Cavalo-marinho

 Nota: Para outros significados, veja Cavalo-marinho (desambiguação).

Seahorses
Intervalo temporal:
Mioceno Inferior − Presente
23–0 Ma
Hippocampus hippocampus
Classificação científica e
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Syngnathiformes
Família: Syngnathidae
Tribo: Hippocampini
Gênero: Hippocampus
Rafinesque, 1810
Espécie-tipo
Syngnathus hippocampus
Linnaeus, 1758
Espécies

Ver espécies.

Sinónimos
Diagrama corporal de um cavalo-marinho.

Hippocampus é um gênero de peixes ósseos, pertencente à família Syngnathidae, de águas marinhas temperadas e tropicais que engloba as espécies conhecidas pelo nome comum de cavalo-marinho.

Descrição

Os cavalos-marinhos, do coletivo: manada. Caracterizam-se por terem uma cabeça alongada, com filamentos que lembram a crina de um cavalo, e por exibirem mimetismo semelhante ao do camaleão, podendo mudar de cor e mexer os olhos independentemente um do outro. Nadam com o corpo na vertical, movimentando rapidamente as suas barbatanas. Algumas espécies podem ser confundidas com plantas marinhas, corais ou anêmonas marinhas. Geralmente medem entre 15 e 18 centímetros, mas podem medir desde 13 a 30 centímetros, dependendo da espécie, com peso entre 50 e 100 gramas. Vivem em águas de regiões de clima temperado e tropical.

Todas as espécies de cavalos-marinhos estão em perigo de extinção. Uma das causas é pesca predatória e a destruição de habitat. Outra causa é o captura frequente deles para serem usados como peça de decoração ou simplesmente serem criados em um aquário.

Existem três espécies brasileiras de cavalos-marinhos, o Hippocampus erectus, Hippocampus reidi e o Hippocampus patagonicus, que foi descoberto em 2004.

Nome científico

Um hipocampo em um mosaico romano.

Os hipocampos eram seres da mitologia grega (séquitos de Poseidon), que possuíam as partes superiores de seus corpos iguais a de um cavalo, com crina membranosa, guelras e membranas interdigitais nos supostos cascos, e suas partes inferiores eram a de um peixe ou golfinho, por isso eram conhecidos como "cavalos-marinhos".

Hábitos alimentares

As espécies desse gênero são carnívoras. Alimentam-se de pequenos crustáceos, moluscos, vermes, e plâncton, que são sugados através de suas bocas tubulares. Como eles não tem o costume de irem atrás de alimento, eles comem o que estiver passando por eles. A cauda desses animais é longa e preênsil, o que permite que eles se agarrem às plantas submarinas enquanto se alimentam.

Reprodução

A reprodução dos cavalos-marinhos geralmente ocorre na primavera.[carece de fontes]? Para se reproduzirem, as fêmeas dos cavalos-marinhos dão preferência ao macho de maior tamanho corporal e que tenha mais ornamentos em seu corpo. Para que os machos consigam uma fêmea para se reproduzirem, eles também precisam atraí-la fazendo uma dança do acasalamento.

A reprodução inicia quando os Óvulos da espécie são transferidos da bolsa incubadora da fêmea para a do macho, no momento do acasalamento. Os Óvulos, já na bolsa incubadora do macho, que se localiza na base de sua cauda, são fertilizados por esperma que o próprio macho libera lá dentro. Dois meses mais tarde, os Óvulos eclodem e o macho realiza violentas contorções para expelir os filhotes, que estão dentro da sua bolsa incubadora.[carece de fontes]?

Os filhotes, quando nascem, são transparentes e medem menos de um centímetro, mas com variações, dependendo da espécie. Eles sobem logo à superfície para encherem suas bexigas natatórias de ar, para poderem se equilibrar na água ao nadarem. Após nascerem, já são totalmente independentes de seus pais, mesmo sendo frágeis. Um cavalo-marinho macho geralmente gera 100 a 500 filhotes por gestação, dependendo da espécie. Geralmente, quase 97% dos filhotes de cavalos-marinhos são mortos por predadores naturais, que são, geralmente, peixes maiores.[carece de fontes]?

Espécies

Localização

Existem cerca de 48 espécies classificadas de cavalos-marinhos, que são encontradas principalmente em águas rasas tropicais e temperadas em todo o mundo, preferindo viver em áreas abrigadas, tais como leitos de algas marinhas, estuários, recifes de corais ou mangues. Nas águas do Pacífico vive a maior das espécies Hippocampus ingens, que atinge cerca de 30 centímetros. No Brasil são registradas três espécies: H. erectus (abundante em todo o oceano Atlântico, desde a Nova Escócia até o Uruguai), H. reidi (a espécie mais comum no litoral brasileiro) e H. patagonicus.

O cavalo-marinho comum (Hippocampus hippocampus) é natural do Atlântico Norte, sendo encontrado também no litoral lusitano e no mar Mediterrâneo, onde compartilha o habital com outras duas espécies: o H. guttulatus (o cavalo-marinho-de-focinho-longo) e H. fuscus (o pônei-do-mar). Nessas áreas, os machos ficam dentro de 1 metro quadrado em seu território, enquanto fêmeas variam de cerca de cem vezes isso. Outras espécies que podem ser mencionadas incluem H. algiricus do litoral atlântico da África (incluindo Angola) e H. camelopardalis que habita o canal de Moçambique.

