Francisco Tropa

Francisco Tropa
Nascimento1968
Lisboa, Portugal
Nacionalidadeportuguesa
OcupaçãoEscultor, artista visual
PrêmiosPrémio de Arte de Amstelveen (1997)

Francisco Tropa (Lisboa, 1968) é um escultor e artista visual português, que vive e trabalha em Lisboa. Trabalha sobretudo em escultura, muitas vezes associada a desenho, gravura, fotografia, cinema e performance, e recorre a referências da Antiguidade, da ciência, da literatura e da história da arte. Em 2011 representou Portugal na 54.ª Bienal de Veneza com a instalação Scenario. É também membro do coletivo de música experimental Osso Exótico.

Biografia

Frequentou entre 1983 e 1986 a Escola António Arroio, em Lisboa, cujo Atelier Livre, então coordenado por Pedro Morais, refere com frequência como uma influência. Estudou depois no Ar.Co, em Lisboa, e no Royal College of Art, em Londres, e completou a sua formação como bolseiro na Academia de Arte de Münster, na Alemanha, em 1995–1996. Recebeu o Prémio de Arte de Amstelveen (Países Baixos) em 1997, e o prémio de desenho da Bienal das Caldas da Rainha em 1998.

Teve exposições individuais no Museu de Serralves, no Porto (1998), e no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa (2003). Participou na Bienal de São Paulo (1998), na Bienal de Melbourne (1999), na Manifesta [en] (2000) e na Bienal de Istambul (2011).

Em 2011, selecionado pelo comissário Sérgio Mah, representou Portugal na 54.ª Bienal de Veneza com Scenario, instalação concebida para o Fondaco Marcello, um armazém junto ao Grande Canal. A obra era composta por sete projeções, uma mesa e uma vitrina; os dispositivos de projeção, pequenas esculturas que funcionam segundo o princípio da lanterna mágica, projetavam imagens sobre ecrãs de estuque inseridos em paredes de madeira. Segundo Tropa, o título foi tirado de um ensaio de Helmut Wohl sobre a pintura de Victor Willing [en]. Numa entrevista ao Público, o jornalista Óscar Faria apresentou a peça como continuação das projeções que o artista mostrara em 2010 nas exposições Scripta e Farol e em concertos do Osso Exótico; Tropa relativizou essa ligação, mas admitiu que inicialmente pensara apresentar em Veneza algo próximo de Farol.

Em 2013 apresentou TSAE (Trésors Submergés de l'Ancienne Égypte), uma instalação em forma de exposição arqueológica, no espaço La Verrière da Fundação Hermès, em Bruxelas. Continuou este projeto durante uma residência no Atelier Calder, em Saché, entre março e maio de 2015. Em 2017 foi residente no CIRVA, em Marselha. Em 2022–2023 o Museu de Arte Moderna de Paris apresentou a exposição O Pulmão e o Coração, no âmbito da Temporada Cruzada França-Portugal 2022. Entre novembro de 2024 e maio de 2025 o Museu de Serralves apresentou ⒶMO-TE, descrita pela instituição como a maior exposição monográfica da sua carreira. Segundo a Rádio Renascença, foi a primeira exposição monográfica do artista em Portugal; o título remete para uma palavra grafitada por alunos na fachada da Escola António Arroio, que Tropa frequentou. Em março de 2025, no âmbito dessa exposição, o Osso Exótico apresentou em Serralves as peças Powwow e Kalliope.

Obra

O trabalho de Tropa aborda questões metafísicas, antropológicas e filosóficas, como a natureza, a origem e a finalidade da arte e o ato criativo. Segundo o Museu de Serralves, o artista privilegia a repetição e a reutilização de elementos em vez da procura de novidade. Na entrevista de 2011 ao Público, Tropa afirmou preferir reutilizar uma imagem ou um objeto já usado a introduzir um elemento novo, e Óscar Faria identificou a natureza-morta e a relação entre a natureza e a obra de arte como temas habituais do artista. Entre os seus projetos mais importantes contam-se A Assembleia de Euclides, iniciado em 2005, que o ocupou durante grande parte da década de 2000, e O Enigma de RM, o seu trabalho mais recente à data da exposição de Serralves de 2024. O Museu de Arte Moderna de Paris destacou o equilíbrio entre o pensamento conceptual e os saberes artesanais tradicionais, e o interesse pelo movimento, pelo tempo e pelos ciclos.

Exposições selecionadas

Notas

Referências

  1. 1 2 3 «Francisco Tropa». Fundação PLMJ (em inglês). Consultado em 24 de outubro de 2026
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 «Francisco Tropa's Scenario». e-flux (em inglês). Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 18 de dezembro de 2024
  3. 1 2 3 4 5 6 7 «Francisco Tropa: ⒶMO-TE [I love you]». Fundação de Serralves (em inglês). Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 11 de novembro de 2025
  4. 1 2 3 4 5 6 «Francisco Tropa: The Lung and the Heart» (PDF). Musée d'Art Moderne de Paris (em inglês). Consultado em 24 de outubro de 2026
  5. 1 2 3 4 5 6 7 8 Óscar Faria (4 de junho de 2011). «Francisco Tropa: Contra o tempo». Público. Consultado em 24 de outubro de 2026
  6. 1 2 «Osso Exótico». Fundação de Serralves (em inglês). Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 19 de abril de 2026
  7. 1 2 «Osso Exótico de Francisco Tropa apresentam performance única em Serralves». Cardápio. 12 de março de 2025. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 20 de maio de 2026
  8. ↑ «Francisco Tropa». Fundação Calouste Gulbenkian – CAM (em inglês). Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 27 de janeiro de 2024
  9. 1 2 «Francisco Tropa: Tsae». Domus (em inglês). 11 de setembro de 2013. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 24 de fevereiro de 2014
  10. ↑ «Francisco Tropa». Atelier Calder (em inglês). Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 22 de abril de 2026
  11. ↑ Maria João Costa (5 de novembro de 2024). «A "inquietude" criativa de Francisco Tropa exposta em Serralves». Rádio Renascença. Consultado em 24 de outubro de 2026. Cópia arquivada em 11 de outubro de 2025