| Heloisa Jahn | |
|---|---|
| Nome completo | Heloisa Beatriz Goulart Jahn |
| Nascimento | 1947 Rio de Janeiro, Brasil |
| Morte | 27 de junho de 2022 São Paulo, Brasil |
| Nacionalidade | brasileira |
| Ocupação | tradutora editora poeta |
| Prêmios | Prêmio Jabuti de Tradução (2022) |
Heloisa Beatriz Goulart Jahn (Rio de Janeiro, 1947 – São Paulo, 27 de junho de 2022), foi uma tradutora, editora e poeta brasileira. Traduziu mais de cem livros para o português, entre romances, ensaios, poesia e literatura infantojuvenil. Trabalhou com obras escritas originalmente em inglês, francês, espanhol, italiano, dinamarquês e sueco, incluindo livros de Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Charles Dickens, George Orwell e Hans Christian Andersen.
Foi editora na Brasiliense, na Companhia das Letras e na Cosac Naify. Em 2022, recebeu, com Josely Vianna Baptista, o Prêmio Jabuti de Tradução por Todos os contos, de Cortázar, publicado no ano anterior. Também escreveu poesia, reunida em Canto breve dos desamados, de 1967, e em Palindroma, publicado depois de sua morte.
Nascida no Rio de Janeiro em 1947, Heloisa cresceu no Rio Grande do Sul, primeiro em Montenegro e depois em Porto Alegre. Era filha de uma professora primária e de um empresário que gostava de livros. Ainda criança, ouvia o pai ler e traduzir trechos de Dom Quixote para os filhos. Estudou filosofia durante dois anos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e por mais dois anos na Universidade de São Paulo.
Em 1970, após ser presa e interrogada durante a ditadura militar brasileira, deixou o país. Passou dois anos em Paris, dois no Uruguai e três em Copenhague, na Dinamarca. Na capital francesa, conheceu Julio Cortázar, de quem já era leitora. Os dois se tornaram amigos e trocaram cartas até a morte do escritor, em 1984.
Voltou ao Brasil em 1977 e morou no Rio de Janeiro até o ano seguinte, quando se mudou para Brasília. Em 1985, estabeleceu-se em São Paulo, onde trabalhou como tradutora e editora pelo restante da vida. Morreu em sua casa na cidade, em 27 de junho de 2022, aos 74 anos, após um acidente vascular cerebral hemorrágico.
Heloisa começou a traduzir aos dezesseis anos, quando o pai lhe encomendou textos técnicos de engenharia. Em Paris, traduziu por interesse próprio textos de Guy de Maupassant e Charles Baudelaire. Passou a trabalhar profissionalmente com tradução em 1977, primeiro em textos acadêmicos para a Editora da Universidade de Brasília. Entre os trabalhos iniciais estavam um ensaio sobre psiquiatria hospitalar e publicações sobre Bornéu e Lapônia.
No mercado editorial de São Paulo, trabalhou na Brasiliense, na PPP e na Abril. Ingressou na Companhia das Letras em 1995 e, depois de deixar a empresa, trabalhou na Cosac Naify. Nesta última, esteve à frente da edição de Tempo de espalhar pedras, de Estevão Azevedo, romance vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura de 2015.
Entre suas traduções estão Canção de Natal, de Charles Dickens, O livro dos seres imaginários, de Jorge Luis Borges, e 1984, de George Orwell, este último em parceria com Alexandre Hubner. Trabalhou ainda com a obra de Ricardo Piglia, Gore Vidal e Louise Glück. Na literatura infantil, traduziu histórias dos Irmãos Grimm e contos de Hans Christian Andersen diretamente do dinamarquês. Algumas dessas edições foram publicadas com pseudônimos, entre eles José Amaro, Laura Lee, Cau Jahn e Iran de Souza.
Em 2017, traduziu As alegrias da maternidade, romance da escritora nigeriana Buchi Emecheta, para a primeira edição brasileira do livro, publicada pela TAG. Também trabalhou em Poemas (2006–2014), de Louise Glück, ao lado de Bruna Beber e Marília Garcia.
Em 2021, a Companhia das Letras publicou Todos os contos, de Cortázar, em dois volumes. Heloisa traduziu o primeiro, com textos escritos entre 1945 e 1966, e Josely Vianna Baptista ficou responsável pelo segundo. As duas receberam o Jabuti de Tradução em 2022, alguns meses após a morte de Heloisa.
Ainda estudante, Heloisa publicou Canto breve dos desamados, coletânea de poemas lançada pela editora Movimento, de Porto Alegre, em 1967. O livro esteve entre as primeiras publicações da casa editorial. Em 2001, escreveu com Claudio Ferlauto O livro da gráfica, dedicado à produção gráfica, às cores, à tipografia e ao trabalho de fazer livros.
Em Paris, no começo dos anos 1970, criou com o artista Carlos de Moraes o livro de poemas e desenhos Palindroma. Os dois concluíram um exemplar em Copenhague, em 1972, com vinte poemas de Heloisa e vinte ilustrações de Moraes. O material permaneceu inédito durante cinco décadas e foi publicado em 2023 pela Quelônio, em uma edição póstuma que conservou as folhas soltas e o formato concebido pelos autores.