Juan Filloy

Juan Filloy
Nascimento1 de agosto de 1894
Córdova
Morte15 de julho de 2000 (105 anos)
Córdova
SepultamentoSan Jerónimo Cemetery
CidadaniaArgentina
Alma mater
Ocupaçãoescritor, jurista, advogado, bibliotecário, caricaturista, juiz
Distinções
  • Cavaleiro das Artes e das Letras
  • Gran Premio de Honor de la SADE (1971)

Juan Filloy (Córdoba, 1 de agosto de 1894 - Córdoba, 15 de julho de 2000) foi um escritor e jurista argentino.

Foi reconhecido por autores como David Viñas, Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Leopoldo Marechal, Juan José Saer, Adolfo Prieto e Mempo Giardinelli, entre outros, e recebeu vários reconhecimentos, apesar do que, seu pouco interesse em promover suas obras fez com que seja um autor desconhecido do grande público, convertendo-o em um autor de culto dentro das letras rioplatenses.

Biografia

Juan Filloy nasceu em 1° de agosto de 1894 na cidade de Córdoba, sendo o segundo filho de Benito Filloy, um camponês espanhol de Pontevedra, Galiza, e de Dominique Grange, uma camponesa francesa natural de Toulouse, que ganhava a vida como curandeira e lavadeira; de tal maneira que seu sobrenome se pronuncia Fiyoy e não Filoy, "porque é um sobrenome galego e não irlandês".

Realizou os estudos primários na escola Normal Alejandro Carbó e os secundários no colégio Nacional de Monserrat da Cidade de Córdoba.

Em 1912 a família, composta por seus pais e os irmãos Benito (c. 1891- 1976), Rosa e Manuel, instalou o cinema, teatro e bar Imperial com um investimento que, embora distinto, não aumentou a prosperidade do grupo.

Em 1913 atuou como bibliotecário ad-honorem da biblioteca Popular Vélez Sarsfield (fundada em 11 de maio de 1909), localizada no mesmo bairro General Paz de sua infância e adolescência; no ano seguinte ocupou o cargo de secretário da entidade.

Embora nunca tenha jogado futebol, foi sócio fundador do clube Talleres, entidade da qual chegou a ser secretário e presidente da delegação que viajou ao Chile em 1923. Em 1918 teve participação ativa na Reforma Universitária, quase ao mesmo tempo em que trabalhava como desenhista caricaturista. Foi membro da Federação Argentina de Boxe e dirigiu combates de Luis Ángel Firpo.

Em 1920, recém-graduado em Direito na Universidade Nacional de Córdoba, mudou-se para Río Cuarto, cidade na qual residiria durante sessenta e quatro anos. Em sua cidade adotiva foi um dos fundadores do Museu de Belas Artes de Río Cuarto e do Golf Club (esporte que nunca praticou). Durante sessenta anos foi colaborador do jornal El Pueblo de Río Cuarto, no qual escrevia uma coluna diária com comentários de atualidade, crítica literária ou teatral.

Publicou sua primeira obra, Periplo, crônicas de uma viagem de dois meses na qual percorreu toda a costa do Mediterrâneo, em 1930. Durante os nove anos seguintes publicou outros seis livros, incluindo três romances (¡Estafen!, Op Oloop e Caterva), um livro de poemas (Balumba), uma espécie de geografia poética da Argentina (Aquende) e um volume de prosas poéticas (Finesse), todos em edições de autor de pouco alcance, para depois deixar de publicar durante quase três décadas, durante as quais atuou como juiz, embora nunca tenha deixado de escrever. Em reportagens posteriores, explicou esse silêncio editorial por incompatibilidades com suas funções jurídicas:

Citação: "Há um artigo no Código onde a publicação de pornografia é punida. Como juiz fiz tudo o que foi possível para que os livros que tivessem coprolalia não estivessem ao alcance da imprensa. Por isso se fizeram edições privadas, que eram dedicadas pessoalmente, de modo estrito, aos meus amigos. Eu não podia cometer a tolice de cair nas sanções do artigo 218 que a mim, como juiz, cabia aplicar."

Em 1933 começou a se corresponder com Paulina Warshawsky, uma professora entrerriana filha de judeus ingleses que conhecia um amigo de Filloy. Finalmente, em 1935 se conheceram pessoalmente em Buenos Aires. Em palavras do escritor: «Nos conhecemos na tarde de uma sexta-feira, começamos a namorar no sábado, noivamos no domingo e nos casamos na segunda». Permaneceram juntos durante quase cinquenta anos, até a morte de Paulina em 1984, e tiveram seus filhos Fernán e Monique.

Entre 1967 e 1973, a editorial Paidós reeditou seus romances ¡Estafen! e Op Oloop, aos quais se agregou um publicado pela primeira vez, La potra, em uma coleção dirigida por Bernardo Verbitsky, o que gerou um redescobrimento de sua obra, até que Filloy voltou a publicar em edições de autor. Outro de seus romances, Vil & Vil (1975), foi proibido pelo governo militar e foi interrogado durante várias horas, ao cabo das quais o libertaram porque só falou de literatura.

Após a morte de sua esposa em 1984, voltou a residir na cidade de Córdoba, onde continuou escrevendo apesar de sua avançada idade. Publicou Karcino, um tratado de palíndromos, e Esto fui, memórias de infância. Por esse tempo também apareceu Don Juan, uma antologia de textos seus a cargo de Mempo Giardinelli, amigo e divulgador da obra de Filloy, e quem também o entrevistou para sua revista Puro cuento em 1987.

