| J. L. Moreno | |
|---|---|
| Nome completo | Jacob Levy Moreno |
| Nascimento | 18 de maio de 1889 |
| Morte | 14 de maio de 1974 (84 anos) |
| Escola/tradição | Psicodrama (fundador) |
| Principais interesses | Ciências sociais, educação, psiquiatria, psicologia, psicoterapia |
| Ideias notáveis | Sociometria |
Jacob Levy Moreno (18 de maio de 1889 - 14 de maio de 1974), foi um médico psiquiatra e dramaturgo romeno-judeu nascido na Romênia, crescido na Áustria (Viena) e naturalizado americano criador do psicodrama e pioneiro no estudo da terapia em grupo. Tem grandes contribuições no estudo dos grupos, em psicologia social e é o criador da sociometria.
Sua obra possui uma dimensão filosófica e existencial que combinou psiquiatria, psicologia social, sociologia, teatro, filosofia, religião e métodos de investigação das relações interpessoais. Moreno desenvolveu uma concepção relacional do ser humano, segundo a qual a experiência individual deve ser compreendida também a partir das relações, dos grupos e dos papéis desempenhados pelos indivíduos.
Jacob Levy Moreno - nascido como Jacob Levi - foi o primeiro filho do comerciante judeu sefardita Moreno Nissim Levi e de sua esposa Pauline Iancu, também proveniente de uma família judaica sefardita. A família mudou-se para Viena quando Moreno ainda era criança. Foi na capital austríaca que ele passou grande parte de sua infância e juventude e desenvolveu as experiências intelectuais, religiosas, teatrais e sociais que posteriormente influenciariam sua obra.

Entre aproximadamente 1907 e 1910, Moreno envolveu-se com experiências comunitárias que posteriormente seriam associadas à chamada "Religião do Encontro". Essas experiências enfatizavam espontaneidade, fraternidade, comunidade e relações humanas imediatas. O conceito de encontro posteriormente tornou-se uma das ideias centrais de sua filosofia e de sua teoria das relações interpessoais. Para Moreno, o encontro não correspondia simplesmente à presença física de duas pessoas, mas a uma relação recíproca na qual os participantes se afetam e transformam mutuamente.
Moreno ingressou no curso de medicina da Universidade de Viena em 1909, onde formou-se em 1917. Logo se interessou por teatro, tornando-se adepto do teatro de improviso, que em Viena experimentava um extraordinário florescimento neste momento. Ele via elementos que podiam ser trazidos ao teatro, observando a espontaneidade e a criatividade das brincadeiras infantis, observando crianças no parque público de Augarten em Viena.
Ele foi um dos círculos artísticos expressionistas em Viena (editor da revista Daimon). Na efervescência intelectual e cultura vienense da época, Moreno teve contato com nomes importantes como Max Brod, Franz Werfel, Alfred Adler, Martin Buber, Theodor Reik, Otto Pötzl, Paul Schilder e Helene Deutsch.
Durante seus estudos ele se concentrou em grupos marginalizados. Na Primeira Guerra Mundial, Moreno teve contato com refugiados nos campos austríacos de Barackenlager Mitterndorf, em Mitterndorf an der Fischa, na Áustria. Também desenvolveu atividades com prostitutas em Viena, procurando estimular formas de organização e apoio entre elas. Essas experiências contribuíram para seu interesse posterior pela estrutura dos grupos e pelas relações entre indivíduos. Suas observações o levaram a suspeitar de atração social e forças de repulsão e visto no grupo mais do que a soma de seus usuários. Essas experiências serviram de base para seu trabalho posterior sobre sociometria, pesquisa-ação e para o desenvolvimento do método de psicodrama.
De 1919 a 1925 ele trabalhou como um médico em Kottingbrunn e depois como administrador de saúde pública em Bad Vöslau, a cerca de 35 km de Viena.
