Galiza
Galiza • Galicia | |
|---|---|
| Hino | Os Pinos |
| Lema | Hoc hic misterium fidei firmiter profitemur . |
| Gentílico | galaico, galego, galiciano, galiziano |
| Capital | Santiago de Compostela |
| Governo | |
| • Presidente | Alfonso Rueda (PPdG) |
| Área | |
| • Total | 29 574 km² |
| População | |
| • Total (2017) | 2 708 339 hab. |
| Densidade | 91,6 hab./km² |
| Províncias | Corunha, Lugo, Ourense, Ponte Vedra |
| Idioma oficial | galego e castelhano |
| Estatuto de autonomia | 28 de junho de 1936 28 de Abril de 1981 |
| ISO 3166-2 | ES-GA |
| Congresso Senado | 25 assentos 19 assentos |
| Sítio | Junta da Galiza |
A Galiza (ou Galícia) é uma comunidade autônoma espanhola, considerada nacionalidade histórica segundo seu estatuto de autonomia, situada no noroeste da península Ibérica. É formada pelas províncias de La Corunha, Lugo, Ourense e Pontevedra, que compreendem trezentos e treze municípios, agrupados em cinquenta e três comarcas. Sua capital é a cidade de Santiago de Compostela. Vigo é o município mais populoso da comunidade autônoma, com 295 735 habitantes em 1.º de janeiro de 2025, enquanto A Corunha tinha 251 277 habitantes na mesma data.
Geograficamente, a Galícia é banhada a oeste pelo Oceano Atlântico e a norte pelo mar Cantábrico. Limita a sul com Portugal e a leste com as comunidades autônomas de Astúrias e Castela e Leão. Além do território continental, a comunidade autônoma inclui diversos arquipélagos e ilhas costeiras, entre os quais as ilhas Cíes, a ilha de Ons, a ilha de Sálvora e o arquipélago de Cortegada.
A Galícia tinha 2 714 741 habitantes em 1.º de janeiro de 2025, segundo o Instituto Galego de Estatística (IGE), distribuídos pelos 313 municípios das quatro províncias. A população concentra-se sobretudo nas áreas urbanas e litorâneas, com destaque para as áreas metropolitanas de A Corunha e Vigo e para as Rias Baixas. Em seu território, o galego e o castelhano são línguas oficiais, conforme estabelece o Estatuto de Autonomia da Galícia.
Na Antiguidade, os gregos empregavam a forma kallaikói (καλλαικοί) para designar os povos do noroeste da Península Ibérica, em uma área mais ampla que a atual Galícia. A tradição etimológica relaciona o nome Galicia à forma latina Callaecia, derivada de Callaeci ou Calaicos, denominação aplicada aos povos que habitavam o noroeste da Península Ibérica. A origem mais antiga do etnônimo, contudo, permanece objeto de discussão historiográfica, e a hipótese tradicional de que Callaeci tenha sido originalmente o nome de um povo específico que deu origem ao corônimo regional foi recentemente reavaliada pela investigação acadêmica.
O topônimo evoluiu para Gallaecia durante a administração romana. No final do século III, no contexto das reformas administrativas do imperador Diocleciano, a Gallaecia passou a constituir uma província própria do Império Romano, abrangendo um território consideravelmente maior que o da atual Galícia. Durante a transição entre a Antiguidade e a Idade Média, a região passou a estar associada aos suevos, povo germânico que se estabeleceu na antiga província romana da Gallaecia a partir do início do século V. As fontes medievais empregavam tanto Regnum Sueborum quanto Galliciense regnum para designar o reino estabelecido pelos suevos.
Na Idade Média, constituiu-se o Reino da Galícia, que teve diferentes períodos de autonomia e posteriormente ficou integrado ao Reino de Leão, embora a designação de reino tenha continuado a ser empregada para a Galícia durante os séculos seguintes. A condição de reino foi formalmente encerrada no contexto da divisão territorial de Espanha de 1833, quando a reforma administrativa estabeleceu a atual organização provincial e extinguiu as antigas divisões territoriais do Reino da Galícia.
A forma predominante para se referir a esta comunidade, tanto em castelhano como em galego moderno, oral e escrito, é a de Galicia. A Real Academia Galega registra Galicia como nome toponímico e Galiza como variante feminina. Além disso, Galicia é o único topônimo oficial da comunidade autônoma, conforme a legislação galega sobre toponímia: o artigo 10 da Lei 3/1983, de normalização linguística, determina que os topônimos da Galícia tenham como única forma oficial a galega e atribui à Xunta de Galicia a determinação dos nomes oficiais. A distinção entre a forma oficial e as variantes linguísticas é também registrada pela Real Academia Galega, que identifica Galiza como variante de Galicia. Existe também a voz Galiza, usada em galego e especialmente presente em determinados setores linguísticos e culturais. As Normas ortográficas e morfolóxicas do idioma galego reconhecem Galicia e Galiza como formas legítimas e genuínas para se referir ao território na língua galega. A Real Academia Galega também registra a origem histórica do topônimo em Callaecia, relacionando-o ao nome dos povos que habitavam o noroeste da Península Ibérica.
O topônimo Galiza foi amplamente utilizado no galego-português medieval, língua cuja formação histórica está estreitamente relacionada ao galego medieval e ao português. Ao longo da tradição escrita medieval, o território e a língua galega aparecem documentados em diferentes contextos, cuja evolução posterior esteve relacionada às transformações linguísticas e sociopolíticas ocorridas na Galícia. A documentação histórica sobre o galego-português e o castelhano na Galícia medieval constitui uma das bases para o estudo da evolução das formas linguísticas e toponímicas galegas. Na Galícia, Galiza perdeu presença em determinados períodos da história linguística, em paralelo à crescente interferência do castelhano na documentação oficial e escrita. A Real Academia Galega observa que a toponímia galega sofreu forte interferência do castelhano desde o século XVI, quando o galego deixou de ser utilizado na documentação oficial, situação que posteriormente foi objeto de políticas de recuperação e normalização linguística.
A denominação Galiza também foi considerada em propostas relacionadas ao Estatuto de Autonomia da Galícia de 1936, incluindo o Anteproyecto de Estatuto da Galiza, elaborado pelo Seminário de Estudos Galegos. Posteriormente, a forma Galiza também foi empregada por organizações e movimentos políticos e culturais galegos durante o século XX. O topônimo Galiza voltou a ser comum no século XX em alguns textos produzidos na língua galega, sobretudo em determinados setores do galeguismo e do nacionalismo galego, onde convive com a forma Galicia; e no reintegracionismo, no qual a forma Galiza é preferida, no entanto, como uma forma de subversão da cultura galega autêntica à cultura portuguesa.
Por outro lado, alguns setores contrários ao nacionalismo galego interpretaram o emprego de Galiza como uma opção de caráter ideológico ou partidário. Essa divergência contribuiu para debates públicos sobre a denominação. Durante a presidência de Emilio Pérez Touriño (PSdG), que governou a comunidade em coligação com o BNG entre 2005 e 2009, houve controvérsias relacionadas ao uso de Galiza em publicações oficiais por secretarias dirigidas por integrantes desse partido.
As diferenças persistem também na língua portuguesa. Segundo autores como Vamireh Chacon, no Brasil, a influência da diáspora galega disseminou o uso de seu topônimo preferido, Galicia, em detrimento de Galiza, a versão tradicional em língua lusa. Assim, atualmente o termo Galiza costuma ser mais empregado em Portugal, enquanto no Brasil se utiliza com maior frequência Galícia. A preferência pelo termo foi tamanha, que que diversas obras utilizam o termo "Galícia", inclusive dicionários e enciclopédias tais como o Minidicionário Antônio Olinto da Língua Portuguesa, o Minidicionário Soares Amora da Língua Portuguesa, a Grande Enciclopédia Larousse Cultural , a Enciclopédia Geográfica Universale o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, de Antônio Houaiss. Esta última utiliza tanto "Galiza" como "Galícia" no seu verbete sobre o gentílico "galiciano", não o citando, porém, no verbete "galego", em que aparece apenas a forma vernácula. Portanto, assim como no galego, ambas as grafias também são aceitas no português.
As primeiras provas líticas da presença humana na Galiza datam de há cerca de 300 mil anos, no Paleolítico Inferior, durante o Pleistoceno Médio. Deste período, que nesta zona perdura até cerca de 5000 a.C., existem diversos restos dos seus povoadores por todo o litoral, desde Ribadeu até à Guarda, que consistem em instrumentos líticos que demonstram uma indústria acheuliana à base de bifaces, fendedores e triedros feitos sobre uma base de quartzo ou quarcita. São também de destaque as descobertas na parte portuguesa do Minho — de Caminha a Melgaço — e o da caverna Eirós, em Triacastela, no qual foram preservados restos de animais e líticos dos neandertais até ao Paleolítico Médio, graças ao seu ambiente básico. Também existem outras reservas deste período no Baixo Minho e na depressão de Ourense. Conhecem-se duas culturas, o Paleolítico Inferior Arcaico (ou "cultura dos cantos talhados", com uma técnica mais simples) e o Paleolítico Inferior Clássico. As indústrias são simples e o número de tipos reduzido.
A primeira grande cultura claramente identificada se caracterizava por sua capacidade construtora e arquitetónica, juntamente com o seu sentido religioso, fundamentado no culto aos mortos como mediadores entre o homem e os deuses.
A sociedade estaria organizada num tipo de estrutura de clãs. Da época do megalítico depõe milhares de túmulos estendidos por todo o território, escondendo no seu interior uma câmara funerária de dimensões maiores ou menores, edificada com brames de pedra, conhecidas como dólmen.
É nesta época que se atinge o desenvolvimento metalúrgico, impulsionado pela riqueza mineira. Devido às mudanças climáticas, vários povos da meseta migraram para o território da Galiza, aumentando a população e os conflitos entre povos. É a época de produção de diversos utensílios e joias de ouro ou de bronze, que foram até levadas além-Pirenéus.

