Helios Seelinger

Helios Seelinger
Nascimento1878
Rio de Janeiro
Morte1965 (86–87 anos)
CidadaniaBrasil
Ocupaçãopintor

Helios Aristides Seelinger (Rio de Janeiro, 1878 — Rio de Janeiro, 1965) foi um pintor, desenhista e caricaturista brasileiro. Pelo lado paterno, era descendente de alemães que teriam se estabelecido no Brasil na década de 1860.

Entre 1891 e 1896, estudou na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, e no ateliê de Henrique Bernardelli e Rodolfo Bernardelli. Suas obras apresentavam, sobretudo, influências simbolistas, com a predominância de formas bidimensionais e ausência de perspectiva. Teve presença assídua e destacada nas Exposições Gerais de Belas Artes, mostras anuais permanentes de obras de arte, implantadas em 1840 pela Academia Imperial de Belas Artes (AIBA), no Rio de Janeiro.

Em 1897, viajou para Munique, na Alemanha, onde freqüentou a Academia Azbe e onde foi aluno do pintor Franz von Stuck. Retornou ao Rio de Janeiro em 1901 e, dois anos, depois recebeu o Prêmio Viagem ao Exterior, concedido pela Exposição Geral de Belas Artes. Viajou então para Paris, onde estudou com Jean-Paul Laurens e, posteriormente, para Munique, reingressando no ateliê de Stuck.

De volta ao Brasil, fixou-se no Rio de Janeiro, e trabalhou como funcionário do Museu Nacional de Belas Artes - MNBA, na qualidade de "pintor artístico". Atuou como colaborador nos periódicos O Malho, Eu Sei Tudo, Careta, Leitura Para Todos, D. Xicote e Fon-Fon. Foi membro fundador da Sociedade Brasileira de Belas Artes (antiga Juventas), da Casa dos Artistas e da Sociedade dos Artistas Nacionais.

Formação artística

Helios Seelinger iniciou os estudos no Brasil ainda no início da década de 1890, com cerca de 13 anos de idade. Documentos presentes no acervo do Museu Dom João VI, da EBA/UFRJ, comprovam sua passagem pela Escola Nacional de Belas Artes, como avaliações datadas de 1891 e anotações onde o nome do artista aparece como o primeiro na lista de alunos matriculados, “dignos de louvor”, da Aula de Desenho Figurado, evidenciando seu bom aproveitamento. Em paralelo aos estudos na ENBA, Seelinger frequentava o ateliê que os irmãos Bernadelli mantinham na Rua da Relação, no Rio de Janeiro. Henrique Bernadelli e Rodolfo Bernadelli perceberam então o talento do pintor e a sua facilidade para absorver os fundamentos acadêmicos do desenho e da pintura.

A oportunidade de ir à Europa surgiu quando o pintor José Fiúza Guimarães ganhou, em 1895, o Prêmio de Viagem à Europa oferecido pela ENBA aos seus alunos regularmente inscritos. O pintor foi designado como pensionista para a cidade alemã de Munique, a fim de complementar seus estudos, e levou Seelinger consigo. Helios Seelinger partiu rumo à Munique em 1896. Na viagem, entrou em contato com a obra de um do principais professores da Academia de Munique, o pintor, artista gráfico e escultor Franz von Stuck, um dos fundadores da Sezession de Munique.

Seelinger incorporou aspectos da estética de Stuck, sobretudo as tendências simbolistas, a sua própria e seus trabalhos logo ganharam um cunho alegórico, povoando-se de figuras do folclore alemão e da mitologia helênica, como faunos, centauros, ondinas e bacantes. As influências brasileiras logo se fizeram presentes na obra de Seelinger, que se aproximava do espírito panteísta que tinha desenvolvido com Stuck. Seus quadros passaram a representar lendas indígenas brasileiras e manifestações culturais típicas, como o carnaval e a macumba.

A experiência e formação artística adquirida por Helios Seelinger na Europa foi diferente da que era usual entre os mais conhecidos artistas brasileiros surgidos na 1ª República. Sua formação se deu, sucessivamente, em dois polos artísticos distintos (Munique e Paris), sendo que a passagem pela Alemanha foi a mais impactante em suas obras e decisiva para a configuração de seu estilo.

