Heroides

Heroides (ou Heroidas; em latim: Epistulae Heroidum, lit. "Cartas das Heroínas") são uma coleção de quinze poemas epistolares compostos, em latim, pelo autor romano Públio Ovídio Naso. Escritas em dístico elegíaco, apresentam uma seleção de cartas como se fossem escritas por heroínas da mitologia grega e da mitologia romana, que, de alguma forma maltratadas, negligenciadas ou abandonadas, escrevem a seus amantes. Os dísticos elegíacos dividem-se em dois tipos: as heróides simples e as heróides duplas. Nestes poemas, o poeta encarna de diversas formas a puella elegíaca, embora, por vezes, as cartas partilhem algumas características. As heróides simples são catorze cartas «escritas» por mulheres que pertencem ao imaginário mitológico e uma «escrita» pela poetisa Safo. As heróides duplas são seis missivas que podem ser divididas em três pares, em que a primeira é «escrita» pelo homem, que, em seguida, recebe a resposta da sua amada. Um conjunto adicional de seis poemas, amplamente conhecidos como Heroides Duplas e numerados de 16 a 21 em edições académicas modernas, segue essas cartas individuais e apresenta três trocas separadas de epístolas emparelhadas: uma de um amante heróico à sua amada ausente e outra da heroína em resposta.

Notas

  1. ↑ Sobre a vida do poeta, ver Knox (1995: 1-5), White (2002: 1-25), Tarrant (2002: 13-33) e o opúsculo de Alberto (1997). Podemos ainda ler as palavras do autor em Tristia 4. 10, poema que é denominado constantemente «Autobiografia» por vários académicos, e.g. Tarrant (2002: 15, 31). No entanto, Holzberg (2006: 51-68) recorda a necessidade de, mesmo considerando que os poemas de Ovídio possuam alguma verdade, ser preciso diferenciar entre a «pessoa real» e o papel fictício que o poeta muitas vezes representa na sua obra.
  2. ↑ Na verdade, durante muito tempo, as Heroides foram consideradas um livro monótono, cf. Wilkinson (2005: 97 e 105-106), embora a opinião académica tenha vindo a alterar-se graças a estudos como os de Jacobson (1974), Barchiesi (1987), Farrel (1998), Fulkerson (2005), Drinkwater (2007), apenas para citar alguns exemplos. Estes trabalhos têm sugerido «guias de leitura» e possíveis linhas de orientação e de interpretação que exploram a intertextualidade das cartas entre si e/ou das cartas com outras obras.
  3. ↑ Podemos também dividir os poemas em dois grupos distintos, cada um com o seu objectivo, cf. Fulkerson (2009: 79-80). Fedra, Hermíone, Cânace, Hipermnestra e os protagonistas das cartas duplas pretendem começar uma relação ou aprofundá-la. Já Penélope, Fílis, Briseida, Enone, Hipsípile, Dido, Dejanira, Ariadne, Medeia, Laodamia e Safo reflectem sobre a sua relação ou aquela que tiveram.
  4. ↑ A epístola de Safo tem dado origem a vários artigos e especulações sobre a sua autenticidade. O mundo académico parece dividir-se em relação ao autor desta epístola. Uns consideram que terá sido Ovídio a compô-la, e.g. Thorsen (2014: 96-122); outros crêem que terá sido um autor anónimo que estaria muito familiarizado com o trabalho do poeta sulmonense, cf. Jacobson (1974: 278) e Tarrant (1981: 135). A arte de amar Páris nas Heroides de Ovídio: Enone e Helena. Introdução, tradução e notas Pedro Gambino Fernandes

Ver também

Ícone de esboço Este artigo sobre literatura é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.