Franz Burda

Franz Burda
Anna Lemminger e Franz Burda
Nascimento24 de fevereiro de 1903
Philippsburg
Morte30 de setembro de 1986 (83 anos)
Offenburg
CidadaniaAlemanha
CônjugeAenne Burda
Filho(a)(s)Hubert Burda, Frieder Burda, Franz Burda jr.
Alma mater
Ocupaçãoeditor, empreendedor, mecenas, economista
Distinções
  • Ordem do Mérito da Baviera (1984)
  • Ordem do Mérito de Baden-Württemberg (1985)
  • Medalha de Ouro de Honra por Serviços para a República da Áustria (1968)
  • Grã-Cruz da Ordem do Mérito da República Federal da Alemanha (1978)
  • Grã-cruz do Mérito com Estrela da Ordem do Mérito da República Federal da Alemanha (1973)
  • Order of Honour (Salzburg)

Franz Burda (Philippsburg, 24 de fevereiro de 1903 — Offenburg, 30 de setembro de 1986), foi um empresário, editor e industrial gráfico alemão, fundador do que viria a constituir o grupo editorial Burda. A partir da pequena tipografia herdada do pai, desenvolveu uma das maiores empresas alemãs de impressão e edição de revistas do pós-guerra. Foi também membro do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP) e beneficiou, durante o regime nazi, da chamada arianização de uma empresa pertencente a empresários judeus.

Biografia

Franz Burda nasceu em 1903 em Philippsburg, no estado de Baden. Era filho do tipógrafo Franz Burda, que em 1908 transferiu a sua atividade para Offenburg, onde estabeleceu uma pequena tipografia. Depois de concluir os estudos secundários, Franz Burda frequentou uma formação comercial e estudou economia nas universidades de Friburgo em Brisgóvia, Viena, Munique e Erlangen. Em 1927 obteve o diploma de economista e, em 1928, doutorou-se na Universidade de Erlangen com uma dissertação sobre a evolução das bolsas de produtos de Baden. Em 1929 obteve também a qualificação profissional de tipógrafo.

Após a morte do pai, em 1929, Burda assumiu a direção da empresa familiar, então ainda de reduzidas dimensões. Nesse mesmo período desenvolveu a publicação Sürag, uma revista dedicada à programação radiofónica, que alcançou uma circulação significativa durante a década de 1930. Em 1937 fundou também uma editora de livros. A modernização da empresa, nomeadamente através da introdução da rotogravura na década de 1930, esteve na origem da expansão posterior das atividades de impressão e edição.

Período do nacional-socialismo

A atividade de Franz Burda durante o regime nacional-socialista constitui um capítulo significativo da história da empresa. Em 1933, a Sürag afirmava publicamente a orientação nacional-socialista da empresa. Entre 1934 e 1937, Burda pertenceu ao Nationalsozialistisches Kraftfahrkorps (NSKK), tendo posteriormente aderido ao NSDAP. Fontes documentais indicam que a sua entrada no partido ocorreu em 1 de maio de 1937, com o número de membro 4.026.233; durante o processo de desnazificação, Burda terá indicado posteriormente uma data diferente.

Em 1938, Burda, em associação com o industrial Karl Fritz, adquiriu em Mannheim a empresa gráfica Gebrüder Bauer, pertencente aos irmãos judeus Berthold, Karl e Ludwig Reiss. A empresa era uma das maiores e mais modernas tipografias da Alemanha. A venda ocorreu no contexto da política de arianização promovida pelo regime nazi, que obrigava proprietários judeus a alienar as suas empresas. Burda e Fritz adquiriram a empresa por condições consideradas muito favoráveis no contexto dessa política.

A atividade da empresa durante a Segunda Guerra Mundial incluiu a produção cartográfica. Burda criou a Kartographische Anstalt Dr. Franz Burda, que produziu mapas e plantas para as autoridades militares alemãs. Essa atividade, considerada de importância para o esforço de guerra, contribuiu para que Burda fosse dispensado do serviço militar. A empresa de Mannheim foi posteriormente afetada pelos bombardeamentos aliados e as suas instalações foram transferidas para Lahr-Dinglingen.

Pós-guerra

No final da guerra, Offenburg encontrava-se na zona francesa de ocupação. Em 1945, as autoridades militares francesas confiscaram temporariamente a tipografia de Burda e este foi detido. Apesar do seu passado político, as autoridades de ocupação permitiram posteriormente que a empresa retomasse a atividade. A tipografia passou a executar encomendas para a administração francesa, incluindo livros escolares, selos postais, mapas e outros materiais impressos. Em 1946, a empresa já empregava 182 trabalhadores.

A partir de 1948, Burda voltou a desenvolver a atividade editorial com a publicação de Das Ufer, posteriormente transformada na revista Bunte. Seguiram-se outras publicações, entre elas Bild + Funk, Film-Revue, Sport-Illustrierte, Freundin, Das Haus e Freizeit und Rätsel-Revue. A empresa expandiu progressivamente as suas atividades de impressão e edição, tornando-se uma das principais empresas do setor na Alemanha Ocidental.

Em 1949, a sua mulher, Aenne Burda, assumiu a direção de uma pequena editora de moda de Lahr que se encontrava próxima da falência. O empreendimento tinha uma dívida significativa para com a tipografia de Franz Burda. Sob a direção de Aenne Burda, a empresa desenvolveu-se autonomamente e, a partir de 1950, publicou a revista Burda Moden, que se tornaria uma das mais conhecidas revistas de moda alemãs.

Nas décadas seguintes, Franz Burda continuou a expandir o grupo de impressão e edição. Em 1973, os seus três filhos, Franz, Frieder e Hubert Burda, passaram a integrar a direção da empresa. A partir da década de 1970, o grupo realizou investimentos internacionais e tornou-se um dos maiores operadores mundiais de impressão em rotogravura.

Franz Burda morreu em Offenburg em 30 de setembro de 1986. Após a sua morte, os seus três filhos procederam à divisão do património empresarial, cabendo a Hubert Burda a principal atividade de impressão e edição.

Ver também

Referências

  1. ↑ «Dr. Franz Burda II». www.burda.com (em inglês). Consultado em 28 de setembro de 2026. Cópia arquivada em 7 de março de 2026

Ligações externas

O Wikiquote tem citações relacionadas a Franz Burda.
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