Hijaba

Hijaba (em árabe: حجابة; romaniz.: ḥijāba) era a magistratura responsável pela guarda, conservação e administração da Caaba na Meca pré-islâmica. Compreendia a custódia da porta e das chaves do santuário, sua abertura aos visitantes em ocasiões determinadas, bem como a preservação do Estação de Abraão, dos presentes oferecidos à Caaba e de suas coberturas internas e externas. Frequentemente associada à sidana, a hijaba constituía uma das mais prestigiosas magistraturas religiosas de Meca e permaneceu sob a administração dos descendentes de Abede Adar ibne Cuçai desde a época de Cuçai ibne Quilabe até o advento do islão.

História

A palavra hijaba significa literalmente "impedir a entrada", "ocultar" ou "guardar". Na terminologia religiosa da Meca pré-islâmica, designava a responsabilidade pela guarda da Caaba e de suas chaves, incluindo a abertura do edifício aos visitantes, a conservação da Estação de Abraão, dos objetos preciosos oferecidos ao santuário e das coberturas que o revestiam. Muitos autores empregam hijaba como sinônimo de sidana, embora alguns distingam a sidana como o conjunto de todos os serviços relacionados à Caaba e reservem o termo hijaba para as atribuições diretamente ligadas à porta e às chaves do edifício. Os responsáveis por essa magistratura eram conhecidos como hájibes ou sadines. Segundo a tradição, a hijaba foi exercida inicialmente pelos jurumitas, passando depois aos cuzaaítas, cujo chefe, Hulail ibne Hubexia, era o responsável pela guarda da Caaba. Após casar-se com sua filha Huba binte Hulail, Cuçai ibne Quilabe assumiu o controle de Meca e herdou também a administração do santuário. Em conformidade com seu testamento, a hijaba foi transmitida ao filho Abede Adar ibne Cuçai, permanecendo em sua descendência por sucessão hereditária através de Otomão ibne Abede Adar, Abede Aluzá ibne Otomão, Abu Tala Abedalá ibne Abede Aluzá, Tala ibne Abi Tala e Otomão ibne Tala.

Algumas tradições afirmam que a hijaba teria pertencido aos abedemanafitas e sido atribuída por sorteio a Haxime ibne Abede Manafe, permanecendo depois entre seus descendentes. Entretanto, as principais fontes históricas rejeitam essa versão e mantêm que a magistratura permaneceu continuamente entre os descendentes de Abede Adar. Durante a Conquista de Meca, a hijaba encontrava-se sob a responsabilidade de Otomão ibne Tala, enquanto a chave da Caaba permanecia sob os cuidados de sua mãe. Após realizar a circum-ambulação ritual, Maomé solicitou que Otomão abrisse a Caaba, ordenando a remoção das imagens e dos ídolos existentes em seu interior. Depois de entrar no santuário acompanhado de Bilal ibne Rabá e Uçama ibne Zaíde, onde realizou uma oração, saiu da Caaba e foi procurado por Alabás ibne Abede Almotalibe e Ali ibne Abi Talibe, que pediram que a hijaba lhes fosse confiada juntamente com a sicaia. O profeta recusou o pedido e devolveu a chave a Otomão ibne Tala e a Xaiba ibne Otomão, declarando: "Ó filhos de Abu Tala! Recebei este depósito para que permaneça convosco até o Dia da Ressurreição; ninguém o tomará de vós senão um injusto".

Após a Conquista de Meca, Otomão ibne Tala regressou a Medina e permaneceu junto de Maomé até a morte deste. Nesse período, a hijaba foi exercida por Xaiba ibne Otomão, seus filhos e seu irmão Uabe ibne Otomão. Mais tarde, com o retorno de Otomão a Meca, ambos voltaram a compartilhar a responsabilidade pela guarda da Caaba. Depois da morte de Otomão, a magistratura permaneceu definitivamente com os descendentes de Xaiba, conhecidos como Banu Xaiba, que continuaram a exercer essa função ao longo dos períodos omíada, abássida, mameluco e otomano. A custódia da Caaba permanece até hoje nas mãos da família Xaiba. Ao proclamar a vitória na Conquista de Meca, Maomé declarou que todas as distinções e prerrogativas da época pré-islâmica estavam abolidas, preservando apenas a sidana da Caaba e a sicaia destinada aos peregrinos. Dessa forma, a hijaba continuou existindo no período islâmico, embora desvinculada do antigo sistema de magistraturas tribais da Meca pré-islâmica.

Referências

  1. 1 2 Sarıçam 1998, pp. 431–432.
  2. 1 2 3 Sarıçam 1998, p. 431.
  3. ↑ Sarıçam 1998, p. 432.

Bibliografia