezes inerentes a Deus e outras vezes exteriores a Deus. Para equilibrar essas concepções platônicas e estoicas, Filão concebeu esses atributos divinos como tipos ou padrões de coisas reais ("ideias arquetípicas") de acordo com Platão, mas também os considerou como as causas eficientes que não apenas representam os tipos de coisas, mas também as produzem e mantêm. Filão se esforçou para harmonizar essa concepção com a Bíblia, designando esses poderes como anjos. Filão concebe os poderes tanto como hipóstases independentes quanto como atributos imanentes de um Ser Divino.
Da mesma forma, Filão contrasta os dois atributos divinos de bondade e poder (ἄγαθότης e ἀρχή, δίναμις χαριστική e συγκολαστική) como expressos nos nomes de Deus; designando "Yhwh" como Bondade, Filão interpretou "Elohim" (LXX. Θεός) como designando o "poder cósmico"; e como ele considerava a Criação a prova mais importante da bondade divina, ele encontrou a ideia de bondade especialmente em Θεός.
Filão também trata os poderes divinos de Deus como um único ser independente, ou demiurgo, que ele designa como "Logos". A concepção de Filão do Logos é influenciada pela concepção de Heráclito do "Logos divisor" (λόγος τομεύς), que traz à existência os vários objetos pela combinação de contrastes ("Quis Rerum Divinarum Heres Sit", § 43 [i. 503]), bem como pela caracterização estoica do Logos como a força ativa e vivificante.
Mas Filão seguiu a distinção platônica entre matéria imperfeita e Forma perfeita, e a concepção de Filão do Logos está diretamente relacionada à visão platônica média de Deus como imóvel e totalmente transcendente; portanto, seres intermediários eram necessários para preencher a enorme lacuna entre Deus e o mundo material. O Logos era o mais elevado desses seres intermediários e foi chamado por Filão de "o primogênito de Deus".
Filão também adaptou elementos platônicos ao designar o Logos como a "ideia das ideias" e a "ideia arquetípica". Filão identificou as Ideias de Platão com os pensamentos do demiurgo. Esses pensamentos constituem o conteúdo do Logos; eles eram os selos para fazer as coisas sensíveis durante a criação do mundo. O Logos se assemelha a um livro com paradigmas de criaturas. O projeto de um arquiteto antes da construção de uma cidade serve a Filão como outro símile do Logos. Desde a criação, o Logos liga as coisas. Como recipiente e detentor de ideias, o Logos é distinto do mundo material. Ao mesmo tempo, o Logos permeia o mundo, sustentando-o. Esta imagem de Deus é o tipo para todas as outras coisas (a "Ideia Arquetípica" de Platão), um selo impresso nas coisas. O Logos é uma espécie de sombra projetada por Deus, tendo os contornos, mas não a luz ofuscante do Ser Divino. Ele chama o Logos de "segundo deus [deuteros theos]" o "nome de Deus".
Há, além disso, elementos bíblicos: Filão conecta sua doutrina do Logos com as Escrituras, em primeiro lugar, com base em Gênesis 1:27, a relação do Logos com Deus. Ele traduz esta passagem da seguinte forma: "Ele fez o homem à imagem de Deus", concluindo desse lugar que uma imagem de Deus existia. O Logos também é designado como "sumo sacerdote" em referência à posição exaltada que o sumo sacerdote ocupou após o Exílio como o centro físico da relação dos judeus com Deus. O Logos, como o sumo sacerdote, é o expiador dos pecados dos judeus e o mediador e advogado da humanidade perante Deus, e enviado a Deus: ἱκέτης, e παράκλητος. Ele coloca as mentes humanas em ordem. A razão correta é uma lei infalível, a fonte de quaisquer outras leis. O anjo que bloqueia o caminho de Balaão em Números 22:22–35 é interpretado por Filão como uma manifestação do Logos, que atua como a consciência de Balaão — ou da humanidade. Como tal, o Logos torna-se o aspecto do divino que opera no mundo, através do qual o mundo é criado e sustentado.