Cumprindo seu desejo de ser «um homem de três séculos», faleceu enquanto dormia a sesta em seu apartamento em 15 de julho de 2000, a poucas semanas de completar 106 anos. Em seu velório compareceram as principais personalidades da cultura de Córdoba, e foi sepultado no cemitério San Jerónimo da capital provincial. No final desse ano, a biblioteca da Universidade de Río Cuarto foi batizada com seu nome.

O escritor

Dado que, assim como Juan L. Ortiz, nunca se preocupou em promover sua obra, preferindo publicar em edições de autor de tiragens limitadas destinadas a seus amigos, a obra de Filloy tem sido e continua sendo desconhecida do grande público, o que não impediu que seja elogiado por algumas importantes figuras literárias. Assim, o escritor e crítico David Viñas sustentou que «A produção de Filloy dos anos trinta se localiza, por sua qualidade, entre as obras de Roberto Arlt, o teatro de Armando Discépolo e a poesia de Oliverio Girondo»., e o crítico Adolfo Prieto disse dele: «há uma capacidade inventiva, um despreconceito frente às formas tradicionais da narrativa e um tão regozijante manejo do idioma, que desgarram a obra de Juan Filloy do contexto histórico da novelística de seu tempo e aconselham uma atenção particularizada da mesma». Da mesma forma, influenciou autores como Julio Cortázar, que o menciona em suas obras Rayuela (no capítulo 108) e La vuelta al día en ochenta mundos (no texto «De la seriedad en los velorios»); ou Leopoldo Marechal, em seu romance El banquete de Severo Arcángelo. Sua obra se caracteriza principalmente por uma crítica aos costumes humanos, crítica efetuada mediante o humor recorrendo frequentemente à paródia e à ironia.

O pesquisador Hugo Aguilar, docente da Universidade Nacional de Río Cuarto, dividiu a produção filloyana em três períodos:

Entre as curiosidades de sua obra literária merecem destaque sua afición aos palíndromos ―dos quais publicou mais de oito mil, o que o converte no maior realizador de palíndromos em língua espanhola― e aos megassonetos, que consistem em 14 séries de 14 sonetos, dos quais publicou oitocentos e noventa e seis. Outra curiosidade consiste em que todos os títulos de suas obras têm sete letras, e o fato de ter pelo menos um título com cada uma das letras do alfabeto.

Obras

Ao longo de seus quase 106 anos de vida, Filloy desenvolveu uma vasta obra literária em todos os gêneros: romance, conto, artigo, poesia, ensaio, nouvelle, tradução ou história, além de criar textos híbridos que cruzam elementos de vários gêneros, somando um total de mais de cinquenta obras, o que converte Filloy em um dos autores mais prolíficos de seu país. Em vida do autor foram publicadas vinte e sete obras, entre 1930 e 1997:

Romances

Contos

Poesia

Não ficção

Outras três obras foram publicadas sob forma de artigos no citado jornal El Pueblo e em La Nación de Buenos Aires:

Com tudo, várias obras de Filloy permanecem inéditas:

Prêmios

Ao longo de sua vida, Filloy recebeu numerosos reconhecimentos.

O jornal La Nación, do qual foi colunista durante anos, chegou a propô-lo como candidato ao Prêmio Nobel de Literatura, embora a moção não tenha prosperado.

Bibliografia crítica sobre sua obra

Filmografia

Referências

  1. 1 2 3 4 "A los 105 años murió el escritor cordobés Juan Filloy", Clarín, 16.7.2000
  2. ↑ "El escritor de los tres siglos", Página/12, 17.7.2000
  3. ↑ Mempo Giardinelli, Así se cuenta un cuento, Capital Intelectual, Buenos Aires, 2012, pág. 151
  4. 1 2 "Juan Filloy, el hombre de los tres siglos"
  5. ↑ "Juan Filloy, lúcido e irreverente", Los Andes, 26.6.2015
  6. ↑ "«El que no tenga imaginación que se corte la mano»: entrevista a Juan Filloy por Ricardo Zelarayán", Clarín, 22 de mayo de 1975
  7. ↑ "Paulina y Juan Filloy, una historia de amor sin tuteo". Arquivado em 14 de abril de 2016, no Wayback Machine. Puntal, 13.2.2010
  8. ↑ «Biblioteca Juan Filloy». Consultado em 18 de fevereiro de 2016. Arquivado do original em 25 de fevereiro de 2016
  9. ↑ «El Cuenco de Plata, Biblioteca Juan Filloy». Consultado em 7 de março de 2013. Cópia arquivada em 2 de novembro de 2013
  10. ↑ Adolfo Prieto, Diccionario básico de la literatura argentina. Centro Editor de América Latina, Buenos Aires, 1968. Pág. 59.
  11. ↑ "La novela censurada de Juan Filloy", La Voz del Interior, 18.6.2005
  12. ↑ Mempo Giardinelli, ídem., p. 155.
  13. ↑ Hugo Aguilar, «Ignitus: un lugar, un texto, una explicación» Revista Borradores, UNRC, N° X/XI, año 2009-2010.
  14. ↑ "Mempo Giardinelli, Don Juan de las siete letras", La Nación, 13.7.2003

Ligações externas