Para o filho, veja Carl von Linné (filho)
| Lineu | |
|---|---|
| Carl Nilsson Linnæus | |
Retrato pintado por Alexander Roslin em 1775 | |
| Conhecido(a) por | Nomenclatura binomial e taxonomia de Lineu |
| Nascimento | 23 de maio de 1707 |
| Morte | Uppsala, Suécia |
| Nacionalidade | sueca |
| Cônjuge | Sara Elisabeth Moræa (desde 1739) |
| Alma mater | Universidade de Lund Universidade de Uppsala Universidade de Harderwijk |
| Prêmios | Ordem da Estrela Polar |
| Carreira científica | |
| Instituições | Universidade de Uppsala |
| Campo(s) | Biologia, botânica e zoologia |
| Tese | Dissertatio medica inauguralis in qua exhibetur hypothesis nova de febrium intermittentium causa (1735) |
| Assinatura | |
| Notas | Sete filhos. Abreviaturas de autoria: L. na botânica e Linnaeus na zoologia. Sepultado na Catedral de Uppsala. |
Lineu (Råshult, 23 de maio de 1707 – Uppsala, 10 de janeiro de 1778), nascido Carl Nilsson Linnæus e chamado Carl von Linné após a nobreza concedida pelo rei em 1757 e reconhecida oficialmente em 1762, foi um biólogo e médico sueco que formalizou a nomenclatura binomial, o sistema moderno de nomeação dos organismos. É chamado de "pai da taxonomia moderna". Escreveu muitas de suas obras em latim, língua na qual assinava Carolus Linnæus e, após a nobilitação, Carolus a Linné.
Filho de um pastor auxiliar, nasceu em Råshult, na zona rural de Småland, no sul da Suécia. Fez a maior parte dos estudos superiores na Universidade de Uppsala, onde começou a lecionar botânica em 1730. Entre 1735 e 1738 viveu no exterior, estudou e publicou a primeira edição de Systema Naturae nos Países Baixos. De volta à Suécia, tornou-se professor de medicina e botânica em Uppsala. Na década de 1740, percorreu diferentes regiões do país em busca de plantas e animais para classificar. Nas décadas de 1750 e 1760, continuou a reunir e classificar animais, plantas e minerais e publicou diversos volumes. Ao morrer, em 1778, era um dos cientistas mais admirados da Europa.
Recebeu os epítetos latinos Princeps botanicorum, "príncipe dos botânicos", e "Plínio do Norte". Também é visto como um dos fundadores da ecologia moderna.
Na botânica, a abreviatura L. indica Lineu como autoridade de um nome de espécie. Na zoologia, usa-se em geral Linnaeus, embora também apareçam L., Linnæus e Linné. Em publicações antigas, encontra-se ainda "Linn.." Em 1959, foi designado lectótipo da espécie humana, Homo sapiens.
Lineu nasceu em Råshult, Småland, em 23 de maio de 1707. Era o primeiro filho de Nicolaus (Nils) Linnaeus, nascido Nils Ingemarsson, e Christina Brodersonia. O pai lhe ensinou nomes latinos de plantas ainda pequeno. Descendente de camponeses e religiosos, Nils era botânico amador, pastor luterano e auxiliar da paróquia de Stenbrohult, também em Småland. Christina era filha do pároco Samuel Brodersonius. Samuel morreu um ano após o nascimento do neto, e Nils assumiu o posto de pároco. A família deixou a casa do pastor auxiliar e se mudou para a residência paroquial. Desde pequeno, Lineu parecia gostar de plantas, sobretudo de flores. Quando se aborrecia, uma flor logo o acalmava. Nils passava muito tempo no jardim, mostrando flores ao filho e ensinando-lhe seus nomes. Lineu logo ganhou um canteiro para cultivar suas próprias plantas.
Nils foi o primeiro de seus antepassados a adotar um sobrenome permanente. Antes dele, a família seguia o sistema escandinavo de patronímicos: seu nome era Ingemarsson por ser filho de Ingemar Bengtsson. Ao ingressar na Universidade de Lund, precisou escolher um sobrenome e adotou a forma latinizada Linnæus, inspirada por uma grande tília, lind em sueco, que crescia na propriedade da família. O nome usava a ligadura æ. Carl recebeu ao nascer o sobrenome paterno e continuou a escrever Linnæus com essa ligadura, tanto em manuscritos como em publicações. Seu patronímico seria Nilsson, daí a forma Carl Nilsson Linnæus.

O pai começou cedo a lhe ensinar noções de latim, religião e geografia. Quando o menino tinha sete anos, os pais contrataram Johan Telander, filho de um pequeno proprietário rural, para ser seu preceptor. Lineu não gostava dele e escreveu na autobiografia que Telander era "mais capaz de extinguir os talentos de uma criança do que de desenvolvê-los".
Em 1716, foi matriculado na escola elementar de Växjö. Estudava pouco e costumava ir ao campo procurar plantas. Ao ouvir as avaliações desfavoráveis de seus professores, Nils pensou em colocá-lo como aprendiz de um sapateiro. O diretor Daniel Lannerus percebeu, porém, seu interesse pela botânica e o apresentou a Johan Rothman, médico provincial de Småland e professor da escola da catedral de Växjö. Rothman ampliou seus conhecimentos botânicos e despertou nele o interesse pela medicina. Aos 17 anos, Lineu conhecia bem a literatura botânica disponível. Em seu diário, escreveu que lia dia e noite e conhecia de cor o Rydaholm Book of Herbs, de Arvidh Månsson, a Flora Åboensis, de Elias Tillandz, Serta Florea Suecana, de Johannes Palmberg, Chloros Gothica, de Olof Bromelius, e Hortus Upsaliensis, de Olof Rudbeck, o Jovem.

