Sicaia (em árabe: سقاية; romaniz.: siqāya) era a magistratura responsável pelo abastecimento de água aos habitantes de Meca e, sobretudo, aos peregrinos que visitavam a Caaba durante a peregrinação na Época da Ignorância. Inicialmente destinada a garantir o fornecimento de água aos visitantes do santuário, a instituição foi organizada por Cuçai ibne Quilabe, que a transformou em uma magistratura permanente financiada por contribuições dos coraixitas. Após a redistribuição das magistraturas mecanas entre os descendentes de Abede Manafe ibne Cuçai e Abede Adar ibne Cuçai, a sicaia passou aos abedemanafitas, permanecendo principalmente entre os descendentes de Haxime ibne Abede Manafe e, posteriormente, dos abássidas.
A palavra sicaia significa literalmente "dar de beber", "abastecimento de água" ou "recipiente para água". No contexto religioso de Meca, designava a responsabilidade de prover água aos habitantes da cidade e, principalmente, aos peregrinos que visitavam a Caaba durante a peregrinação. Desde a época de Abraão os visitantes do santuário eram considerados hóspedes de Deus, e inicialmente seu abastecimento dependia de contribuições espontâneas da população. Posteriormente, os chefes tribais mais influentes assumiram essa responsabilidade como demonstração de prestígio e generosidade. Cuçai ibne Quilabe institucionalizou a sicaia ao propor que os coraixitas arrecadassem anualmente recursos destinados ao atendimento dos peregrinos, estabelecendo um orçamento permanente dividido entre a sicaia e a rifada. Também mandou escavar poços e instalar reservatórios de couro ao redor da Caaba para armazenar água destinada aos visitantes, oferecendo ocasionalmente leite aos peregrinos.
Ao envelhecer, Cuçai confiou a sicaia a seu filho Abede Adar ibne Cuçai. Entretanto, após sua morte, os filhos de Abede Manafe ibne Cuçai — Haxime, Almotalibe, Naufal e Abede Xemece — reivindicaram as principais magistraturas de Meca, alegando maior prestígio e influência. O conflito foi solucionado mediante um acordo que manteve a sidana, a hijaba, o estandarte militar e a administração da Dar Anadua com os descendentes de Abede Adar, enquanto a sicaia e a rifada passaram aos descendentes de Abede Manafe. Haxime assumiu então a sicaia, escavou os poços de Besre e Sájela para ampliar o abastecimento da cidade e complementava com recursos próprios cerca de um quarto das despesas da sicaia e da rifada. Após sua morte, a magistratura passou sucessivamente a Almotalibe, Abede Almotalibe e Abu Talibe, que continuaram a administrá-la em conjunto com a rifada. A redescoberta do Poço de Zenzem por Abede Almotalibe ampliou significativamente a importância da sicaia, pois o abastecimento dos peregrinos passou a concentrar-se na água considerada sagrada. Durante os primeiros anos do islão, Abu Talibe enfrentou dificuldades financeiras para manter simultaneamente a sicaia e a rifada, contraindo sucessivos empréstimos junto de seu irmão Alabás ibne Abede Almotalibe. Incapaz de saldar a dívida, acabou transferindo ambas as magistraturas a Alabás, que passou a oferecer aos peregrinos água de Zenzem misturada com mosto de uvas, preparando uma bebida adocicada conhecida como nabide.
Na Conquista de Meca, Alabás e Ali ibne Abi Talibe solicitaram conjuntamente a administração da sicaia e da hijaba. Maomé confirmou a sicaia a Alabás, ao mesmo tempo em que declarou abolidas todas as antigas magistraturas honoríficas da Época da Ignorância, preservando apenas a guarda da Caaba e o abastecimento de água aos peregrinos. Durante sua Peregrinação de Despedida, o profeta bebeu água de Zenzem retirada pelos responsáveis pela sicaia e afirmou que, se isso não fosse interpretado como uma obrigação ritual, também participaria pessoalmente da retirada da água, enfatizando que esse serviço constituía uma honra, mas não fazia parte dos ritos obrigatórios da peregrinação. Após a morte de Alabás, a sicaia permaneceu com seus descendentes, continuando a ser exercida pelos abássidas durante os períodos omíada e abássida, embora progressivamente adquirisse caráter administrativo. Com a transformação da função em um serviço público ligado quase exclusivamente ao Poço de Zenzem, foi construída junto ao poço a chamada Cúpula da Sicaia (em árabe: قبة السقاية; romaniz.: Qubbat al-Siqāya), destinada ao armazenamento dos utensílios empregados no abastecimento de água e, posteriormente, de manuscritos, objetos pertencentes à Mesquita Sagrada e bens encontrados em seu recinto. Remodelada diversas vezes ao longo dos períodos omíada, abássida, mameluco e otomano, a estrutura permaneceu em uso até as grandes reformas da Mesquita Sagrada realizadas pelo Estado saudita no século XX, quando foi demolida durante a reorganização do complexo de Zenzem.