O teatro desempenhou papel central no desenvolvimento das ideias de Moreno. Em 1921, criou o teatro da espontaneidade, baseado na improvisação e na criação de cenas sem roteiro previamente estabelecido. Durante estes experimentos teatrais, ele criou o "Jornal Vivo", em que ele e o grupo de atores dramatizavam notícias veiculadas nos jornais diários. O episódio conhecido como caso Bárbara–Jorge tornou-se posteriormente um dos relatos clássicos da história do psicodrama. Segundo o relato de Moreno, uma atriz que representava papéis idealizados passou a dramatizar aspectos de seus conflitos conjugais, e a experiência teria repercutido em sua relação fora do palco. A narrativa é frequentemente apresentada como um marco na transição do teatro da espontaneidade para o teatro terapêutico. Define-se a primeira sessão psicodramática ou sociodramática como sendo o evento, em 1º de Abril de 1921 no Komödienhaus de Viena.
Em 1925, Moreno migra para os Estados Unidos, onde desenvolve seus estudos sobre esta modalidade de expressão catártica proveniente do teatro da espontaneidade. Em sua autobiografia, ele afirma que, de todos os lugares do mundo "só em Nova York, o caldeirão das nações, a grande metrópole, com toda a sua liberdade de todas as noções preconcebidas, eu poderia ser livre para prosseguir a investigação em grupo sociométrico no grande estilo eu tinha imaginado".
Em 1928, Moreno introduziu o teste de espontaneidade no Departamento de Pediatria e na Mental Hygiene Clinic do Mount Sinai Hospital, em Nova York. No mesmo ano, promove trabalho psicodramático com crianças no Plymouth Institute. Em 1929, conduz trabalhos Grosvenor Neighborhood House, Hunter College e inicia apresentações pública do que viria a se tornar o método do psicodrama no Impromptu Theatre, Carnegie Hall.
Em maio de 1932, o Dr. Moreno introduzido pela primeira vez o termo "psicoterapia de grupo" na Reunião da American Psychiatric Association na Filadélfia. Para os próximos 40 anos, ele desenvolveu e introduziu sua teoria das relações interpessoais e ferramentas para as ciências sociais que ele chamou de 'sociodrama', 'psicodrama', 'sociometria', e 'sociatria'. Em 1936, inaugurou o sanatório de Beacon Hill, ambiente que fomentou a prática psicodramática durante muitos anos. O termo psicodrama aparece pela primeira vez na literatura especializada em 1937.
Entre 1937-1938, ele foi professor visitante na New School for Social Research e entre 1938-1939, também professor visitante Universidade de Columbia. Em 1937, Moreno iniciou uma colaboração com William Alanson White, então superintendente do St. Elizabeths Hospital, em Washington, D.C., com o objetivo de desenvolver o uso do psicodrama em contexto psiquiátrico. Em 1941 foi inaugurado no hospital o Therapeutic Theatre of Psychodrama (Teatro Terapêutico de Psicodrama), dedicado à aplicação do método psicodramático. Entre 1951 e 1966, Moreno foi professor adjunto no departamento de sociologia da New York University.
A origem da psicoterapia de grupo não é atribuída exclusivamente a Moreno. Um dos marcos históricos frequentemente citados é o trabalho do médico norte-americano Joseph H. Pratt, que, a partir de 1905, reuniu pacientes com tuberculose em encontros coletivos nos quais combinava educação em saúde, apoio mútuo e estímulo entre os participantes. Outros pioneiros, como Edward W. Lazell e outros médicos e psiquiatras das primeiras décadas do século XX, também desenvolveram formas de tratamento grupal antes da consolidação da abordagem moreniana.
A contribuição específica de Moreno consistiu em desenvolver uma concepção do grupo como fenômeno terapêutico e social, atribuindo importância às relações entre os participantes, à participação ativa dos membros e à utilização de métodos de ação. Entre 1931 e 1932, Moreno, em parceria com E. Stagg Whitin, conduziu um trabalho com métodos grupais e sociometria no presídio de Sing Sing, na cidade de Ossining. O relatório foi apresentado à American Psychiatric Association e publicou, no mesmo período, Group Method and Group Psychotherapy, obra dedicada às aplicações do método grupal e da sociometria.