Corresponde ao período de tempo desde a chegada dos celtas e seu assentamento até à fortificação nos seus castros. Floresceu na segunda metade da Idade do Ferro, resultado da fusão com a cultura da Idade do Bronze e outros contributos posteriores, coexistindo em parte com a época romana. Os celtas trouxeram novas variedades de gado, o cavalo domesticado e provavelmente o centeio.
O primeiro povo celta que invade Galiza é o dos Sefes, no século XI a.C.. Submeterá os Estrímnios, mas este influirá no primeiro sobretudo no terreno da religião, da organização política e das relações marítimas com a Bretanha e a Inglaterra.[carece de fontes] Segundo Estrabão, a topografia predominantemente montanhosa da Galiza fez com que os galaicos fossem o povo mais difícil de vencer da Península Ibérica e tivessem derrotado grande parte dos povos da Lusitânia. É preciso dizer que a província romana dos galaicos, a Galécia (em latim: Gallaecia ou Callaecia), ainda não estava constituída política e administrativamente.
Os castros são recintos fortificados de forma circular, providos de um ou vários muros concêntricos, precedidos geralmente do seu correspondente fosso e situados, os mais deles, na cimeira de colina e montanhas. Entre os castros de tipo costeiro, destacam-se os de Fazouro, Santa Trega, Baronha e Neixão. No interior, podem mencionar-se os de Castromau e Viladonga. Comum a todos eles são o facto de que o homem se adapta ao terreno e não ao contrário.
Quanto aos templos, a única construção encontrada é a de Elvinha. O de Meirãs conserva uma necrópole. Noutros castros existiam pequenas construções em forma de caixa onde eram guardadas as cinzas (cultura sorotápica, dos campos de enterro de furnas — urnenfelder em alemão). Existem também outras parcialmente enterradas, com um depósito para a água, nas quais os vestígios de fogo indicam que deveria ter como propósito a incineração de cadáveres.
A partir dos finais do Megalítico, aparecem inscrições sobre rochas graníticas a céu aberto das quais atualmente se desconhece a sua origem e significado, sendo de nota as do Campo Lameiro.

As legiões romanas entraram na região pela primeira vez sob o comando de Decimus Junius Brutus em 137–136 a.C., mas o território só foi incorporado ao Império Romano na época de Augusto (29 a.C. – 19 a.C.). Os romanos se interessavam pela Galiza principalmente por seus recursos minerais, sobretudo o ouro. Sob o domínio romano, a maioria dos castros galegos começou a ser abandonada — às vezes à força —, e os Gallaeci serviram com frequência no exército romano como tropas auxiliares. Os romanos trouxeram novas tecnologias, novas rotas de viagem, novas formas de organização da propriedade e uma nova língua: o latim. O Império Romano estabeleceu seu controle sobre a Galiza por meio de acampamentos (castra), como Aquis Querquennis, o acampamento de Ciadella ou Lucus Augusti (Lugo), de estradas (viae) e de monumentos como o farol conhecido como Torre de Hércules, em Corunha. Porém, a distância e o menor interesse pela região a partir do século II d.C., quando as minas de ouro deixaram de ser produtivas, levaram a um grau menor de romanização. No século III, a região foi transformada em província, sob o nome de Gallaecia (Galécia), que incluía também o norte de Portugal, as Astúrias e uma grande parte do que hoje é conhecido como Castela e Leão.
Invasões Germânicas e a transição medieval

No início do século V, a profunda crise enfrentada pelo Império Romano permitiu que diferentes tribos da Europa Central (suevos, vândalos e alanos) cruzassem o Reno e penetrassem no território em 31 de dezembro de 406. Seu avanço em direção à Península Ibérica obrigou as autoridades romanas a firmar um tratado (foedus) pelo qual os suevos se estabeleceriam pacificamente e governariam a Galiza como aliados imperiais, denominados de foederati. Assim, a partir de 409, a Galiza foi tomada pelos suevos, formando o Reino Suevo, o primeiro reino medieval criado na Europa, em 411, ainda antes da queda do Império Romano, sendo também o primeiro reino germânico a cunhar moedas em terras romanas. Durante esse período, uma colônia britânica e um bispado (ver Mailoc) foram estabelecidos no norte da Galiza (Britônia), provavelmente como foederati e aliados dos suevos. Em 585, o rei visigodo Leovigildo invadiu o reino suevo da Galiza e o derrotou, trazendo-o sob o controle visigótico.
Mais tarde, os muçulmanos invadiram a Espanha (711), mas árabes e mouros nunca conseguiram ter controle real sobre a maior parte da Galiza, que mais tarde foi incorporada pelo rei Afonso I ao crescente Reino Cristão das Astúrias, geralmente conhecida como Gallaecia ou Galiza (Yillīqiya e Galīsiya) pelos cronistas muçulmanos, bem como por muitos contemporâneos europeus. Essa era consolidou a Galiza como uma sociedade cristã que falava uma língua românica. Durante o século seguinte, nobres galegos tomaram o norte de Portugal, conquistando o Porto em 868 e Coimbra em 871, libertando assim o que era considerado a cidade mais ao sul da antiga Galiza.
Alta e Baixa Idade Média

No século IX, a ascensão do culto ao Apóstolo Tiago em Santiago de Compostela conferiu à Galiza uma importância simbólica particular entre os cristãos, importância que se manteria ao longo de toda a Reconquista. Com o avançar da Idade Média, Santiago tornou-se um grande destino de peregrinação, e o Caminho de Santiago (Camiño de Santiago) uma importante rota de peregrinos, servindo como via de propagação da arte românica e das palavras e músicas dos trovadores. Durante os séculos X e XI, período em que a nobreza galega passou a se relacionar com a família real, a Galiza foi por vezes governada por reis próprios, enquanto os vikings (localmente conhecidos como leodemanes ou lordomanes) realizavam, ocasionalmente, incursões pela costa. As Torres de Catoira (Pontevedra) foram construídas como um sistema de fortificações para prevenir e conter os ataques vikings a Santiago de Compostela.

Em 1063, Fernando I de Castela dividiu seu reino entre seus filhos, e o Reino da Galiza foi concedido a Garcia II da Galiza. Em 1072, foi anexado à força por seu irmão Afonso VI de Leão; a partir de então, a Galiza permaneceu unida ao Reino de Leão sob os mesmos monarcas. No século XIII, Afonso X de Castela padronizou a língua castelhana (ou seja, o espanhol) e a tornou a língua da corte e do governo. Apesar disso, em seu Reino da Galiza, a língua galega era a única falada, e a mais utilizada no governo, nos usos jurídicos e na literatura.
Durante os séculos XIV e XV, o progressivo distanciamento dos reis dos assuntos galegos deixou o reino nas mãos de cavaleiros, condes e bispos locais, que frequentemente lutavam entre si para ampliar seus feudos, ou simplesmente para saquear as terras alheias. Ao mesmo tempo, deixou-se de convocar os deputados do Reino nas Cortes. O Reino da Galiza, escapando do controle do rei, respondeu com um século de insubordinação fiscal.

Por outro lado, a ausência de um sistema de justiça real eficaz no Reino levou ao conflito social conhecido como as Guerras Irmandinhas, quando ligas de camponeses e burgueses, com o apoio de diversos cavaleiros e nobres, e sob a proteção legal oferecida pelo rei distante, derrubaram muitos dos castelos do Reino e chegaram a expulsar brevemente os nobres para Portugal e Castela. Pouco depois, no final do século XV, no conflito dinástico entre Isabel I de Castela e Joana, a Beltraneja, parte da aristocracia galega apoiou Joana. Após a vitória de Isabel, esta iniciou uma reforma administrativa e política que o cronista Jerônimo Zurita definiu como "doma del Reino de Galicia" ("a doma do Reino da Galiza"): "Foi então que começou a doma da Galiza, porque não apenas os senhores e cavaleiros locais, mas todo o povo daquela nação eram, uns contra os outros, muito audazes e guerreiros". Essas reformas, ao mesmo tempo em que estabeleceram um governo e um tribunal locais (a Real Audiencia del Reino de Galicia) e submeteram a nobreza, também trouxeram a maioria dos mosteiros e instituições galegas sob o controle castelhano, no que tem sido criticado como um processo de centralização. Paralelamente, os reis passaram a convocar a Xunta ou Cortes do Reino da Galiza, uma assembleia de deputados ou representantes das cidades do Reino, para solicitar contribuições monetárias e militares. Essa assembleia logo se converteu na voz e na representação legal do Reino, e na depositária de sua vontade e de suas leis.
A época moderna do Reino da Galiza começou com a derrota de alguns dos senhores galegos mais poderosos, como Pedro Álvarez de Sotomayor, chamado Pedro Madruga, e Rodrigo Henriquez Osorio, às mãos dos exércitos castelhanos enviados à Galiza entre os anos de 1480 e 1486. Isabel I de Castela, considerada uma usurpadora por muitos nobres galegos, derrotou toda a resistência armada e estabeleceu definitivamente o poder real da monarquia castelhana. Temendo uma revolta geral, os monarcas ordenaram o banimento dos demais grandes senhores, como Pedro de Bolaño, Diego de Andrade e Lope Sánchez de Moscoso, entre outros.
O estabelecimento da Santa Hermandad em 1480 e da Real Audiencia del Reino de Galicia em 1500 — um tribunal e órgão executivo dirigido pelo Governador-Capitão Geral como representante direto do rei — implicou, inicialmente, a submissão do Reino à Coroa, após um século de agitação e insubordinação fiscal. Como resultado, entre 1480 e 1520, o Reino da Galiza contribuiu com mais de 10% dos rendimentos totais da Coroa de Castela, incluindo as Américas, muito acima de sua relevância econômica. Como o restante da Espanha, o século XVI foi marcado por crescimento populacional até 1580, quando as guerras simultâneas com os Países Baixos, a França e a Inglaterra prejudicaram o comércio atlântico da Galiza, que consistia principalmente na exportação de sardinhas, madeira e algum gado e vinho.