Em 1723, entrou no ginásio da catedral de Växjö. Estudou sobretudo grego, hebraico, teologia e matemática, disciplinas destinadas aos rapazes que se preparavam para o sacerdócio. No último ano, Nils perguntou aos professores como o filho se saía. Quase todos responderam, para seu desgosto, que ele nunca seria um erudito. Rothman discordou e viu nele um futuro médico. Ofereceu-lhe moradia com sua família em Växjö e aulas de fisiologia e botânica. Nils aceitou.

Rothman mostrou a Lineu que a botânica era um campo de estudo sério. Ensinou-o a classificar plantas pelo sistema de Tournefort e lhe explicou a reprodução sexuada das plantas com base no trabalho de Sébastien Vaillant. Em 1727, Lineu ingressou na Universidade de Lund, na Escânia, aos 20 anos. Matriculou-se como Carolus Linnæus, a forma latina de seu nome, que usaria nas obras escritas nesse idioma.
Kilian Stobæus, professor de ciências naturais, médico e historiador, ofereceu-lhe moradia e orientação, além de acesso à biblioteca, que continha muitos livros de botânica. Também permitiu que assistisse gratuitamente a suas aulas. Nas horas vagas, Lineu explorava a flora da Escânia com colegas de interesses semelhantes.
Em agosto de 1728, por conselho de Rothman, transferiu-se para a Universidade de Uppsala, onde poderia estudar medicina e botânica. Rothman recomendara os professores da faculdade de medicina Olof Rudbeck, o Jovem, e Lars Roberg. Naquele momento, porém, ambos já eram idosos e menos interessados em ensinar. Rudbeck deixara de dar aulas públicas e mandava substitutos. As aulas de botânica, zoologia, farmacologia e anatomia atravessavam dificuldades. Em Uppsala, Lineu conheceu Olof Celsius, professor de teologia e botânico amador, que o acolheu em casa e lhe abriu sua biblioteca, uma das mais ricas da Suécia em obras botânicas.

Em 1729, escreveu Praeludia Sponsaliorum Plantarum, sobre a reprodução sexuada das plantas. O trabalho chamou a atenção de Rudbeck, que o convidou a lecionar na universidade em maio de 1730, embora fosse aluno do segundo ano. Suas aulas atraíam até 300 ouvintes. Em junho, mudou-se da casa de Celsius para a de Rudbeck, a fim de ensinar os três filhos mais novos do professor, que tinha 24 filhos. Manteve a amizade com Celsius e continuou a fazer excursões botânicas com ele. Naquele inverno, passou a questionar a classificação de Tournefort e planejou separar as plantas segundo o número de estames e pistilos. Começou a escrever livros que dariam origem, entre outros, a Genera Plantarum e Critica Botanica. Preparou ainda Adonis Uplandicus, sobre as plantas cultivadas no jardim botânico de Uppsala.
O antigo assistente de Rudbeck, Nils Rosén von Rosenstein, voltou à universidade em março de 1731 com um diploma de medicina. Começou a lecionar anatomia e tentou assumir as aulas de botânica de Lineu, mas Rudbeck o impediu. Até dezembro, Rosén ensinou medicina a Lineu em particular. Naquele mês, uma desavença com a esposa de Rudbeck levou Lineu a sair da casa do professor, sem que, ao que parece, a relação entre os dois fosse prejudicada. No Natal, visitou os pais em Stenbrohult pela primeira vez em cerca de três anos. A mãe desaprovava sua decisão de não se tornar pastor, mas ficou contente ao saber que ensinava na universidade.

Numa visita aos pais, Lineu contou-lhes que pretendia viajar à Lapônia. Rudbeck percorrera a região em 1695, mas os resultados detalhados da viagem se perderam num incêndio sete anos depois. Lineu esperava encontrar plantas, animais e talvez minerais valiosos. Tinha curiosidade pelos costumes dos sámi, criadores nômades de renas que atravessavam a tundra escandinava. Em abril de 1732, recebeu uma bolsa da Sociedade Real de Ciências de Uppsala para a expedição.
Partiu de Uppsala em 12 de maio de 1732, pouco antes de completar 25 anos. Viajou a pé e a cavalo, levando diário, manuscritos botânicos e ornitológicos e folhas para prensar plantas. Perto de Gävle, encontrou muitos exemplares de Campanula serpyllifolia, depois chamada Linnaea borealis, que se tornaria sua flor favorita. Às vezes descia do cavalo para examinar flores ou pedras. Interessava-se especialmente por musgos e líquens, estes últimos parte essencial da alimentação da rena, animal comum e economicamente valioso na Lapônia.
Contornou o golfo de Bótnia no sentido horário, entrando pelo interior a partir de Umeå, Luleå e Tornio. Voltou a Uppsala em 10 de outubro, após quase cinco meses e mais de 2.000 km de viagem, com observações e amostras de plantas, aves e rochas. Embora a biodiversidade da região fosse relativamente pequena, descreveu cerca de cem plantas até então não identificadas, que serviram de base para Flora Lapponica. Na expedição, ainda empregava nomes descritivos em latim, pois não havia desenvolvido o sistema binomial.

Em Flora Lapponica, suas ideias de nomenclatura e classificação biológica ganharam pela primeira vez uma aplicação prática, o que fez do livro uma das primeiras floras de feição moderna. A obra abrangia 534 espécies, usava a classificação de Lineu e indicava distribuição geográfica e observações taxonômicas. Augustin Pyrame de Candolle atribuiu-lhe o primeiro exemplo do gênero botânico das floras. O historiador Edward Lee Greene chamou o livro de "a mais clássica e encantadora" das obras de Lineu.
Seu diário também registrou o Tablut, jogo de tabuleiro praticado pelos sámi. Lineu anotou regras, palavras locais e um desenho do tabuleiro e das peças, deixando um testemunho importante dessa tradição.
Foi nessa viagem que Lineu teve uma ideia repentina sobre a classificação dos mamíferos. Ao observar uma mandíbula de cavalo à beira da estrada, comentou que, se soubesse quantos dentes e tetas tinha cada animal e onde se localizavam, talvez conseguisse criar um sistema natural para classificar os quadrúpedes.
Em 1734, liderou um pequeno grupo de estudantes a Dalarna. Financiada pelo governador da província, a expedição procurava catalogar recursos naturais conhecidos, descobrir outros e reunir informações sobre a mineração norueguesa de Røros.