Moreno posteriormente reivindicou para si a introdução dos termos "group therapy" e "group psychotherapy". Essa reivindicação foi objeto de debate entre autores do campo, e a literatura histórica distingue a origem dos termos da história mais ampla das práticas terapêuticas em grupo.
Na concepção moreniana, o grupo não deveria ser entendido apenas como uma reunião de indivíduos submetidos individualmente a um tratamento. As relações estabelecidas entre os membros constituíam parte fundamental do fenômeno terapêutico. A sociometria permitia investigar a configuração dessas relações, enquanto a psicoterapia de grupo utilizava a própria interação grupal como componente do processo terapêutico.
A abordagem de Moreno também se diferenciava de modelos predominantemente interpretativos ao enfatizar a participação, a interação e a ação. O psicodrama constituía uma das formas de psicoterapia de grupo desenvolvidas nesse contexto, permitindo que experiências e relações fossem representadas dramaticamente diante do grupo. Os participantes podiam assumir diferentes papéis e atuar como egos auxiliares, enquanto o protagonista dramatizava uma situação considerada relevante para o processo terapêutico.
Em 1942, Moreno participou da formação da American Society of Group Psychotherapy and Psychodrama e posteriormente denominada American Society of Group Psychotherapy and Psychodrama (ASGPP). A organização contribuiu para a institucionalização e difusão do psicodrama e da psicoterapia de grupo nos Estados Unidos e internacionalmente.
A influência de Moreno sobre o desenvolvimento posterior da psicoterapia de grupo coexistiu com outras tradições, incluindo as abordagens psicanalíticas, psicodinâmicas, humanistas o terapêutico.
A sociometria é um método de investigação das relações interpessoais e da estrutura dos grupos desenvolvido por Moreno, com colaboração importante da psicóloga Helen Hall Jennings. O termo designa tanto um conjunto de procedimentos para investigar empiricamente as relações sociais quanto, em sentido mais amplo, uma perspectiva teórica segundo a qual as estruturas dos grupos podem ser estudadas a partir das relações entre seus integrantes. Ela foi aplicada em áreas como psicologia social, pesquisa sobre pequenos grupos, educação, serviço social e estudos comunitários, contribuindo para o desenvolvimento de métodos quantitativos de investigação das relações interpessoais.
Moreno desenvolveu estudos sociométricos em instituições como escolas, reformatórios e prisões. Nos Estados Unidos, suas pesquisas com grupos de jovens e detentos contribuíram para o desenvolvimento de métodos quantitativos e gráficos destinados ao estudo das relações interpessoais. A colaboração de Helen Hall Jennings foi particularmente relevante para o desenvolvimento dos procedimentos de coleta, representação e análise das relações sociais.
A obra Quem sobreviverá? (1934) apresentou uma formulação abrangente da sociometria, articulando o estudo das relações interpessoais à investigação das estruturas sociais. Moreno procurava deslocar a atenção da análise exclusiva dos indivíduos para as relações que se estabelecem entre eles e para a posição de cada pessoa dentro de uma configuração grupal. Criou algumas das primeiras representações gráficas de redes sociais (sociogramas). Nesse livro, ele apresentou uma explicação célebre para o surgimento de uma verdadeira pandemia de fugas na New York Training School for Girls, em Hudson.
A sociometria moreniana utiliza conceitos como tele, atração, rejeição, reciprocidade e estrutura sociométrica. O conceito de tele refere-se, na formulação de Moreno, a uma forma de relação interpessoal caracterizada pela percepção e resposta recíprocas entre pessoas. A distribuição das escolhas e rejeições poderia produzir configurações relativamente estáveis dentro de um grupo, algumas das quais seriam pouco visíveis por meio da observação convencional.

