Gabinete Combes

Gabinete Combes
França
Terceira República Francesa
1902-1905
Início07 de junho de 1902
Fim18 de janeiro de 1905
Duração2 anos, 7 meses e 11 dias
Organização e Composição
TipoGoverno de coalizão
Presidente do Conselho de MinistrosÉmile Combes
Presidente da RepúblicaÉmile Loubet
ColigaçãoBloco de Esquerda - Partido Radical (PR), Aliança Republicana Democrática (ARD), Radicais Independentes (RI) e apoio do Partido Socialista Francês (PSF)

O Gabinete Combes foi o ministério formado por uma coligação do Bloco das Esquerdas, sob a liderança de Émile Combes, entre 07 de junho de 1902 e 18 de janeiro de 1905. Foi o 43º gabinete da Terceira República Francesa, sendo antecedido pelo Gabinete Waldeck-Rousseau e sucedido pelo Gabinete Rouvier II.

Contexto

O gabinete foi formado por uma maioria de radicais e contou com a maior parte do "Bloco das Esquerdas" (radicais e socialistas) eleito no mês anterior. Essa maioria, contudo, foi reduzida pela divisão entre os republicanos moderados (ou "progressistas") e pela saída dos socialistas em 1904, após a decisão da Internacional Socialista de não mais apoiar governos burgueses. O gabinete de Émile Combes foi particularmente notável por seu anticlericalismo e por sua ação na separação entre Igreja e Estado na França.

A política do novo governo pode ser explicada pelo contexto do "Caso Dreyfus", que reavivou fortemente o anticlericalismo e despertou desconfiança nos círculos republicanos em relação a uma parte do Exército francês. Combes aplicou intransigentemente as leis sobre o direito de associação e a liberdade de ensino, restringindo as organizações religiosas e rompendo relações com o Vaticano, o que levou à votação da lei francesa sobre a separação da Igreja e do Estado, em 9 de dezembro de 1905, após a renúncia do gabinete.

As Forças Armadas Francesas também trouxeram problemas ao governo, com o ministro da Marinha tendo que se submeter a uma comissão parlamentar de inquérito para analisar a nova política de promoções que privilegiava marinheiros de origem modesta. Por outro lado, o ministro da Guerra se vê envolvido no "Escândalo das Fichas", marcado pelo arquivamento clandestino de documentos militares, permitindo que a promoção de oficiais dependesse das opiniões políticas e religiosas daquele Ministério.

O Gabinete Combes deixou uma memória muito diferente e muito dividida dependendo dos círculos políticos. Para a esquerda anticlerical, ele era a personificação de um governo lutador, tenaz e corajoso. Para a direita católica e nacionalista, que o apelidou de "regime abjeto", era a personificação do sectarismo republicano. De qualquer forma, até a Primeira Guerra Mundial, o combismo personificará a tendência de esquerda do Partido Radical, apegado à manutenção do Bloco das Esquerda e personificado pela fórmula "nenhum inimigo à esquerda".

Em 1905, com sua maioria reduzida na Assembleia Nacional Francesa e desgastado pelo Escândalo das Fichas, Émile Combe decidiu renunciar. O Presidente da República, Émile Loubet, então, nomeou Maurice Rouvier para substituí-lo, sendo empossado como Presidente do Conselho de Ministros pela segunda vez.

Composição

Realizações

Bibliografia

Referências

  1. ↑ Duclert, Vincent (13 de outubro de 2021). «Chapitre VII. L'expérience de la politique». Folio Histoire (em francês): 455–524. Consultado em 18 de abril de 2025
  2. 1 2 «Loi du 9 décembre 1905 concernant la séparation des Eglises et de l'Etat. - Légifrance». www.legifrance.gouv.fr (em francês). Consultado em 18 de abril de 2025. Cópia arquivada em 10 de fevereiro de 2025
  3. ↑ «Assemblée nationale - Séparation des Églises et de l'État - Chronologie». www.assemblee-nationale.fr. Consultado em 18 de abril de 2025
  4. ↑ «Histoire Generale De La Franc-Maconnerie, Paul Naudon - Livro - Bertrand». www.bertrand.pt. p. 109. Consultado em 18 de abril de 2025
  5. ↑ Reclus, Philippe (1987). «« Pas d'ennemis à gauche »». Paris: Éditions de la Sorbonne. Histoire de la France aux XIXe et XXe siècles (em francês): 77–92. ISBN 979-10-351-0501-3. Consultado em 18 de abril de 2025