Depois de uma piora em suas relações com Nils Rosén, Lineu aceitou o convite de Claes Sohlberg, filho de um inspetor de minas, para passar o Natal em Falun. Lá pôde visitar as minas. Em abril de 1735, por sugestão do pai de Sohlberg, os dois partiram para a República Holandesa. Lineu pretendia estudar medicina na Universidade de Harderwijk e, em troca de um salário anual, acompanhar os estudos de Claes. Era comum que suecos procurassem doutorados nos Países Baixos, então um centro respeitado de história natural.

No caminho, pararam em Hamburgo. O prefeito lhes mostrou, orgulhoso, uma suposta raridade natural que possuía: uma peça empalhada que parecia ser uma hidra de sete cabeças. Lineu logo percebeu a fraude, montada com mandíbulas e patas de doninhas e peles de cobras. A procedência o fez pensar que monges a haviam fabricado para representar a Besta do Apocalipse. Apesar do risco de irritar o prefeito, tornou pública sua conclusão e arruinou a expectativa de que a peça fosse vendida por uma fortuna. Ele e Sohlberg tiveram de fugir de Hamburgo.

Assim que chegou a Harderwijk, conhecida por conceder graus em apenas uma semana, Lineu iniciou os exames de doutorado. Apresentou uma dissertação escrita na Suécia, Dissertatio medica inauguralis in qua exhibetur hypothesis nova de febrium intermittentium causa, na qual propunha que a malária surgia apenas em regiões de solo argiloso. Não identificou a transmissão por mosquitos do gênero Anopheles, mas mencionou a quina e plantas do gênero Artemisia entre os remédios usados contra as febres intermitentes. Concluiu os exames orais e práticos em duas semanas e recebeu o doutorado.
Naquele verão reencontrou Peter Artedi, amigo de Uppsala com quem fizera um pacto: se um morresse antes do outro, o sobrevivente terminaria seu trabalho. Dez semanas depois, Artedi morreu afogado nos canais de Amsterdã, deixando inacabado um manuscrito sobre a classificação dos peixes.
Um dos primeiros cientistas que Lineu conheceu nos Países Baixos foi Jan Frederik Gronovius, a quem mostrou um dos manuscritos trazidos da Suécia. O texto expunha um novo sistema de classificação das plantas. Gronovius se interessou e ofereceu ajuda para custear a impressão. Com outra contribuição, do médico escocês Isaac Lawson, a obra saiu como Systema Naturae em 1735.
Lineu conheceu Herman Boerhaave, um dos médicos e botânicos mais respeitados do país. Boerhaave tentou convencê-lo a seguir carreira ali e lhe ofereceu uma viagem à África do Sul e às Américas. Lineu recusou, pois dizia não suportar o calor. Boerhaave o persuadiu, porém, a visitar Johannes Burman. Impressionado com os conhecimentos do visitante, Burman convidou-o a passar o inverno em sua casa. Lineu o ajudou em Thesaurus Zeylanicus, e Burman colaborou nos livros que Lineu preparava, Fundamenta Botanica e Bibliotheca Botanica.
Em agosto de 1735, durante sua estada com Burman, Lineu conheceu George Clifford III, diretor da Companhia Holandesa das Índias Orientais e proprietário de um jardim botânico na quinta de Hartekamp, em Heemstede. Clifford se impressionou com sua habilidade de classificar plantas e o convidou a ser seu médico e encarregado do jardim. Lineu já prometera passar o inverno com Burman. Clifford ofereceu então a Burman um exemplar da rara Natural History of Jamaica, de Hans Sloane, em troca da liberação do compromisso. Burman aceitou. Em 24 de setembro, Lineu se mudou para Hartekamp como médico pessoal de Clifford e curador de seu herbário. Recebia mil florims anuais, além de moradia e alimentação. O acordo era para um inverno, mas ficou praticamente até 1738. Ali escreveu Hortus Cliffortianus e, no prefácio, chamou a estada de "a época mais feliz da minha vida". Parte de Hartekamp foi aberta como jardim público em abril de 1956, com o nome Linnaeushof, e mais tarde anunciada como o maior parque infantil da Europa.

Em julho de 1736, viajou à Inglaterra às custas de Clifford. Em Londres, visitou Hans Sloane e seu gabinete de curiosidades, além do Chelsea Physic Garden e de seu responsável, Philip Miller. Explicou a Miller o sistema de subdivisão das plantas apresentado em Systema Naturae. Miller inicialmente preferia as classificações de Tournefort e John Ray à nomenclatura binomial, embora Lineu elogiasse seu Gardeners Dictionary. Miller conservou no dicionário algumas designações binomiais anteriores a Lineu, rejeitadas por este e mantidas por botânicos posteriores. Só adotou plenamente o sistema lineano na edição de 1768 de The Gardeners Dictionary, mas já havia começado a reorganizar o jardim conforme esse sistema.
Em Oxford, Lineu visitou Johann Jacob Dillenius. Não conseguiu levá-lo a aceitar publicamente toda a nova classificação, mas os dois mantiveram correspondência por anos. Dedicou-lhe Critica Botanica, com as palavras latinas "opus botanicum quo absolutius mundus non-vidit", e depois lhe prestou homenagem ao batizar de Dillenia um gênero de árvores tropicais. Voltou a Hartekamp com muitos exemplares de plantas raras. Em 1737, publicou Genera Plantarum, com 935 gêneros vegetais, seguido por Corollarium Generum Plantarum, com mais sessenta.