Um dos instrumentos mais conhecidos da sociometria é o teste sociométrico, no qual integrantes de um grupo respondem a critérios específicos de escolha, preferência ou rejeição em relação aos demais participantes. As respostas podem ser representadas graficamente por meio de sociogramas, permitindo visualizar padrões de escolha, reciprocidade, rejeição, isolamento e formação de subgrupos.
Embora a sociometria de Moreno seja historicamente relacionada ao desenvolvimento posterior da análise de redes sociais, pesquisadores distinguem a tradição sociométrica de Moreno das formulações matemáticas e computacionais que constituíram a moderna análise de redes. Moreno diferenciou a sociometria de outras formas de investigação social por defender uma relação entre diagnóstico e intervenção. O conhecimento da estrutura relacional de um grupo poderia orientar intervenções destinadas a modificar determinadas configurações interpessoais. Nesse sentido, a sociometria não era concebida apenas como técnica de mensuração, mas como parte de um projeto mais amplo de transformação das relações sociais, denominado por Moreno socionomia.
A aplicação da sociometria em contextos educacionais incluiu estudos das relações entre estudantes, das posições sociais dentro da sala de aula e das relações entre aceitação social e características individuais. No serviço social e no trabalho com grupos, métodos sociométricos foram empregados para investigar relações, coesão, participação e padrões de interação, sendo posteriormente adaptados também para contextos comunitários e educacionais. A relação entre a sociometria e a moderna análise de redes sociais, contudo, não corresponde a uma única linha de desenvolvimento: estudos históricos identificam diferentes tradições que contribuíram para a formação do campo, entre elas a sociometria de Moreno e Jennings e pesquisas desenvolvidas em outros centros da sociologia, da antropologia e da pesquisa sobre pequenos grupos.
No sistema teórico de Moreno, a sociometria estava relacionada ao psicodrama e à psicoterapia de grupo. Enquanto a sociometria procurava investigar e representar a estrutura das relações, o psicodrama empregava a ação e a dramatização para explorar e transformar relações e experiências, e a psicoterapia de grupo constituía um campo de intervenção terapêutica no qual as relações entre os participantes adquiriam importância clínica.

O psicodrama é um método de terapia e investigação das relações interpessoais desenvolvido por Jacob Levy Moreno a partir das primeiras décadas do século XX. Em vez de restringir a intervenção psicoterapêutica à comunicação verbal, o método emprega a ação dramática, a representação de situações, a inversão de papéis e outras formas de dramatização para explorar conflitos, relações e possibilidades de ação.
A concepção moreniana do psicodrama está associada a uma teoria da espontaneidade, da criatividade e dos papéis. Para Moreno, a espontaneidade não significa simplesmente comportamento impulsivo, mas uma capacidade de responder de maneira adequada e nova a uma situação relativamente nova ou de responder de maneira nova a uma situação conhecida. A criatividade, por sua vez, refere-se à produção de respostas ou formas de ação que podem transformar uma situação, sendo a espontaneidade concebida como condição de sua manifestação.
Na prática psicodramática, uma pessoa pode assumir o papel de protagonista de uma dramatização, enquanto outras pessoas do grupo desempenham papéis auxiliares. O diretor conduz o processo e pode empregar procedimentos como a apresentação do protagonista, o inversão de papéis, o duplo e o espelho. A dramatização permite que acontecimentos passados, situações presentes, relações interpessoais, conflitos e situações imaginadas sejam representados no espaço dramático.
O conceito de catarse também ocupa lugar importante na teoria de Moreno. Diferentemente da concepção exclusivamente centrada na expressão de emoções, a teoria psicodramática relaciona a catarse à experiência de ação, à criação e à transformação de situações. Moreno utilizou a expressão catarse de integração para designar uma forma de transformação associada à dramatização e à reorganização da experiência do protagonista e do grupo.
O psicodrama foi concebido originalmente como uma modalidade predominantemente grupal, embora posteriormente tenham sido desenvolvidas modalidades bipessoais e outras formas de aplicação. Seu desenvolvimento histórico esteve ligado à pesquisa sobre grupos, à sociometria e à psicoterapia de grupo, que Moreno considerava componentes relacionados de um mesmo projeto de intervenção sobre as relações humanas.
