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Um folioscópio (do francês folioscope; conhecido em inglês como flip book ou flipbook, e também chamado de kineograph, feuilletoscope ou "cinema-de-bolso") é um livreto composto por uma sequência de imagens que diferem ligeiramente de uma página para a seguinte. Ao folhear as páginas rapidamente com o polegar, o olho humano percebe a ilusão de movimento contínuo — o mesmo princípio óptico que fundamenta o cinema. Muito popular no final do século XIX e início do século XX, o folioscópio continua sendo fabricado até os dias de hoje, tanto como brinquedo quanto como suporte artístico e publicitário.
Embora o inventor francês Pierre-Hubert Desvignes seja frequentemente apontado como o criador do folioscópio, a primeira patente do dispositivo foi registrada em setembro de 1868 pelo impressor litográfico britânico John Barnes Linnett (c. 1831–1870), de Birmingham, sob o nome de kineograph — termo derivado do grego, com o sentido de "imagem em movimento". Linnett faleceu de pneumonia em 1870, e sua viúva vendeu a patente a um comprador norte-americano.
Em 1896, o cineasta britânico Henry William Short desenvolveu uma versão mecanizada do folioscópio, denominada filoscópio (filoscope), na qual cada imagem era inserida em um suporte metálico e as páginas eram viradas por meio de um botão giratório. O filoscópio foi patenteado em março de 1896 e comercializado na Grã-Bretanha e na França até cerca de 1905, sendo utilizado para distribuir cenas de filmes ao público em formato portátil.
O folioscópio influenciou diretamente o desenvolvimento do mutoscópio, criado em 1894 por Herman Casler a partir de uma sugestão de W. K. L. Dickson — um dos colaboradores de Thomas Edison. O mutoscópio aplicava o princípio do folioscópio em escala industrial: centenas de fotografias sequenciais eram montadas radialmente num tambor giratório dentro de um gabinete operado por moeda, permitindo a um espectador individual assistir a uma cena em movimento através de uma ocular.
No final dos anos 1890, editores como o francês Léon Beaulieu passaram a produzir folioscópios contendo cenas extraídas de filmes reais, vendidos como curiosidades populares. Essa prática, de forma não intencional, preservou fragmentos de filmes que de outro modo teriam se perdido — como é o caso de títulos da filmografia inicial de Georges Méliès, redescobertos na década de 2010 a partir de folioscópios da coleção de Beaulieu.
Os folioscópios funcionam com base no fenômeno da persistência da visão: o olho humano retém brevemente cada imagem após ela desaparecer do campo visual, criando a impressão de continuidade entre os quadros sucessivos. Este efeito é também conhecido como fenômeno phi. Ao contrário da leitura convencional — da esquerda para a direita —, o espectador mantém o olhar fixo num ponto enquanto folheia as páginas com o polegar, em velocidade suficiente para que a sucessão de imagens pareça um movimento fluido.
Ao longo da história, o princípio do folioscópio foi adaptado em diferentes formatos: