João Lançoni Netto (Curitiba, 28 de agosto de 1930]] – Matinhos, 13 de setembro de 2014), mais conhecido como Lanzoninho, foi um ex-futebolista brasileiro notabilizado como um dos primeiros a defender o Trio de Ferro do futebol paulistano, sendo precisamente o terceiro e, em outras opiniões, o segundo a ter jogado tanto no Corinthians como no Palmeiras e também no São Paulo.
Curiosamente, Lanzoninho também trabalhou no Trio de Ferro Paranaense: como jogador e treinador no Coritiba, como treinador no Athletico e como jogador ou treinador em equipes que dariam origem ao atual Paraná. Lanzoninho, que atuava como ponta-direita, é ainda um dos brasileiros que já defenderam na Argentina o Independiente. Também é considerado um dos maiores ídolos do Santa Cruz.
Fora do futebol, foi designado Embaixador da Boa Vontade pela Organização das Nações Unidas, o que lhe valeu homenagem póstuma em junho de 2026 pela Câmara Municipal de Curitiba.
Ele integrou família bastante ligada ao Coritiba: era irmão de Florisval Lançoni, mais conhecido como Neno, quatro vezes artilheiro na década de 1940 no campeonato paranaense e maior goleador do clássico com o Athletico, e primo de Altevir João Stella, outro atacante que na mesma década reforçou o Palmeiras junto a Neno. Lanzoninho, inicialmente, se formou no extinto Água Verde, uma das equipes que dariam origem ao atual Paraná Clube. Ele eventualmente veio a defender o Coritiba junto a outro irmão, o meio-campista Dorival, que já era conhecido pelo sobrenome - usualmente grafado como Lanzoni ou Lanzone.
Lanzoninho chegou ao Coritiba em 1949. Jogou por 25 vezes, com dez gols conhecidos. Três deles ocorrem em diferentes Atletibas: um em 1949 e outros dois em 1950, incluindo vitória de 4–1 válida pelo estadual daquele ano. Teve mais de um ciclo como treinador no clube, o que incluiu título estadual de 1972, ano de destaque também pela campanha quinta colocada no Brasileirão.
Como treinador, também esteve em outros clubes curitibanos. Essa carreira começou justamente no rival Athletico, em 1967, incumbido de ordenar uma equipe chamativamente reforçada com Djalma Santos, Bellini e Dorval, dentre outros. Pôde obter o primeiro turno do estadual, mas acabou despedido sem maiores explicações ainda antes do certame ser concluído. Em 1973, começou dirigindo o Colorado, outro dos clubes que originariam o Paraná, realizando no estadual um trabalho elogiado para um elenco modesto, o que lhe valeu novo convite para, no Brasileirão de 1973, treinar o Athletico. Em janeiro de 1974, teve outro ciclo no Coritiba, onde também trabalhou em 1977.
Em 1951, temporada em que a Ponte Preta, fazia sua estreia na primeira divisão do campeonato paulista, Lanzoninho foi uma das novidades da equipe de Campinas. Ele chegou ao São Paulo no primeiro trimestre de 1953.
Lanzoinho não obteve títulos considerados oficiais com o São Paulo, mas participou da conquista da Pequena Taça do Mundo de 1955. além de totalizar 50 gols ao longo de 147 jogos. Também como são-paulino, ele marcou gols em todos os principais rivais: foram três no Choque-Rei, que incluíram o primeiro de vitória de 5-0 pelo estadual de 1956; também três no Majestoso, incluindo-se dois em vitória de 3-1 pelo Torneio Rio-São Paulo de Futebol de 1953. e outros três no San-São, sendo um em 2-0 nesse mesmo Rio-São Paulo e outros dois em vitória de 5-3 em 1956.
Ao longo desse período, contudo, ele também foi continuamente emprestado a outros clubes. Ainda em 1953, foi treinado por Oswaldo Brandão na Portuguesa Santista; em 1954, defendeu em Bauru o Noroeste, sendo apontado como uma das referências de Pelé naquela cidade.
Em 1957, o empréstimo de Lanzoninho foi direcionado então ao Santa Cruz, onde foi protagonista do primeiro título pernambucano em dez anos. O triunfo de 3-2 dentro da Ilha do Retiro sobre um favorito Sport do goleiro Manga foi apenas a segunda vez em que os corais foram campeões estaduais em pleno Clássico das Multidões.