Seu trabalho em Hartekamp também resultou em Hortus Cliffortianus, catálogo das plantas do herbário e do jardim de Clifford. Escreveu-o em nove meses, terminando em julho de 1737, mas o livro só foi publicado em 1738. Nele usou pela primeira vez o nome Nepenthes para um gênero de plantas carnívoras com jarros.
Em Leiden, Johann Bartsch o auxiliou na preparação de Flora Lapponica. A correspondência entre os dois documenta o andamento da impressão da obra.
Lineu deixou a casa de Clifford em 18 de outubro de 1737, segundo o calendário gregoriano, para voltar à Suécia. Uma doença e a hospitalidade dos amigos holandeses o fizeram permanecer mais alguns meses nos Países Baixos. Em maio de 1738, retomou a viagem. Ficou cerca de um mês em Paris, onde visitou botânicos como Antoine de Jussieu. Depois de retornar à Suécia, nunca mais saiu do país.

Lineu chegou à Suécia em 28 de junho de 1738 e foi a Falun, onde ficou noivo de Sara Elisabeth Moræa. Três meses depois mudou-se para Estocolmo a fim de trabalhar como médico e poder sustentar uma família. Encontrou um protetor no conde Carl Gustaf Tessin, que o ajudou a conseguir um posto médico no Almirantado. Em Estocolmo, ajudou a fundar a Academia Real das Ciências da Suécia e tornou-se seu primeiro presidente por sorteio.
Com recursos suficientes para manter a família, obteve permissão para casar-se. A cerimônia com Sara ocorreu em 26 de junho de 1739. Dezessete meses depois nasceu o primeiro filho, Carl. A filha Elisabeth Christina nasceu dois anos mais tarde. No ano seguinte veio Sara Magdalena, que morreu aos quinze dias. O casal teve ainda Lovisa, Sara Christina, Johannes e Sophia.
Em maio de 1741, foi nomeado professor de medicina da Universidade de Uppsala. Inicialmente cuidava dos assuntos médicos, mas logo trocou de funções com Nils Rosén e passou a responder pelo jardim botânico, que reformou e ampliou, pela botânica e pela história natural. Em outubro, a esposa e o filho de nove meses foram morar com ele em Uppsala.
Dez dias após a nomeação, partiu com seis estudantes para as ilhas de Öland e Gotland em busca de plantas medicinais. Ficaram em Öland até 21 de junho e depois navegaram até Visby, em Gotland, onde permaneceram cerca de um mês antes de voltar a Uppsala. Encontraram cem plantas ainda não registradas. Suas observações botânicas e zoológicas, juntamente com informações sobre a cultura das ilhas, saíram mais tarde em Öländska och Gothländska Resa, escrito em sueco.

Em 1745, publicou Flora Suecica, dedicado à botânica; a primeira edição do tratado zoológico Fauna Suecica saiu em 1746. Anders Celsius criara em 1742 a escala Celsius, originalmente invertida em relação ao uso posterior: a água fervia a 0 °C e congelava a 100 °C. Lineu inverteu essa escala em 1745.
No verão de 1746, o governo o encarregou de outra expedição, desta vez a Västergötland. Partiu em 12 de junho e regressou em 11 de agosto, acompanhado principalmente do estudante Erik Gustaf Lidbeck, que estivera na viagem anterior. Reuniu os resultados em Wästgöta-Resa, publicado no ano seguinte. De volta, recebeu a proposta de viajar à Escânia, no extremo sul da Suécia, mas adiou a partida porque estava muito ocupado.
Em 1747, o rei Adolfo Frederico da Suécia lhe concedeu o título de archiater, ou médico-chefe. No mesmo ano foi eleito membro da Academia de Ciências de Berlim.

Na primavera de 1749, finalmente viajou à Escânia por encargo do governo, acompanhado de seu aluno Olof Söderberg. No caminho, visitou pela última vez os irmãos em Stenbrohult, pois o pai havia morrido no ano anterior. Além do levantamento habitual, devia procurar os melhores lugares para cultivar nogueiras e sorveiras-suecas, cuja madeira o exército usava na fabricação de rifles. Visitou a estância de águas minerais de Ramlösa e comentou a qualidade de sua água ferruginosa. Os resultados saíram em 1751 em Skånska Resa, um diário de 561 páginas com descrições detalhadas do que encontrou. Elogiou a hospitalidade dos habitantes da Escânia, que, em suas palavras, não tinha igual em nenhuma das terras onde fora bem recebido.

Em 1750, Lineu tornou-se reitor da Universidade de Uppsala, num período em que crescia o apreço pelas ciências naturais. Ensinou a muitos estudantes que depois viajaram pelo mundo em busca de amostras botânicas. Chamava os melhores de seus "apóstolos". Suas aulas, geralmente concorridas, eram frequentemente dadas no jardim botânico. Incentivava os alunos a pensar por conta própria e a não aceitar a palavra de ninguém, nem mesmo a sua. Mais procuradas ainda eram as excursões de sábado durante o verão, quando exploravam a flora e a fauna ao redor de Uppsala.
Lineu publicou Philosophia Botanica em 1751. O livro expunha por inteiro o sistema taxonômico usado em suas obras anteriores e trazia orientações para manter um diário de viagem e cuidar de um jardim botânico.
No mesmo livro, reuniu sob o nome Horologium Florae observações sobre os horários em que flores de diferentes plantas se abrem e se fecham. A proposta ficou conhecida como relógio floral de Lineu; não há evidência de que ele próprio tenha construído um relógio plantado no jardim.

