Geographic Names Information System | |
|---|---|
| GNIS | |
| Logotipo do Serviço Geológico dos Estados Unidos | |
| Tipo | Banco de dados de nomes geográficos |
| Desenvolvedor | Serviço Geológico dos Estados Unidos |
| Instituição parceira | Conselho de Nomes Geográficos dos Estados Unidos [en] |
| Sítio oficial | GNIS no portal do USGS |
O Geographic Names Information System, ou GNIS, é um banco de dados com nomes e informações sobre a localização de mais de dois milhões de elementos geográficos naturais e de origem humana nos Estados Unidos, nos Estados associados das Ilhas Marshall, dos Estados Federados da Micronésia e de Palau, e na Antártida. É um tipo de dicionário geográfico. Foi desenvolvido pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, em cooperação com o Conselho de Nomes Geográficos dos Estados Unidos [en], o BGN, para padronizar os nomes desses elementos.
A coleta de dados ocorreu em duas fases. Uma terceira fase chegou a ser cogitada para resolver divergências entre os nomes usados localmente e os encontrados nos mapas, mas não foi iniciada.
O banco de dados faz parte de um sistema que reúne nomes de mapas topográficos e referências bibliográficas. Cada entrada cita livros e mapas antigos que confirmam o nome do lugar ou do elemento geográfico. Também são armazenadas variantes dos nomes oficiais adotados pelo governo federal. Cada elemento recebe um identificador único e permanente, por vezes chamado de identificador GNIS. Em 2007, as entradas eram mantidas no banco de dados, exceto nos casos de duplicação evidente. Em 2021, foram retiradas do GNIS categorias de elementos construídos ou administrativos, como aeroportos, pontes, edifícios e escolas.
O GNIS foi concebido para evitar que órgãos de diferentes níveis de governo repetissem o trabalho de reunir dados geográficos, fornecer conjuntos padronizados desses dados ao governo e a outros usuários, indexar todos os nomes dos mapas oficiais federais e estaduais dos Estados Unidos e uniformizar os nomes geográficos usados pelo governo federal.
A primeira fase ocorreu de 1978 a 1981 e produziu cinco bancos de dados. Um projeto-piloto havia sido realizado no Kansas e no Colorado em 1976. Algumas categorias ficaram de fora porque estavam mais bem documentadas em mapas de outras instituições. Entre elas estavam aeroportos, torres de transmissão de rádio e televisão, divisões administrativas, nomes regionais e históricos, edifícios individuais, estradas e nomes de vértices de triangulação.
Inicialmente, os bancos de dados eram distribuídos em papel, com dois ou três volumes de encadernação em espiral [en] por estado, em microfichas e em fita magnética. Salvo solicitação em contrário, as fitas usavam a codificação EBCDIC, com registros de tamanho fixo de 248 bytes, agrupados em blocos de 4.960 bytes.
Entre as categorias atribuídas aos nomes estavam "locale", um local onde há ou houve atividade humana que não se enquadra em uma categoria mais específica, e "populated place", um lugar ou uma área com construções agrupadas ou dispersas. A categoria "spring" correspondia a uma nascente, "lava" abrangia escoadas lávicas, kepulas e formações semelhantes, e "well" correspondia a um poço. As montanhas eram distribuídas entre as categorias "ridge", para cristas, "range", para cadeias montanhosas, e "summit", para cumes.
Alguns lagos eram classificados como "tank", ou tanque, o que gerava problemas. A categoria não tinha definição na documentação. Um relatório de 1986 dos Laboratórios de Engenharia Topográfica do Corpo de Engenheiros do Exército dos Estados Unidos, o USACE, chamou essa classificação de "uma decisão sem fundamento". O lago Cayuga, no interior do estado de Nova Iorque, era um dos lagos classificados como "tank". Os autores entenderam que o termo significava reservatório e observaram que as coordenadas desses elementos frequentemente ficavam fora de seus limites, "possivelmente no ponto onde se supõe que haja uma barragem".
O National Geographic Names database, ou NGNDB, reunia inicialmente 57 arquivos digitais. Havia um para cada estado e território dos Estados Unidos, mais um para o Distrito de Colúmbia. O Alasca era a exceção, com dois arquivos. O segundo arquivo do Alasca vinha de um banco de dados anterior, o Dictionary of Alaska Place Names, compilado pelo USGS em 1967. Depois foram acrescentados dois arquivos com dados resumidos dos outros 57, abrangendo todo o país. Um reunia os 50.000 lugares povoados e elementos geográficos mais conhecidos, e o outro, a maior parte dos lugares povoados. Os arquivos foram compilados a partir de todos os nomes encontrados nos mapas topográficos do USGS e de dados de mapas estaduais.
Na primeira fase, as altitudes eram armazenadas apenas em pés, sem conversão para o sistema métrico, e somente quando o mapa informava a altitude do elemento geográfico. O valor correspondia ao ponto mais baixo ou mais alto, conforme o caso. Na segunda fase, foram acrescentadas altitudes calculadas por interpolação entre curvas de nível.
