KV55

KV55
Local de sepultamento de Tiy, Aquenáton ou Semencaré.
KV55
Sarcófago de madeira dourada e incrustada do KV55, atualmente no Museu Egípcio de Antiguidades do Cairo. O rosto e o cartucho contendo o nome do ocupante do sarcófago foram danificados na antiguidade, sugerindo que o corpo em seu interior era o de Akhenaton.
Localização Vale dos Reis, ao lado da KV6
Descoberta 1907
Escavação Edward Russell Ayrton (1907-08), Lyla Pinch Brock (1992-93)
Extensão 27,61 m
Área 84.3 m²

A KV55 (acrônimo de "King's Valley #55") é uma tumba localizada no Vale dos Reis, no Egito. Foi descoberta por Edward R. Ayrton em 1907, enquanto trabalhava no vale para Theodore M. Davis, que publicou uma nota da escavação (The Tomb of Queen Tîyi) em 1910.

Há muito tempo se especula, e também muito se debate, que o corpo encontrado nessa tumba seria o do famoso faraó Aquenáton, que transferiu a capital para Aquetáton (atual Amarna). Resultados de testes genéticos e outros estudos científicos publicados em fevereiro de 2010 sugeriram que a pessoa ali sepultada era tanto filho de Amenófis III quanto pai de Tutancâmon. Além disso, o estudo indicou que a idade dessa pessoa no momento da morte era compatível com a de Aquenáton, tornando quase certa a identificação do corpo como sendo dele. No entanto, um conjunto crescente de pesquisas passou a contestar essa avaliação da idade da múmia e a identificação de KV55 como sendo Aquenáton.

Tanto a história da tumba quanto a identificação de seu único ocupante têm sido problemáticas. Presume-se que se trate de um depósito funerário real e de um reenterro do final da XVIII dinastia, preparado após o abandono de Amarna e a desmontagem da necrópole real de lá. Com base nos artefatos recuperados, também se sugere que o sepultamento pode ter contido mais de um indivíduo, enterrados em uma única ocasião ou ao longo do tempo. A rainha Tiye é frequentemente mencionada nesse contexto.

Também é claro que a tumba foi reaberta posteriormente, quase certamente durante a XX dinastia. Nesse período, quaisquer outros possíveis ocupantes teriam sido removidos e possivelmente transferidos para KV35, enquanto a múmia remanescente e alguns dos artefatos foram profanados e abandonados.

A tumba é frequentemente chamada de “cache de Amarna”, devido à natureza mista de seu conteúdo.

A tumba

Layout da KV55
A - Entrada
B - Corredor
J - Câmara do sarcófago
Ja - Câmara anexa

A KV55 é uma tumba relativamente pequena, sua extensão total mede apenas 27,61 m. Está localizada imediatamente adjacente a KV6 (tumba de Ramessés IX) e quase em frente a KV7 (tumba de Ramessés II).

Sua entrada, virada para o leste, segue para uma escadaria e, então, para um corredor levemente descendente acabando na câmara do sarcófago. Na parede sul da câmara do sarcófago há uma pequena câmara anexa, e marcas vermelhas de alvenaria indicam que ali seria aberta uma outra câmara, que deixaria a tumba com uma planta similar a de Tutancâmon (KV62). As paredes são rebocadas e não decoradas, atípico para uma tumba real.

Esta tumba foi muito danificada na antiguidade tornando sua interpretação e estudo muito difíceis. Além de terem, talvez, sido depredadas na antiguidade para apagar a memória de Aquenáton, ela também foi danificada quando da construção da tumba próxima KV6, durante a vigésima dinastia.

Um dos quatro vasos canopo encontrados na KV55, que se pensa ter o formato do rosto da rainha Kiya, esposa de Aquenáton.

As evidências dentro da tumba complicam ainda mais sua atribuição. A porta tem selos contendo o nome de Tutancâmon. Os vasos canopo encontrados assemelham-se fortemente às feições de uma esposa de menor importância de Aquenáton, Kiya. Pedaços do santuário quebrado apresentam o nome e representações da mãe de Aquenáton, a rainha Tiy. O próprio nome de Aquenáton aparece em uma série de "tijolos mágicos" encontrados na tumba, e em outras peças aparece o nome de Amenófis III, predecessor de Aquenáton, de sua filha e esposa Sitamon. Todos esses achados remetem a grades figuras do período Amarna, no qual Aquenáton tentou acabar com o politeísmo egípcio, daí o nome popular da tumba "O Depósito de Amarna".

Acredita-se que a tumba foi construída inicialmente para um enterro privado e individual, e então foi assumida, por intermédio de um membro real, como uma possível tumba de Tutancâmon.

