| InfoAmazonia | |
|---|---|
| Tipo | Organização jornalística sem fins lucrativos |
| Fundação | 17 de junho de 2012 (14 anos) (projeto) 4 de fevereiro de 2020 (associação) |
| Estado legal | Associação privada |
| Propósito | Jornalismo socioambiental sobre a Amazônia |
| Sede | São Paulo, São Paulo, Brasil |
| Línguas oficiais | português, espanhol e inglês |
| Filiação | Associação de Jornalismo Digital (Ajor) |
| Diretora editorial | Juliana Mori |
| Diretor executivo | Stefano Wrobleski |
| Área de influência | Amazônia (nove países) |
| Organização de origem | ((o))eco |
| Website | infoamazonia |
InfoAmazonia é uma organização jornalística brasileira sem fins lucrativos dedicada à cobertura de questões socioambientais na Amazônia. Criada em 2012, combina jornalismo de dados, mapas digitais e reportagens e publica conteúdos em português, espanhol e inglês.
Sua atuação está organizada em três eixos: produção editorial, formação de redes de colaboração e educação em jornalismo. Desenvolve investigações com jornalistas e veículos de diferentes países, articula parcerias com meios de comunicação amazônicos e oferece formação em jornalismo ambiental e geojornalismo.
A InfoAmazonia foi lançada em junho de 2012, durante a Rio+20, como uma iniciativa de ((o))eco e da Internews, com apoio de uma bolsa Knight do International Center for Journalists (ICFJ). A plataforma reunia mapas e notícias sobre a região amazônica, relacionando informações geográficas a temas como desmatamento, queimadas, mineração e exploração de petróleo.
Em 2014, anunciou uma iniciativa coordenada por Gustavo Faleiros para incorporar à cobertura observações de pessoas que viviam e trabalhavam na Amazônia. A proposta previa reunir informações de comunidades indígenas, pesquisadores, organizações não governamentais e outros colaboradores locais, complementando os dados de satélites.
Em 2020, Gustavo Faleiros, Juliana Mori e Stefano Wrobleski constituíram uma associação própria e organizaram uma equipe permanente. A mudança consolidou a estrutura institucional da iniciativa, até então desenvolvida como projeto jornalístico.
Em 2025, uma postagem da InfoAmazonia no Instagram foi removida por ordem da Justiça de Rondônia. A publicação resumia uma reportagem sobre uma negociação de terras em unidade de conservação. A Coalizão em Defesa do Jornalismo criticou a decisão, considerando-a uma restrição à liberdade de imprensa.
Durante a COP30, realizada em Belém em novembro de 2025, a InfoAmazonia foi uma das organizadoras da Casa do Jornalismo Socioambiental. O espaço reuniu jornalistas de 21 veículos, que compartilharam conteúdos, realizaram cobertura ao vivo e traduziram reportagens para o espanhol e o inglês.
A produção editorial utiliza o geojornalismo, que associa a apuração jornalística à análise de informações geográficas. Entre os recursos empregados estão imagens de satélite, bases de dados públicas e mapas interativos, utilizados para investigar transformações ambientais e suas relações com atividades econômicas e populações locais. A organização também disponibiliza dados e metodologias de seus trabalhos para consulta e reutilização.
A Unidade de Geojornalismo integra a redação e reúne profissionais especializados em análise geoespacial e visualização de dados. O núcleo teve origem no Laboratório de Geojornalismo, um programa que aproximava repórteres e editores de pesquisadores de universidades federais para produzir reportagens com dados das geociências.
Entre os projetos de monitoramento está o Amazônia Minada, lançado em 2019. A iniciativa acompanha processos minerários registrados na Agência Nacional de Mineração e suas sobreposições com áreas protegidas, incluindo terras indígenas e unidades de conservação. Os dados são apresentados em uma plataforma de consulta e subsidiam reportagens sobre interesses minerários na Amazônia.
A série Engolindo Fumaça investigou a relação entre a fumaça das queimadas e a saúde da população amazônica. O trabalho reuniu jornalistas, geógrafos e estatísticos, com participação de pesquisadores universitários, e recebeu o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha na categoria Meio Ambiente em 2022.
Em 2023, a InfoAmazonia, a Armando.info e a La Liga Contra el Silencio publicaram a investigação Amazon Underworld, sobre a presença de grupos armados e economias ilícitas na região amazônica. A investigação combinou trabalho de campo, documentos, entrevistas e imagens de satélite, com reportagens e um mapa sobre a atuação desses grupos em seis países.
As colaborações incluem a produção conjunta e a circulação de reportagens entre veículos de diferentes países. A investigação Venezuela, o paraíso dos contrabandistas, por exemplo, foi realizada com o Correo del Caroní, o De Correspondent, o Miami Herald e o Runrun.es, abordando a mineração e as rotas internacionais de comercialização de ouro venezuelano.
A Rede Cidadã InfoAmazonia articula meios de comunicação locais da Amazônia Legal para produzir e distribuir conteúdos socioambientais. Seu lançamento público ocorreu em outubro de 2022, com a divulgação do Mapa Vivo de Mídias da Amazônia. O levantamento identificou 282 veículos que haviam realizado cobertura socioambiental em 2021 nos nove estados da região. A etapa inicial de colaboração reuniu cinco meios, com produção conjunta e adaptação de conteúdos aos públicos locais.