Nos últimos anos do século XV, a forma escrita da língua galega começou um lento declínio, à medida que era progressivamente substituída pelo espanhol, o que culminaria nos Séculos Escuros da língua, aproximadamente do século XVI até meados do século XVIII, quando o galego escrito praticamente desapareceu, exceto em usos privados ou ocasionais, embora a língua falada continuasse sendo a língua comum do povo nas aldeias e até mesmo nas cidades.
A partir desse momento, a Galiza, que participou em menor escala da expansão americana do Império Espanhol, viu-se no centro das guerras atlânticas travadas pela Espanha contra os franceses e as potências protestantes da Inglaterra e dos Países Baixos, cujos corsários atacavam as áreas costeiras, embora grandes ataques não fossem comuns, já que o litoral era difícil e os portos facilmente defensáveis. Os ataques mais famosos foram contra a cidade de Vigo, por Sir Francis Drake, em 1585 e 1589, e o cerco da Coruña em 1589 pela Armada Inglesa. A Galiza também sofreu ataques esporádicos de piratas berberes em busca de escravos, embora não com a mesma frequência que as áreas costeiras do Mediterrâneo. O ataque berbere mais famoso foi o sangrento saque da vila de Cangas em 1617. Nessa época, os pedidos do rei por dinheiro e tropas tornaram-se mais frequentes, devido ao esgotamento humano e econômico de Castela; a Junta do Reino da Galiza (as Cortes locais ou assembleia representativa) foi inicialmente receptiva a esses pedidos, arrecadando grandes somas, aceitando o recrutamento dos homens do reino e até mesmo encomendando uma nova esquadra naval, sustentada com as rendas do Reino.

Após a ruptura das guerras com Portugal e a Catalunha, a Junta mudou sua atitude, desta vez devido ao esgotamento da Galiza, agora envolvida não apenas em operações navais ou ultramarinas, mas também em uma exaustiva guerra com os portugueses, guerra que produziu milhares de baixas e refugiados e perturbou fortemente a economia e o comércio locais. Assim, na segunda metade do século XVII, a Junta frequentemente negava ou reduzia consideravelmente os pedidos iniciais do monarca, e, embora a tensão não tenha chegado aos níveis vividos em Portugal ou na Catalunha, houve frequentes motins urbanos, e algumas vozes chegaram a pedir a secessão do Reino da Galiza.
Durante a Guerra Peninsular, o levante bem-sucedido da população local contra as novas autoridades francesas, somado ao apoio do exército britânico, limitou a ocupação a seis meses, entre 1808 e 1809. No período anterior à guerra, o Conselho Supremo do Reino da Galiza (Junta Suprema del Reino de Galicia), autoproclamado soberano interino em 1808, foi o único governo do país e mobilizou cerca de 40 mil homens contra os invasores.
A divisão territorial da Espanha de 1833 pôs fim formal ao Reino da Galiza, unificando a Espanha em uma única monarquia centralizada. Em vez de sete províncias e uma administração regional, a Galiza foi reorganizada nas atuais quatro províncias: Corunha, Pontevedra, Lugo e Oursene. Embora reconhecida como "região histórica", esse status era estritamente honorífico. Em reação, surgiram movimentos nacionalistas e federalistas.
O general liberal Miguel Solís Cuetos liderou uma tentativa de golpe separatista em 1846 contra o regime autoritário de Ramón María Narváez. Solís e suas forças foram derrotados na Batalha de Cacheiras, em 23 de abril de 1846, e os sobreviventes, incluindo o próprio Solís, foram fuzilados. Eles ocuparam seu lugar na memória galega como os Mártires de Carral, ou simplesmente os Mártires da Liberdade.
Derrotados no fronte militar, os galegos voltaram-se para a cultura. O Rexurdimento concentrou-se na recuperação da língua galega como veículo de expressão social e cultural. Entre os escritores associados a esse movimento estão Rosalía de Castro, Manuel Murguía, Manuel Leiras Pulpeiro e Eduardo Pondal.
No início do século XX, houve uma nova guinada em direção à política nacionalista com a Solidaridad Gallega (1907–1912), inspirada na Solidaritat Catalana da Catalunha. A Solidaridad Gallega fracassou, mas em 1916 as Irmandades da Fala se desenvolveram primeiro como associação cultural, mas logo se tornaram um movimento nacionalista pleno. Vicente Risco e Ramón Otero Pedrayo foram figuras culturais de destaque desse movimento, e a revista Nós, fundada em 1920, sua instituição cultural mais notável, tendo Lois Peña Novo como figura política de destaque.

A Segunda República Espanhola foi proclamada em 1931. Durante a república, o Partido Galeguista (PG) foi o mais importante de um conjunto variável de partidos nacionalistas galegos. Após um referendo sobre um Estatuto de Autonomia para a Galiza, esta obteve o status de região autônoma.

A Galiza foi poupada do pior dos combates naquela guerra: foi uma das áreas onde a tentativa inicial de golpe no início do conflito teve sucesso, e permaneceu sob controle nacionalista (o exército do general galego, Francisco Franco) durante toda a guerra. Embora não tenha havido batalhas campais, houve repressão e morte: todos os partidos políticos foram abolidos, assim como todos os sindicatos e organizações nacionalistas galegas, como o Seminario de Estudos Galegos. O estatuto de autonomia da Galiza foi anulado (assim como os da Catalunha e das províncias bascas, uma vez conquistadas). Neste processo, muitos dos dissidentes políticos galegos foram forçados a exilar-se (exílio galego), ou foram vítimas de outras represálias e afastados de seus empregos e cargos. O general Francisco Franco — ele próprio galego, de Ferrol — governou como caudilho-ditador, desde a guerra civil até sua morte, em 1975. O regime centralizador de Franco suprimiu qualquer uso oficial da língua galega, incluindo o uso de nomes galegos para recém-nascidos, embora seu uso oral cotidiano não tenha sido proibido. Entre as tentativas de resistência estavam pequenos grupos de guerrilha de esquerda, como os liderados por José Castro Veiga ("O Piloto") e Benigno Andrade ("Foucellas"), ambos eventualmente capturados e executados. Na década de 1960, ministros como Manuel Fraga Iribarne introduziram algumas reformas que permitiram que tecnocratas ligados ao Opus Dei modernizassem a administração, de modo a facilitar o desenvolvimento econômico capitalista. No entanto, por décadas a Galiza permaneceu confinada, em grande parte, ao papel de fornecedora de matérias-primas e energia para o restante da Espanha, e levando a uma onda de migração para a América, com destaque especial ao Brasil, Argentina e Venezuela (veja: imigração galega no Brasil), além de migrações para diversas partes da Europa, como a Suíça.
A economia galega finalmente começou a se modernizar com uma fábrica da Citroën francesa em Vigo, a modernização da indústria conserveira e da frota pesqueira e, eventualmente, uma modernização das pequenas práticas agrícolas camponesas, especialmente na produção de leite bovino. Na província de Ourense, o empresário e político Eulogio Gómez Franqueira deu impulso à criação de gado e aves ao fundar a Cooperativa Orensana S.A. (Coren).
Na última década do governo de Franco, houve uma renovação do sentimento nacionalista na Galiza. O início da década de 1970 foi um período de agitação entre estudantes universitários, trabalhadores e agricultores. Em 1972, greves gerais em Vigo e Ferrol custaram a vida de Amador Rey e Daniel Niebla. Mais tarde, o bispo de Mondoñedo-Ferrol, Miguel Anxo Araúxo Iglesias, escreveu uma carta pastoral que não foi bem recebida pelo regime franquista, sobre uma manifestação em Bazán (Ferrol) na qual dois trabalhadores morreram.
Como parte da transição para a democracia após a morte de Franco em 1975, a Galiza recuperou seu status de região autônoma dentro da Espanha com o Estatuto de Autonomia de 1981, que começa assim: "A Galiza, nacionalidade histórica, constitui-se em Comunidade Autônoma para acessar seu autogoverno, de acordo com a Constituição Espanhola e com o presente Estatuto (…)". Atualmente, não existe movimento separatista relevante na Galiza, com menos de 15% da população apoiando a separação.




A região da Galiza se localiza no maciço da Galiza, uma formação montanhosa constituída por morros brandos, construídos no decorrer de séculos por chuvas volumosas. Esta copiosidade de chuvas decorre da localização da Galiza na extremidade noroeste da península, uma área por onde vêm ventos repletos de umidade provenientes do Atlântico.
A paisagem galega é compreendida por campos verdes em que se alimenta o boi. Anteriormente, a mata mais rica era a de carvalhos, mais tarde sucedida pela de pinheiros-bravos. Igualmente são ricos os castanheiros, eucaliptos, azinheiras e sobreiros, principalmente nas planícies.
Menos o Minho — o principal rio e limite internacional natural com Portugal — e de seu mais importante tributário, o Sil, os cursos d'água da Galiza são, genericamente, de extensão reduzida, em função da vizinhança do litoral com as montanhas. Boa parte destes rios compõem ampliações em sua foz, chamadas "rias"; por exemplo, o rio Ulla constitui a Ría de Arosa; o Lérez, a de Pontevedra; etc.
A Galiza tinha 2 714 741 habitantes em 1.º de janeiro de 2025, segundo as cifras populacionais elaboradas pelo Instituto Galego de Estatística (IGE) com base nas operações estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE). A população distribui-se de forma bastante desigual pelo território: as maiores concentrações encontram-se no litoral ocidental e nas áreas metropolitanas de Vigo e Corunha, enquanto extensas áreas do interior apresentam menor densidade populacional, envelhecimento mais acentuado e perda ou estagnação demográfica. Em perspectiva histórica, a população galega aumentou de 2,07 milhões de habitantes em 1900 para um máximo superior a 2,8 milhões no início da década de 1980, passando posteriormente por períodos de declínio e estabilização.