Peter Schäfer argumenta que o Logos de Filão foi derivado de sua compreensão da "literatura sapiencial pós-bíblica, em particular o Livro da Sabedoria". O Livro da Sabedoria é uma obra judaica composta em Alexandria, Egito, por volta do século I a.C., para fortalecer a fé da comunidade judaica em um mundo grego hostil. É um dos sete livros Sapienciais ou da Sabedoria incluídos na Septuaginta.
O Logos tem uma relação especial com a humanidade. Filão parece ver os humanos como uma tricotomia de nous (mente), psyche (alma) e soma (corpo), o que era comum à visão helenística da relação mente-corpo. Nos escritos de Filão, no entanto, mente e espírito são usados de forma intercambiável. A alma é o tipo; o homem é a cópia. A semelhança é encontrada na mente (νοῦς) dos humanos. Para a formação do nous, o indivíduo tem o Logos como um padrão a seguir. Este último oficia aqui também como "o divisor" (τομεύς), separando e unindo. O Logos, como "intérprete", anuncia os desígnios de Deus à humanidade, agindo neste aspecto como profeta e sacerdote. Como este último, o Logos suaviza os castigos, tornando o poder misericordioso de Deus mais forte do que o punitivo. O Logos tem uma influência mística especial sobre a alma humana, iluminando-a e nutrindo-a com alimento espiritual superior, como o maná, do qual o menor pedaço tem a mesma vitalidade que o todo.
A ética de Filão foi fortemente influenciada pelo Pitagorismo e pelo Estoicismo, preferindo uma moralidade de virtudes sem paixões, como luxúria/desejo e raiva, mas com uma "compaixão humana comum". Os comentadores também podem inferir de sua missão a Calígula que Filão estava envolvido na política. No entanto, a natureza de suas crenças políticas, especialmente seu ponto de vista sobre o Império Romano, é uma questão de debate.
Filão sugeriu em seus escritos que um homem prudente deveria reter sua opinião genuína sobre os tiranos:
ele necessariamente tomará a precaução como um escudo, como uma proteção para evitar que sofra algum mal repentino e inesperado; pois, como imagino, o que um muro é para uma cidade, a precaução é para um indivíduo. Esses homens não falam tolamente, não são loucos, que desejam exibir sua inexperiência e liberdade de expressão a reis e tiranos, por vezes ousando falar e fazer coisas contra a vontade deles? Eles não percebem que não apenas colocaram seus pescoços sob o jugo como bestas de carga, mas que também renderam e traíram seus corpos e almas inteiros, e suas esposas e seus filhos, e seus pais, e todo o resto da numerosa parentela e comunidade de seus outros parentes? ... quando a oportunidade se oferece, é bom atacar nossos inimigos e derrubar seu poder; mas quando não temos tal oportunidade, é melhor ficar quieto
As obras de Filão são principalmente interpretações alegóricas da Torá (conhecida no mundo helênico como o Pentateuco), mas também incluem histórias e comentários sobre filosofia. A maioria delas foi preservada em grego pelos Padres da Igreja; algumas sobrevivem apenas através de uma tradução armênia, e um número menor sobrevive em uma tradução latina. As datas exatas de redação e os planos de organização originais são desconhecidos para muitos dos textos atribuídos a Filão.
A maior parte da obra sobrevivente de Filão trata da Torá (os primeiros cinco livros da Bíblia). Dentro deste corpus, há três categorias:
O comentário de Filão sobre o Pentateuco é geralmente classificado em três gêneros.
As Quaestiones explicam o Pentateuco catequeticamente, na forma de perguntas e respostas ("Zητήματα καὶ Λύσεις, Quæstiones et Solutiones"). Apenas os seguintes fragmentos foram preservados: passagens abundantes em armênio – possivelmente a obra completa – explicando o Gênesis e o Êxodo, uma antiga tradução latina de uma parte do "Gênesis", e fragmentos do texto grego em Eusébio, nas "Sacra Parallela", na "Catena" e também em Ambrósio. A explicação se limita principalmente a determinar o sentido literal, embora Filão se refira frequentemente ao sentido alegórico como o superior.