A organização também participa do Diários do Clima, desenvolvido com a Open Knowledge Brasil, a Agência Eco Nordeste, a Agência Envolverde, o ((o))eco e o Projeto #Colabora. A iniciativa utiliza dados do projeto Querido Diário para facilitar a busca de atos e informações ambientais publicados em diários oficiais municipais.
Em 2025, coordenou a série Até a Última Gota, em parceria com GK, OjoPúblico e Rutas del Conflicto. O projeto investigou os efeitos socioambientais da exploração de petróleo na Amazônia e utilizou dados e mapas para examinar a distribuição de áreas destinadas à atividade petrolífera e suas sobreposições com territórios protegidos.
As atividades de formação abrangem o uso jornalístico de dados científicos, a análise geoespacial e a visualização de informações. O Laboratório de Geojornalismo promoveu treinamentos para repórteres e editores em colaboração com pesquisadores; posteriormente, a Unidade de Geojornalismo passou a oferecer também módulos temáticos sobre mudanças climáticas.
Em 2024, a InfoAmazonia ofereceu a segunda edição do curso de Jornalismo Investigativo Ambiental e Geojornalismo, gratuito e on-line, voltado a jornalistas, comunicadores e estudantes. Realizado em parceria com a Internews no âmbito do programa Conservando Juntos, o curso abordou investigação ambiental e ferramentas de geojornalismo. A iniciativa previa ainda apoio à produção de reportagens por participantes selecionados.
Em 2025, ofereceu um curso sobre a cobertura da COP30 voltado a jornalistas latino-americanos, com aulas em espanhol e interpretação simultânea para o português.
A InfoAmazonia é mantida por uma associação sem fins lucrativos constituída em 2020. Em setembro de 2026, sua página institucional identificava Juliana Mori como diretora editorial e cofundadora, Stefano Wrobleski como diretor executivo e Gustavo Faleiros como cofundador e repórter especial.
Seus projetos recebem apoio de instituições filantrópicas e de programas de cooperação. O Instituto Serrapilheira registra financiamentos à iniciativa de geojornalismo em 2022, 2024 e 2026. Segundo a página da Rede Cidadã, esse projeto foi apoiado pela Fundação Porticus e, em 2025, pela Climate and Land Use Alliance (CLUA). O curso de jornalismo investigativo ambiental de 2024 integrou o programa Conservando Juntos, apoiado pela USAID e pela Wildlife Conservation Society.
Reportagens e projetos publicados pela InfoAmazonia, individualmente ou em colaboração com outros veículos, receberam prêmios e distinções, entre os quais:
| Edição | Prêmio | Categoria | Trabalho | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| 2018 | Online Journalism Awards | Al Neuharth Innovation in Investigative Journalism — Small Newsroom | Explorando o Arco Mineiro | Vencedor |
| 2018 | Prêmio Vladimir Herzog | Produção Jornalística em Multimídia | Explorando o Arco Mineiro | Menção honrosa |
| 2020 | Prêmio Gabo | Texto | Venezuela, o paraíso dos contrabandistas | Vencedor |
| 2020 | Online Journalism Awards | Feature — Small Newsroom | Venezuela, o paraíso dos contrabandistas | Vencedor |
| 2021 | Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados | Edição sem divisão em categorias | Engolindo Fumaça | Vencedor |
| 2022 | Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha | Meio Ambiente | Engolindo Fumaça | Vencedor |
| 2022 | Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados | Dados Abertos | Amazônia Minada | Vencedor |
| 2023 | Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados | Investigação | Amazon Underworld | Vencedor |
| 2024 | Prêmio Não Aceito Corrupção | Comunicação Local | Medicamentos dos Yanomamis eram vendidos por garimpeiros, em parceria com o Vocativo.com | Ouro |
| 2024 | Prêmio Gabo | Cobertura | Amazon Underworld | Vencedor |
| 2024 | Online Journalism Awards | Al Neuharth Innovation in Investigative Journalism — Small Newsroom | Amazon Underworld | Vencedor |
| 2024 | Prêmio Vladimir Herzog | Produção Jornalística em Multimídia | Amazon Underworld | Vencedor |
| 2025 | Prêmio INAC de Integridade | Comunicadores Locais | Exploração madeireira no Amapá, de Fábio Bispo | Primeiro lugar |
| 2025 | Prêmio Livre.jor de Jornalismo Mosca | Troféu Rastilho | Diários do Clima, projeto de seis organizações | Vencedor |
O resultado da edição de 2020 do Prêmio Gabo foi anunciado em janeiro de 2021.
Em setembro de 2026, a reportagem Ouro, escavadeiras e fuzis: como facções e milícias dominam garimpos clandestinos na Terra Indígena Sararé, produzida em parceria com Amazon Underworld, foi selecionada entre as finalistas da categoria Multimídia do 48.º Prêmio Vladimir Herzog.