A estrutura do povoamento galego caracteriza-se pela combinação de grandes cidades, extensas áreas periurbanas e uma elevada dispersão de pequenos núcleos rurais. A Enciclopedia Galega Universal destaca a existência histórica de dezenas de milhares de entidades singulares de população e a presença de aproximadamente quatro mil paróquias, enquanto os estudos de geografia humana apontam para uma progressiva concentração populacional nas cidades e vilas e, posteriormente, para processos de suburbanização e periurbanização. A urbanização é particularmente intensa no litoral ocidental, onde se articula uma faixa relativamente contínua de cidades, áreas metropolitanas e núcleos costeiros.
Os principais polos urbanos são Vigo, Corunha, Ourense, Santiago de Compostela, Lugo, Pontevedra e Ferrol. Em 2025, os respectivos municípios possuíam, segundo o IGE, 295 735, 251 277, 105 609, 100 842, 100 071, 83 339 e 64 903 habitantes. Vigo e A Corunha constituem os dois maiores centros urbanos, enquanto Santiago de Compostela exerce funções administrativas, universitárias e culturais de âmbito regional. Ourense e Lugo desempenham importantes funções terciárias no interior, e Pontevedra e Ferrol constituem outros polos urbanos relevantes.
As áreas urbanas não se limitam aos limites administrativos dos municípios centrais. Estudos da Universidade de Santiago de Compostela sobre as áreas metropolitanas funcionais da Corunha e de Vigo identificam conjuntos de municípios articulados por relações de trabalho, serviços e deslocamentos cotidianos. No caso de Vigo, a área metropolitana funcional estende-se por diversos municípios do sul da província de Pontevedra; no caso da Corunha, a urbanização e a integração funcional abrangem municípios como Arteixo, Culleredo, Cambre e Oleiros.
A documentação de planejamento urbano também registra a evolução das principais áreas urbanas galegas. Entre 1981 e 2017, a área urbana da Corunha passou de cerca de 284 mil para 365 mil habitantes, a de Santiago de Compostela de 103 mil para 146 mil e a de Ourense de aproximadamente 115 mil para 133 mil, enquanto a área de Ferrol apresentou trajetória descendente. Esses contrastes refletem a concentração das atividades econômicas e dos serviços nas áreas metropolitanas mais dinâmicas.
A sociedade galega possui uma tradição histórica predominantemente católica, vinculada à longa influência da Igreja Católica na organização social e cultural do território. A Catedral de Santiago de Compostela, destino do Caminho de Santiago, constitui um dos principais símbolos dessa tradição religiosa. Entretanto, a composição religiosa contemporânea apresenta crescente secularização. No estudo pós-eleitoral realizado pelo Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) em 2024, entre os adultos entrevistados, 23,3% declararam-se católicos praticantes e 36,2% católicos não praticantes. Outros 1,4% afirmaram professar outra religião, enquanto 9,7% se identificaram como agnósticos, 12,5% como indiferentes ou não crentes e 15,1% como ateus.
A secularização apresenta forte diferenciação geracional. Entre os entrevistados de 18 a 24 anos, 6,3% se declararam católicos praticantes, enquanto 31,4% se identificaram como ateus; entre as pessoas com 75 anos ou mais, os católicos praticantes representavam 55,1% e os ateus, 5,6%. Os dados indicam, portanto, uma redução da identificação religiosa entre as gerações mais jovens, embora o catolicismo continue constituindo a principal tradição religiosa declarada na comunidade.
A composição populacional da Galiza não é normalmente apresentada pelas estatísticas oficiais espanholas mediante categorias étnicas. O INE e o Instituto Galego de Estatística utilizam principalmente variáveis como nacionalidade, país de nascimento e local de residência; por essa razão, não é metodologicamente adequado atribuir percentuais étnicos à população galega a partir de dados de nacionalidade. O conceito de população galega corresponde, assim, sobretudo a uma realidade territorial, histórica, cultural e linguística, que inclui tanto pessoas nascidas na comunidade quanto residentes procedentes de outras partes da Espanha ou do exterior.
Os dados do Censo Anual de População de 2025 permitem, contudo, caracterizar a origem geográfica da população. Dos 2 714 741 residentes, 2 382 744 nasceram na Espanha e 331 997 no exterior. Entre os residentes de nacionalidade espanhola, 164 267 nasceram fora da Espanha, enquanto 167 730 dos residentes com nacionalidade estrangeira nasceram no exterior. Por local de nascimento, 51,78% da população havia nascido no mesmo município onde residia, 23,54% em outro município da mesma província, 6,56% em outra província galega, 5,88% no restante da Espanha e 12,23% no estrangeiro.
A população estrangeira apresenta composição diversificada. Em 1.º de janeiro de 2025 havia 174 494 residentes de nacionalidade estrangeira, equivalentes a 6,43% da população galega. Os grupos mais numerosos provinham da Venezuela, Colômbia, Portugal, Peru, Brasil e Marrocos, embora também existissem comunidades significativas procedentes de Itália, Romênia, Ucrânia, Argentina, Cuba, Senegal e China, entre outros países.
São notórias várias localidades celtas as quais datam do século VI a.C. Bem como o restante da Península Ibérica, a Galícia vivenciou as dominações romana, visigótica e muçulmana, embora em menor escala. Desde o século XVIII, a população cresceu, porque os portos galegos eram utilizados como conexão com as Américas. Esse mesmo acontecimento colaborou para gerar uma grande predisposição à imigração a qual, na segunda metade do século XX, ocasionou um notório grisalhamento da população.

A migração ocupa posição central na história demográfica galega. Durante os séculos XIX e XX, a comunidade caracterizou-se por forte emigração, sobretudo para a América. Estudos históricos destacam os fluxos para Argentina, Brasil, Cuba, Uruguai e Venezuela, seguidos, a partir da segunda metade do século XX, por importantes movimentos para países europeus, especialmente Alemanha, Suíça, França, Países Baixos, Bélgica e Reino Unido. A partir de 1959 verificou-se uma mudança progressiva dos destinos tradicionais americanos para a Europa, embora durante algum tempo os dois fluxos tenham coexistido.
A emigração também contribuiu para a redução do peso relativo da Galiza na população espanhola. Estudos históricos relacionam essa evolução à combinação entre baixas taxas de natalidade, emigração e transformações econômicas. A literatura especializada mostra ainda que, a partir da década de 1970, a emigração exterior perdeu intensidade, enquanto aumentaram os movimentos internos para as cidades galegas e para áreas industrializadas de outras partes da Espanha.

A Galiza tornou-se posteriormente também destino de imigração. Em 2024, o saldo migratório foi positivo em 30 325 pessoas, o maior valor da série estatística do IGE. Em 1.º de janeiro de 2025, a população estrangeira atingiu 174 494 pessoas, seu maior valor histórico até então. A imigração recente contribuiu para compensar parcialmente o saldo natural negativo e para modificar a estrutura etária da população.
A distribuição da população estrangeira, contudo, não é uniforme. Em 2025, representava 7,96% da população da província de Lugo, 7,91% da de Ourense, 6,27% da de A Corunha e 5,62% da de Pontevedra. Entre as nacionalidades estrangeiras, os venezuelanos constituíam o maior grupo, com 27 586 pessoas, seguidos pelos colombianos, com 22 982, portugueses, com 15 981, peruanos, com 12 147, brasileiros, com 11 122, e marroquinos, com 10 866.

A emigração continua presente na sociedade galega contemporânea. Em 2025 havia 548 252 espanhóis inscritos no exterior em alguma das províncias galegas, com grandes comunidades registradas na Argentina, Brasil, Cuba, Uruguai, Suíça e Venezuela. Esse número, entretanto, não corresponde necessariamente ao total de pessoas nascidas na Galiza, pois inclui descendentes de emigrantes e pessoas de nacionalidade espanhola que anteriormente residiram na comunidade.
Estudos recentes também relativizam a ideia de uma simples retomada da emigração galega em massa entre os jovens. Pesquisa publicada na Revista Galega de Economía mostrou que o estoque de emigrantes galegos registrados no exterior apresenta forte envelhecimento: em 2020, 65,6% dos 150 127 nativos galegos registrados no Padrón de Españoles Residentes en el Extranjero (PERE) tinham 65 anos ou mais. Ao mesmo tempo, a imigração estrangeira passou a desempenhar papel crescente na dinâmica populacional da comunidade.

A língua galega é a língua própria da Galiza, e assim foi reconhecida legalmente no seu Estatuto de Autonomia, tornando-se uma das suas línguas oficiais. É usada maioritariamente pelo povo galego; cerca de 90% da população afirma usá-la sempre ou frequentemente. A outra língua oficial é o castelhano, também muito utilizado, que mais de 96% da população afirma conhecer. Além disso, em várias comarcas de Leão e Astúrias, que limitam com o oriente da Galiza, separadas da Galiza administrativa no século XVIII, fala-se também galego. Essas comarcas são reivindicadas por uma parte do nacionalismo galego como pertencentes à nação galega.
A postura oficial na Galiza afirma a total distinção entre ambas línguas, não havendo nenhuma menção da sua semelhança no Estatuto Autonómico, ainda que se alude ao português, de facto, nas primeiras Normas ortográficas e morfolóxicas do galego (1982) quando se estabelece que:
"As escollas normativas deben ser harmónicas coas das outras linguas, especialmente coas romances en xeral e coa portuguesa en particular, evitando que o galego adopte solucións insolidarias e unilaterais naqueles aspectos comúns a todas elas. Para o arrequecemento do léxico culto, nomeadamente no referido aos ámbitos científico e técnico, o portugués será considerado recurso fundamental"
O Estatuto de Autonomia atribui apenas à Real Academia Galega competência para determinar a normativa da "língua própria" da Galiza.
Apesar da aparente apatia do governo local até 2014, quando aprovou a "Lei 1/2014 para o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos com a lusofonia", existe, na Galiza, um movimento reintegracionista que defende a tese de que a língua portuguesa e o galego nunca se separaram realmente, sendo variantes ou dialetos da mesma língua, tal como o português de Portugal e o português brasileiro. A variante da Galiza tem várias denominações além de "galego", como galego-português, portugalego ou português da Galiza.[carece de fontes] Em 2008 foi constituída a Academia Galega da Língua Portuguesa.

A evolução demográfica galega foi marcada por crescimento durante grande parte do século XX, seguido de estagnação, declínio e posterior estabilização. A população passou de 2 073 638 habitantes em 1900 para 2 811 912 em 1981. Depois caiu para 2 731 669 em 1991 e 2 695 880 em 2001. Houve recuperação na década seguinte, atingindo 2 772 928 habitantes em 2011, mas a população voltou a diminuir para 2 698 177 em 2021. A partir de então, registrou-se uma recuperação moderada, chegando a 2 714 741 habitantes em 2025.