Νόμων Ἱερῶν Ἀλληγορίαι, ou "Legum Allegoriæ", trata, na medida em que foi preservado, de passagens selecionadas de Gênesis. De acordo com a ideia original de Filão, a história da humanidade primordial é aqui considerada um símbolo do desenvolvimento religioso e moral da alma humana. Este comentário incluiu os seguintes tratados:
Filão escreveu uma obra sistemática sobre Moisés e suas leis, que geralmente é precedida pelo tratado "De Opificio Mundi". A Criação é, segundo Filão, a base para a legislação mosaica, que está em completa harmonia com a natureza ("De Opificio Mundi", § 1 [i. 1]). A exposição da Lei segue então em duas seções. Primeiro vêm as biografias dos homens que antecederam as várias leis escritas da Torá, como Enos, Enoque, Noé, Abraão, Isaac e Jacó. Estes foram os Patriarcas, que eram as personificações vivas da lei ativa da virtude antes que houvesse quaisquer leis escritas.
Em seguida, as leis são discutidas em detalhe: primeiro, os dez mandamentos principais (o Decálogo), e depois os preceitos que ampliam cada lei. A obra é dividida nos seguintes tratados:
Esta exposição é mais exotérica do que alegórica e pode ter sido destinada a audiências gentias.
Também é atribuído a Filão a autoria de:
Esta é a segunda metade de uma obra sobre a liberdade dos justos de acordo com os princípios estoicos. A autenticidade desta obra foi contestada por Frankel (em "Monatsschrift", ii. 30 et seq., 61 et seq.), por Grätz ("Gesch". iii. 464 et seq.), e mais recentemente por Ansfeld (1887), Hilgenfeld (em "Zeitschrift für Wissenschaftliche Theologie", 1888, pp. 49–71), e outros. Agora Wendland, Ohle, Schürer, Massebieau e Krell a consideram genuína, exceto as passagens parcialmente interpoladas sobre os essênios.

Em Legatio ad Gaium (Embaixada a Gaio), Filão descreve sua missão diplomática a Gaio Calígula, um dos poucos eventos em sua vida que é explicitamente conhecido. Ele relata que estava carregando uma petição descrevendo os sofrimentos dos judeus alexandrinos e pedindo ao imperador que garantisse seus direitos.
Em Contra Flaco, Filão descreve a situação dos judeus no Egito, escrevendo que eles somavam não menos de um milhão e habitavam dois dos cinco distritos de Alexandria. Ele relata os abusos do prefeito Aulo Avílio Flaco, que, segundo ele, retaliou contra os judeus quando estes se recusaram a adorar Calígula como um deus. Daniel Schwartz supõe que, dado esse contexto tenso, pode ter sido politicamente conveniente para Filão favorecer o monoteísmo abstrato em vez do pro-judaísmo aberto.
Filão considera o plano de Calígula de erguer uma estátua de si mesmo no Segundo Templo uma provocação, perguntando: "Estais fazendo guerra contra nós, porque antecipais que não suportaremos tal indignidade, mas que lutaremos por nossas leis e morreremos em defesa de nossos costumes nacionais? Pois não podeis possivelmente ter ignorado o que provavelmente resultaria de vossa tentativa de introduzir essas inovações em relação ao nosso templo." Em toda a sua apresentação, ele apoia implicitamente o compromisso judeu de se rebelar contra o imperador em vez de permitir que tal sacrilégio ocorresse.
Este relato, consistindo inicialmente de cinco livros, foi preservado apenas em fragmentos (ver Schürer, l.c. pp. 525 et seq.). Filão pretendia mostrar o terrível castigo infligido por Deus aos perseguidores dos judeus (sobre a predileção de Filão por discussões semelhantes, veja Siegfried, "Philo von Alexandria", p. 157). Filão diz que era considerado por seu povo como tendo uma prudência incomum devido à sua idade, educação e conhecimento. Isso indica que ele já era um homem mais velho naquela época (40 d.C.).
