
Na terminologia de armas nucleares, ground zero é o ponto da superfície terrestre situado verticalmente abaixo ou acima do centro de uma detonação. Para uma explosão sobre ou sob a água, emprega-se também o termo surface zero, "zero de superfície". Algumas publicações também chamam esse ponto de hipocentro. Na sismologia, porém, hipocentro é o ponto no interior da Terra onde começa a ruptura de um sismo.
A expressão nasceu na terminologia militar ligada a explosões e passou depois a ser usada para outros locais onde ocorreu destruição concentrada ou um acontecimento de grande repercussão.
No teste Trinity, realizado em 16 de julho de 1945 no deserto de Jornada del Muerto, no Novo México, o primeiro dispositivo nuclear detonado pelo Projeto Manhattan foi colocado no alto de uma torre de aço de cerca de 30 m. A torre era chamada de "Zero", e o ponto em sua base era denominado "Ground Zero".
William L. Laurence, jornalista incorporado ao Projeto Manhattan, escreveu que "Zero" era o nome de código dado ao local escolhido para o teste.
O termo entrou em circulação pública pouco depois do teste e dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki. O United States Strategic Bombing Survey, em seu relatório de junho de 1946 sobre os ataques, adotou ground zero para o ponto no solo diretamente abaixo do ponto de detonação.


Em Hiroshima, a bomba explodiu cerca de 600 m acima do Hospital Shima, cujo local passou a marcar o ground zero. A Ponte Aioi, escolhida como alvo, ficava a cerca de 300 m dali.
Em Nagasaki, a área escolhida como alvo abrangia a zona industrial entre o campo esportivo da Mitsubishi e a Mitsubishi Steel and Arms Works. A explosão ocorreu cerca de 500 a 600 m ao norte dessa área, sobre Matsuyama-machi, no Vale de Urakami.

Durante a Guerra Fria, o pátio central d'O Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos no Condado de Arlington, Virgínia, passou a ser chamado informalmente de "ground zero", com base na expectativa de que o complexo seria um alvo em uma guerra nuclear. Uma lanchonete no centro do pátio recebeu o apelido de "Cafe Ground Zero".
Uma história contada durante visitas ao edifício afirmava que os soviéticos teriam interpretado a circulação diária de oficiais na lanchonete como sinal da existência de uma instalação subterrânea e mantido mísseis apontados para o local. A história foi apresentada pelo próprio Departamento de Defesa como uma lenda da Guerra Fria e não foi confirmada por autoridades russas.

Após os ataques de 11 de setembro de 2001, o local das Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, passou a ser chamado de "ground zero". As duas torres haviam sido atingidas por aviões sequestrados por membros da Al-Qaeda e desabaram após os impactos e incêndios.
Equipes que trabalharam no resgate, recuperação e limpeza também usaram a expressão "the pile", "a pilha", para o amontoado de escombros.
O termo permaneceu em uso durante a reconstrução do local e a construção do One World Trade Center e do Memorial & Museu Nacional do 11 de Setembro. O projeto Park51, previsto para dois quarteirões dali, recebeu de seus opositores o apelido de "mesquita do Ground Zero".
Antes do décimo aniversário dos ataques, o prefeito Michael Bloomberg pediu que o apelido deixasse de ser empregado e que o local fosse chamado de World Trade Center e Memorial e Museu Nacional do 11 de Setembro.
Fora da terminologia nuclear, ground zero passou a ser empregado para o centro ou ponto inicial de acontecimentos destrutivos e, por extensão, para locais que concentram mudanças ou atividades intensas.
O uso para explosões atmosféricas naturais e o emprego do termo hipocentro em sismologia são tratados em Hipocentro.