Na época de Lineu, era comum que mulheres das classes altas entregassem os bebês a amas de leite. Ele participou de uma campanha sueca contra esse costume e a favor da amamentação pelas mães. Em 1752, publicou uma dissertação baseada em suas experiências com o estudante de medicina Frederick Lindberg. Segundo o costume universitário daquele período, a dissertação expunha uma ideia do professor que presidia o exame, desenvolvida pelo aluno. Jean-Emmanuel Gilibert a traduziu para o francês em 1770 como La Nourrice marâtre, ou Dissertation sur les suites funestes du nourrisage mercénaire. Lineu supunha que o leite podia transmitir à criança traços de personalidade da ama. Admirava os cuidados com bebês entre os lapões e comparava sua saúde à dos bebês de europeus criados por amas. Também observava que os animais selvagens não privavam suas crias de leite. Há quem relacione essa campanha à escolha do termo Mammalia para a classe dos mamíferos.
Em 1753, publicou Species Plantarum, hoje aceito internacionalmente como ponto de partida da nomenclatura botânica moderna. O primeiro volume saiu em 24 de maio e o segundo, em 16 de agosto daquele ano. A obra tinha cerca de 1.200 páginas em dois volumes e descrevia milhares de espécies. Incluía nomes de líquens atribuídos a Lineu, reunidos numa lista de líquens nomeados por Lineu. Naquele mesmo ano, o rei o fez cavaleiro da Ordem da Estrela Polar, cuja insígnia passou a usar com frequência.
Lineu achava Uppsala barulhenta e pouco saudável. Em 1758 comprou as propriedades rurais de Hammarby e Sävja, e no ano seguinte uma vizinha, Edeby. Passava os verões com a família em Hammarby, onde inicialmente havia apenas uma casa pequena de um piso. Em 1762 construiu ali uma casa principal maior. Fez um jardim para plantas que não cresciam no jardim botânico de Uppsala. Depois de um incêndio que atingiu Uppsala em 1766 e chegou perto de sua casa na cidade, mandou construir em Hammarby um pequeno museu de pedra para proteger suas coleções. O edifício foi inaugurado em 21 de maio de 1769.

Desde a primeira edição de Systema Naturae, de 1735, o livro fora ampliado e reimpresso. A décima edição, publicada em 1758, tornou-se o ponto de partida da nomenclatura zoológica, equivalente, nesse aspecto, a Species Plantarum.
O rei Adolfo Frederico concedeu nobreza a Lineu em 1757, e o reconhecimento oficial foi registrado em 1762. Ele passou a chamar-se Carl von Linné, em latim Carolus a Linné. "Linné" era uma forma abreviada e afrancesada de Linnæus, e a partícula alemã "von" assinalava a condição de nobre. Seu brasão mostra Linnaea borealis, uma de suas plantas favoritas, batizada em sua homenagem por Gronovius. O escudo tem três partes, vermelha, preta e verde, correspondentes aos reinos animal, mineral e vegetal de sua classificação. Ao centro há um ovo, símbolo da continuidade da natureza in ovo. A divisa latina, tirada da Eneida, é Famam extendere factis, "ampliamos nossa fama por nossos feitos". Lineu escrevia essa divisa nos livros que recebia de amigos.
Após a nobilitação, continuou ensinando e escrevendo. Presidiu ao todo 186 cerimônias de doutorado e redigiu muitas das dissertações. Sua fama chegou a outros países: correspondeu-se com mais de 600 pessoas, e a Sociedade Linneana de Londres conserva mais de 4.000 cartas enviadas a ele. Catarina II da Rússia, por exemplo, enviou-lhe sementes. Correspondia-se também com Giovanni Antonio Scopoli, médico e botânico de Idrija, no Ducado da Carníola, hoje Eslovênia, apelidado de "Lineu do Império Austríaco". Scopoli lhe comunicava pesquisas e descrições, inclusive de uma proteu e um arganaz, animais que Lineu não conhecia. Este admirava o trabalho do colega e deu o nome Scopolia a um gênero da família das solanáceas, fonte de escopolamina. A distância impediu que os dois se encontrassem.

Em 1763, deixou suas funções na Academia Real das Ciências da Suécia, embora continuasse a trabalhar ali por mais de dez anos. Em 1769, por seu trabalho, foi eleito para a American Philosophical Society. Renunciou à reitoria da Universidade de Uppsala em dezembro de 1772, sobretudo pela piora da saúde.
Passou os últimos anos doente. Em 1764, teve a chamada febre de Uppsala, da qual se recuperou com os cuidados de Rosén. Desenvolveu ciática em 1773 e, no ano seguinte, sofreu um acidente vascular cerebral que o deixou parcialmente paralisado. Um segundo derrame, em 1776, paralisou seu lado direito e afetou sua memória. Ainda admirava os próprios escritos, mas já não se reconhecia como autor deles.
Em dezembro de 1777, um novo derrame o enfraqueceu. Morreu em Uppsala em 10 de janeiro de 1778. Desejava ser sepultado em Hammarby, mas foi enterrado na Catedral de Uppsala em 22 de janeiro.
Deixou a biblioteca e as coleções à viúva Sara e aos filhos. O botânico Joseph Banks quis comprá-las, mas Carl, filho de Lineu, recusou e levou o material a Uppsala. Carl morreu em 1783, e Sara, que sobrevivera ao marido e ao filho, herdou a coleção. Ela tentou vendê-la a Banks, que já não se interessava, mas um conhecido dele aceitou comprá-la. Era o estudante de medicina James Edward Smith, de 24 anos. O conjunto compreendia 14 mil plantas, 3.198 insetos, 1.564 conchas, cerca de 3 mil cartas e 1.600 livros. Smith fundou a Sociedade Linneana de Londres cinco anos depois.
O nome familiar von Linné terminou com Carl, que nunca se casou. Johannes, seu outro filho homem, morrera aos três anos. Lineu teve mais de duzentos descendentes por meio de duas filhas.


