Monofilia

Árvore filogenética: os grupos a azul (esquerda) e vermelho (direita) são táxons monofiléticos; o grupo a verde (centro) é parafilético.
Cladograma dos primatas, mostrando um grupo monofilético (os símios, a amarelo), um grupo parafilético (os prossímios, a azul, incluindo o subgrupo representado avermelho), e um grupo polifilético (os primatas com actividade nocturna, os lorises e os Tarsius, a vermelho.)
Grupos filogenéticos: (1) Monofilia: um taxon monofilético contém um ancestral comum e todos os seus descententes (a amarelo, o grupo dos "répteis e aves"); (2) Parafilia: um taxon parafilético contém o seu mais recente ancestral comum, mas não contém todos os descendentes desse ancestral (a azul, os répteis); e (3) Polifilia: um taxon polifilético não contém o mais recente ancestral comum de todos os seus membros (a vermelho, o grupo de todos os animais de sangue quente é polifilético).
O agrupamento dos répteis e das aves é considerado como monofilético.

Monofilia ou monofiletismo é a propriedade apresentada por um agrupamento taxonómico (um taxon ou conjunto de organismos) que contenha entre os seus elementos todos e apenas os descendentes de um ancestral comum exclusivo. Um conjunto de organismos que satisfaça a condição de monofilia é um agrupamento monofilético, o que, na moderna cladística, corresponde a um táxon (grupo de organismos) que forma um clado ou ramo, ou seja, que consiste exclusivamente numa espécie ancestral e todos os seus descendentes. Em consequência da partilha do património genético do ancestral comum, os membros de um grupo monofilético caracterizam-se por partilharem características derivadas comuns, as sinapomorfias. "Monofilia" é sinónimo de "holofilia", termo, entretanto, caído em desuso.

Descrição

Monofilia contrasta com parafilia e polifilia, como mostrado nos diagramas. A moderna taxonomia de base filogenética assenta-se na análise de grupos filogenéticos que são classificados de acordo com o padrão estabelecido pela condição de monofilia. Com essa base, os grupos são classificados em:

A aceitação generalizada da definição de monofilia foi demorada. Quando a escola cladística passou a dominar o campo da taxonomia, na década de 1960, estavam em uso várias definições alternativas. Na realidade, muitos taxonomistas utilizaram as definições associadas aos grupos filogenéticos sem os definir de forma precisa, o que levou a confusão na literatura, uma confusão que ainda parcialmente persiste.

Definições

Quando analisadas num contexto alargado, as definições de «monofilia» caem em dois grupos:

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 4 Aubert, D. 2015. A formal analysis of phylogenetic terminology: Towards a reconsideration of the current paradigm in systematics. Phytoneuron 2015-66:1–54.
  2. 1 2 Colless, Donald H. (março de 1972). «Monophyly». Society of Systematic Biologists. Systematic Zoology. 21 (1): 126–128. JSTOR 2412266. doi:10.2307/2412266
  3. 1 2 Envall, Mats (2008). «On the difference between mono-, holo-, and paraphyletic groups: a consistent distinction of process and pattern». Biological Journal of the Linnean Society. 94. 217 páginas. doi:10.1111/j.1095-8312.2008.00984.x
  4. 1 2 Ashlock, Peter D. (março de 1971). «Monophyly and Associated Terms». Society of Systematic Biologists. Systematic Zoology. 20 (1): 63–69. JSTOR 2412223. doi:10.2307/2412223
  5. 1 2 Hennig, Willi; Davis, D. (Translator); Zangerl, R. (Translator) (1999) [1966]. Phylogenetic Systematics Illinois Reissue ed. [S.l.]: Board of Trustees of the University of Illinois. pp. 72–77. ISBN 0-252-06814-9
  6. 1 2 Simpson, George (1961). Principles of Animal Taxonomy. New York: Columbia University Press. ISBN 0-231-02427-4
  7. ↑ Stamos, D.N. (2003). The species problem : biological species, ontology, and the metaphysics of biology. Lanham, Md. [u.a.]: Lexington Books. pp. 261–268. ISBN 0739105035

Bibliografia

Ligações externas