Identificação da múmia

Entretanto, quando a tumba foi aberta em janeiro de 1907, uma única múmia masculina foi encontrada. Alguns acreditarem ser a múmia de Aquenáton, por causa da presença de alguns itens funerários do mesmo (principalmente tijolos mágicos e representações do deus Aton, em que ainda podia ser visto algo parecido com a silhueta de Aquentaton) e também pelo vandalismo ocorrido no sarcófago, já que Aquenáton era tido como um faraó herético.

A cartela com o nome da múmia estava destruída, ao contrário de outras mencionando o nome da rainha Tiy, e o Uraeus, adorno em forma de serpente, havia sido removido da múmia. Ainda, a múmia tinha várias características similares com a de Tutancâmon - lábio leporino, o crânio alongado e ligeira escoliose, bem como o quadril largo. Ou seja, esta múmia poderia ser a múmia perdida de Aquenáton, transferida para o Vale dos Reis no reinado de seu possível filho, que seria o pequeno Tutancâmon.

Porém, exames recentes estimaram que a pessoa mumificada morreu com aproximadamente 20 anos, muito jovem para ser Aquenáton. Outros, porém, deduziram, a partir da dentição, a idade de 30 anos para a múmia, o que estaria de acordo com a idade de Aquenáton. Apesar de não haver nada confirmado eficientemente ainda, ambas as estimativas destroem a possibilidade de a múmia ser Semencaré.

Teoria de Nicholas Reeves

Crânio encontrado na KV55.

Um outra possibilidade, sugerida por Nicholas Reeves, um consagrado egiptólogo, diz que Aquenáton e sua mãe, Tiy, foram originalmente enterrados na capital de Aquenáton, Aquetaton (atualmente conhecida como Tell el-Amarna), mas as múmias foram movidas para a KV55 na época do abandono de Aquetaton, durante o reinado de Tutancâmon, filho de Aquenáton com sua segunda esposa, Kiya. A porta foi então selada com o nome de Tutancâmon. Ali permaneceram as duas múmias por mais de 200 anos até serem redescobertas por trabalhadores que construíam a tumba de Ramessés IX, próxima a esta. E, naquela época, como Aquenáton era tido como o "Rei Herético", tiraram o sarcófago da rainha Tiy de perto de sua presença suja, exceto pelo seu santuário dourado que teria de ser desmontado para a sua remoção. A imagem de Aquenáton foi tirada do santuário. E então, a máscara dourada foi retirada do sarcófago de Aquenáton e os hieróglifos que identificavam-no foram apagados fadando, conseqüentemente, seu ocupante ao esquecimento. E, como um insulto final, uma grande pedra foi deixada sobre o sarcófago.

Em 1923, Harry Burton, usou a KV55 como uma câmara escura para revelar as fotografias de Howard Carter documentando a escavação da tumba de Tutancâmon

Ver também

Referências

  1. 1 2 3 4 5 «Theban Mapping Project (em inglês)». Consultado em 12 de setembro de 2008. Arquivado do original em 28 de maio de 2007
  2. ↑ Hawass, Zahi (2010). «Ancestry and Pathology in King Tutankhamun's Family». JAMA (em inglês). 303 (7): 638–647. ISSN 0098-7484. doi:10.1001/jama.2010.121
  3. ↑ Strouhal, Eugen (2010). «Biological Age of Skeletonized Mummy from Tomb Kv 55 at Thebes». Anthropologie (1962-). 48 (2): 97–112. ISSN 0323-1119. JSTOR 26292898
  4. ↑ «News from the Valley of the Kings: DNA Shows that KV55 Mummy Probably Not Akhenaten». Kv64.info. 2010. Consultado em 25 de agosto de 2012. Cópia arquivada em 7 de março de 2010
  5. ↑ Marchant, Jo (2011). «Ancient DNA: Curse of the Pharaoh's DNA». Nature (472): 404–406. Consultado em 19 de junho de 2026
  6. ↑ Jo Marchant (ed.). «Royal Rumpus over King Tutankhamun's Ancestry». New Scientist. Consultado em 19 de junho de 2026
  7. 1 2 Reeves, Nicholas. Wilkinson, Richard H. The Complete Valley of the Kings. p.121. Thames & Hudson. 1997. (Reprint) ISBN 0-500-05080-5
  8. ↑ Reeves, Nicholas. Wilkinson, Richard H. The Complete Valley of the Kings. p.120. Thames & Hudson. 1997. (Reprint) ISBN 0-500-05080-5
  9. ↑ Nefertiti and the Lost Dynasty, National Geographic Channel 2007.
  10. ↑ Mark Rose (ed.). «Royal Coffin Controversy». Archaeology. Consultado em 19 de junho de 2026
  11. ↑ Reeves, Nicholas. Akhenaten: Egypt's False Prophet. p.83. Thames & Hudson. 2005. ISBN 0-500-28552-7

Ligações externas