Como professor e reitor em Uppsala, Lineu ensinou a muitos estudantes dedicados. Chamava 17 deles de "apóstolos": eram os que julgava mais promissores e empenhados. Todos viajaram a diferentes partes do mundo em expedições botânicas, muitas vezes com sua ajuda. Às vezes, usava a posição de reitor para conseguir-lhes bolsas ou lugares nas viagens. Dava orientações sobre o que procurar. Os estudantes recolhiam e organizavam plantas, animais e minerais segundo seu sistema, e a maioria lhe entregava parte do material ao regressar. Assim a taxonomia lineana se espalhou pelo mundo, embora o próprio Lineu nunca mais tenha saído da Suécia após voltar dos Países Baixos. O botânico britânico William T. Stearn observou que, sem o novo sistema, os apóstolos não teriam conseguido recolher e organizar tantas amostras.
O primeiro apóstolo, Christopher Tärnström, era um pastor de 43 anos, casado e com filhos. Em 1746, embarcou num navio da Companhia Sueca das Índias Orientais rumo à China. Nunca chegou lá: morreu naquele ano de febre tropical na ilha de Côn Sơn. Sua viúva culpou Lineu por ter deixado os filhos órfãos, e depois disso ele preferiu enviar alunos mais jovens e solteiros. Outros seis apóstolos morreram nas viagens, entre eles Pehr Forsskål e Pehr Löfling.
Dois anos depois da viagem de Tärnström, o finlandês Pehr Kalm partiu como segundo apóstolo para a América do Norte. Passou dois anos e meio estudando a flora e a fauna da Pensilvânia, de Nova Iorque, de Nova Jérsia e do Canadá. Lineu recebeu com alegria as muitas flores prensadas e sementes que Kalm trouxe. Das 700 espécies norte-americanas descritas em Species Plantarum, pelo menos noventa haviam sido recolhidas por ele.

Daniel Solander morou na casa de Lineu enquanto estudava em Uppsala. O professor gostava muito dele e prometeu-lhe a mão da filha mais velha. Por recomendação de Lineu, Solander foi à Inglaterra em 1760 e conheceu o botânico Joseph Banks. Junto de Banks, integrou a expedição de James Cook à Oceania a bordo do Endeavour, entre 1768 e 1771. Outro apóstolo, Anders Sparrman, embarcou na Resolution em 1772 e percorreu, entre outros lugares, a Oceania e a América do Sul até 1775. Participou ainda de outras expedições, inclusive à África do Sul.
Carl Peter Thunberg partiu em 1770 numa viagem que duraria nove anos. Ficou três anos na África do Sul e depois seguiu para o Japão. Os estrangeiros estavam sujeitos às restrições da política de sakoku e confinados à pequena ilha de Dejima, ao largo de Nagasáqui, o que dificultava o estudo das plantas. Thunberg persuadiu alguns intérpretes a levar-lhe exemplares e também encontrou plantas nos jardins de Dejima. Voltou à Suécia em 1779, um ano após a morte de Lineu.

A primeira edição de Systema Naturae foi impressa nos Países Baixos em 1735, com onze páginas de texto organizadas em tabelas. A décima edição saiu em dois volumes, o primeiro em 1758, sobre os animais, e o segundo em 1759, sobre as plantas. No conjunto, o sistema de Lineu chegou a classificar cerca de 4.400 espécies de animais e 7.700 de plantas. Pessoas de diferentes partes do mundo lhe enviavam exemplares para inclusão. Ao preparar a décima segunda edição, precisou recorrer a uma inovação, as fichas, para acompanhar as classificações.
Com a piora da saúde de Lineu no começo da década de 1770, as edições tomaram dois caminhos. Johan Andreas Murray publicou separadamente a parte Regnum Vegetabile em 1774 sob o título Systema Vegetabilium, designada, de maneira confusa, como décima terceira edição. Entre 1788 e 1793, saiu em partes outra décima terceira edição, desta vez do Systema completo, editada por Johann Friedrich Gmelin. Systema Vegetabilium difundiu o trabalho de Lineu na Inglaterra depois que a Sociedade Botânica de Lichfield o traduziu do latim como A System of Vegetables (1783–1785).
Species Plantarum, cujo título completo é Species Plantarum, exhibentes plantas rite cognitas, ad genera relatas, cum differentiis specificis, nominibus trivialibus, synonymis selectis, locis natalibus, secundum systema sexuale digestas, saiu em dois volumes em 1753. A obra é o ponto de partida principal da nomenclatura das plantas tal como é usada hoje.

Genera plantarum: eorumque characteres naturales secundum numerum, figuram, situm, et proportionem omnium fructificationis partium foi publicado pela primeira vez em 1737 e delimitava gêneros de plantas. Saíram cerca de dez edições, nem todas preparadas por Lineu. A quinta, de 1754, é uma das mais relevantes. Ele dividiu o reino vegetal em 24 classes. Uma delas, Cryptogamia, reunia organismos com estruturas reprodutivas consideradas ocultas, como algas, fungos, musgos, hepáticas e samambaias.
Philosophia Botanica (1751) reunia as ideias de Lineu sobre classificação e nomenclatura vegetais e desenvolvia o que havia publicado em Fundamenta Botanica (1736) e Critica Botanica (1737). Classes Plantarum e Bibliotheca Botanica faziam parte de seu projeto de reformar os fundamentos da botânica. Essas obras, assim como Genera Plantarum (1737) e Systema Naturae (1735), foram impressas nos Países Baixos. Philosophia Botanica saiu ao mesmo tempo em Estocolmo.
No fim da vida de Lineu, sua coleção em Uppsala era tida como uma das melhores coleções suecas de história natural. Além de reunir os próprios exemplares, ele havia organizado um museu para a universidade, com doações de Carl Gyllenborg em 1744–1745, do príncipe herdeiro Adolfo Frederico em 1745, de Erik Petreus e Claes Grill em 1746, de Magnus Lagerström em 1748 e 1750, e de Jonas Alströmer em 1749. Não havia uma separação formal entre o museu e a coleção particular. As amostras enviadas pelos alunos eram incorporadas principalmente à coleção privada. Lineu via no próprio trabalho a harmonia da natureza. Em 1754, escreveu que a terra era um museu das obras do Criador dividido em três salas e que transformara sua propriedade numa pequena versão desse museu do mundo.