Os nomes seguiam a grafia oficial, com exceção dos diacríticos que as codificações dos arquivos não conseguiam representar. Na primeira fase, esses casos recebiam um asterisco para correção em uma etapa posterior. As designações genéricas vinham depois dos nomes específicos. Por exemplo, o monte Santa Helena, em inglês "Mount Saint Helens", era cadastrado como "Saint Helens, Mount". Já as cidades chamadas Mount Olive mantinham essa ordem, pois não eram montanhas e, nesses casos, "Mount" não era uma designação genérica.
Para os elementos que se estendiam por uma área, as coordenadas geográficas principais correspondiam à desembocadura ou ao centro aproximado dessa área. Quem digitalizava os dados estimava esses centros visualmente, com o cuidado de não situá-los sobre outro elemento geográfico contido na mesma área. Para esse fim, leques aluviais e deltas fluviais eram considerados desembocaduras. Nas cidades e em outros lugares povoados de maior extensão, usavam-se as coordenadas de um ponto de referência, como a sede do governo municipal, a principal biblioteca pública, o principal cruzamento rodoviário, a agência central dos correios ou o centro comercial, sem ajustá-las às mudanças ocorridas depois. Essas coordenadas recebem o nome de "ponto principal".
As coordenadas secundárias apenas ajudavam a determinar por quais folhas topográficas o elemento se estendia. Podiam ficar "em qualquer ponto do elemento e do mapa topográfico correspondente". As nascentes dos rios eram determinadas pelo caminho de drenagem mais curto, levando em conta a proximidade de outros elementos cujos nomes estabeleciam uma relação clara com o rio.
O USGS Topographic Map Names database, ou TMNDB, também reunia 57 arquivos digitais, com nomes de mapas. Como no NGNDB, 56 arquivos correspondiam aos mapas do USGS na escala 1:24.000. O 57.º continha dados dos mapas nas escalas 1:100.000 e 1:250.000, no lugar de um segundo arquivo para o Alasca. Os nomes eram transcritos exatamente como estavam nos mapas, com as mesmas exceções do NGNDB para os diacríticos.
Nesse banco, as coordenadas correspondiam ao canto sudeste de cada mapa. As exceções eram os mapas da Samoa Americana e de Guam, para os quais se usava o canto nordeste.
Na década de 1990, o TMNDB passou a se chamar Geographic Cell Names database, ou GCNDB.
O Generic database era um glossário digital de termos e abreviações extraídos dos mapas consultados, com suas definições, organizados em grupos de termos relacionados.
O National Atlas database era uma versão reduzida do NGNDB, com apenas as entradas do índice do Atlas Nacional dos Estados Unidos [en], publicado pelo USGS. As coordenadas do NGNDB eram substituídas pelas publicadas no atlas.
O Board on Geographic Names database reunia as investigações do Comitê de Nomes Domésticos do Conselho de Nomes Geográficos, suas decisões desde 1890 e os nomes estabelecidos por leis do Congresso. Os dados de altitude e localização seguiam as mesmas regras do NGNDB, assim como os nomes com diacríticos.
A segunda fase ampliou a coleta para um conjunto muito maior de fontes. Começou após o encerramento da primeira fase. Em 2003, o processamento dos dados de 42 estados estava concluído e o de outros quatro ainda estava em andamento. Alasca, Kentucky, Michigan e Nova Iorque aguardavam a compilação sistemática inicial das fontes a consultar.
Foram acrescentadas categorias como aldeamentos abandonados de povos indígenas, cidades-fantasmas, estações de linhas ferroviárias que já não existiam, conjuntos habitacionais, centros comerciais e áreas de descanso [en] em rodovias.
O governo dos Estados Unidos contratou entidades externas, como grupos de pesquisadores universitários, para compilar os dados de cada estado.
O Antarctica Geographic Names database, ou AGNDB, foi acrescentado na década de 1990. Reunia os nomes aprovados pelo BGN para a Antártida e ilhas afastadas do continente, como as ilhas Órcades do Sul, as ilhas Shetland do Sul, as ilhas Balleny, a ilha Heard, a Geórgia do Sul e as ilhas Sandwich do Sul. Abrangia apenas elementos naturais, sem incluir as bases científicas.
Na década de 1990, os bancos de dados passaram a ser distribuídos também em disquete, por FTP e em CD-ROM, além das versões em fita magnética e papel. A edição em CD-ROM continha apenas o NGNDB, o AGNDB, o GCNDB e um banco de referências bibliográficas, o RDB. Acompanhava um programa de consulta que funcionava no PC DOS 3.0 ou posterior, ou em um sistema compatível. O servidor FTP oferecia outros bancos temáticos. Um deles reunia apenas os lugares povoados do NGNDB. O subconjunto "Concise" reunia os elementos geográficos de maior destaque, e o subconjunto "Historical", os que já não existiam.
O GNIS não distingue os diferentes tipos de lugares povoados. Na formulação do relatório do USACE de 1986, "um loteamento com um habitante tem o mesmo peso que um grande centro metropolitano como Nova Iorque".
