Julio Benedicto Ottoni (Rio de Janeiro, 24 de setembro de 1857 – Rio de Janeiro, 12 de dezembro de 1926) foi um advogado, industrial e benemérito brasileiro. Atuou como presidente da Companhia Luz Stearica, presidente do Clube de Regatas do Flamengo e destacou-se por expressivas doações de patrimônio histórico e educacional às esferas pública e cultural do país.
Graduou-se bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo em 4 de novembro de 1878, integrando a 47.ª Turma da instituição. No início de sua carreira jurídica, atuou como promotor público na comarca de Sorocaba, no interior de São Paulo, estabelecendo-se posteriormente como advogado na cidade do Rio de Janeiro.
Atuação profissional e desportiva
No setor industrial, Julio Ottoni exerceu o cargo de presidente da Companhia Luz Stearica, empresa sediada no Rio de Janeiro, dedicada à fabricação de velas de estearina, glicerina e sabão.
No âmbito desportivo, presidiu ao Clube de Regatas do Flamengo entre 24 de janeiro de 1923 e 12 de maio de 1924, período que corresponde à administração do futebol e das atividades náuticas da agremiação carioca.
Vida pessoal
Casou-se em primeiras núpcias com Paulina de Souza Queiroz em 15 de julho de 1879, união posteriormente anulada por decreto papal. Contraiu segundas núpcias com Rosina Michel, de quem se divorciou. Em 27 de outubro de 1911, casou-se em terceiras núpcias com Hermínia de Barros, em cerimônia realizada em Montevidéu, no Uruguai.
Benemerência e legado
Ao longo de sua vida, realizou doações institucionais de relevância histórica e educacional:
Coleção Benedicto Ottoni: Em 1911, adquiriu de José Carlos Rodrigues e doou à Fundação Biblioteca Nacional um acervo composto por livros raros e manuscritos históricos sobre o Brasil. A doação foi classificada institucionalmente como um marco na história da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Infraestrutura Escolar: Doou ao município do Rio de Janeiro o prédio da Escola Municipal Benedicto Ottoni, inaugurada em 15 de agosto de 1917. No mesmo terreno, articulou e doou o espaço para a construção do Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) Bárbara Ottoni, inaugurado em 29 de março de 1922.
Liderança Filantrópica: Presidiu a Associação Promotora da Instrução no Rio de Janeiro e destinou os fundos resultantes da dissolução de seu primeiro matrimônio para a Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.
Doações de Acervos e Imóveis: Entregou ao Museu Naval a espada histórica que pertencera ao seu pai, Cristiano Ottoni, e ao seu tio, o capitão-tenente Jorge Benedicto Ottoni. Também efetuou a doação da antiga residência de sua família na cidade de Serro, em Minas Gerais, imóvel transformado posteriormente no Museu Regional Casa dos Ottoni.
Referências
↑«Falecimentos». Jornal do Commercio. Rio de Janeiro. 14 de dezembro de 1926
12Ottoni, C. B. (2014). Autobiografia de C. B. Ottoni: natural da Vila do Príncipe, depois da cidade do Serro, na província de Minas Gerais. Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial. 302páginas
↑«Relação de Formados da Associação dos Antigos Alunos da Faculdade de Direito da USP.»Em falta ou vazio |url= (ajuda)
↑«Noticiário do Interior». A Província de São Paulo. São Paulo. 13 de julho de 1881
↑«Companhia Luz Stearica». Gazeta de Notícias. Rio de Janeiro. 3 de outubro de 1895
↑«Luz Stearica». A Notícia. Rio de Janeiro. 24 de setembro de 1915. p.3
↑Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial. Rio de Janeiro: [s.n.] 1911