Hudaibia (em árabe: الحديبية; romaniz.: al-Ḥudaybiya) era uma aldeia situada na borda do harame de Meca, cerca de 17 quilômetros a oeste da cidade, na antiga estrada para Gidá. Tornou-se célebre sobretudo pelos acontecimentos de 628, quando Maomé e seus seguidores, que pretendiam realizar a unra em Meca, foram impedidos de prosseguir pelos coraixitas e acamparam no local. As negociações realizadas em Hudaibia resultaram no Tratado de Hudaibia, que estabeleceu uma trégua entre Maomé e os coraixitas e permitiu aos muçulmanos realizar a peregrinação no ano seguinte. A localidade também foi cenário do Juramento de Riduão, prestado pelos seguidores de Maomé durante as negociações.
Hudaibia era uma aldeia de tamanho médio situada na borda do harame de Meca, a aproximadamente uma marhala (etapa de viagem) da cidade. Situava-se cerca de 17 quilômetros a oeste de Meca, na antiga estrada que conduzia a Gidá. Tanto a aldeia quanto a chamada Mesquita da Árvore, presumivelmente situada no local associado ao Juramento de Riduão, possuíam poços de água salobra. As origens da localidade já eram desconhecidas no tempo de Taquiadim Alfaci, morto em 832 A.H. (1429). Há diferentes explicações tradicionais para a origem do topônimo. Segundo uma delas, Hudaibia teria recebido o nome de uma árvore de forma abaulada ou corcovada denominada ḥadbāʾ, explicação que Watt considera possivelmente conjectural. Outra tradição faz o nome derivar de um poço existente no local.
A aldeia tornou-se célebre sobretudo pelos acontecimentos de Dulcada de 6 A.H. (março de 628), quando Maomé partiu de Medina acompanhado por cerca de 1 400 seguidores com a intenção de realizar a unra em Meca. O grupo levava animais destinados ao sacrifício e procurava demonstrar aos coraixitas que a expedição tinha finalidade religiosa, e não militar. Ao saber que forças coraixitas haviam sido enviadas para impedir sua passagem, Maomé desviou-se da rota principal e alcançou Hudaibia, na borda do harame, onde interrompeu a marcha. Seguiu-se uma série de emissários entre os muçulmanos e os coraixitas, culminando no Tratado de Hudaibia, que estabeleceu uma trégua de dez anos. Maomé e seus seguidores deveriam regressar a Medina sem entrar em Meca naquele ano, mas poderiam realizar a peregrinação no ano seguinte e permanecer na cidade por três dias; nenhuma incursão deveria ocorrer entre as partes, e as tribos árabes poderiam aliar-se livremente a qualquer uma delas.
Durante as negociações, Otomão ibne Afane, enviado a Meca como emissário, demorou a retornar e chegou-se a acreditar que havia sido morto, levando Maomé a receber de seus seguidores um juramento de fidelidade sob uma árvore, posteriormente conhecido como Juramento de Riduão. Embora alguns muçulmanos tenham ficado insatisfeitos com os termos acordados, a política de Maomé foi posteriormente favorecida pelos acontecimentos. Cerca de seis semanas depois, realizou a expedição contra Caibar, em parte para consolidar sua posição, e, no ano seguinte, efetuou a peregrinação prevista pelo tratado acompanhado por cerca de dois mil seguidores. O acordo permaneceu em vigor por aproximadamente mais dez meses, até que uma disputa entre tribos aliadas das duas partes provocou sua ruptura. Maomé aproveitou então a situação para realizar a Conquista de Meca em Ramadã de 8 A.H. (março de 630).