Em 1784, James Edward Smith comprou da viúva e da filha de Lineu todos os exemplares, livros, manuscritos e cartas e levou a coleção a Londres. Nem tudo seguiu para a Inglaterra. Trinta e três peixes preservados em álcool ficaram para trás e depois se perderam.
Em Londres, Smith dedicou pouca atenção à parte zoológica. Acrescentou exemplares e doou outros. Nos séculos seguintes, pesquisadores que estudaram a coleção em Londres alteraram a disposição original e as etiquetas, acrescentaram material alheio ao conjunto inicial e retiraram exemplares-tipo valiosos.
Muitos dos exemplares estudados por Lineu pertenciam à rainha Luísa Ulrica da Prússia (1720–1782). Nas obras lineanas, seu acervo era chamado "Museum Ludovicae Ulricae" ou "M. L. U.". O neto da rainha, Gustavo IV Adolfo da Suécia, doou a coleção ao museu de Uppsala em 1804. O acervo do marido dela, o rei Adolfo Frederico (1710–1771), aparece nas mesmas obras como "Museum Adolphi Friderici" ou "Mus. Ad. Fr.". A parte conservada em álcool foi doada mais tarde à Academia Real das Ciências da Suécia e está no Museu Sueco de História Natural, em Estocolmo. O material seco foi transferido a Uppsala.
Entre os objetos de história natural associados a Lineu estão pérolas obtidas em experimentos com moluscos de água doce em Uppsala. Ele manteve em segredo o método de produção; alguns desses exemplares integram hoje o acervo da Sociedade Linneana de Londres.
Lineu estabeleceu convenções de nomeação dos organismos que obtiveram aceitação geral e deram início ao uso sistemático da nomenclatura binomial. Já havia antecedentes, como as designações de dois termos de Gaspard Bauhin, mas a correspondência entre esses termos e os conceitos posteriores de gênero e espécie não era uniforme. Popularizou também os símbolos de Marte e Vênus, ♂ e ♀, para indicar o sexo nas espécies. Eles se tornaram os símbolos de gênero usuais. Durante a expansão dos conhecimentos de história natural no século XVIII, elaborou a chamada taxonomia lineana, precursora do sistema de classificação científica empregado nas ciências biológicas. Antes dele, o zoólogo Georg Everhard Rumphius (1627–1702) já se aproximara de algumas características desse sistema, e seu material participou do desenvolvimento posterior da classificação binomial de Lineu.

O sistema organizava a natureza numa hierarquia de grupos encaixados. Partia de três reinos, divididos em classes. As classes se dividiam em ordens, depois em gêneros e, por fim, em espécies. Abaixo das espécies, Lineu às vezes reconhecia táxons de categoria inferior sem nome definido. Mais tarde, categorias desse tipo receberam nomes padronizados, como variedade em botânica e subespécie em zoologia. A taxonomia posterior passou a incluir a família entre ordem e gênero e o filo entre reino e classe, categorias ausentes da estrutura original de Lineu.
Lineu agrupava os organismos por características físicas compartilhadas, em vez de tomar as diferenças como ponto de partida. Entre suas categorias superiores, apenas as dos animais continuam em uso, e tanto os grupos quanto os princípios de sua formação mudaram muito. Sua proposta de uma classificação hierárquica baseada em características observáveis e voltada a expressar relações naturais permaneceu, porém, como base para o trabalho posterior.
O sistema de Lineu foi o primeiro a colocar os seres humanos, Homo, junto dos macacos, Simia, num grupo chamado Anthropomorpha. Em 1907, o biólogo alemão Ernst Haeckel chamou essa decisão de "o sinal mais importante do gênio de Lineu".
Desde a primeira edição de Systema Naturae, Lineu situava o ser humano no reino animal, na classe Quadrupedia e na ordem Anthropomorpha; os nomes Mammalia e Primates foram introduzidos posteriormente. Em Hartekamp, pôde examinar diferentes macacos e percebeu semelhanças anatômicas entre eles e o ser humano. Fora a fala, não encontrou outra diferença anatômica. Por isso reuniu humanos e macacos em Anthropomorpha, "de forma humana". Johan Gottschalk Wallerius, Jakob Theodor Klein e Johann Georg Gmelin criticaram o nome, pois lhes parecia ilógico chamar o próprio ser humano de "semelhante ao humano". Em carta a Gmelin de 1747, Lineu respondeu:
Não lhe agrada que eu tenha colocado o homem entre os Anthropomorpha, talvez por causa da expressão "de forma humana", mas o homem aprende a conhecer a si próprio. Não discutamos por palavras. Para mim, qualquer nome serve. O que peço a você e ao mundo inteiro é uma diferença genérica entre o homem e o símio que decorra dos princípios da história natural. Não conheço nenhuma. Se alguém pudesse apontar ao menos uma! Se eu chamasse o homem de símio, ou o contrário, uniria todos os teólogos contra mim. Talvez devesse fazê-lo por força das regras da disciplina.

