| Judith Lauand | |
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| Nascimento | 26 de maio de 1922 Pontal |
| Morte | 9 de dezembro de 2022 (100 anos) São Paulo |
| Residência | Pontal, São Paulo |
| Cidadania | Brasil |
| Ocupação | pintora, gravador, artista gráfica |
Judith Lauand (Pontal, 26 de maio de 1922 — São Paulo, 9 de dezembro de 2022), foi uma artista plástica brasileira, concreta, pop e experimental.
Suas obras se destacaram pela combinação entre a linguagem geométrica da arte concreta e abstrata em conjunto com as experimentações desenvolvidas em diferentes momentos de sua trajetória artística. Além disso, sua produção também ficou marcada pelo rigor geométrico, contrastes cromáticos e uso de linhas e planos. Sua carreira se estendeu por mais de sete décadas, período em que participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, produzindo desenhos, colagem, têxteis e objetos tridimensionais.
Judith Lauand nasceu em Pontal, no interior de São Paulo, em 1922. Filha de dois imigrantes libaneses, cresceu em uma numerosa família junto com 11 irmãos. Ela se desenvolveu em um ambiente cercada pela arte desde criança, apresentando um grande talento artístico. Já jovem, Lauand recebeu a oferta de uma bolsa da família Lupo para estudar arte na Europa, entretanto, seu pai não permitiu.
Começou a dedicar-se a pintura na década de 1940 em Araraquara, na escola de Belas Artes. No início de sua carreira dedicava-se a arte com influência expressionista, pintando figuras e naturezas mortas. Formou-se em Artes Plásticas em 1950 e em 1952 mudou-se para São Paulo onde estudou gravura com Livio Abramo. Passou a se dedicar a abstração em 1953 e entra em contato com o concretismo em 1954. Um marco em sua trajetória ocorreu no mesmo ano, quando atuou como monitora da II Bienal Internacional de São Paulo. A experiência possibilitou seu contato com importantes artistas e tendências da arte moderna, entre eles Geraldo de Barros e Alexandre Wollner. Ainda em 1954 realizou sua primeira exposição individual na Galeria Ambiente.

Em 1955, foi convidada por Waldemar Cordeiro para integrar o grupo Ruptura tornando-se a única mulher a participar do movimento concretista paulista. A partir desse período, abandonou gradualmente a figuração e passou a desenvolver uma produção baseada na abstração geométrica e nos princípios da arte concreta. É fundadora da Galeria NT (NOVAS TENDÊNCIAS) em São Paulo junto com Hermelindo Flaminghi e Luiz Sacilotto. Em 1958 ganha o prêmio Leirner de Arte Contemporânea.
A partir da década de 1960, Judith Lauand passou a reincorporar elementos figurativos à sua produção artística, ampliando os limites da linguagem concreta que havia caracterizado sua trajetória anterior. Influenciada pela poesia concreta, integrou palavras e expressões às composições, utilizando-as como elementos visuais e estruturais de suas obras. Nesse período, marcado por acontecimentos como a Ditadura Civil Militar no Brasil e a Guerra do Vietnã, desenvolveu trabalhos que abordavam temas políticos, sociais e questões relacionadas à representação feminina que demonstraram o diálogo da artista com os debates de seu tempo.
Lauand participou de importantes exposições realizadas pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), entre elas a primeira edição do Panorama da Arte Atual Brasileira'', em 1969. Criado sob a direção de Diná Lopes Coelho o evento tinha como objetivo ampliar e renovar o acervo da instituição por meio de prêmios de aquisição e doações. Na ocasião, a artista contribuiu para a iniciativa ao doar a obra ''Stop the War'' (1969) ao museu. Após cerca de três décadas sem participar de exposições promovidas pela instituição, sua obra voltou a integrar mostras de destaque dedicadas à arte construtiva brasile

ira, como ''Arte Construtiva no Brasil: Coleção Adolpho Leirner'' (1998), ''Paralelos: arte brasileira da segunda metade do século XX em contexto'' (2002) e ''Concreta '56: a raiz da forma'' (2006).
Em 2008, Lauand foi convidada a participar do Clube de Colecionadores de Gravura do MAM-SP. Para a iniciativa, autorizou a reimpressão de uma xilogravura produzida na década de 1950 e doou a matriz original da obra ao acervo do museu.
Em 2022, ano do centenário de seu nascimento, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) realizou a exposição retrospectiva ''Judith Lauand: Desvio Concreto'', dedicada a revisitar sua obra e evidenciar sua contribuição para a arte brasileira do século XX e início do século XXI.
Judith Lauand morreu no dia 9 de dezembro de 2022 em sua casa, no bairro de Pinheiros, São Paulo, aos 100 anos.

Obras de Judith Lauand integram importantes acervos públicos e privados no Brasil e no exterior, entre os quais: