Infigratinib

O infigratinib (português europeu) ou infigratinibe (português brasileiro) (comercializado sob o nome Truseltiq) é um agente farmacológico antineoplásico de última geração que atua como um inibidor seletivo e potente da tirosina quinase dos recetores do fator de crescimento de fibroblastos (FGFR), especificamente os subtipos 1, 2 e 3. Desenvolvido para enfrentar as complexidades genéticas de tumores sólidos que apresentam alterações moleculares específicas, o infigratinib funciona através da ligação competitiva ao local de união do trifosfato de adenosina (ATP) nos domínios cinase dos recetores FGFR, o que impede a autofosforilação e a subsequente ativação de cascatas de sinalização intracelular cruciais, como as vias MAPK/ERK e PI3K/AKT. Estas vias são frequentemente subvertidas em diversos tipos de cancro para promover a proliferação celular descontrolada, a sobrevivência tumoral e a angiogénese, pelo que a interrupção dirigida desta sinalização pelo infigratinib representa um avanço significativo na medicina de precisão, permitindo tratar doentes com base no perfil genómico do seu tumor em vez de apenas na sua localização anatómica.

A principal indicação clínica aprovada para o infigratinib é o tratamento de adultos com colangiocarcinoma (cancro das vias biliares) localmente avançado ou metastático que já foram previamente tratados e que apresentam uma fusão ou outro rearranjo do gene FGFR2. O colangiocarcinoma é uma neoplasia agressiva com opções terapêuticas limitadas na segunda linha de tratamento, e a identificação de alterações no FGFR2 em cerca de 10 a 15% dos casos de colangiocarcinoma intra-hepático abriu a porta para esta terapia dirigida. Os estudos clínicos demonstraram que o infigratinib consegue induzir respostas tumorais objetivas e estabilização da doença em doentes que esgotaram as opções de quimioterapia convencional, demonstrando uma eficácia superior quando comparada com regimes não específicos. A administração é feita por via oral, geralmente num ciclo de 21 dias de tratamento seguidos de 7 dias de pausa, permitindo uma gestão ambulatorial da doença, embora exija uma monitorização rigorosa devido ao seu perfil de segurança específico e ao mecanismo de ação focado no metabolismo mineral.

O perfil de toxicidade do infigratinib é característico da classe de inibidores do FGFR, sendo a hiperfosfatemia o efeito secundário mais frequente e clinicamente relevante, resultante da inibição da sinalização do FGFR nos rins e nos ossos, o que interfere com a homeostase do fosfato. Além das alterações metabólicas, os doentes podem apresentar toxicidade dermatológica, como alopecia e síndrome de eritrodisestesia palmoplantar, bem como complicações oculares, incluindo a coriorretinopatia serosa central, que necessita de acompanhamento oftalmológico regular para evitar danos permanentes na visão. Outros efeitos comuns incluem fadiga, estomatite, xerostomia e alterações nas unhas; contudo, a maioria destes eventos adversos é considerada gerível através de modificações na dose, interrupções temporárias do tratamento ou intervenções profiláticas, como o uso de quelantes de fosfato e dietas com baixo teor de fósforo. A gestão proativa destes efeitos é fundamental para garantir que os doentes mantenham a continuidade do tratamento e maximizem o benefício terapêutico a longo prazo.

Para além do colangiocarcinoma, o infigratinib tem sido alvo de investigação intensiva em diversas outras patologias onde a sinalização do FGFR desempenha um papel patogénico fundamental. Existem ensaios clínicos a explorar a sua eficácia em doentes com carcinoma urotelial, cancro gástrico e outros tumores sólidos que exibem mutações ou amplificações nos genes FGFR. Além da oncologia, uma das áreas mais promissoras de investigação para o infigratinib é a sua aplicação em doses baixas para o tratamento da acondroplasia, a forma mais comum de nanismo desproporcionado, causada por uma mutação de ganho de função no recetor FGFR3. Ao inibir a sinalização excessiva do FGFR3 nas placas de crescimento ósseo, o infigratinib tem o potencial de promover o crescimento ósseo longitudinal e melhorar as complicações esqueléticas associadas a esta condição. Esta versatilidade sublinha o papel do infigratinib como uma ferramenta molecular poderosa, capaz de modular processos biológicos fundamentais tanto em contextos oncológicos como em doenças genéticas raras.

Referências