Em 2001, pesquisadores da Universidade de Connecticut compararam os lugares povoados do GNIS com os dados do sensor Thematic Mapper [en] do programa Landsat. Encontraram em Connecticut "uma quantidade expressiva" de lugares povoados sem ocupação humana identificável nos dados de uso do solo, situados em cruzamentos de estradas. Muitos desses lugares tinham "Corner" no nome. Os pesquisadores levantaram a hipótese de que fossem registros históricos ou "referências de localização cartográfica". Nos levantamentos topográficos dos Estados Unidos, um "corner" é um vértice do polígono que delimita uma área de terra. Sua localização é ou foi demarcada, pois esses vértices podem se tornar "perdidos" ou "apagados". A demarcação pode ser feita com árvores de referência, chamadas de "bearing trees", ou "witness trees" na terminologia antiga, e com marcos de vértice, os "corner monuments".
Ao analisar nomes indígenas no banco de dados para compilar um dicionário, o professor William Bright, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, observou em 2004 que algumas entradas do GNIS eram "incorretas ou se referiam a desvios ferroviários desaparecidos havia muito tempo, onde ninguém jamais morou". Essas classificações incorretas se espalharam por outras fontes de informações geográficas. Estações ferroviárias, por exemplo, passaram a ser apresentadas como cidades ou bairros no Google Maps.
Qualquer pessoa pode apresentar ao BGN propostas de novos nomes ou de alteração de nomes geográficos nos Estados Unidos e em suas áreas dependentes. O formulário e os documentos de apoio podem ser enviados por correio eletrônico ou postal. As propostas de mudança devem informar o nome oficial existente e o identificador do elemento no GNIS. As propostas em análise, suas justificativas e as manifestações recebidas podem ser consultadas nas listas de revisão do Comitê de Nomes Domésticos.
Os pedidos de alteração costumam partir dos conselhos estaduais de nomes geográficos ou dos conselhos de governo dos condados. Nem todos são atendidos. A Biblioteca Estadual de Montana enviou três grandes conjuntos de mudanças que não haviam sido incorporados ao GNIS.
O presidente dos Estados Unidos também pode determinar mudanças por ordem executiva. Em 2025, a Ordem Executiva 14172 [en] determinou a adoção de "Golfo da América" para o golfo do México no uso oficial federal.
No Alasca, um grupo de alunos dos anos intermediários da educação básica conseguiu mudar nomes que havia encontrado durante uma aula e questionado por serem racistas. Os alunos tiveram ajuda dos professores, de um professor de linguística e de um homem que havia anos reunia topônimos indígenas da região. Entre as mudanças estavam "Negrohead Creek", que passou a se chamar "Lochenyatth Creek", e "Negrohead Mountain", que recebeu o nome "Tl'oo Khanishyah Mountain". Os novos nomes vêm de línguas atabascanas e significam "touceiras de capim" em tanana inferior e gwich'in, respectivamente. Ao pesquisar para um livro de 2008 sobre termos étnicos ofensivos em topônimos dos Estados Unidos, Mark Monmonier, da Universidade de Syracuse, encontrou "Niger Hill", no condado de Potter, na Pensilvânia. O nome era uma transcrição incorreta de "Nigger Hill", presente em um mapa de 1938. Monmonier convenceu o BGN a alterá-lo para "Negro Hill".
Em novembro de 2021, a secretária do Interior dos Estados Unidos determinou que o termo "Squaw" fosse retirado do uso pelo governo federal. Medidas anteriores haviam substituído "nigger", um insulto dirigido a afro-americanos, por "Negro", em 1962, e "Jap", um insulto dirigido a nipo-americanos, por "Japanese", em 1974.
Em setembro de 2022, o BGN aprovou novos nomes para quase 650 elementos geográficos que continham "Squaw". As mudanças entraram em vigor imediatamente para uso federal. Sete localidades povoadas sem governo municipal próprio passaram por uma análise adicional. Em janeiro de 2023, cinco receberam novos nomes e duas foram excluídas desse processo, uma por já não constituir uma comunidade e a outra por corresponder a uma área particular. As cinco localidades renomeadas ficaram conhecidas como Loybas Hill, Yokuts Valley, Homesteaders Gap, Partridgeberry e Lynn Creek.
Em 2015, o cruzamento dos dados do GNIS com o Racial Slur Database havia encontrado 1.441 topônimos com termos raciais ofensivos. Havia nomes desse tipo em todos os estados. A Califórnia tinha 159, e o Arizona concentrava a maior quantidade. Uma das duas obras de referência usuais para os topônimos do Arizona, Arizona's Names: X Marks the Place, publicada por Byrd Howell Granger em 1983, contém muitos outros nomes com termos ofensivos que não constavam do GNIS. Embora Stewart Udall [en] tivesse retirado "nigger" do uso pelo governo federal, seu substituto, "Negro", ainda estava presente nos nomes do GNIS em 2015. Também havia nomes com "Pickaninny [en]", "Uncle Tom" e "Jim Crow", além de 33 lugares chamados "niggerhead". Havia 828 nomes com "squaw", entre eles 11 variações de "Squaw tit" e "Squaw teat". Para alusões sem referência a povos indígenas, como "Susies Nipple", empregava-se "nipple".