A idebenona é um composto orgânico sintético pertencente à classe das benzoquinonas, desenvolvido inicialmente no Japão na década de 1980 com o objetivo de tratar disfunções cognitivas e neurodegenerativas. Estruturalmente, este fármaco apresenta uma semelhança notável com a coenzima Q10, diferindo desta sobretudo devido à sua cadeia lateral alquílica mais curta e hidrofílica, uma modificação molecular que lhe confere propriedades únicas, facilitando a sua solubilidade em meios aquosos e permitindo-lhe atravessar a barreira hematoencefálica com maior eficácia. No plano bioquímico, a idebenona atua diretamente na cadeia respiratória mitocondrial; em cenários onde o complexo I se encontra funcionalmente comprometido, ela funciona como um transportador alternativo de eletrões, desviando o fluxo metabólico para o complexo III, o que assegura a síntese de trifosfato de adenosina e previne a falência energética da célula. Adicionalmente, destaca-se pelo seu forte poder antioxidante, neutralizando espécies reativas de oxigénio e mitigando o stress oxidativo que lesa as membranas e o material genético. No panorama médico atual, a sua aplicação mais reconhecida e aprovada por autoridades regulatórias, como a Agência Europeia de Medicamentos, reside no tratamento da neuropatia ótica hereditária de Leber, uma patologia mitocondrial que gera perda severa da visão central e onde a substância demonstrou eficácia em travar a progressão da cegueira. Paralelamente, tem sido objeto de investigação clínica noutras condições neuromusculares, nomeadamente na distrofia muscular de Duchenne e na ataxia de Friedreich, visando a preservação da capacidade muscular dos doentes. Para além do valor terapêutico, o composto conquistou forte expressão comercial na indústria cosmética mundial, sendo integrado em formulações tópicas antienvelhecimento devido à sua capacidade comprovada na fotoproteção cutânea e redução de rugas.