A trajetória foi desigual entre as quatro províncias. A Corunha e Pontevedra concentram atualmente a maior parcela da população e apresentaram crescimento de longo prazo, enquanto Lugo e Ourense sofreram perdas demográficas particularmente intensas desde meados do século XX. Entre 1900 e 2025, Lugo passou de 476 357 para 326 022 habitantes, e Ourense, de 419 665 para 305 278. Em contraste, Pontevedra aumentou de 495 721 para 947 818 habitantes e A Corunha, de 681 895 para 1 135 623.
A evolução histórica pode ser relacionada às transformações econômicas e territoriais da comunidade. Até meados do século XX, o crescimento populacional esteve associado a uma elevada ocupação rural e a uma economia agrária; posteriormente, a mecanização e transformação do setor agrícola, a industrialização concentrada em determinados centros urbanos, a emigração e a expansão do setor terciário provocaram profundas alterações na distribuição da população. Desde a segunda metade do século XX, as áreas litorâneas e metropolitanas passaram a concentrar parcela crescente dos habitantes, enquanto extensas áreas rurais do interior enfrentaram despovoamento e envelhecimento.
O principal componente da atual dinâmica demográfica é o crescimento natural negativo. O número de nascimentos caiu de 43 850 em 1975 para 13 350 em 2024, enquanto as mortes aumentaram de 25 834 para 32 749 no mesmo intervalo. Em 2024, portanto, o saldo vegetativo foi de −19 399 pessoas. A tendência prolongou-se em 2025, quando ocorreram 13 556 nascimentos e 33 456 mortes, produzindo saldo vegetativo de −19 900.
O envelhecimento demográfico constitui outra característica marcante. Em 2024, mais da metade das mortes registradas na Galiza correspondeu a pessoas com 85 anos ou mais, e os estudos demográficos indicam uma crescente concentração da população em faixas etárias avançadas. A imigração, por sua vez, apresenta uma estrutura etária relativamente mais jovem, concentrando-se sobretudo entre 25 e 44 anos, contribuindo para atenuar parcialmente os efeitos do envelhecimento e da baixa natalidade.
| Parlamento de Galicia | Xunta da Galiza | Composição parlamentar após as eleições de 2024 |
|---|---|---|
| Governo e política da Galiza | ||
A Galiza é uma das comunidades autónomas da Espanha e dispõe de instituições próprias de autogoverno desde a entrada em vigor do seu Estatuto de Autonomia, aprovado pela Lei Orgânica n.º 1/1981. O Estatuto estabelece que os poderes da comunidade autónoma são exercidos através do Parlamento, da Xunta e da sua Presidência. O Parlamento exerce a função legislativa e de controlo do governo autonómico, enquanto a Xunta e a Presidência exercem o poder executivo. A administração da Justiça, por sua vez, integra o sistema judicial do Estado espanhol, embora a comunidade autónoma disponha de competências administrativas relacionadas com a Justiça.
O Parlamento de Galicia é a assembleia legislativa unicameral da comunidade autónoma e constitui o principal órgão representativo do povo galego. É composto por 75 deputados, eleitos por sufrágio universal, livre, igual, direto e secreto segundo um sistema de representação proporcional. A legislatura tem duração ordinária de quatro anos, e as quatro províncias galegas —A Corunha, Lugo, Ourense e Pontevedra— constituem as circunscrições eleitorais. Entre as suas atribuições estão a aprovação das leis autonómicas, dos orçamentos, o controlo da ação da Xunta, a eleição do presidente da Xunta e outras funções previstas na Constituição espanhola, no Estatuto de Autonomia e na legislação galega.
O poder executivo autonómico é exercido pela Xunta de Galicia e pela pessoa titular da sua Presidência. A Xunta é o órgão colegiado do governo autonómico e é constituída pelo presidente, pelos vice-presidentes, quando existam, e pelos conselheiros. O presidente dirige e coordena a ação do governo, representa a comunidade autónoma e é eleito pelo Parlamento entre os seus membros, sendo posteriormente nomeado pelo rei de Espanha. A Administração geral da comunidade autónoma constitui a estrutura administrativa através da qual são executadas as políticas e decisões do poder executivo.
Em 2026, a Presidência da Xunta era exercida por Alfonso Rueda, que ocupa o cargo desde maio de 2022 e foi investido novamente pelo Parlamento em abril de 2024.
A Justiça na Galiza faz parte do Poder Judiciário espanhol, não constituindo um poder judicial autónomo separado do Estado. O Estatuto de Autonomia atribui, contudo, à comunidade autónoma determinadas funções relativas à administração da Justiça, incluindo competências administrativas reconhecidas pela legislação orgânica estatal e a participação na definição das demarcações territoriais dos órgãos jurisdicionais. A organização judicial culmina, no território galego, no Tribunal Superior de Justiça da Galiza, sem prejuízo das competências reservadas aos órgãos judiciais estatais superiores.

O Tribunal Superior de Justiça da Galiza (TSXG), sediado na A Corunha, é o mais alto órgão jurisdicional no território galego dentro da estrutura judicial espanhola. O Estatuto determina que nele culmina a organização judicial da comunidade autónoma, nos termos estabelecidos pela Constituição e pela legislação orgânica do Poder Judiciário. O tribunal dispõe de salas especializadas, designadamente nos domínios civil e penal, contencioso-administrativo e social.
A estrutura judicial territorial inclui também as Audiências Provinciais das quatro províncias galegas e os tribunais de primeira instância e demais órgãos judiciais definidos pela organização judicial espanhola. A partir da reforma da organização judicial, os tribunais de instância passaram a substituir progressivamente a anterior estrutura baseada exclusivamente em julgados de primeira instância e instrução, mantendo-se a articulação territorial do sistema judicial.
A comunidade autónoma pode exercer as competências administrativas que lhe são atribuídas pelas leis orgânicas do Poder Judiciário e do Conselho Geral do Poder Judiciário. Entre essas atribuições encontram-se matérias relacionadas com meios materiais, pessoal e demarcação territorial, enquanto a organização essencial do Poder Judiciário e o Ministério Público permanecem enquadrados na esfera estatal.

As eleições para o Parlamento da Galiza são realizadas nas quatro províncias, que constituem as circunscrições eleitorais. A legislação fixa em 75 o número total de deputados e estabelece uma distribuição que assegura inicialmente dez lugares a cada província, sendo os restantes distribuídos proporcionalmente à população. Para participar nas eleições é necessário possuir direito de sufrágio e estar inscrito no censo eleitoral. A atribuição dos lugares obedece ao sistema proporcional previsto na legislação eleitoral galega, com aplicação de uma barreira mínima de 5% dos votos válidos na circunscrição.
Nas eleições de 18 de fevereiro de 2024 estavam inscritos 2 693 624 eleitores, dos quais 2 217 110 residiam na Galiza e 476 514 no estrangeiro. A dimensão do eleitorado exterior é particularmente relevante no sistema político galego, tendo em conta a histórica emigração galega e a possibilidade de participação eleitoral dos cidadãos residentes fora da Espanha.
A participação eleitoral nas eleições de 2024 aumentou consideravelmente em relação às eleições realizadas durante a pandemia de COVID-19 em 2020. Segundo os dados divulgados pela administração eleitoral galega, a participação indicada às 20h chegou a 67,30%, enquanto a participação final, considerando o voto dos eleitores residentes no estrangeiro, situou-se em cerca de 56,27%.

O sistema partidário galego desenvolveu-se em torno de forças de âmbito estatal e de organizações nacionalistas ou regionalistas galegas. Entre as principais formações encontram-se o Partido Popular da Galiza (PPdeG), o Bloco Nacionalista Galego (BNG) e o Partido dos Socialistas da Galiza (PSdeG-PSOE). Ao longo da democracia autonómica também participaram outras formações, incluindo organizações da esquerda alternativa, partidos liberais e conservadores e candidaturas de âmbito provincial ou local. Estudos especializados identificam a evolução organizativa dos partidos, o comportamento eleitoral e a formação do sistema de partidos como elementos fundamentais para compreender o funcionamento político da comunidade autónoma.
Nas eleições de 2024, o Partido Popular da Galiza obteve 40 dos 75 lugares do Parlamento, mantendo a maioria absoluta; o Bloco Nacionalista Galego conquistou 25 lugares; o Partido dos Socialistas da Galiza obteve 9; e Democracia Ourensana elegeu um deputado. Outras candidaturas não obtiveram representação parlamentar.

A literatura especializada sobre a política galega destaca, além da competição eleitoral, a evolução histórica do nacionalismo, a organização interna das principais forças partidárias e a relação entre comportamento eleitoral, território e formação de maiorias parlamentares.

O primeiro reconhecimento internacional da Galiza como nação terá ocorrido em 1933, no IX Congresso das Nacionalidades Europeias da Sociedade das Nações, realizado em setembro daquele ano. A participação galega no congresso e o reconhecimento da Galiza como nacionalidade são também mencionados em fontes sobre o nacionalismo galego e a atuação de Plácido Castro.
O dia feriado de festejo da comunidade foi oficializado em 1979, nos primórdios da autonomia, como «Dia Nacional da Galiza», sendo estabelecido o dia 25 de julho como a data da celebração.
O Estatuto de Autonomia de Galiza de 1981 define a Galiza como «nacionalidade histórica». O texto estatutário vigente foi aprovado pela Lei Orgânica 1/1981, de 6 de abril, após referendo realizado em 21 de dezembro de 1980. A condição de nacionalidade histórica está expressamente estabelecida no artigo 1.º do Estatuto. A condição também está relacionada com o processo autonômico iniciado durante a Segunda República Espanhola, quando o projeto de Estatuto de Autonomia da Galiza foi submetido a plebiscito em 28 de junho de 1936, mas não chegou a entrar em vigor devido ao início da Guerra Civil Espanhola.
Em 2005, no contexto da formação do governo bipartido entre PSdeG-PSOE e BNG, foi assinado um pacto de governo que estabelecia as bases programáticas para a ação conjunta das duas formações políticas. O documento destacava a condição da Galiza como uma das nacionalidades históricas do Estado e defendia o avanço do autogoverno galego.
A Galiza possui três símbolos oficiais — a bandeira, o brasão e o hino — reconhecidos pelo Estatuto de Autonomia da Galiza e regulamentados pela Lei n.º 5/1984, de 29 de maio, sobre os símbolos da Galiza. A legislação estabelece que os três símbolos representam a identidade da Galiza como nacionalidade histórica.