O prestígio de Lanzoninho ainda perdurava na ocasião do centenário do clube, e chegou a valer-lhe passagem como treinador em 1974, menos exitosa: os tricolores ansiavam por igualar o recordista hexacampeonato estadual seguido do outro rival, o Náutico, e eram dados como favoritos, mas não conseguiram o título.
Lanzoninho fez em novembro de 1958 sua última partida pelo São Paulo, seguindo carreira inicialmente no Juventus. Pelo time da Mooca, tomou parte em agosto de 1959 da famosa partida em que Pelé marcou o gol que julgava como o mais bonito da carreira.
Em janeiro de 1960, estreou pelo Corinthians. Marcou naquele ano seus dois gols como corintiano no Derby Paulista.
Em 1961, Oswaldo Brandão foi requisitado pela primeira vez para treinar o Independiente. Outros brasileiros acabaram contratados pelo Rojo: Joãozinho Severiano, junto ao Grêmio, e Lanzoninho, que puderam atuar juntos somente na 7ª rodada.
A impressão do trabalho de Brandão foi boa, embora ofuscada pela temporada ainda melhor do rival Racing, campeão argentino de 1961 após liderar todas as rodadas. O atacante, por sua vez referido normalmente como Lanzoni pelos argentinos, marcou quatro gols em 21 partidas. Teve seu grande momento precisamente em Clássico de Avellaneda, ao marcar dois gols em goleada de 4-0 sobre futuro campeão; no primeiro, aos 7 minutos de jogo, encobriu o goleiro Ataúlfo Sánchez, abrindo o placar, enquanto aumentou a vantagem para 2-0 aos 9 minutos do segundo tempo - em jogada na qual chegou a ser derrubado por um marcador, mas levantou-se rapidamente a tempo de manter a posse da bola antes de acertar um chute forte a meia-altura. Ele ainda gerou também o quarto gol, ocorrido sob assistência dele, a partir de cobrança de escanteio para Luis Ernesto Suárez marcar de cabeça.
Os outros gols de "Lanzoni" pelo Independiente ocorreram sobre o Rosario Central, ao marcar o terceiro de vitória por 3-2, em chute forte não evitado por Edgardo Andrada; e o único na derrota de 3-1 em visita ao Vélez Sarsfield, em chute rasteiro que pôde ser convertido mesmo sem ângulo favorável. Ele gerou outros gols além dos quatro que marcou: sofreu o pênalti que resultou no único gol de duelo com o Argentinos Juniors, na tarde em que atuou ao lado de Joãozinho; assistências para o único gol em partida com o Chacarita Juniors, para o segundo de triunfo de 2-1 sobre o Los Andes, para o segundo de 4-2 sobre o 4º colocado Atlanta e para o único gol de duelo com o San Lorenzo. Na penúltima rodada, tornou a ser personagem de clássico com o Racing, dessa vez por deflagrar involuntariamente batalha campal que se desdobrou em quatro expulsões para cada lado: o Independiente havia acabado de empatar em 1-1 e o brasileiro buscou apressar o reinício do jogo ao buscar a bola na rede, sendo freado por um adversário e acabando por ser um dos expulsos na confusão que surgiu.
Após a estadia no Independiente, Lanzoninho ingressou no Palmeiras em 1962, entrando em campo por nove vezes entre março e setembro. Na época, ele se tornou apenas o terceiro a jogar pelo Trio de Ferro, após Elyseo e Cláudio. Há versões que consideram Lanzoninho como o segundo, atrás apenas de Cláudio, diante dos jogos de Elyseo pelo Corinthians se resumirem a dois amistosos.
Seus dois únicos gols como palmeirense vieram em 4-1 sobre a Ferroviária, que então vivia a melhor fase de sua história. Curiosamente, o autor do gol adversário foi Benny, brasileiro que defenderia o Independiente também, no ano seguinte. Apesar da passagem alviverde, Lanzoninho ainda voltou em Corinthians em 1963, realizando mais três partidas como corintiano. Ainda defendeu clubes no exterior, como Millonarios e Sport Boys, antes de parar de jogar.
João Lançoni Netto morreu por complicações de AVC na cidade paranaense de Matinhos, na qual chegara a ser nomeado na década de 1990 como diretor do departamento municipal de Turismo e Relações Públicas.
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