Lista de espécies

Cavalos-marinhos pigmeus

Cavalos-marinhos pigmeus tem menos do que 15 milímetros (0,59 in) de altura e 17 milímetros (0,67 in) de largura. Anteriormente, o termo foi aplicado exclusivamente para a espécie H. bargibanti. Mas, desde 1997, as descobertas fizeram este termo obsoleto. As espécies H. minotauro, H. denise, H. colemani, H. pontohi, H. severnsi e H. satomiae têm sido descritas assim. Outras espécies, que ainda não foram classificadas, também têm sido relatadas em livros, revistas de mergulho e na internet. Eles podem ser distinguidos de outras espécies de cavalos-marinhos pelos seus anéis de tronco 12, baixo número de anéis de cauda em comparação com os cavalos-marinhos normais (26-29), a localização na qual jovens são postos na região do tronco dos machos e seu tamanho extremamente pequeno. A análise molecular (de RNA ribossômico) de 32 espécies Hippocampus descobriram que H. bargibanti pertence a um clado separado de outros membros do gênero e, portanto, que as espécies divergiram das outras espécies em um passado "antigo". Cavalos-marinhos pigmeus são melhor camuflados e vivem em estreita associação com outros organismos, incluindo hidrozoários coloniais (Lytocarpus e Antennellopsis), algas coralíneas (Halimeda) fãs do mar (Muricella, Annella, Acanthogorgia). Isto, combinado com seu pequeno porte, explica por que a maioria das espécies só foram notadas e classificadas a partir de 2001.

Na medicina tradicional

As populações de cavalos-marinhos estão sendo ameaçadas nos últimos anos pela pesca excessiva e a destruição de habitat. As espécies de cavalos-marinhos são usadas na medicina tradicional chinesa e aproximadamente 20 milhões são capturados a cada ano e vendidos para esta finalidade. Cavalos-marinhos não são facilmente criados em cativeiro pois são muito suscetíveis à doença e acredita-se que os "selvagens" têm melhores propriedades medicinais comparadas a cavalos-marinhos de aquário. Os cavalos-marinhos são também utilizados como medicamentos pelos indonésios, filipinos e muitos outros grupos étnicos. Importação e exportação de cavalos-marinhos tem sido controlada pela CITES desde 15 de maio de 2004. No entanto, Indonésia, Japão, Noruega e Coreia do Sul decidiram optar por sair das regras comerciais estabelecidos pela CITES. O problema pode ser exacerbado pelo crescimento de comprimidos e cápsulas como o método preferido de ingerir a medicação à base de cavalos-marinhos. Eles são mais baratos e acessíveis do que os tradicionais e o conteúdo é mais difícil de rastrear. Os cavalos-marinhos devem ter de um certo tamanho e qualidade antes de serem aceites pelos praticantes da medicina tradicional chinesa (MTC) e consumidores. O declínio da disponibilidade e da preferência aos de grande porte torna possível para os comerciantes da MTC venderem os mais jovens, o que não era comum anteriormente. Hoje, quase um terço dos cavalos-marinhos vendidos na China são pré-embalados, aumentando a pressão sobre as espécies.

Ligações externas

Referências

  1. ↑ Rafinesque Schmaltz, C. S. (1810). «G. Hippocampus». Caratteri di alcuni nuovi generi e nuove specie di animali e piante della Sicilia: con varie osservazioni sopra i medesimi. Palermo: Sanfilippo. p. 18
  2. ↑ Hippocampus Rafinesque, 1810, WoRMS
  3. ↑ Whitley, Gilbert P. (1931). «New Names for Australian Fishes». The Australian Zoologist. 6 (4): 313
  4. 1 2 3 4 5 6 7 8 «Seahorses, Seahorse Pictures, Seahorse Facts - National Geographic (em inglês)». Animals.NationalGeographic.com. Consultado em 8 de Março de 2016
  5. ↑ Pereira, Luci Fátima (2016). «Ecologia alimentar de hippocampus patagonicus Piacentino & Luzzatto, 2004 e a conservação de cavalos-marinhos (Teleostei : Syngnathidae) no Sul do Brasil». Consultado em 14 de novembro de 2020
  6. ↑ 5 monstros e criaturas fantásticas da mitologia grega Revista Super-Interessante - acessado em 12 de junho de 2019
  7. ↑ A maior comunidade de cavalos-marinhos do mundo vive na Ria Formosa National Geographic Portugal - acessado em 12 de junho de 2019
  8. ↑ «Yizre'el Valley silver hoard - Israel Antiquities Authority». Antiquities.org.il. Consultado em 27 de fevereiro de 2016
  9. ↑ «Hippocampus - Define Hippocampus at Dictionary.com». Consultado em 27 de fevereiro de 2016
  10. 1 2 Melissa Hogenboom (7 de setembro de 2015). «Cavalo-marinho 'grávido' se comporta como gestante humana, diz estudo - BBC Brasil». BBC.com. Consultado em 27 de fevereiro de 2016
  11. ↑ Barcelos, Brenda Tusi (2012). «Cavalos-marinhos (Syngnathidae: Hippocampus) como fauna acompanhante na pesca costeira de média escala no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, Brasil». Consultado em 22 de maio de 2025
  12. ↑ «CAVALOS-MARINHOS». Cavalos-Marinhos. Consultado em 22 de maio de 2025
  13. ↑ Hippocampus debelius Gomon & Kuiter, 2009.
  14. ↑ «Hippocampus tyro Randall & Lourie, 2009.». Consultado em 28 de março de 2014. Arquivado do original em 4 de novembro de 2013