Esta obra descreve o modo de vida e os festivais religiosos de uma sociedade de ascetas judeus, que, segundo o autor, estão amplamente espalhados pela terra e são encontrados predominantemente em cada nome no Egito. O escritor, no entanto, se limita a descrever os Terapeutas, uma colônia de eremitas estabelecida no Lago Mareotis, no Egito, onde cada um vive separadamente em sua própria moradia. Seis dias da semana eles passam em contemplação piedosa, principalmente em conexão com as Escrituras. No sétimo dia, tanto homens quanto mulheres se reúnem em um salão, e o líder profere um discurso que consiste em uma interpretação alegórica de uma passagem das Escrituras. A festa do quinquagésimo dia é a mais celebrada. A cerimônia começa com uma refeição frugal composta de pão, legumes salgados e água, durante a qual uma passagem das Escrituras é interpretada. Após a refeição, os membros da sociedade, por sua vez, cantam cantos religiosos de vários tipos, aos quais a assembleia responde com um refrão. A cerimônia termina com uma representação coral da festa triunfal que Moisés e Miriã organizaram após a passagem pelo Mar Vermelho, as vozes dos homens e das mulheres se unindo em uma sinfonia coral até o nascer do sol. Após uma oração matinal comum, cada um volta para casa para retomar a contemplação. Tal é a vida contemplativa (βίος θεωρητικός) levada por esses Θεραπευταί ("servos de Javé").
A antiga Igreja Cristã considerava esses Terapeutas como monges cristãos disfarçados. Esta visão encontrou defensores até recentemente. A opinião de P. E. Lucius, particularmente de que o mosteiro cristão do terceiro século foi aqui glorificado sob um disfarce judaico, foi amplamente aceita ("Die Therapeuten", 1879).
Massebieau ("Revue de l'Histoire des Religions", 1887, xvi. 170 et seq., 284 et seq.), Conybeare ("Philo About the Contemplative Life", Oxford, 1895) e Wendland ("Die Therapeuten", etc., Leipsig, 1896) atribuem toda a obra a Filão, baseando seu argumento inteiramente em razões linguísticas, que parecem suficientemente conclusivas. No entanto, há dissimilaridades significativas entre as concepções fundamentais do autor do "De Vita Contemplativa" e as de Filão. Este último olha para a cultura e filosofia gregas como aliadas, e o primeiro é hostil à filosofia grega (ver Siegfried em "Protestantische Kirchenzeitung", 1896, No.42). Ele repudia uma ciência que contava entre seus seguidores a sagrada tropa dos Pitagóricos, homens inspirados como Parmênides, Empédocles, Zenão, Cleantes, Heráclito e Platão, a quem Filão prezava ("Quod Omnis Probus", i., ii.; "Quis Rerum Divinarum Heres Sit", 43; "De Providentia", ii. 42, 48, etc.). Ele considera o simpósio uma detestável farra de bebedeira comum. Isso não pode ser explicado como uma diatribe estoica, pois Filão não a teria repetido neste caso. E Filão seria o último a interpretar o Eros platônico da maneira vulgar como é explicado no "De Vita Contemplativa", 7 (ii. 480), uma vez que ele usa repetidamente o mito do homem duplo alegoricamente em sua interpretação das Escrituras ("De Opificio Mundi", 24; "De Allegoriis Legum", ii. 24). Deve-se lembrar também que Filão, em nenhuma de suas outras obras, menciona essas colônias de ascetas alegorizantes, nas quais ele teria se interessado muito se as conhecesse. No entanto, os discípulos de Filão podem posteriormente ter fundado colônias semelhantes perto de Alexandria que se esforçaram para realizar seu ideal de uma vida pura triunfando sobre os sentidos e as paixões, e eles também podem ter sido responsáveis pelo desenvolvimento unilateral de certos princípios do mestre. Enquanto Filão desejava renunciar às luxúrias deste mundo, ele se manteve firme na cultura científica do helenismo, que o autor deste livro denuncia. Embora Filão gostasse de se retirar do mundo para se dedicar inteiramente à contemplação e lamentasse amargamente a falta de tal repouso ("De Specialibus Legibus", 1 [ii. 299]), ele não abandonou o trabalho que lhe era exigido pelo bem-estar de seu povo.