A bandeira da Galiza é branca e apresenta uma faixa diagonal azul que se estende do canto superior esquerdo ao canto inferior direito. O Estatuto de Autonomia de 1981 reconheceu-a como símbolo oficial da comunidade autónoma, enquanto a Lei de Símbolos de 1984 estabeleceu as suas proporções e regulamentou a utilização da versão que incorpora o brasão. A bandeira possui proporção de três módulos de comprimento por dois de largura e, quando utilizada nos edifícios públicos e nos atos oficiais da comunidade autónoma, deve apresentar o brasão oficial no centro.
A forma contemporânea da bandeira consolidou-se entre o final do século XIX e o início do século XX e foi posteriormente adotada por organizações do movimento galeguista. O Estatuto de Autonomia aprovado em 1981 conferiu-lhe caráter oficial no âmbito da comunidade autónoma.

O brasão de armas da Galiza apresenta, em campo azul, um cálice de ouro encimado por uma hóstia de prata e acompanhado por sete cruzes recortadas do mesmo metal, três de cada lado e uma na parte superior central. O conjunto é encimado por uma coroa real fechada. A composição foi definida pela Lei de Símbolos de 1984, que também estabeleceu os principais usos oficiais do emblema.
O brasão deve figurar, entre outros lugares previstos pela legislação, nas bandeiras oficiais utilizadas nos edifícios públicos e nos atos oficiais, nas leis promulgadas pelo presidente da Xunta em nome do rei, nas publicações e documentos oficiais, nos diplomas e títulos emitidos pela comunidade autónoma e nos elementos representativos da administração autonómica.
A representação gráfica do brasão foi posteriormente objeto de especificações técnicas destinadas a assegurar a uniformidade da sua reprodução nos diferentes suportes oficiais. A Xunta utiliza o brasão como um dos elementos fundamentais da sua identidade institucional, juntamente com a bandeira e o hino.
O Hino Galego, oficialmente designado pela composição Os Pinos, combina um poema de Eduardo Pondal com música de Pascual Veiga. A composição foi apresentada publicamente em Havana em 1907 e tornou-se progressivamente um dos principais símbolos do galeguismo e da identidade cultural galega.
A Lei de Símbolos de 1984 declarou oficialmente como hino da Galiza a composição Os Pinos, constituída pelo poema de Pondal e pela música de Veiga. A legislação também determina a interpretação do hino nos atos oficiais solenes das instituições autonómicas e das entidades locais situadas no território galego.
A letra do hino foi extraída do poema Os Pinos, publicado por Eduardo Pondal na obra Queixumes dos Pinos, de 1886. O texto associa a identidade galega à memória histórica e cultural do território, enquanto a música de Pascual Veiga contribuiu para a sua transformação em símbolo coletivo da Galiza.
O regime jurídico dos símbolos galegos baseia-se principalmente no artigo 6.º do Estatuto de Autonomia da Galiza, que reconhece a bandeira, o hino e o brasão, e na Lei n.º 5/1984, de 29 de maio, de Símbolos da Galiza. Esta última regulamenta a aparência, as proporções, os usos institucionais e as precedências da bandeira, define o brasão e oficializa a composição musical Os Pinos como hino da comunidade autónoma.
A própria administração educativa galega utiliza os três símbolos como conteúdo didático, abordando a sua origem, evolução histórica e significado no âmbito do ensino das ciências sociais. Materiais educacionais oficiais da Xunta apresentam separadamente a bandeira, o brasão e o hino, relacionando-os com a evolução histórica e cultural da Galiza.
A Galiza está dividida administrativamente em quatro províncias — A Coruña, Lugo, Ourense e Pontevedra —, subdivididas em municípios, denominados oficialmente concellos em galego. Em 2025, a comunidade autônoma possuía 313 municípios: 93 na província de A Coruña, 67 em Lugo, 92 em Ourense e 61 em Pontevedra.
As quatro províncias galegas foram estabelecidas na reorganização territorial espanhola de 1833, que consolidou a divisão administrativa contemporânea da Galiza em A Coruña, Lugo, Ourense e Pontevedra.
A divisão provincial atual substituiu uma organização histórica mais complexa, na qual a Galiza chegou a compreender sete províncias — A Coruña, Santiago, Betanzos, Mondoñedo, Lugo, Ourense e Tui — antes da reforma territorial do século XIX.
Os municípios constituem a unidade básica da administração local galega e são oficialmente designados em galego como concellos. Segundo o Instituto Galego de Estatística (IGE), havia 313 concelhos na Galiza em 2025, distribuídos pelas quatro províncias.
| Província | Municípios |
|---|---|
| A Coruña | 93 |
| Lugo | 67 |
| Ourense | 92 |
| Pontevedra | 61 |
| Total | 313 |
A distribuição municipal galega apresenta grande fragmentação territorial, especialmente em áreas rurais, e está associada a uma densa rede de entidades de povoamento e paróquias civis. O IGE mantém o Nomenclátor e as estatísticas oficiais relativas aos municípios e às entidades de população da comunidade autônoma.
A organização territorial municipal também pode ser estudada em perspectiva histórica por meio da Carta Geométrica de Galicia, elaborada por Domingo Fontán e publicada em 1845, que representava as quatro províncias e sua subdivisão em partidos e municípios.
Os galegos se ocupam especialmente da agricultura, da pecuária e da pesca. As regiões fabris se aglomeram nas cidades mais populosas.
As riquezas agrícolas mais cultivadas constituem os cereais — milho, trigo, cevada, aveia e centeio —, acompanhados por tubérculos como batatas e nabos. Na bacia hidrográfica do rio Minho, plantam-se maçãs e videiras; destas últimas, fabricam-se vinhos degustados, como o popular Ribeiro. A grande manada galega, principalmente de boi, come os pastos os quais medram copiosamente nos vales; nas regiões mais secas, a fonte de renda é suplementada pela suinocultura.
A Galiza é uma das principais áreas pesqueiras espanholas, com elevado volume de capturas, principalmente de frutos do mar, pescada, sardinha e outras espécies. A atividade pesqueira está particularmente associada aos numerosos portos e rias do litoral galego.
A indústria galega ocupa-se sobretudo do processamento de conservas e alimentos, da construção naval, da transformação de matérias-primas e da produção de energia. A construção naval possui especial relevância nas áreas portuárias de Ferrol e Vigo. Em função da grande quantidade de rios, a indústria hidrelétrica igualmente possui importância. Os recursos minerais são variados e já eram explorados no período da Roma Antiga.
A infraestrutura é um dos componentes fundamentais da organização territorial da Galiza, abrangendo a rede de equipamentos e serviços destinados ao atendimento da população e ao funcionamento das atividades econômicas. A distribuição dessas infraestruturas é condicionada pela configuração territorial da comunidade autônoma, pela elevada dispersão do povoamento e pela concentração demográfica e econômica no eixo urbano e litorâneo ocidental. Obras de referência como a Enciclopedia Galega Universal e o Atlas de Galicia e de España destacam a importância das redes de comunicação, dos equipamentos urbanos e dos serviços públicos na estruturação do território galego.
A estrutura territorial da comunidade apresenta contrastes entre as áreas metropolitanas e litorâneas, que concentram parcela significativa da população, das atividades econômicas e das redes de transporte, e os espaços rurais do interior, caracterizados por maior dispersão populacional. Essa configuração constitui um dos principais desafios para a prestação homogênea de serviços de saúde, educação, transporte, telecomunicações e outros serviços públicos em todo o território.

A infraestrutura de saúde da Galiza é organizada principalmente pelo Servizo Galego de Saúde (Sergas), que mantém uma rede formada por hospitais, centros de especialidades, centros de saúde, serviços de urgência, farmácias e outros estabelecimentos sanitários. O próprio Sergas disponibiliza um registro dos centros, serviços e estabelecimentos sanitários existentes na comunidade, permitindo sua consulta por município, província, tipo de estabelecimento e titularidade.

A rede hospitalar é complementada pela atenção primária, cujos centros constituem o primeiro ponto de contato da população com o sistema sanitário. O mapa de serviços sanitários do Sergas inclui hospitais e centros de especialidades, centros de saúde, farmácias, serviços de urgência e pontos de doação de sangue distribuídos pelo território galego.

Em 2026, a Xunta de Galicia destinou recursos significativos à construção, reforma e modernização da infraestrutura sanitária. O orçamento daquele ano previu cerca de 59,8 milhões de euros para a construção e reforma de centros de atenção primária, abrangendo diferentes municípios, além de investimentos em grandes complexos hospitalares e equipamentos médicos.

A rede educacional galega compreende estabelecimentos públicos, privados e concertados destinados à educação infantil, primária, secundária, formação profissional, educação de adultos e outras modalidades de ensino. Segundo o Instituto Galego de Estatística, em 2025 havia 1 344 centros docentes de regime geral na comunidade, dos quais 1 063 eram públicos.
A modernização da infraestrutura escolar constitui uma das linhas de atuação da política educacional autonômica. Em 2026 estavam previstas obras de construção, ampliação e melhoria em centenas de estabelecimentos de ensino, incluindo intervenções destinadas à eficiência energética, acessibilidade, renovação de coberturas e fachadas e adaptação dos edifícios às necessidades pedagógicas contemporâneas.
No ensino superior, a comunidade dispõe do Sistema Universitário da Galiza, formado pelas universidades de Santiago de Compostela, A Corunha e Universidade de Vigo, além de uma rede de centros de pesquisa e formação especializada. A expansão universitária e científica foi acompanhada pela modernização das instalações educacionais e pela incorporação progressiva de tecnologias digitais ao ensino.
A rede de transportes galega articula rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, desempenhando papel fundamental na integração interna da comunidade e nas ligações com o restante da Espanha, Portugal e os demais países europeus. Historicamente, as áreas metropolitanas e o litoral ocidental apresentam maior densidade de infraestrutura, embora investimentos posteriores tenham ampliado e modernizado as conexões com o interior.

