Rifada (em árabe: رفادة; romaniz.: rifāda) era a magistratura responsável pelo fornecimento de alimentos aos peregrinos durante a peregrinação a Meca na Meca pré-islâmica. Institucionalizada por Cuçai ibne Quilabe, consistia na arrecadação anual de recursos entre os coraixitas para custear refeições destinadas aos visitantes da Caaba, sobretudo aos mais pobres. Após ser transmitida aos descendentes de Cuçai, a rifada permaneceu sob a administração dos haxemitas até a Conquista de Meca, quando Maomé a transformou em um serviço público ligado à administração da peregrinação.
A palavra rifada significa literalmente "auxílio", "assistência" ou "socorro". Na Meca pré-islâmica, designava o serviço de alimentação oferecido aos peregrinos que visitavam a Caaba durante a peregrinação. A hospitalidade constituía um dos principais valores da sociedade árabe, e os habitantes de Meca costumavam acolher os visitantes com recursos obtidos por meio de contribuições da comunidade. Com o tempo, a responsabilidade pela organização desse serviço passou a ser assumida pelos chefes tribais e pelos membros mais ricos da cidade, transformando-se em uma das mais prestigiosas magistraturas mequenses. Inicialmente as refeições eram compostas sobretudo de tâmaras e uvas-passas, às quais posteriormente se acrescentaram carne, pão, manteiga, trigo e cevada. Segundo a tradição, foi Anre ibne Luai quem primeiro distribuiu carne de camelo aos peregrinos. A rifada, entretanto, só adquiriu caráter institucional durante o governo de Cuçai ibne Quilabe. Depois de conquistar Meca, Cuçai organizou os serviços da Caaba e conclamou os coraixitas a contribuírem regularmente para a alimentação dos peregrinos, lembrando-lhes que estes eram hóspedes de Deus e, por isso, mereciam o melhor acolhimento possível. A partir de então, tornou-se costume arrecadar anualmente dinheiro e bens entre os coraixitas para financiar a rifada, existindo inclusive um limite máximo tradicional para as contribuições. Durante a peregrinação, Cuçai mandava sacrificar camelos e distribuir refeições preparadas em locais específicos da cidade e das estradas de acesso a Meca, dando preferência aos peregrinos de menores recursos.
Antes de morrer, Cuçai confiou a rifada a Abede Adar ibne Cuçai, embora Alasraqui atribua essa sucessão a Abede Manafe ibne Cuçai. Pouco tempo depois, os filhos de Abede Manafe contestaram a distribuição das magistraturas, dando origem ao conflito encerrado pelo pacto dos mutaiabitas. Como resultado do acordo, a rifada passou aos abedemanafitas, sendo confiada a Haxime ibne Abede Manafe, cuja riqueza e generosidade fortaleceram ainda mais o prestígio da instituição. Haxime manteve a tradição de arrecadar contribuições entre os coraixitas, mas custeava com recursos próprios cerca de um quarto das despesas da rifada e da siquaia. Durante um período de fome, trouxe pão de Damasco, esfarelou-o em caldo de carne e distribuiu o alimento aos peregrinos, episódio que, segundo a tradição, lhe valeu o apelido de "Haxime" ("o que esfarela"). Após sua morte, a rifada passou sucessivamente a Almotalibe ibne Abede Manafe, Abede Almotalibe, Abu Talibe e, posteriormente, a Alabás ibne Abede Almotalibe.
Nos primeiros anos do islão, Abu Talibe continuou exercendo a rifada, mas, em razão de dificuldades financeiras, contraiu empréstimos junto ao irmão Abas para custear a alimentação dos peregrinos. Incapaz de saldar a dívida, acabou transferindo-lhe tanto a rifada quanto a siquaia. Após a Conquista de Meca, Maomé retirou a rifada da administração de famílias particulares e transformou-a em um serviço público. Em 631, encarregou Abu Becre de organizar a alimentação dos peregrinos durante a peregrinação, e, na Peregrinação de Despedida, supervisionou pessoalmente essa tarefa. Desde a época dos califas bem guiados, a rifada passou a ser administrada pelos califas e demais governantes islâmicos, permanecendo em funcionamento durante os períodos omíada, abássida, mameluco e otomano sob diferentes formas de assistência aos peregrinos e aos pobres das cidades sagradas.