A literatura contemporânea identifica, entretanto, diferenças entre as formulações originais de Moreno e a diversidade de técnicas e modelos desenvolvidos posteriormente. Uma revisão sistemática publicada em 2018 identificou inicialmente 56 técnicas na literatura e, a partir delas, propôs um conjunto de técnicas consideradas centrais e consensualmente utilizadas na tradição do psicodrama moreniano. Estudos posteriores também registraram a expansão da pesquisa empírica sobre psicodrama ao longo de aproximadamente um século.
Moreno demarca haver uma influência mística e religiosa em seu pensamento. A origem judaica sefardita de Moreno e sua formação religiosa exerceram influência sobre sua visão da existência humana. Moreno recebeu na infância educação religiosa judaica e frequentou uma escola bíblica sefardita, onde estudou o Antigo Testamento em hebraico com o rabino Chaim Bejarano. Sua formação ocorreu, entretanto, em um ambiente cultural no qual também entrou em contato com tradições cristãs. Sua mãe havia recebido parte de sua educação em instituições católicas, e Moreno relatou posteriormente a influência de elementos do cristianismo e seu interesse pelas cerimônias da Igreja Ortodoxa Grega durante a infância.
A dimensão religiosa aparece também nos relatos autobiográficos de Moreno sobre sua infância e juventude. Ele descreveu experiências nas quais se percebia em comunicação direta com Deus e posteriormente relacionou sua formação religiosa à sua concepção da criatividade humana. Ao refletir sobre sua trajetória, Moreno caracterizou sua experiência como uma passagem entre uma cultura inicialmente marcada pelo pensamento religioso e uma cultura secular e científica, afirmando que essas duas formas de pensamento lhe pareciam "duas faces da mesma moeda".
Entre as tradições que Moreno estudou ou pelas quais demonstrou interesse esteve a cabala. Em sua autobiografia, ele afirmou ter ficado particularmente impressionado pela concepção cabalística segundo a qual a criação possui origem na divindade e relacionou essa ideia à sua própria reflexão sobre a criação e a existência. A influência da cabala é, portanto, explicitamente mencionada pelo próprio Moreno, embora a extensão de sua influência conceitual sobre cada elemento posterior de sua teoria seja objeto de interpretação pelos estudiosos.
A origem judaica de Moreno e seu contato com tradições religiosas tiveram importância em sua formação intelectual. Durante sua juventude em Viena, aproximou-se de elementos do hassidismo e de outras tradições religiosas, desenvolvendo uma visão espiritual da existência humana. Estudos posteriores identificaram afinidades entre elementos do hassidismo e conceitos centrais da obra moreniana, especialmente espontaneidade, criatividade, encontro, presença e transformação da vida cotidiana.
A relação entre religião e criatividade aparece de maneira particularmente significativa na concepção moreniana do Deus-criador e do ser humano como participante da criação. Em seus escritos, Moreno desenvolveu uma antropologia na qual o ser humano não é apenas produto de condições previamente determinadas, mas possui capacidade criadora e participa ativamente da produção de novas formas de existência. Essa concepção posteriormente se articulou à sua teoria da espontaneidade, da criatividade e da ação.
Outro elemento relacionado à formação religiosa de Moreno foi sua concepção do encontro. Antes da sistematização do psicodrama, Moreno empregou em seus escritos filosóficos e poéticos uma linguagem centrada na relação entre pessoas e na possibilidade de um encontro transformador. Posteriormente, o encontro tornou-se um conceito importante de sua filosofia e de sua concepção de psicoterapia. A relação entre essa concepção e tradições religiosas judaicas foi discutida por diferentes autores, embora também tenha sido relacionada a outras fontes filosóficas e culturais presentes na Viena do início do século XX.