Para uma lista das obras perdidas de Filão, veja Schürer, l.c. p. 534.
Embora Filão fosse um platônico médio judeu, sua influência tanto no platonismo quanto no judaísmo foi limitada em comparação com sua adaptação pelos primeiros Padres da Igreja cristã. Seu impacto no platonismo foi principalmente restrito a platônicos médios cristãos como Clemente de Alexandria e Orígenes, e mesmo potenciais conexões com Numênio de Apameia, um platônico médio do século II d.C. que também escreveu sobre o judaísmo e foi influenciado pelo Pitagorismo, não podem ser definitivamente comprovadas.
A obra de Filão foi usada por Clemente, Orígenes e Pânteno em Alexandria para conectar a Bíblia com ideias filosóficas. Seu trabalho foi visto positivamente por posteriores alexandrinos Dídimo e Isidoro, bem como por Gregório de Nissa, e citado extensivamente por Eusébio de Cesareia, Jerônimo e Ambrósio. Os primeiros escritores cristãos estavam especialmente interessados em suas paráfrases da Bíblia para sua apologética histórica, e em seu estilo alegórico e platônico de exegese. Eles continuaram nas ideias de Filão sobre Deus como incognoscível e imutável, a criação do homem à imagem de Deus dotando-o de razão, e sua conversão das ideias de virtude da filosofia grega para as virtudes bíblicas.
No século IV, a obra de Filão tornou-se impopular devido às suas ideias se associarem ao origenismo e ao arianismo, escolas de pensamento vistas como heréticas. Durante esse tempo, ele era especialmente impopular entre a escola antioquena de interpretação, notadamente por Teodoro de Mopsuéstia. As citações diretas a Filão diminuíram, mas os temas de sua obra continuaram para escritores cristãos posteriores indiretamente através dos primeiros escritores inspirados por ele.
Embora nunca devidamente atribuído, o casamento de Filão da exegese judaica com o estoicismo e o platonismo forneceu uma fórmula posteriormente adotada por outros conteúdos do Midrash dos séculos III e IV. As ideias de Filão foram ainda desenvolvidas pelo judaísmo posterior nas doutrinas da Palavra Divina criando o mundo, o trono-céu divino e seu querubim, o esplendor divino e sua Shekhinah, o nome de Deus, bem como os nomes dos anjos.
Alguns afirmaram que essa falta de crédito ou afinidade por Filão pela liderança rabínica da época se devia à sua adoção de interpretações alegóricas em vez de interpretações literais da Bíblia hebraica.
Por muito tempo, Filão foi lido e analisado principalmente por autores cristãos. O Me'or Enayim: Imre Binah (1575) de Azariah dei Rossi, um dos primeiros comentários judaicos sobre Filão, descreve quatro "defeitos graves" de Filão: ler a Torá em grego, não em hebraico; crença na matéria primordial em vez de creatio ex nihilo; descrença no Senhor, como evidenciado pela interpretação excessivamente alegórica das escrituras; e negligência da tradição oral judaica. Dei Rossi mais tarde dá uma possível defesa de Filão e escreve que não pode nem absolvê-lo nem condená-lo.