No início do século XX, Helios Seelinger regressa ao Brasil e, depois de vencer o Prêmio de Viagem na Exposição Geral de 1903, retornou para a Europa como bolsista do Estado brasileiro. Durante a viagem, passou a frequentar o meio artístico de várias cidades, principalmente na já conhecida Munique.

Características das obras

Em seus quadros, o "fundo místico", como o próprio Helios Seelinger classificava, passou a ser uma de suas principais características. Suas telas apresentavam uma execução franca, com contornos simplificados e a predominância de contrastes bruscos de claro-escuro. De um modo geral, o trabalho de Seelinger e de outros artistas de Munique refletiam as tonalidades sombrias dos mestres seiscentistas holandeses e espanhóis.

Em várias obras, nota-se também a influência do art nouveau. Em diversos outros trabalhos, que podem ser caracterizados como séries, o artista explora um mesmo repertório de motivos: caravelas, lagos, luares e ciprestes.

Críticas

Para M. Nogueira da Silva, "a extravagância de forma e conceito o colocou em um lugar distinto e único entre os seus contemporâneos. Hélios Seelinger é o paradoxo vivo, incontentado, insofrido pela última maneira, a maneira rara, a maneira inédita. Fugiu do mundo, criando para a sua arte um outro mundo, que povoou de monstros, de animais fantásticos, de deuses terríveis, ressuscitando Salomés, Cleopatras, faunos, tritões sedentos de vingança, ninfas e figuras delicadas e brancas de um sonho feito de fantasias".

O crítico Gonzaga Duque definiu a obra de Seelinger como "uma impulsiva tendência para a arte decorativa". [...] "uma desenvoltura macabra de contorções grotescas como numa epilepsia de prazeres". Segundo Duque, o artista "atinge à generalidades sociais, resume filosofias aplicadas de legendas que prescindem da frase escrita".

Na obra "Artes plásticas: seu mercado, seus leilões", o crítico Júlio Louzada traça um panorama sobre a obra de Helios Seelinger. "Em 1951, a crítica especializada dizia ser Seelinger ´o único pintor simbolista que possuímos (...) e tem-nos dado interpretações de temas abstratos em alegorias como A AMBIÇÃO e A ÉPOCA DA MÁQUINA. Vezes há em que Hélios procura uma escala cromática mais quente. É quando focaliza aspectos de macumba ou de carnaval. O colorido na primeira é sombrio como a alma dos que ali se acham entregues a um culto semi-religioso. Ocupando uma posição muito particular entre os pintores brasileiros tanto pelo tratamento técnico original e livre como pela temática às vezes oriunda das fontes populares, Seelinger aborda o mitológico e o histórico, como no tríptico Minha Terra, onde o documentário é completado por arabescos e cores caprichosamente matizadas. No grande painel executado para a sede do Clube Naval no Rio de Janeiro, vemos caravelas e ondas ´bordadas de espuma batida pelo vento, envolvendo figuras mitológicas que se completam com amontoadas nuvens folierômicas sob céu azul intenso. Outra tela histórica é a chegada do navio-escola Almirante Saldanha à baía da Guanabara, onde sereias e delfins vêm enriquecer a encenação marinhista".

Exposições

Seelinger participou de exposições individuais e coletivas.

Exposições individuais

Exposições coletivas

Exposições póstumas

Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 «19&20 - Helios Seelinger, um pintor "Salteado", por Arthur Valle». www.dezenovevinte.net. Consultado em 18 de setembro de 2017
  2. ↑ Ramosii, Aline Cristina Gomes, e Sarah Bernardo de Souza Almeidaiii. "O MITO DO MODERNISMO EM QUESTÃO: PSEUDOMORFISMO E ARGUMENTOS CIRCULARES ENTRE O MODO D’ESQUISSE E O IMPRESSIONISMOi."
  3. 1 2 Costa, Angyone (1927). A Inquietação das Abelhas. Rio de Janeiro: [s.n.]
  4. 1 2 Valle, Arthur. «Bolsistas da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro em Munique, na década de 1890»
  5. ↑ Silva, M. Nogueira da (1926). «Um artista estranho e paradoxal». Gazeta de Noticias
  6. ↑ Duque, Gonzaga (1929). Contemporâneos: pintores e esculptores. Rio de Janeiro: [s.n.] pp. 57, 58
  7. ↑ Louzada, Júlio (1984). Artes plásticas: seu mercado, seus leilões. São Paulo: [s.n.]
  8. ↑ «Enciclopédia Itaú Cultural»