As objeções teológicas tinham dois lados. Reunir humanos e macacos diminuiria a posição espiritual superior que o ser humano ocupava na grande cadeia do ser. Além disso, se a Bíblia dizia que o homem fora criado à imagem de Deus, a falta de uma separação entre os dois grupos implicaria que os macacos também haviam sido criados à imagem divina. Muitos não aceitavam essa consequência.
Após as críticas, Lineu procurou explicar melhor sua classificação. A décima edição de Systema Naturae introduziu Mammalia e Primates, este último em lugar de Anthropomorpha, e deu aos humanos o binômio Homo sapiens. A nova divisão recebeu menos críticas, mas muitos naturalistas ainda achavam que ele havia retirado os humanos do posto de senhores da natureza. Lineu sustentava que, biologicamente, o ser humano pertencia ao reino animal e devia figurar nele. Em Dieta Naturalis, escreveu que não se deveria voltar a ira contra os animais: a teologia afirmava que o homem tinha alma e os demais eram simples máquinas, mas, para ele, seria mais sensato admitir que os animais também tinham alma e que a diferença era de grau de nobreza.

Com base numa imagem e descrição de Jacobus Bontius publicadas em 1658, Lineu acrescentou ao gênero Homo a espécie Homo troglodytes, "homem das cavernas", em Systema Naturae. Publicou ainda Homo lar em 1771. O historiador sueco Gunnar Broberg interpretou essas espécies como símios ou habitantes locais vestidos com peles para assustar colonos, cuja aparência fora exagerada nos relatos recebidos por Lineu. Lineu pediu à Companhia Sueca das Índias Orientais que procurasse Homo troglodytes, sem que ela encontrasse vestígios da espécie. Em 1758, pediu também a correspondentes em Londres que examinassem um suposto exemplar; as cartas preservadas pela Sociedade Linneana mostram que o caso envolvia Amelia Newsham, uma menina negra com albinismo, que John Ellis reconheceu como humana. Homo lar foi reclassificado como Hylobates lar, o gibão-de-mãos-brancas.
Na primeira edição de Systema Naturae, Lineu dividiu a espécie humana em quatro variedades: "Europæus albesc[ens]", europeu esbranquiçado, "Americanus rubesc[ens]", americano avermelhado, "Asiaticus fuscus", asiático pardo, e "Africanus nigr[iculus]", africano enegrecido. Na décima edição, acrescentou características fenotípicas inspiradas nos quatro temperamentos da Antiguidade e mudou a cor atribuída aos asiáticos para luridus, amarelo. Acreditava que as diferenças resultavam dos ambientes dos quatro continentes conhecidos por ele. A Sociedade Linneana reconhece que a ênfase na cor da pele e a inclusão posterior de características culturais e comportamentais consolidaram estereótipos coloniais e forneceram bases ao racismo científico. Criou ainda o grupo residual monstrosus para "humanos selvagens e monstruosos, grupos desconhecidos e pessoas mais ou menos anormais".
Lineu não indicou um espécime-tipo para H. sapiens, prática que não era usual em seu tempo. Em 1959, W. T. Stearn o designou como lectótipo da espécie, conforme as regras do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica; a comissão internacional considera que ele integrava a série original de pessoas abrangidas pela descrição da espécie.

A ciência aplicada de Lineu vinha tanto do pensamento utilitarista do início do Iluminismo como de sua adesão à doutrina econômica anterior chamada cameralismo. Defendia a intervenção do Estado na economia: tarifas, impostos, prêmios à exportação, cotas, embargos, leis de navegação, investimentos subsidiados, limites salariais, concessões em dinheiro, monopólios autorizados pelo Estado e cartéis.

Os aniversários do nascimento de Lineu, sobretudo os centenários, deram ocasião a grandes comemorações. Sua imagem apareceu em selos e cédulas suecas, inclusive no anverso de antigas notas de 100 coroas. Em 2025, Systema Naturae e o relato Lappländsk resa foram selecionados por uma comissão para compor o Cânone Cultural da Suécia. Há estátuas suas em diferentes países. Desde 1888, a Sociedade Linneana de Londres concede a Medalha Linneana por trabalhos em botânica ou zoologia. Com a aprovação do Riksdag, a Universidade de Växjö e a Faculdade de Kalmar se uniram em 1.º de janeiro de 2010, formando a Universidade de Lineu. Entre os organismos nomeados em sua homenagem estão Linnaea, o gênero de sua flor favorita, e Linnaeosicyos, um gênero monotípico da família Cucurbitaceae.
Jean-Jacques Rousseau escreveu a respeito de Lineu: "Não conheço homem maior na Terra". Johann Wolfgang von Goethe afirmou: "Com exceção de William Shakespeare e Baruch Spinoza, não conheço ninguém entre os mortos que tenha exercido maior influência sobre mim". O escritor sueco August Strindberg escreveu: "Lineu era, na verdade, um poeta que por acaso se tornou naturalista". Numa autobiografia publicada pelo aluno Adam Afzelius em 1823, Lineu se apresentou como alguém que evitava discussões, sensível, apressado e pouco preocupado com a aparência.
No século XXI, a classificação lineana das "raças" humanas recebeu críticas e diferentes interpretações históricas. Kenneth A. R. Kennedy, por exemplo, considerou injusto atribuir motivos racistas a Lineu apenas por subdividir a espécie humana em variedades. A Sociedade Linneana de Londres observa, contudo, que Africanus sempre ocupou a última posição nas listas de Lineu e recebeu a descrição moral mais negativa; a associação de traços físicos a atributos de caráter contribuiu para a formação de estereótipos coloniais e para o racismo científico.
L. é a abreviatura padronizada que indica Lineu como autoridade na descrição e nomenclatura de espécies vegetais. Na zoologia, a forma usual é Linnaeus.
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