Cerca de 50 obras de Filão sobreviveram, e sabe-se que ele escreveu cerca de 20 a 25 outras obras que foram perdidas. A lista a seguir fornece títulos latinos e ingleses convencionais e abreviações comumente usadas em obras de referência.
| Título latino | Título em inglês | RGG | Kittel | Stud. Philonica |
|---|---|---|---|---|
| Apologia pro Judaeis | Hypothetica: Apology for the Jews | apol. | ? | Hypoth. |
| De Abrahamo | On Abraham | Abr. | Abr | Abr. |
| De aeternitate mundi | On the Eternity of the World | aet. | Aet Mund | Aet. |
| De agricultura | On Husbandry | agr. | Agric | Agr. |
| De animalibus | On Animals | anim. | ? | Anim. |
| De Cherubim | On the Cherubim | Cher. | Cher | Cher. |
| De confusione linguarum | On the Confusion of Tongues | conf. | Conf Ling | Conf. |
| De congressu eruditionis gratia | On Mating with the Preliminary Studies | congr. | Congr | Congr. |
| De decalogo | The Decalogue | decal. | Decal | Decal. |
| De ebrietate | On Drunkenness | ebr. | Ebr | Ebr. |
| De fuga et inventione | On Flight and Finding | ? | Fug | Fug. |
| De gigantibus | On the Giants | gig. | Gig | Gig. |
| De Josepho | On Joseph | Jos. | Jos | Ios. |
| De migratione Abrahami | On the Migration of Abraham | migr. | Migr Abr | Migr. |
| De mutatione nominum | On the Change of Names | mut. | Mut Nom | Mut. |
| De opificio mundi | On the creation | opif. | Op Mund | Opif. |
| De plantatione | Concerning Noah's Work as a Planter | plant. | Plant | Plant. |
| De posteritate Caini | On the Posterity of Cain and His Exile | post. | Poster C | Post. |
| De praemiis et poenis | On Rewards and Punishments | praem. | Praem Poen | Praem. |
| De providentia | On Providence I II | prov. | ? | Prov. |
| De sacrificiis Abelis et Caini | On the Birth of Abel | sacr. | Sacr AC | Sacr. |
| De sobrietate | On Sobriety | sobr. | Sobr | Sobr. |
| De somniis | On Dreams I-II | somn. | Som | Somn. |
| De specialibus legibus | The Special Laws I II III IV | spec. | Spec Leg | Spec. |
| De virtutibus | On the Virtues | virt. | Virt | Virt. |
| De vita contemplativa | On the Contemplative Life | cont. | Vit Cont | Contempl. |
| De vita Mosis | On the Life of Moses I II | Mos. | Vit Mos | Mos. |
| In Flaccum | Flaccus | Flacc. | Flacc | Flacc. |
| Legatio ad Gajum | On the Embassy to Gaius | legat. | Leg Gaj | Legat. |
| Legum allegoriae | Allegorical Interpretation I II III | LA | Leg All | Leg. |
| Quaestiones in Exodum | Questions and Answers on Exodus | QE | Quaest in Ex | QE |
| Quaestiones in Genesim | Questions and Answers on Genesis I II III | QG | Quaest in Gn | QG |
| Quis rerum divinarum heres sit | Who is the Heir of Divine Things | her. | Rer Div Her | Her. |
| Quod deterius potiori insidiari soleat | Worse is Wont to Attack Better | det. | Det Pot Ins | Det. |
| Quod Deus sit immutabilis | On the Unchangeableness of God | Deus | Deus Imm | Deus |
| Quod omnis probus liber sit | Every Good Man is Free | prob. | Omn Prob Lib | Prob. |
At a very early stage, the use of Hebrew seems to have declined and the language of the Jews of Alexandria came to be Greek exclusively. The translation of the Torah (and in time the other books) allowed Greek to be a vehicle for Jewish culture. Indeed, there developed a very rich Jewish literature in Greek already in the second century BCE. By the time of the era of Philo, it is hardly surprising that he was a highly accomplished Greek stylist, and probably knew little to no Hebrew.
It is more than likely that Philo knew the postbiblical Wisdom literature, in particular the Book of Wisdom. and was influenced by it. The obvious identification of Logos and Wisdom in the Book of Wisdom is a case in point. Wisdom (Greek sophia) plays a prominent role in Philo as well and is yet another power among the divine powers that acts as an agent of creation. Whereas the Logos, as we have seen, is responsible for the intelligible world, Wisdom would seem to be responsible for the world perceived by the senses.
Bréhier, Émile (1911). «Philo Judæus». Enciclopédia Católica (em inglês). 12