A infraestrutura ferroviária é constituída principalmente pela rede administrada pela ADIF e pelas linhas de alta velocidade que conectam a Galiza ao restante da rede ferroviária espanhola. O mapa ferroviário atualizado de 2024 disponível no Wikimedia Commons representa as principais linhas e suas características técnicas no território galego.

O transporte aéreo dispõe de três aeroportos comerciais principais: Santiago-Rosalía de Castro, A Corunha e Vigo. Em 2026, os três aeroportos apresentaram crescimento da movimentação acumulada de passageiros, com Santiago funcionando como principal aeroporto galego em volume de tráfego. O aeroporto de Santiago-Rosalía de Castro, localizado nos municípios de Santiago de Compostela, O Pino e Boqueixón, dispõe de terminal, acessos rodoviários, estacionamento, plataforma de aeronaves e torre de controle dimensionados para atender elevado volume de passageiros.

O sistema portuário constitui outro elemento essencial da infraestrutura de transportes. Entre as principais autoridades portuárias encontram-se A Coruña, Ferrol, Marín, Vigo e Vilagarcía de Arousa. A integração dos portos às redes ferroviária e rodoviária e aos corredores europeus é considerada estratégica para o transporte de mercadorias e para a atividade industrial e logística.

A Galiza possui uma matriz energética marcada pela participação de fontes renováveis, sobretudo a energia hidrelétrica e a energia eólica. A disponibilidade de recursos hídricos, o relevo e as condições de vento favoreceram a implantação de numerosas instalações de geração de eletricidade, principalmente em áreas montanhosas e do litoral.
O Instituto Enerxético de Galicia destaca a importância da eficiência energética, da redução da dependência externa e da descarbonização dos setores econômicos e sociais. Entre os principais usos de energia final encontram-se o calor e os combustíveis destinados a usos térmicos, os combustíveis empregados nos transportes e a eletricidade.
A infraestrutura energética também enfrenta desafios relacionados à capacidade e à modernização da rede elétrica. Em 2026 foram anunciados investimentos destinados a novas subestações e ao reforço das redes de transmissão e distribuição, inclusive para facilitar a integração de novas fontes renováveis e a expansão industrial.


A segurança pública galega envolve instituições de diferentes níveis administrativos, incluindo as Polícia Nacional, a Guardia Civil, as polícias locais e os organismos autonômicos de proteção civil e emergências. O Ministério do Interior mantém estruturas das forças e corpos de segurança do Estado na comunidade, enquanto a Xunta exerce competências próprias em matéria de emergência, proteção civil e coordenação de serviços públicos.
A Axencia Galega de Emerxencias (AXEGA) é responsável pela coordenação de parte da estrutura autonômica de proteção civil e gestão de emergências, incluindo o 112 Galicia. O sistema recebe chamadas de emergência e as encaminha aos serviços responsáveis pela assistência, abrangendo ocorrências como acidentes, incêndios, salvamentos, emergências sanitárias e outras situações de risco.

A estrutura de emergências também inclui serviços especializados de combate a incêndios, salvamento e proteção civil, cuja coordenação é especialmente relevante diante dos riscos associados aos incêndios florestais, acidentes rodoviários e marítimos e eventos meteorológicos adversos.

As telecomunicações constituem uma infraestrutura estratégica para a integração territorial da Galiza, particularmente devido à dispersão do povoamento rural e às distâncias entre os principais centros urbanos. A legislação autonômica estabelece normas específicas para o planejamento, instalação e ordenamento das infraestruturas de telecomunicações e determina que edifícios públicos e obras públicas considerem a instalação de canalizações e espaços destinados aos equipamentos de comunicação eletrônica.
A Xunta também desenvolveu planejamento específico para as infraestruturas públicas terrestres de telecomunicações administradas pela Retegal, com o objetivo de organizar territorialmente as instalações existentes e orientar a implantação de futuras infraestruturas.
A transformação digital avançou durante a década de 2020 com a expansão da fibra óptica, das redes móveis e do 5G, além da digitalização dos serviços públicos. O balanço da Estratégia Galicia Digital 2030 registrou, em 2025, a continuidade da implantação de novas torres de telefonia móvel e a expansão de serviços digitais destinados à administração, educação, saúde e atendimento ao cidadão.


O setor de serviços compreende uma ampla variedade de infraestruturas e equipamentos destinados ao atendimento da população, incluindo abastecimento de água, saneamento, gestão de resíduos, administração pública, justiça, serviços sociais, comércio, turismo, cultura e serviços financeiros. A dispersão territorial da população aumenta a necessidade de garantir a presença de equipamentos e serviços também fora das principais áreas metropolitanas.
A administração autonômica vem ampliando a prestação digital de serviços públicos por meio da sede eletrônica, aplicativos móveis e sistemas de interoperabilidade. Em 2025, a Estratégia Galicia Digital 2030 registrou milhões de procedimentos eletrônicos, além da expansão de ferramentas digitais nas áreas de educação, saúde, justiça, emprego e administração pública.
Os serviços públicos também são objeto de planejamento orçamentário específico da Xunta, que estrutura investimentos nas áreas de saúde, educação, infraestrutura, habitação, meio ambiente, administração pública, cultura, emprego, desenvolvimento rural e outras políticas setoriais.
A infraestrutura de comunicação social integra ainda redes de rádio e televisão com cobertura regional. A Corporación de Servizos Audiovisuais de Galicia mantém serviços públicos de comunicação audiovisual, enquanto a Radiotelevisión Española dispõe de estrutura territorial em Galicia e produz programação informativa específica para a comunidade.
A cultura da Galiza caracteriza-se pela combinação entre tradições populares transmitidas ao longo das gerações e manifestações artísticas contemporâneas. A língua galega, a literatura, a música, a dança, as artes visuais, o teatro, o audiovisual e os numerosos costumes associados à vida comunitária constituem elementos importantes da identidade cultural galega. O património material inclui, entre outros elementos, igrejas, espigueiros, cruzeiros, castros, monumentos megalíticos e conjuntos históricos, enquanto o património imaterial compreende tradições orais, festas, música, dança, conhecimentos e técnicas artesanais. A paisagem cultural galega também foi profundamente influenciada pelo Caminho de Santiago, cujo principal destino é Santiago de Compostela, reconhecida pela UNESCO como Património Mundial.
A evolução cultural galega foi marcada por diferentes períodos históricos. Depois de uma longa tradição de criação oral, a literatura escrita ganhou novo impulso no século XIX com o Rexurdimento, associado sobretudo a Rosalía de Castro, Eduardo Pondal e Curros Enríquez. No século XX, movimentos culturais e galeguistas favoreceram novas experiências literárias, artísticas e musicais, embora a Guerra Civil Espanhola e a ditadura franquista tenham dificultado a continuidade de muitas iniciativas. Com a democratização da Espanha e a criação da Comunidade Autónoma da Galiza, a produção cultural passou por um processo de profissionalização e de maior projeção internacional, especialmente nos campos editorial, musical e audiovisual.
O artesanato constitui uma das expressões mais antigas da cultura material galega. A atividade reúne técnicas relacionadas com a cerâmica e a olaria, madeira e cestaria, pedra, metal, couro, têxteis, vidro, joalharia, instrumentos musicais, encadernação e outras especialidades. A Xunta de Galicia mantém a marca Artesanía de Galicia, criada em 2001 como instrumento de valorização e identificação dos produtos produzidos pelos profissionais do setor.

Entre as especialidades tradicionais destacam-se a cestaria, a cerâmica, a joalharia e a ourivesaria, além de trabalhos em pedra, madeira e fibras vegetais. Os chamados sancosmeiros, chapéus de palha produzidos por técnicas de entrançamento, constituem um exemplo de artesanato relacionado historicamente com as atividades rurais. A produção contemporânea procura preservar essas técnicas ao mesmo tempo que incorpora novos desenhos e usos.

A importância dos ofícios tradicionais também é representada pelo Museo do Pobo Galego, que possui espaços dedicados aos canteiros, ferreiros, carpinteiros, cesteiros, tecelões, oleiros e outros profissionais. A canteria possui particular importância na região, devido ao uso histórico da pedra na construção de casas, igrejas, cruzeiros e outros elementos do patrimônio arquitetônico.
A legislação contemporânea reconhece a dimensão cultural e econômica do artesanato. A Lei 8/2023, de 14 de dezembro, reorganizou a regulamentação do setor, procurando favorecer sua proteção, modernização, profissionalização e sustentabilidade.
O património cultural material apresenta grande diversidade territorial. Monumentos megalíticos, gravuras rupestres, castros, construções romanas, igrejas, espigueiros, cruzeiros e conjuntos históricos coexistem com manifestações culturais modernas. Santiago de Compostela ocupa posição central nesse patrimônio devido à sua relação com o culto jacobeu, com a arte medieval e com as diferentes correntes artísticas que chegaram à Península Ibérica por meio das rotas de peregrinação.
O folclore galego compreende um conjunto diversificado de narrativas, crenças, personagens míticos, festas, cantos, danças e práticas comunitárias. O imaginário tradicional inclui histórias relacionadas com seres sobrenaturais, lugares encantados, lendas, aparições e personagens como as meigas e os mouros, enquanto determinadas festividades preservam elementos de origem rural e religiosa. O Entroido constitui uma das manifestações festivas de maior visibilidade da cultura popular galega.

As manifestações folclóricas estiveram historicamente associadas às comunidades locais, às festas paroquiais, às romarias e às reuniões coletivas. Segundo a documentação oficial sobre o patrimônio imaterial, reuniões denominadas foliadas, seráns, ruadas, fiadeiros ou polavilas funcionavam como espaços de encontro nos quais música, canto, dança, narrativas e transmissão de informações se combinavam.