A dimensão religiosa também aparece na chamada "brincadeira de ser Deus" (God-playing), experiência infantil relatada posteriormente por Moreno e frequentemente interpretada como um episódio significativo para a compreensão de sua concepção de ação e espontaneidade. Segundo seu próprio relato, quando criança Moreno e outras crianças brincavam de representar Deus e anjos; sentado em uma espécie de trono improvisado, Moreno aceitou o desafio de um dos participantes para voar e caiu, fraturando o braço. O episódio foi posteriormente reinterpretado por ele como uma experiência relacionada à ação, ao papel e à espontaneidade.
As influências religiosas e místicas constituem um dos elementos do contexto intelectual a partir do qual Moreno desenvolveu suas concepções sobre espontaneidade, criatividade, encontro e ação. Essa dimensão contribuiu para que sua obra fosse posteriormente interpretada tanto como uma teoria psicoterapêutica quanto como uma forma de antropologia filosófica de inspiração religiosa.
A influência de Moreno estendeu-se para além do psicodrama. Sua sociometria contribuiu para o desenvolvimento histórico da análise de redes sociais, enquanto suas técnicas de ação e dramatização foram incorporadas ou adaptadas por diferentes tradições de psicoterapia, psicologia humanista, grupos de encontro e treinamento experiencial.
Kurt Lewin manteve contato com Moreno e desenvolveu, em paralelo, uma tradição própria de pesquisa sobre grupos, liderança e mudança social. A relação entre os dois é relevante para a história da psicologia social e da dinâmica de grupos, embora suas teorias não fossem equivalentes. Esta interlocução, gerou controvérsias sobre quem desenvolveu inicialmente a pesquisa-ação.
A tradição dos grupos de encontro, o Movimento do Potencial Humano, os grupos de sensibilidade e outras formas de psicoterapia experiencial também incorporaram técnicas relacionadas ao psicodrama. A literatura histórica identifica Moreno como uma das fontes anteriores dessas práticas e registra o reconhecimento tardio de sua contribuição por alguns de seus participantes.
Fritz Perls, posteriormente associado à Gestalt-terapia, participou de experiências psicodramáticas com Moreno. Elementos de dramatização e de trabalho experiencial posteriormente empregados por Perls apresentam antecedentes na tradição psicodramática. Sobre isto, Eric Berne, criador da Análise Transacional, reconheceu Moreno como um importante antecedente das psicoterapias de ação. Berne empregou a expressão "Problema Moreno" falando sobre "o fato de que quase todas as técnicas ‘ativas’ foram inicialmente experimentadas pelo Dr. J. L. Moreno no psicodrama, de modo que é difícil apresentar uma ideia original nesse sentido". Mesma originalidade é atribuída à Moreno por Abraham Maslow que reconheceu explicitamente a contribuição de Moreno para diversas técnicas que se difundiram no Movimento do Potencial Humano.
Outros pesquisadores também tiveram contato com as ideias de Moreno, como Urie Bronfenbrenner que utilizou métodos sociométricos em trabalhos de pesquisa anteriores ao desenvolvimento de sua teoria bioecológica do desenvolvimento humano e E. Paul Torrance nas suas pesquisas sobre criatividade.
A influência de Moreno também alcançou a terapia familiar e a terapia de casal, sendo ele considerado um pioneiro nestas modalidades de tratamento.
No Brooklyn, Nova York, Moreno casou-se com Beatrice Beecher em 1926. O casamento acabou em divórcio, e em 1938 casou-se com Florence Bridge, com quem ele teve uma filha, Regina (nascida em 1939). Eles também se divorciaram, e ele se casou com Zerka Toeman em 1949, com quem ele teve um filho, Jonathan D. Moreno (nascido em 1952). Zerka foi a parceira de Moreno até a época de sua morte, sendo grande responsável pela sistematização da sua obra nos Estados Unidos e a divulgação do psicodrama pelo mundo.

Moreno morreu em Beacon, em 14 de maio de 1974, aos 85 anos de idade e pediu que em sua sepultura fossem gravadas as seguintes palavras: Aqui jaz aquele que abriu as portas da Psiquiatria à alegria.
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