A dança tradicional galega está estreitamente ligada à música. Entre suas formas encontram-se a muiñeira, a jota e diferentes modalidades de dança coletiva, cuja execução envolve movimentos, posições corporais, deslocamentos e coreografias transmitidos pela tradição. A prática pode assumir caráter participativo e comunitário, combinando improvisação dentro de padrões tradicionais com elementos coreográficos relativamente estruturados.
A pesquisa acadêmica também documentou os esforços de recuperação das músicas e danças de tradição oral, especialmente a partir da segunda metade do século XX. Trabalhos de campo, entrevistas e iniciativas de grupos locais contribuíram para registrar repertórios que anteriormente dependiam principalmente da transmissão oral.

A música tradicional constitui uma das expressões mais reconhecíveis da identidade cultural galega. A gaita galega ocupa lugar de destaque, acompanhada por instrumentos como pandeireta, pandeiro, tambor, bombo, zanfonha e diferentes instrumentos de cordas e sopros. O repertório inclui formas como a muiñeira, a jota, os alalás, as alboradas, os pasacalles, cantos de trabalho, romances, cantos de Natal e outras formas de canto tradicional.
A tradição musical galega possui afinidades com as de Astúrias, Portugal e Leão, além de apresentar relações mais amplas com a música tradicional da Europa Ocidental. Ao longo do tempo, ritmos estrangeiros também foram incorporados ao repertório popular, incluindo formas como pasodoble, valsa, mazurca, polca e rumba.
A música tradicional também influenciou a criação musical contemporânea. Artistas e grupos galegos passaram a combinar repertórios tradicionais com rock, música popular, música eletrônica, jazz e outras linguagens, contribuindo para ampliar a presença internacional da música galega. A imprensa e os meios públicos de comunicação continuam a acompanhar tanto a tradição quanto as novas expressões musicais.
O teatro galego desenvolveu-se como parte importante do sistema cultural contemporâneo da comunidade. A criação de instituições culturais e a profissionalização do setor ganharam força depois da autonomia política, enquanto companhias, autores, atores, diretores e festivais ampliaram a produção teatral em língua galega.
O sistema teatral inclui instituições como o Centro Dramático Galego, companhias profissionais e amadoras, escolas especializadas e numerosos festivais. O setor também se relaciona com a televisão, o cinema, a dança e outras artes cênicas, formando um campo cultural interdisciplinar.

A Galiza possui uma ampla rede de museus, centros culturais, arquivos, bibliotecas, teatros e espaços destinados às artes contemporâneas. Entre as instituições de maior projeção estão o Museo do Pobo Galego, em Santiago de Compostela, a Cidade da Cultura da Galiza, o Centro Galego de Arte Contemporánea (CGAC), o Museu de Belas Artes da Corunha e a Filmoteca de Galicia.

O CGAC foi criado em 1993 e funciona como espaço de exposição, reflexão e divulgação da arte contemporânea, apresentando tanto artistas galegos quanto criadores internacionais. Além das exposições, promove conferências, oficinas e atividades relacionadas com música, artes cênicas, arquitetura, moda e cinema.

O Museo do Pobo Galego possui coleções relacionadas com a sociedade, os ofícios, a música, a arquitetura popular, a indumentária, a arqueologia, a imprensa e outros aspectos da vida cultural galega. Seu acervo documental inclui também mapas, cartazes, partituras, programas de festas, folhetos e materiais associados à tradição oral.

A literatura galega possui uma tradição medieval associada à lírica galego-portuguesa e passou por períodos de retração e posterior recuperação. O Rexurdimento do século XIX representou uma etapa decisiva, sobretudo com a publicação de Cantares gallegos, de Rosalía de Castro, em 1863, obra que a Real Academia Galega considera fundamental para a consolidação do renascimento literário galego.
Além de Rosalía, o cânone literário moderno inclui autores como Eduardo Pondal, Curros Enríquez, Ramón Cabanillas, Vicente Risco, Castelao, Otero Pedrayo, Eduardo Blanco Amor, Rafael Dieste e Álvaro Cunqueiro, entre muitos outros. Uma antologia publicada pela Real Academia Galega reúne textos representativos de autores que contribuíram para a poesia e a prosa galegas desde o Rexurdimento até o século XX.
A produção literária contemporânea diversificou-se em gêneros como romance, conto, ensaio, literatura infantil e juvenil, dramaturgia, banda desenhada e literatura policial. O Dicionario da literatura galega procura abranger tanto as obras centrais do cânone quanto gêneros historicamente menos valorizados, incluindo o teatro e a literatura infantil e juvenil.
A poesia ocupa posição central na tradição literária galega. A produção medieval associada à lírica galego-portuguesa constitui um dos principais antecedentes históricos, enquanto a poesia do século XIX teve papel decisivo na recuperação literária da língua galega. Rosalía de Castro, Eduardo Pondal e Curros Enríquez são algumas das figuras fundamentais desse processo.
A poesia contemporânea mantém forte presença no sistema cultural galego, com autores de diferentes gerações e tendências. O gênero também se relaciona com a música, a oralidade e as tradições populares. A exposição Cantareiras. Oralidade. Creación. Transmisión, realizada pelo Museo do Pobo Galego, destacou o papel das criadoras e transmissoras da poesia popular oral e sua continuidade até a atualidade.

A pintura galega desenvolveu-se em diálogo com as correntes artísticas europeias e espanholas, mas também incorporou temas relacionados com a paisagem, a sociedade e a identidade da região. Entre os artistas mais conhecidos encontram-se Castelao, Maruja Mallo, Laxeiro, Luis Seoane e outros autores que contribuíram para diferentes fases da arte galega moderna e contemporânea.
O Museu de Belas Artes da Corunha conserva importante acervo de pintura espanhola e europeia, além de obras da pintura galega produzidas desde o século XIX até a atualidade. A instituição também reúne gravuras de Francisco de Goya e peças de cerâmica relacionadas à produção de Sargadelos.
A arte contemporânea ganhou novos espaços institucionais com a criação do CGAC, que passou a integrar a Galiza nos circuitos internacionais da arte contemporânea e a apresentar exposições de artistas galegos e estrangeiros.

A escultura possui uma presença histórica particularmente visível nos monumentos religiosos e civis da Galiza. O Pórtico da Glória, na Catedral de Santiago de Compostela, constitui uma das principais realizações escultóricas do românico europeu e integra um conjunto monumental cuja influência artística ultrapassou o território galego.
A escultura pública também se tornou componente importante das cidades galegas. Monumentos dedicados a escritores, políticos, artistas, personagens históricos e trabalhadores rurais encontram-se em espaços urbanos de Santiago de Compostela, A Coruña, Vigo, Pontevedra, Cambados, Redondela e outras localidades. O acervo visual disponível no Wikimedia Commons documenta parte significativa dessas obras e inclui esculturas de Rosalía de Castro, Breogán, Valle-Inclán e numerosas outras figuras e monumentos galegos.

O cinema galego desenvolveu-se desde as primeiras experiências cinematográficas realizadas no território no final do século XIX. Pesquisas recentes sobre a história do cinema filmado na Galiza identificam registros realizados a partir de 1897 e acompanham a evolução da produção audiovisual até as primeiras décadas do século XX.
A Filmoteca de Galicia, anteriormente conhecida como Centro Galego de Artes da Imaxe, desempenha papel central na preservação e divulgação do patrimônio cinematográfico e audiovisual da comunidade. A instituição conserva filmes, materiais videográficos, cartazes e fotografias, além de desenvolver programas de restauração, digitalização, formação de público e exibição.
O audiovisual tornou-se um dos setores culturais de maior projeção da Galiza, abrangendo cinema, televisão, documentário, animação e produção digital. O Consello da Cultura Galega também promove estudos, encontros e ciclos dedicados ao cinema galego e às suas relações com Portugal e outros espaços culturais.
Entre as manifestações contemporâneas destacam-se cineastas, atores e produtores que alcançaram reconhecimento dentro e fora da Espanha. A imprensa galega tem destacado, entre outros nomes, Margarita Ledo, Chelo Loureiro, Melania Cruz, Diana Toucedo e diferentes gerações de realizadores e intérpretes ligados ao novo cinema galego.

A gastronomia da Galiza caracteriza-se pela diversidade de produtos provenientes tanto do litoral como das áreas rurais e pela utilização de ingredientes locais. Entre os pratos e produtos tradicionalmente associados à culinária galega encontram-se a empanada, o polbo á feira, o caldo galego, os grelos, diferentes preparações de peixes e mariscos, carnes, queijos e produtos de panificação.
Os produtos do mar ocupam lugar importante na alimentação e nas tradições gastronômicas da comunidade, incluindo mexilhão, ostras, amêijoas, lagosta, caranguejos e diferentes espécies de peixes. O polbo á feira é uma das preparações mais conhecidas, sendo tradicionalmente servido cozido, cortado em rodelas e temperado com azeite, sal e pimentão. O mexilhão da Galiza possui denominação de origem protegida e constitui um dos produtos agroalimentares galegos reconhecidos pelo sistema europeu de qualidade diferenciada.

Entre os produtos agroalimentares com proteção de origem encontram-se também o Pemento de Herbón, a Ternera Gallega, o Capón de Vilalba, a Castaña de Galicia, os Grelos de Galicia e diversos queijos. A Galiza possui quatro denominações de origem protegida para queijos: Queixo Tetilla, Arzúa-Ulloa, Cebreiro e San Simón da Costa.

A produção vinícola constitui outro elemento importante da gastronomia galega. Entre as denominações de origem encontram-se Rías Baixas, Ribeiro, Ribeira Sacra, Valdeorras e Monterrei, abrangendo diferentes áreas produtoras e variedades de uvas. Os vinhos acompanham frequentemente pratos e produtos tradicionais e estão também associados a numerosas festas gastronômicas realizadas em diferentes municípios da comunidade.
Na confeitaria destacam-se preparações como a torta de Santiago, elaborada à base de amêndoas, além de doces tradicionais como a larpeira, os melindres e a bica. A gastronomia também está associada a numerosas festas populares e gastronômicas, nas quais produtos locais, receitas tradicionais e vinhos regionais constituem elementos centrais da celebração.
Em castelhano: Galicia, pronunciado [ɡaˈliθja]